Câncer esofágico
O cancro do esófago (português europeu) ou câncer esofágico (português brasileiro) é o cancro que tem origem no esófago, o canal alimentar entre a garganta e o estômago. Os sintomas muitas vezes incluem dificuldade em engolir e perda de peso. Entre outros sintomas estão dor ao engolir, alteração na voz, aumento dos gânglios linfáticos em volta da clavícula, tosse seca e possibilidade de tossir ou vomitar sangue.
A disfagia (dificuldade para engolir) e odinofagia (dor ao engolir) são os sintomas mais comuns do câncer de esôfago, sendo que a disfagia é o primeiro sintoma em muitos pacientes. Alimentação com líquidos e alimentos leves geralmente é tolerada, enquanto alimentos sólidos (como pão ou carne) causam mais dificuldade. A má nutrição leva a perda de peso considerável. A dor pode ser severa e agravada pela deglutição e, ainda, espasmódica. Um dos primeiros sinais pode ser voz rouca. A presença do tumor pode perturbar o peristaltismo (organizado reflexo da deglutição), levando a náuseas e vômitos, regurgitação de alimentos, tosse e aumento do risco de pneumonia aspirativa. A superfície do tumor pode ser frágil e sangrar, causando hematêmese (vômito com sangue). Compressão de estruturas locais ocorre no estágio avançado da doença, levando a problemas como a obstrução das vias aéreas superiores e a síndrome da veia cava superior. Fístulas podem se desenvolver entre o esôfago e a traquéia, aumentando a risco de pneumonia. Essa condição geralmente também está relacionada a tosse e febre.
Aumento de riscos
O esôfago de Barrett é considerado um fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago. Alguns subtipos de câncer estão ligados a fatores de risco particular:
Os cânceres de esôfago são carcinomas - como também são chamados os cânceres - que surgem a partir do epitélio, que é o revestimento da superfície do esôfago. A maioria dos cânceres de esôfago se enquadram em uma das duas classes: os carcinomas de células escamosas, que são semelhantes aos de cabeça e pescoço em sua aparência e sua associação com o consumo de tabaco e álcool, e os adenocarcinomas, que são frequentemente associados com histórico de doença do refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett. O diagnóstico é feito com endoscopia, o que implica a passagem de um tubo flexível pelo esôfago e a visualização da parede do esôfago. São realizadas biopsias das lesões suspeitas e examinadas histologicamente para descobrir se os tumores são malignos. Geralmente são realizados testes adicionais para estimar o estágio do tumor. A tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pélvis, pode avaliar se o câncer se espalhou para tecidos adjacentes ou órgãos distantes (principalmente fígado e gânglios linfáticos). A sensibilidade da tomografia é limitada por sua capacidade de detectar massas geralmente maiores que 1 cm.
O tratamento é geralmente gerido por uma equipa multidisciplinar constituída pelas várias especialidades médicas envolvidas. Os fatores que influenciam as decisões de tratamento incluem o estádio, o tipo celular do cancro, a condição geral da pessoa e a eventual presença de outras doenças. De forma geral, o tratamento com a intenção de curar a doença só se realiza quando o cancro é localizado e quando ainda não existem metástases distantes. Neste caso, é geralmente considerado o recurso a cirurgia. Quando a doença se espalhou, apresenta metástases ou é recorrente, é tratada com cuidados paliativos. Neste caso, pode ser usada quimioterapia para prolongar a esperança de vida, enquanto a radioterapia e a aplicação de um stent permitem aliviar os sintomas e facilitar a deglutição. O tratamento deve ainda assegurar a correta nutrição e tratamento dentário do doente.
Cirurgia
Uma esofagectomia é um procedimento cirúrgico que consiste na remoção de um segmento ou da totalidade do esófago. Uma vez que isto diminui o comprimento do restante esófago, geralmente desloca-se também uma parte do trato digestivo em direção ao peito e sobrepõe-se. Esta parte é geralmente o estômago ou parte do intestino grosso ou do jejuno. A união do estômago ao esófago encurtado é denominada "anastomose esófago-gástrica". No entanto, este procedimento é difícil e apresenta um risco relativamente elevado de mortalidade ou de dificuldades pós-operatórias. A ressecção endoscópica da mucosa é uma técnica cirúrgica que consiste na remoção de pequenos tumores situados apenas na mucosa ou no revestimento do esófago.
Quimioterapia e radioterapia
A quimioterapia pode ser adjuvante (realizada após a cirurgia para diminuir o risco de recorrência), neoadjuvante (antes da cirurgia) ou quando não é possível realizar cirurgia. O fármaco depende do tipo de tumor. Geralmente tem por base a administração de cisplatina (ou carboplatina ou oxaliplatina) a cada três semanas com fluorouracila (5-FU), quer de forma contínua quer também a cada três semanas. A radioterapia pode ser realizada antes, durante ou depois da quimioterapia ou da cirurgia. Em alguns casos pode ser realizada isoladamente para controlar os sintomas. Em pessoas com a doença localizada, a radioterapia pode ser usada com o objetivo de cura.
O cancro do esófago é o oitavo cancro mais comum em todo o mundo. Devido ao prognóstico geralmente negativo, é a sexta causa mais comum de mortes por cancro. Em 2012 a doença foi responsável pela morte de 400 000 pessoas, o que corresponde a 5% de todas as mortes por cancro. No mesmo ano, foram diagnosticados 456 000 novos casos, o que representa 3% de todos os cancros. O carcinoma de células escamosas corresponde a 60–70% dos casos, enquanto que o adenocarcinoma corresponde a 20–30%. A incidência dos dois principais tipos varia significativamente entre as diferentes regiões geográficas. Regra geral, o carcinoma de células escamosas é mais comum em países em vias de desenvolvimento, enquanto que os adenocarcinomas são mais comum em países desenvolvidos.


