Voo Varig 820
O Voo Varig 820 foi uma operação aérea da empresa brasileira Varig, que fazia a rota entre Rio de Janeiro e Londres, e que protagonizou um acidente fatal no dia 11 de julho de 1973, quando estava em procedimento de pouso numa escala programada, no Aeroporto de Orly, em Paris.
A tragédia teve inicio numa das toaletes, poucos minutos antes do pouso programado. O avião já se encontrava em procedimentos de descida, com todos os passageiros em seus assentos presos pelos cintos de segurança, quando a fumaça começou a tomar a aeronave. Membros da tripulação tentaram conter o incêndio que principiava no fundo do avião, na área dos banheiros, mas não conseguiram encontrar uma maneira de apagá-lo. A aterrissagem de emergência foi feita a pouco mais de um quilômetro da pista de Orly, num campo de cebolas da vila de Saulx-les-Chartreux, ao sul de Paris. Os pilotos não conseguiam ver nada através da fumaça que invadiu a cabine e perderam a comunicação com a torre de comando do aeroporto. Quando a aeronave realizou o pouso de emergência, a maioria das pessoas a bordo já havia morrido, intoxicada pela inalação da fumaça. Apenas um passageiro sobreviveu — Ricardo Trajano, de 21 anos, que se recusou a atender a ordem dos comissários de ficar sentado preso pelo cinto e pousou sentado no chão e agarrado na porta da cabine, enquanto a maior parte da tripulação deixou o avião pela saída de emergência da cabine do piloto. O comandante do voo, Gilberto Araújo da Silva, que sobreviveu à tragédia, desapareceria seis anos depois, em 1979, quando comandava o voo cargueiro Varig 967 sobre o Oceano Pacífico, na rota Tóquio–Los Angeles–Rio de Janeiro.[nota 1]
O passageiro sobrevivente
O jovem Ricardo Trajano, de 1,90 metro de altura, que viajou sozinho na fila 27 do avião, espalhado nas três cadeiras da penúltima fileira da classe turística, foi o único sobrevivente da tragédia entre os passageiros (dos dezessete tripulantes, sete morreram). Salvou-se por sair do lugar e ficar sentado perto da cabine de comando, respirando menos fumaça na área próxima do tapete do corredor. Ele conseguiu chegar ao pouso respirando gases tóxicos desmaiado e inconsciente, mas vivo, enquanto as pessoas morriam à sua volta, paralisadas em suas poltronas pelo monóxido de carbono da fumaça negra que envolveu todo o interior da aeronave em minutos.
A causa mais provável do incêndio foi uma ponta de cigarro acesa que teria sido jogada na lixeira do toalete da aeronave, no orifício coletor de papéis. Após o desastre, a Federal Aviation Administration exigiu medidas de segurança em todos os aviões, como a colocação de avisos proibindo o fumo nos toaletes e a colocação de cigarros nos cestos de lixo, o anúncio aos ocupantes de que é proibido fumar naquele local, instalação de cinzeiros em determinados pontos da cabine e a realização de inspeções periódicas nos toaletes. Posteriormente, o fumo foi banido dos aviões.


