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Santuário de Fátima

O Santuário de Fátima, formalmente intitulado pela Igreja Católica como Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, é um santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de Fátima, localizado no lugar da Cova da Iria, na cidade de Fátima, município de Ourém, em Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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História

Das aparições à emergência de um polo de devoção na Cova da Iria

Segundo a Igreja Católica, datam de março e julho de 1916 duas aparições de uma figura resplandecente, que viria a ser denominada como o "Anjo da Paz" ou "Anjo de Portugal", a Lúcia dos Santos e aos seus primos maternos Francisco e Jacinta Marto, popularmente chamados "Os Três Pastorinhos". Segundo estas crianças, a primeira aparição teria acontecido no sítio da "Loca do Cabeço", no lugar dos Valinhos, situado nas imediações da aldeia de Aljustrel da freguesia de Fátima, onde elas viviam. A segunda aparição teria ocorrido sobre o "Poço do Arneiro", situado no quintal da casa de Lúcia. Em setembro/outubro do mesmo ano teria se dado a terceira e última aparição do anjo, novamente na "Loca do Cabeço".

Primeiros planos de ordenamento e edificação da Basílica do Rosário

Em 6 de março de 1922, a Capelinha das Aparições da Cova da Iria foi dinamitada por desconhecidos e parcialmente destruída. Embora tenham sido colocados explosivos em cada canto da pequena ermida, nem todas as cargas detonaram, contribuindo para a ideia popular de que o local estaria protegido por alguém ou algo sobrenatural. A capela foi reconstruída ainda durante esse ano, e protegida por um muro em torno do recinto. Para André Melícias, o atentado "parece ter funcionado como ponto de viragem. (…) Cerca de dois meses depois, o bispo de Leiria nomeou uma comissão composta por sete sacerdotes para estudar este caso e organizar o processo segundo as leis canónicas, pois considerava que, a serem verdadeiros os factos passados 'na Fátima', era dever dos crentes agradecer 'a Nosso Senhor que se dignou mandar-nos visitar por Sua Santíssima Mãe para aumentar a nossa fé e corrigir os nossos costumes' e, a serem falsos, seria conveniente que fosse apurada essa falsidade já que, 'nos tempos de dúvida e desorganização que atravessamos, é de tal importância julgarmo-nos e estar na posse da verdade que esta consciência basta para resistir a todas as contrariedades e vencer todos os obstáculos'." O local originalmente era bastante ermo e doravante a autoridade eclesiástica iniciou a construção de benfeitorias na área destinadas a facilitar o acesso e promover o conforto dos peregrinos, como tendas para a venda de água e alimentos e alguns artigos religiosos. Foram feitos planos para a urbanização da zona envolvente da capela, incluindo a construção de um albergue para peregrinos doentes, uma fonte coberta por uma abóbada e uma avenida desde a entrada do recinto, ladeada por uma Via Sacra. Ao mesmo tempo, iniciou a organização das romarias, surgindo as procissões das velas e do adeus.

Oficialização do Santuário

A 13 de outubro de 1930, o Bispo de Leiria, José Alves Correia da Silva, após o encerramento do processo canónico iniciado em 1922, declarou as aparições da Virgem Maria em Fátima como dignas de crédito e aprovou o culto mariano sob a invocação de "Nossa Senhora do Rosário de Fátima". A primeira fase da vida do santuário, quando as iniciativas ainda careciam de um norte definido, encerrou em 1940 com a ereção canónica da Fábrica do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, entidade jurídico-administrativa autónoma, marcando a oficialização do local como um santuário de facto e de jure. A partir de então a Fábrica seria responsabilizada por toda a administração e pelas novas construções, e representaria os interesses da Igreja junto à sociedade civil no tocante ao santuário. Isso foi possível graças à regularização das relações entre a Igreja e o Estado Português ocorrida no mesmo ano através da Concordata de 1940, com a qual a Igreja se libertava da ingerência das autoridades civis nos seus assuntos e era reconhecida como instituição possuidora de personalidade jurídica, habilitada para a posse e gestão do seu próprio património. O primeiro reflexo desta nova situação foi a transferência para a Fábrica, no ano seguinte, de todos os bens e terras do santuário, que até então estavam em nome dos padres Agostinho Marques Ferreira, Manuel Nunes Formigão e Manuel Marques dos Santos, e de outros particulares. Ainda em 1941, o santuário adquiriu autonomia em relação à paróquia de Fátima e o capelão passou a assumir a função oficial de reitor.

Expansão e reconhecimento

A 13 de maio de 1946, o cardeal Benedetto Aloisi Masella, na qualidade de legado pontifício, coroa solenemente a imagem de Nossa Senhora de Fátima. A a 22 de maio 1946, ainda enquanto religiosa doroteia, a Irmã Lúcia — na data, como Irmã Maria das Dores — visita a Capelinha das Aparições e os lugares dos Valinhos e de Aljustrel. Em 1950, por ocasião da celebração do Ano Santo, o santuário passou por uma importante remodelação. Foram adquiridas grandes áreas de terreno para a sua expansão, o pórtico com colunata original desapareceu, os terrenos do recinto foram nivelados, foram abertas novas ruas, algumas construções foram demolidas e foi prevista a construção de novos alojamentos e estruturas de apoio para os peregrinos e de uma outra colunata nas zonas laterais da Basílica. Nas décadas seguintes foram elaborados diversos planos urbanísticos para a área do santuário. No entanto, nenhum chegaria a ser integralmente aplicado e alguns nem sequer foram usados, o que foi um factor principal para a ausência de disciplina e rigor no crescimento do complexo ao longo do século XX.

Da década de 1970 até ao presente

Em 13 de fevereiro de 1973, foi nomeado reitor do Santuário de Fátima o Monsenhor Luciano Guerra. O seu reitorado estender-se-ia até 2008, o mais longo na história do Santuário, tendo sido marcado por uma série de inovações e intervenções significativas no espaço e na gestão do Santuário. O crescimento do complexo e das suas atividades nas décadas anteriores ultrapassava já as capacidades de uma administração fortemente centralizada, como até então vigorava. Foi reorganizada toda a estrutura administrativa, tendo sido criados conselhos e secretarias setoriais especializados. A Capelinha das Aparições e o Presbitério do recinto de oração foram renovados, os hospitais e casas de retiros de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Dores foram remodelados ou receberam novos usos e deu-se início à construção do Centro Pastoral Paulo VI. Foram construídos a Igreja da Santíssima Trindade (entretanto renomeada como Basílica da Santíssima Trindade), o alpendre que protege a Capelinha das Aparições e o monumento que hoje integra um módulo do Muro de Berlim. Os edifícios e espaços foram enriquecidos por grande quantidade de obras de arte contemporânea de artistas consagrados. Nos anos finais de sua gestão Luciano Guerra aprovou novos estatutos para o Santuário, que oficializaram a grande reestruturação organizacional que ele promoveu e definiram as relações com as instâncias eclesiásticas superiores, e em 2008 foi sucedido na reitoria por D. Virgílio Antunes, posteriormente nomeado bispo da Diocese de Coimbra. Complementando o trabalho de seu antecessor, Virgílio Antunes dotou a instituição de um regulamento interno e expandiu a estrutura administrativa.

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Lugares de culto

Os lugares de culto constituem a essência do santuário; neles se concentram os milhares de peregrinos que regularmente afluem a Fátima. De entre todos, a Capelinha das Aparições é considerada o "coração" do santuário e situa-se no lado norte do vasto Recinto de Oração. Pontuado pelo Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, este recinto ao ar livre prolonga-se a poente pela Praça de João Paulo II e ocupa a posição central de todo o complexo, unindo os principais locais de culto e acolhendo a multidão de peregrinos presentes nos dias de grande celebração. Os topos oriental e ocidental deste espaço são ocupados pelos dois grandes templos do santuário: a Basílica de Nossa Senhora do Rosário (ladeada pela Colunata), e a Basílica da Santíssima Trindade (que integra o edifício principal e os espaços subterrâneos da Galilé dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e capelas anexas). No lugar dos Valinhos, os principais locais de visita por parte dos peregrinos do Santuário de Fátima são o percurso pedestre da Via Sacra, iniciado a partir da Rotunda dos Pastorinhos (Rotunda Sul de Fátima), no qual, entre a oitava e nona estações fica o local onde ocorreu a quarta aparição de Nossa Senhora a 19 de agosto de 1917. O monumento que assinala essa aparição mariana, assim como, mais adiante, a Capela dedicada a Santo Estevão e as esculturas do Calvário (chamado de Calvário Húngaro), foram construídos com donativos de católicos húngaros. Assinale-se ainda o monumento situado na Loca do Cabeço, o local onde primeiro apareceu o Anjo da Paz.

Capelinha das Aparições

A Capelinha das Aparições está localizada no lugar da Cova da Iria, em pleno recinto do Santuário de Fátima. Foi construída em resposta ao pedido de Nossa Senhora ("Quero que façam aqui uma capela em minha honra"), no local exato das aparições, pelo pedreiro Joaquim Barbeiro, entre 28 de abril e 15 de junho de 1919. É um modesta edificação em pedra e cal, de pequenas dimensões, "alpendrada e telhada ao modo tradicional da pequena capela rústica". A 13 de outubro de 1921 foi celebrada missa pela primeira vez junto à capelinha, que sofreria danos ao ser dinamitada na madrugada de 6 de março do ano seguinte; após restauro, a capela foi reinaugurada em 13 de janeiro de 1923. Embora tenha sido sujeita a algumas reparações no decorrer dos anos, a capelinha manteve as suas características originais, preservando os traços de uma pequena ermida popular.

Basílica de Nossa Senhora do Rosário

A Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (ou, de modo abreviado, "Basílica do Rosário") é um dos edifícios mais icónicos do santuário. Foi erguida no local onde os três pastorinhos brincavam quando, no dia 13 de maio de 1917, viram o clarão que antecedeu a primeira aparição da Virgem Maria. O início da construção da basílica data de 1928, tendo a sagração ocorrido a 7 de outubro de 1953. Em 1954, foi-lhe concedido o título de Basílica Menor pelo Papa Pio XII. O projeto foi concebido por Gerardus Samuel van Krieken, um arquiteto holandês radicado em Portugal, e continuado por João Antunes após o falecimento de van Krieken. Estilisticamente alheia aos primeiros alvores do modernismo em território português, trata-se de uma obra de cariz revivalista (neobarroco) que iria marcar a definição de um vocabulário arquitetónico para a área da arquitetura religiosa. Esta edificação está sintonizada com as vias de tipo conservador e historicista que dominaram grande parte da arquitetura oficial do período do Estado Novo.

Colunata

A colunata do Santuário de Fátima é um conjunto arquitetónico que liga a Basílica de Nossa Senhora do Rosário aos edifícios construídos de cada lado do Recinto de Oração (a Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores e a Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, assim como respetivas capelas e outras divisões do santuário), completando o enquadramento do lado nascente do Recinto de Oração. É uma obra do arquiteto António Lino (1914-1961), de uma monumentalidade classizante, pesada e tradicional, esteticamente consonante com o caráter revivalista e eclético da basílica. Precedida por extensa escadaria (configurando um amplo anfiteatro), o seu interior acolhe 14 retábulos com representações das estações da Via Sacra, executadas em cerâmica policromada, da autoria do ceramista Lino António (1898-1974).

Capela do Sagrado Lausperene

A Capela do Sagrado Lausperene está situada ao fundo da colunata sul; foi inaugurada no dia 1 de janeiro de 1987 e integra vitrais de Rolando Sá Nogueira. A adoração permanente ao Santíssimo Sacramento aí realizada durante mais de vinte anos foi transferida para a Basílica da Santíssima Trindade (Capela do Santíssimo Sacramento) em maio de 2008.

Basílica da Santíssima Trindade

A Basílica da Santíssima Trindade é a mais recente construção do complexo do santuário, sendo dedicada ao culto da Santíssima Trindade. A escolha da dedicação da basílica à Santíssima Trindade deve-se às aparições do Anjo da Paz, com o seu insistente convite à adoração a Deus, Santíssima Trindade; às palavras do Papa João Paulo II em maio de 1982, proferidas na Capelinha das Aparições, pelas quais elevou a sua ação de graças à Santíssima Trindade; e também ao Grande Jubileu do Ano 2000, também dedicado à Santíssima Trindade. A intenção de construir um novo templo no Santuário de Fátima remonta a 1973, quando se constatou que a Basílica de Nossa Senhora do Rosário já não tinha dimensão suficiente para acolher a totalidade dos peregrinos, em particular aos domingos e outros dias de média afluência. Em 1997, o santuário organizou um concurso internacional para a conceção de um novo edifício junto à Praça de Pio XII, com uma escala adequada às necessidades reais. O lançamento da primeira pedra teve lugar em 6 de junho de 2004, dia da Solenidade da Santíssima Trindade. A construção foi concluída em 2007, tendo a igreja sido dedicada em 12 de outubro desse ano pelo cardeal Tarcisio Bertone, então Secretário de Estado do Vaticano e legado de Bento XVI para o encerramento do 90.º aniversário das aparições. A 13 de agosto de 2012, a igreja foi elevada à categoria de basílica.

Recinto de Oração

O Recinto de Oração é um vasto espaço descoberto com cerca de 265 metros de comprimento que ocupa uma posição central no complexo do Santuário de Fátima. Forma um ligeiro declive e é pavimentado a alcatrão, possuindo um corredor lajeado que serve de via penitencial. É simultaneamente local de passagem e de culto, interligando as diversas unidades distribuídas à sua volta e funcionando como um espaço convidativo à interioridade e à oração. É aqui que se congregam as grandes assembleias que em Fátima se reúnem, nomeadamente a 13 de maio. Esta ampla esplanada encontra-se ladeada por frondoso arvoredo a norte e a sul, sendo circunscrita nos topos oriental e ocidental pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário e pela Basílica da Santíssima Trindade, respetivamente. É neste espaço que se distribuem, em diferentes locais, vários monumentos e peças de escultura, como a Azinheira Grande, o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, o Presépio e o Módulo do Muro de Berlim.

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Espaços culturais

Museu do Santuário de Fátima

O Museu do Santuário de Fátima tem como objetivo a preservação e conservação do espólio de arte sacra do santuário, dos ex-votos e ofertas dos peregrinos, documentos históricos, artísticos e etnográficos e testemunhos de peregrinações. O museu foi criado em 13 de agosto de 1955 por decreto episcopal de José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria. Entre as peças de destaque estão a coroa da estátua de Nossa Senhora de Fátima que tem incrustada a bala que atingiu João Paulo II em 1981 e as diversas ofertas papais, incluindo as quatro rosas de ouro atribuídas ao santuário. O museu é também responsável pela curadoria da exposição permanente Fátima Luz e Paz, no edifício da reitoria. Inaugurada em 2002, a exposição tem exposta uma parte do espólio do museu, incluindo a coleção de ourivesaria, a coroa de Nossa Senhora de Fátima e diverso vestuário litúrgico. A peça mais antiga em exposição é um cristo indo-português datado do século XVI. O museu guarda também os manuscritos de Lúcia.

Casas-museu em Aljustrel

O Santuário de Fátima também gere três núcleos museológicos em Aljustrel, aldeia onde residiam os Três Pastorinhos e situada a cerca de dois quilómetros do santuário: são eles a Casa-Museu de Aljustrel, a Casa de Lúcia e a Casa do Francisco e da Jacinta. A Casa-Museu de Aljustrel está instalada na antiga residência da madrinha de batismo de Lúcia. Inaugurada em agosto de 1992, foi o primeiro núcleo museológico permanente do santuário e a exposição permite compreender a vida quotidiana na época das aparições. A Casa de Lúcia corresponde à casa onde nasceu e residiu Lúcia, a mais nova de seis irmãos, juntamente com os seus pais. Foi neste local que se realizaram os primeiros interrogatórios destinados a apurar a validade das aparições. A casa foi doada ao santuário em 1981 pela própria Irmã Lúcia, então já religiosa carmelita descalça. O arranjo da envolvente e do posto de informações foram inaugurados em agosto de 1994. A Casa do Francisco e da Jacinta situa-se a 200 metros da de Lúcia, tendo sido adquirida pelo santuário em 1996 e posteriormente reconstruída.

Centro Pastoral Paulo VI

O Centro Pastoral Paulo VI é um centro de congressos equipado com um anfiteatro de 2124 cadeiras, várias salas para encontros, capela, alojamento e refeitório distribuídos por quatro pisos e 1,4 hectares. A primeira pedra foi benzida em 13 de maio de 1979 pelo cardeal Franjo Šeper. O edifício foi inaugurado pelo papa João Paulo II em 13 de maio de 1982. O projeto é da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro e é adornado por obras de vários artistas, entre as quais a escultura A Pastorinha, de José Rodrigues, Cristo Ressuscitado, de Lagoa Henriques, a Mãe do Bom Pastor, de Graça Costa Cabral, Cristo Crucificado, de Maria Irene Vilar e um vitral que representa o Bom Pastor, de Júlio Resende. No exterior encontra-se uma escultura de Nossa Senhora da autoria de Domingos Soares Branco.

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Casas de retiros de Nossa Senhora do Carmo e de Nossa Senhora das Dores

Duas casas de retiro integram o santuário, localizando-se nos limites norte e sul do Recinto de Oração. Foram projetadas pelo arquiteto José Carlos Loureiro e, tal como o alpendre que envolve a Capelinha das Aparições (do mesmo autor), são estilisticamente consonantes com os parâmetros modernistas da sua obra. A Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo foi inaugurada a 13 de maio de 1986 por D. António Ribeiro, na altura Cardeal Patriarca de Lisboa. Nas origens deste edifício esteve o hospital com o mesmo nome. A casa situa-se no lado sul do recinto de oração, no seguimento da colunata. No seu átrio de entrada encontra-se uma escultura da Virgem Maria, de 1931, da autoria de António Teixeira Lopes. A sua missão prende-se com a realização de retiros, encontros de formação e outras atividades, bem como ao alojamento dos participantes. Foi nesta casa que ficaram alojados os papas João Paulo II e Bento XVI quando visitaram o Santuário e o mesmo acontecerá com o Papa Francisco. Os aposentos onde pernoitam os papas são simples, com um quarto, casa de banho, uma sala e outra mais pequena de reuniões.

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Impacto

Peregrinações e devoção

Depois de muitas hesitações e investigações canónicas a respeito da credibilidade das aparições, em 13 de outubro de 1930 a Igreja aprovou oficialmente o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Na devoção popular, contudo, as aparições exerceram profundo impacto desde a época do ocorrido, e as peregrinações, procissões e orações no local iniciaram-se imediatamente. Ao longo dos anos, com a consolidação do santuário como um importante centro de culto mariano e com a crescente atenção dada por papas e outros destacados prelados à Mensagem de Fátima, elas viriam a crescer enormemente, atraindo grandes multidões de todo o mundo. Nas palavras de Maria Madalena Eça de Abreu.[nota 6]

Desenvolvimento regional

O grande número de visitantes que se deslocam ao santuário provocou um importante desenvolvimento económico e urbanístico na região, mais espetacularmente nas zonas mais próximas do santuário, que hoje é o centro vital da vila de Fátima, elevada à categoria de cidade em 12 de julho de 1997, e constituída pela Cova da Iria, pela freguesia de Fátima, por Moita Redonda, Lomba de Égua, parte de Aljustrel e Moimento. Fátima vive principalmente em função do santuário mariano, tendo como pontos mais fortes da sua economia o turismo e o comércio religioso, empregando a grande parte da força de trabalho disponível e atraindo muitos de fora, que ali buscam oportunidades. Se por um lado esse desenvolvimento beneficiou uma região antes rural e pouco dinâmica, por outro desencadeou uma série de problemas sociais e estruturais, em virtude principalmente de falta de um planeamento de longo prazo. Nos anos recentes o crescimento tem sido exponencial. Entre 1987 e 1997 os estabelecimentos hoteleiros e estruturas de apoio a visitantes aumentaram em 80% e o comércio de artigos religiosos ramificou-se por todo o tecido urbano e junto aos principais locais de peregrinação, acompanhado por uma significativa expansão também do comércio de artigos laicos e souvenirs turísticos. Ao mesmo tempo esse crescimento impôs a construção de uma grande rede de vias de acesso aos locais mais frequentados, que recebe intenso e constante tráfego de veículos. A própria tipologia das construções dessas localidades tem-se transformado rapidamente na progressiva adaptação aos fins comerciais e hoteleiros. Dias de grande movimento exigem a mobilização de uma considerável massa de agentes da polícia, bombeiros, médicos e enfermeiros e pessoas que prestam informações aos visitantes em Fátima e ao longo dos caminhos de peregrinação.

Importância

Hoje, o Santuário de Fátima é uma instituição de importância reconhecida pela Santa Sé. Segundo a Maria Madalena Eça de Abreu é "um símbolo da identidade católica nacional" e, de acordo com João Vasconcelos "é o centro de peregrinação mais frequentado de Portugal, por pessoas vindas de todo o país, como também um dos centros de peregrinação mais visitados do mundo católico". Para Dimitris Philippides,[nota 8] o Santuário de Fátima "consiste numa rica variedade de elementos, desde estruturas temporais, embora imbuídas de um forte conteúdo simbólico, a edificações mais formais e imponentes, as quais correspondem ao seu estatuto contemporâneo de centro de peregrinação conhecido mundialmente". Além de se ter tornado um grande complexo arquitetónico rico de significados, na apreciação de Patrick da Silva, o santuário foi também "responsável pelo impulso do desenvolvimento de uma região desprovida de desenvolvimento social na sua totalidade, em sequência do aparato grandioso do cenário cerimonial ocorrido". Ele continua:

Regresso às origens

Em 22 de dezembro de 2022, o Monsenhor Luciano Guerra, figura incontornável na reorganização administrativa e na projeção internacional do Santuário de Fátima, fez um alerta público para a necessidade de "um enorme esforço de purificação do Santuário, no sentido de o fazer voltar-se para o público de peregrinos". Em entrevista a um meio de comunicação social, o antigo reitor disse que se criou "uma espécie de castelo intelectual" na instituição, que relegou a massa de peregrinos para "plano secundário". Na entrevista, em que assumiu um tom muito crítico para com a atual gestão do maior templo mariano do país, Luciano Guerra reforçou que "prevalece a intelectualidade e a arte. Em plano secundário fica a grande massa de peregrinos, gente simples pobre e humilde, a gente que, na realidade, Nossa Senhora convida para vir a Fátima". Afirmou, ainda, que: "No atual programa do Santuário, o fito primário mais explícito são os intelectuais" e "a dedicação total à intelectualidade não deixa espaço para a dedicação aos pobres". O sacerdote, salvaguardando o direito a opiniões contrárias, questionou, assim, se o atual modelo de gestão do Santuário não colide, de certa forma, com a essência da Mensagem de Fátima e com o apelo expresso pelo Papa Francisco num dos últimos consistórios públicos para criação de novos cardeais: "Jesus não os chamou para se tornarem ‘príncipes’ na Igreja, mas para servir como Ele e com Ele".

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Fontes consultadas

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