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Ópera

Ópera é um gênero artístico teatral que consiste em um drama encenado acompanhada de música, ou seja, composição dramática em que se combinam música instrumental e canto, com presença ou não de diálogo falado. Os cantores são acompanhados por um grupo musical, que em algumas óperas pode ser uma orquestra sinfônica completa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Componentes

Os cantores e seus personagens são classificados de acordo com seus timbres vocais

Cada uma destas classificações tem subdivisões, como por exemplo: um barítono pode ser um barítono lírico, um barítono de caráter ou um barítono bufo, os quais associam a voz do cantor ou cantora

Enredo

Uma ópera segue, basicamente, um roteiro padrão. Primeira parte, a Abertura, onde é tocada uma música pela orquestra. Seguida por, Recitativo, onde os atores ficam dialogando. Os personagens secundários participam do coro, enquanto os principais interpretam as árias (composições para voz solista).

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Origem

O termo ópera provém do latim opera, plural de opus ("obra", na mesma língua), sugerindo que esta combina as artes de canto coral e solo, recitativo e balé, em um espetáculo encenado. A ópera surgiu no início do século XVII, na Itália para definir as peças de teatro musical, às quais se referia, com formulações universais como dramma per música (drama musical) ou favola in música (fábula musical), espécie de diálogo falado ou declamado acompanhado por uma orquestra. Devido seu local de origem, a maior parte das óperas é encenada em latim ou italiano. Suas origens remontam as tragédias gregas e cantos carnavalescos italianos do século XIV. A primeira obra considerada uma ópera, data aproximadamente do ano 1594 em Florença no final do Renascimento. Chamada Dafne (está atualmente desaparecida) escrita por Jacopo Peri e Ottavio Rinuccini, para um círculo elitista de humanistas florentinos, conhecido como a Camerata. Dafne foi uma tentativa de reviver uma tragédia grega clássica, como parte de uma ampla reaparição da antiguidade que caracterizou o Renascimento. Um trabalho posterior de Peri e Rinuccini, Eurídice - escrita para as bodas de Henrique IV de França e Maria de Médici, em 1600 - é a primeira ópera que sobreviveu até a atualidade.

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Ópera italiana

Na Itália, três cidades deram importantes contribuições para o desenvolvimento da ópera. A escola considerada mais importante foi de Veneza, onde surgiu o primeiro gênio da ópera, Claudio Monteverdi (1567-1643). Nascido em Cremona, foi membro da sociedade "Os Filarmônicos de Bologna", onde realizou progressos na arte musical e contribuiu com o crescimento do drama lírico com suas óperas L'Orfeo (1607), L'Arianna (1608), Il ritorno d'Ulisse in patria (1640) e L'incoronazione di Poppea (1643). Seu discípulo, Francesco Cavalli (1602-1676) aperfeiçoou o estilo de Monteverdi, agrupando várias vozes em duetos, tercetos e quartetos, e colocando os coros em lugar de importância secundária. Cavalli introduziu também os elementos cômicos. Contemporâneos de Cavalli, encontramos Giacomo Carissimi (1605-1674), de Roma, que se distinguiu nos oratórios. Seu discípulo Antonio Cesti (1623-1669), introduziu na escola veneziana o estilo do oratório de Carissimi. Só que o público já clamava pela forma de Cavalli, por isso Cesti dividiu a ópera em Ópera-séria e Ópera-bufa.

Ópera-séria

A ópera-séria, também conhecida como dramma per musica ou melodramma serio, refere-se a um estilo nobre e sério de ópera italiana que predominou na década de 1710. A sua origem foi a partir das convenções austeras do drama através da música, do chamado alto barroco. O próprio termo era pouco usado na época, e só se tornou comum depois que a própria ópera séria saiu de moda, pois se apresentava muito elaborada, com várias cenas diferentes, sem se importar com a temática dramática, e com presença de grandes coros, sem nenhuma temática também dramática. A orquestra era meramente um acompanhamento.

Ópera-buffa

A ópera-buffa, também conhecida como commedia per musica ou divertimento giocoso, refere-se à versão italiana da opéra-comica. A sua origem estava ligada a desenvolvimentos musicais e literários que ocorriam em Nápoles no início do século XVIII, de onde se espalhou para Roma e norte da Itália. Distingue-se da ópera-cômica (produzida mais tarde na França) onde o diálogo é falado. Na ópera cômica a ação não é sempre cômica, como exemplos: "Médée" e "Carmen". "Il barbiere di Siviglia", de Rossini, é um exemplo de ópera-bufa. A ópera-bufa era de caráter ligeiro e burlesco, mantendo grande parte do efeito dramático, mas frequentemente se convertia em vulgar e meramente comum. O diálogo por meio de recitativos, fora tarde modificado com a introdução de árias, duetos e corais. Este estilo de ópera tornou-se popular em Nápoles, onde dava aos cantores oportunidades para exibir suas técnicas vocais.

Bel Canto

O bel canto é um estilo do início do século XIX, presente na ópera italiana, que se caracterizava pelo virtuosismo e os adornos vocais que demonstrava o solista em sua representação. Ademais, baseava-se numa expressão vocal distinta, em que o drama deveria ser expresso através do canto, valorizando-se sobretudo a melodia e mantendo-se sempre uma linha de legato firme e impecável. O estilo bel canto contém alguns dos personagens mais complexos e dramáticos do repertório operístico, como a Norma, de Bellini, e a Lucia di Lammermoor, de Donizetti. Era, contudo, uma forma de expressão particular, alinhada aos ideais do Romantismo. Na primeira metade do século XIX o bel canto alcançou seu nível mais alto, através das óperas de Gioachino Rossini, Vincenzo Bellini e Gaetano Donizetti, dentre outros. Esta técnica continuou a ser utilizada muito tempo depois, embora novas correntes musicais a tenham sobrepujado.

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Ópera francesa

Rivalizando com produções importadas da ópera italiana, uma tradição francesa separada, cantada em francês, foi fundada pelo compositor italiano Jean-Baptiste Lully, que monopolizou a ópera francesa desde 1672. As aberturas de Lully, seus recitativos disciplinados e fluidos e seus intermezzi estabeleceram um padrão que Gluck lutou por reformar quase um século depois. A ópera na França permaneceu, incluindo interlúdios de balé e uma elaborada maquinaria cenográfica. A ópera francesa foi influenciada pelo bel canto de Rossini e outros compositores italianos.

Ópera-comique

A ópera francesa com diálogos falados é conhecida como ópera-comique, independente de seu conteúdo, mas, inicialmente, por volta do início do século XVIII, seu libreto estava atrelado ao gênero buffo. Teve seu auge entre os anos de 1770 e 1880 e uma de suas representantes mais reconhecidas foi Carmen de Bizet, de 1875. A ópera-comique serviu como modelo para o desenvolvimento do singspiel alemão e pode assemelhar-se à operetta, conforme o peso de seu conteúdo temático.

Grand Ópera

Os elementos da Grand Ópera francesa apareceram pela primeira vez nas obras Guillaume Tell, de Rossini, em 1829, e Robert le Diable, de Meyerbeer, em 1831. Caracteriza-se por ter decorações luxuosas e elaboradas, um grande coro, uma grande orquestra, balés obrigatórios e um número elevado de personagens. O ápice da Grand Ópera na Itália se dá com Verdi, com Les vêpres siciliennes e Don Carlos, e na Alemanha, com o Rienzi, de Wagner.

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Ópera alemã

Origem

Inspirada predominantemente na ópera italiana, desenvolveu-se desde meados da metade do século XVII uma tradição operística nos territórios de língua alemã. A primeira ópera de um compositor teutônico foi Dafne, de Heinrich Schütz, cuja partitura infelizmente não sobreviveu ao tempo. Schütz conheceu a forma musical durante sua estadia na Itália entre 1609 e 1613. Apenas alguns anos após a estreia de Dafne, foi composta a primeira ópera de língua alemã que chegou até nós: Seelewig ou Das geistliche Waldgedicht oder Freudenspiel, genannt Seelewig (O poema espiritual da floresta ou peça alegre, intitulado Seelewig), de Sigmund Theophil Staden, a partir de um libreto de Georg Philipp Harsdürffer. Seelewig é uma obra alegórico-didática, inspirada na dramaturgia escolástica (Schuldrama) da Renascença alemã.

Romantismo

Com Weber (1786-1826) inicia-se a ópera romântica alemã. Em Der Freischütz ele oferece ao povo alemão sua primeira ópera nacional. Outros representantes do romantismo operístico alemão foram Franz Schubert (Fierrabras), cujas óperas, por conta de seus libretos de baixa qualidade, foram praticamente esquecidas, e Robert Schumann, que nos legou apenas uma ópera (Genoveva). Ademais destacam-se as óperas de Heinrich Marschner - cujos eventos sobrenaturais e descrições da natureza (por exemplo, em Hans Heiling) muito influenciariam Richard Wagner -, Albert Lortzing (Zar und Zimmermann e Der Wildschütz), Friedrich von Flotow (Martha), Louis Spohr (Faust) e Otto Nicolai (Die lustigen Weibern von Windsor).

Richard Wagner

Richard Wagner revolucionou de tal forma o romantismo operístico alemão que os seus predecessores foram quase que inteiramente esquecidos após ele. Ele obteve seu primeiro sucesso com Rienzi, que foi logo em seguida superado por O Navio Fantasma (Der fliegende Hollander). Por conta de seu envolvimento com a Revoluções de 1848 em Dresden, Wagner precisou se exilar por muitos anos na Suíça. Seu amigo e, posteriormente, genro, o grande compositor Franz Liszt, promoveu a estreia de Lohengrin em Weimar, fazendo com que Wagner, apesar do exílio, continuasse a ser apresentado na Alemanha. Com o patrocínio do jovem rei bávaro Luís II, Wagner pode concretizar o seu sonho de encenar a tetralogia O Anel dos Nibelungos em um teatro especialmente construído para tal, o Bayreuther Festspielhaus, no qual, até hoje, apenas suas óperas são apresentada.

Richard Strauss e a Segunda Escola de Viena

O mais importante compositor de óperas alemãs após Wagner foi Richard Strauss. Suas duas primeiras obras, Salomé e Elektra, são normalmente classificadas como romântico-tardias ou expressionistas. Algumas de suas óperas posteriores, especialmente O Cavaleiro da Rosa (Der Rosenkavalier), remetem, no entanto, a estilos anteriores. Além das óperas mencionadas, destacam-se Ariadne em Naxos (Ariadne auf Naxos), A Mulher sem Sombra (Die Frau ohne Schatten), Die ägyptische Helena e Arabella, todas elas – assim como Elektra e O Cavaleiro da Rosa – tiveram o seu libreto escrito pelo poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal. Entre as obras tardias de Stauss destaca-se ainda Die schweigsame Frau, com libreto de Stefan Zweig.

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Ópera na atualidade

Após as correntes minimalistas e atonais de vanguarda, a segunda metade do século XX presenciou um momento misto na composição operística. Por um lado, compositores como Philip Glass (Einstein on the Beach) seguiram um estilo minimalista, enquanto compositores como Samuel Barber e Francis Poulenc compuseram escritas puramente tonais. No momento contemporâneo, os principais compositores de ópera são John Adams (Nixon in China), Tobias Picker, Jake Heggie, André Previn, Mark Adamo,Jorge Antunes (Olga) e Kaija Saariaho, entre outros. A produção operística continua intensa, embora poucas delas consigam se firmar no repertório das casas de ópera.

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Ópera em Portugal

Desconhece-se exatamente quando se começou a cantar ópera em Portugal, mas já antes de 1755 havia um teatro onde se executava ópera em Lisboa e que foi destruído pelo terramoto. Foi já na regência de Dom João, Príncipe do Brasil (futuro Dom João VI), que se inaugurou, em 1793, o Teatro Nacional de São Carlos, com a ópera La ballerina amante, de Cimarosa. Também o Teatro Nacional São João, no Porto, foi inaugurado durante a regência do Príncipe do Brasil, e foi palco de inúmeras óperas desde então. Foi no Porto que a célebre cantora lírica Luísa Todi viveu e trabalhou antes de seguir para Londres, onde alcançaria fama internacional. Luísa Todi era natural de Setúbal, terra também estreitamente ligada a ópera. Depois de um declínio na atuação e assistência deste espectáculo musical em Portugal na sequência da revolução de 1974, hoje em dia a ópera está de novo em ascensão, com mais atuações, maior público e mais investimentos públicos e privados.

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Ópera no Brasil

Imagem: Juanje Orío · BY-NC-ND · Openverse

A ópera era uma forma de lazer no século XIX, tocada muito nos Saraus (um evento cultural ou musical realizado geralmente em casa particular, onde as pessoas se encontravam para se expressarem ou se manifestarem artisticamente). A primeira ópera composta e estreada em solo brasileiro foi I due gemelli, de José Maurício Nunes Garcia, cujo texto se perdeu posteriormente. Porém, considera-se a primeira ópera genuinamente brasileira, com texto em português, A Noite de São João, de Elias Álvares Lobo. O compositor de óperas brasileiro mais famoso é, sem dúvida, Carlos Gomes. Embora tenha estreado boa parte de suas óperas na Itália e muitas delas com texto em italiano, Carlos Gomes frequentemente usava temáticas tipicamente brasileiras, como as óperas Il Guarany e Lo Schiavo, sendo um nome bastante reconhecido em seu tempo, tanto no Brasil quanto na Itália. Também estreou as suas primeiras óperas no Rio de Janeiro, em português.

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