Pesquisa · Mapa mental

Pablo Marçal

Pablo Henrique Costa Marçal é um empresário, influenciador digital e político brasileiro filiado ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Tornou-se conhecido por vender cursos de desenvolvimento pessoal nas redes sociais, quando se apresentava como "coach", e por sua trajetória política posterior.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/10/2026
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Carreira

Imagem: Kim Kataguiri · BY · Openverse

Condenação por furto qualificado

Em 2010, Pablo Marçal foi condenado em primeira instância a quatro anos e cinco meses de reclusão por envolvimento em uma quadrilha que desviou dinheiro de contas bancárias em 2005, quando tinha 18 anos de idade, tendo sido preso temporariamente também em 2005, durante a investigação. O grupo criava sites falsos de instituições financeiras e enviava e-mails fraudulentos para roubar informações das vítimas com programas conhecidos como cavalos de Troia. Segundo a investigação, Marçal capturava e-mails de vítimas para um dos líderes, o pastor Danilo de Oliveira, e consertava computadores dos criminosos. Marçal admitiu ter colaborado com o grupo, mas afirmou desconhecer os atos ilícitos, apesar da existência de áudios, obtidos por meio de grampos telefônicos da Polícia Federal, em que Marçal confirmou a um dos chefes da quadrilha que estava capturando os e-mails para os golpistas. Sua pena foi extinta em 2018 por prescrição retroativa.

Expedição ao Pico dos Marins

Em 5 de janeiro de 2022, Marçal conduziu 32 pessoas numa escalada ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira, em um contexto meteorológico adverso, sem os equipamentos adequados. Devido à chuva, o Corpo de Bombeiros precisou organizar uma operação de resgate ao grupo, com nove horas de duração. Marçal alegou, em sua defesa, que o Corpo de Bombeiros foi acionado por precaução, o que foi contestado por profissionais da corporação. A atitude do empresário foi duramente criticada por autoridades, pela imprensa brasileira e pelo bombeiro Pedro Aihara, que chamou Marçal de "fanfarrão", e que "ele foi totalmente irresponsável". A fim de mostrar os riscos a que a multidão foi exposta, o programa Fantástico levou um grupo de profissionais a uma trilha no Pico dos Marins.

Curandeirismo

Em dezembro de 2021, em Goiânia, Pablo Marçal chegou a tentar curar uma senhora cadeirante diagnosticada com tetraplegia, mas não obteve sucesso em sua tentativa. Em agosto de 2024, durante uma entrevista concedida ao Flow Podcast, Marçal afirmou ter tentado ressuscitar duas pessoas falecidas durante velório. Ele descreveu-se como um "fracassado" por ter realizado orações com o propósito de restituir a vida aos mortos, sem, contudo, obter êxito, ou seja, sem conseguir que os falecidos voltassem à vida.

Condições de trabalho de funcionários

Pablo Marçal é proprietário da empresa Plataforma Internacional, que é investigada por desrespeitar as normas sanitárias durante a pandemia de COVID-19, como obrigatoriedade de uso de máscaras e isolamento social. Bruno da Silva Teixeira, 26 anos, era funcionário da XGrow, parte da Plataforma Internacional, e morreu, após sofrer parada cardíaca, durante um desafio organizado pela empresa. O óbito ocorreu no 15.º quilômetro do percurso, que totalizaria 42 quilômetros, o dobro do proposto inicialmente. A maratona ocorreu poucos dias após Marçal vangloriar-se de ter percorrido 42 quilômetros. O caso está sob investigação da Polícia Civil. Após o caso, funcionários denunciaram que havia pressão dentro da empresa para que fizessem atividades físicas, sob o risco de demissão, e sem solicitação de exames médicos.

Notícias falsas

Em janeiro de 2024, Marçal se tornou um meme e foi criticado por sua fala em uma palestra, onde diz que teria identificado uma pane em um helicóptero antes do piloto e então o teria acalmado. Vários usuários acusaram a história de mentirosa, incluindo o especialista em aviação Lito Sousa. No dia 8 de maio, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou Marçal na Justiça sobre notícias falsas espalhadas sobre a atuação dos militares nas enchentes no Rio Grande do Sul. Em palestras e entrevistas, Marçal afirmou ter criado um banco chamado General Bank, e a suposta instituição cobraria o valor de 45 reais para abertura de contas no Asaas, uma fintech que não cobra taxas de inscrição. De acordo com o portal Metrópoles, Marçal fez o registro de marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, mas não há registro no Banco Central.

Camizungo

Em 2019, em conjunto com o pastor Itamar de Almeida Vieira, promoveu o projeto "Comunidade Sustentável de Camizungo", arrecadando dinheiro pela internet com a alegada finalidade de construir 300 casas no povoado de Camizungo, em Angola. Entretanto, apenas 1,5 milhão dos 4,5 milhões de reais auferidos foram de fato investidos. Marçal explorou politicamente esse projeto, afirmando em debates que tinha experiência para "desfavelizar" o município de São Paulo, entretanto, apenas 30 casas foram construídas.

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Política

Eleições de 2022

Nas eleições presidenciais de 2022, o PROS anunciou a candidatura de Pablo Marçal à presidência da República, após convenção realizada em 31 de julho de 2022, sob a direção de Marcus Holanda. Seria a primeira candidatura independente do partido, porém, Eurípedes Júnior, que fora recém-empossado presidente do PROS, apresentou nova convenção partidária, que cancelou a candidatura de Marçal e endossou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Em conversa divulgada pela Folha, Holanda dizia esperar 200 milhões de reais de Marçal, auferidos de vaquinha entre seus seguidores nas redes sociais. A candidatura chegou a receber 485 mil reais em doação de pessoas físicas. Marçal recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, com posicionamento favorável da Procuradoria-Geral Eleitoral, sob o argumento de que a nova convenção desrespeitou o prazo determinado na legislação. Todavia, o Poder Legislativo indeferiu o recurso e manteve o cancelamento da candidatura, reconhecendo a legitimidade da decisão de Eurípedes Júnior. À revelia do partido, Marçal declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Em junho de 2023, o empresário afirmou ser vítima de perseguições porque "sabem que uma hora vou ser presidente do Brasil".

Relação com a família Bolsonaro

Marçal apoiou a campanha de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, tendo inclusive participado de live com o presidenciável. Segundo a Folha, Carlos Bolsonaro chamou Marçal de "coach malandrão" e o acusou de querer vantagens financeiras ao apoiar Bolsonaro. O apoio incluiu orientações no debate presidencial da Band, com dicas de colocação diante das câmeras e de oratória. Segundo a Veja, Marçal foi considerado "a principal novidade da campanha" no segundo turno pelos correligionários de Jair Bolsonaro, apesar da reprovação de Carlos.

Eleições de 2024

Em março de 2024, filiou-se ao Democracia Cristã (DC) a fim de ser candidato à Prefeitura de São Paulo; 14 dias depois, no entanto, foi para o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) com o mesmo intuito e apresentou sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo em 25 de maio de 2024. Nas principais pesquisas, apareceu empatado tecnicamente com Guilherme Boulos e Ricardo Nunes. Terminou o pleito em terceiro lugar e recusou-se a apoiar o candidato situacionista, afirmando que Guilherme Boulos venceria as eleições. Em 9 de agosto, a Justiça Eleitoral de São Paulo determinou que Marçal retirasse das redes sociais publicações que associavam Guilherme Boulos (PSOL), também candidato à Prefeitura da capital, ao uso de drogas. O pedido à Justiça foi feito pela campanha de Boulos durante as eleições municipais no mesmo ano. A defesa do candidato do PSOL afirmou que Pablo "inventou e espalhou fake news durante debate da TV Bandeirantes e em posts publicados nas redes sociais na madrugada do dia 8 para 9 do mesmo mês". Segundo a reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Marçal usou um processo sobre porte de drogas que, na verdade, citava Guilherme Bardauil Boulos, que foi o candidato a vereador de São Paulo pelo Solidariedade confundido com o nome similar ao do candidato a prefeito da mesma cidade, Guilherme Castro Boulos, e correu pelo Foro Central Criminal Barra Funda - 25ª Vara Criminal, em 2001.

Inelegibilidade

Em 21 de fevereiro de 2025, Marçal foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico, uso indevido de meios de comunicação e captação ilícita na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024. O juiz Antonio Maria Patiño Zorz o tornou inelegível por oito anos, a partir de 2024. As ações, movidas por PSOL e PSB, apontaram que Marçal oferecia apoio a candidatos a vereador em troca de doações via Pix e usava redes sociais para espalhar desinformação e propaganda negativa contra adversários. Marçal nega irregularidades e afirmou que recorrerá da decisão. Sua defesa e o PRTB alegam que a condenação foi desproporcional e confiam na reversão pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Eleições de 2026

Em 15 de agosto de 2026, o PRTB protocolou no TSE a candidatura de Marçal à Presidência da República, nove minutos antes do encerramento do prazo para o registro de candidaturas. O lançamento ocorreu após uma decisão liminar que determinou sua refiliação provisória ao partido, com efeitos retroativos a 4 de abril do mesmo ano. Embora estivesse inelegível em razão de decisões do TRE-SP relativas à campanha municipal de 2024, ainda cabia recurso ao TSE. No sistema DivulgaCandContas do TSE, Marçal figurava como concorrendo pelo PRTB, sob o número 28, e o registro da candidatura aparecia como "aguardando julgamento". Após decisão unânime, passou a constar como inapto à concorrência. Com isso, o partido anunciou Leonardo Avalanche, que inicialmente era seu vice-presidente na chapa, como candidato da sigla para a Presidência.

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Vida pessoal

Imagem: TV Brasil Central · BY · Openverse

Casado com Ana Carolina Marçal, com quem tem quatro filhos, Pablo Marçal é bacharel em direito pela Universidade Paulista. Torcedor do São Paulo Futebol Clube, o empresário costuma acompanhar o clube em jogos realizados no Estádio Morumbis.

Religião

Marçal afirma ser cristão, mas não costuma declarar publicamente a sua denominação. Ele afirmou que, para ele, o cristianismo é um "lifestyle" e que não paga o dízimo desde 2018. Contudo, em vídeo onde convoca pastores para sua campanha, afirma fazer parte da Igreja Videira, onde começou a trabalhar nos anos 2000 como técnico de som. As palestras de Marçal estão classificadas como "teologia coaching" por unir elementos de coaching e pregação neopentecostal. O empresário criou o projeto "Quartel General do Reino", que atua de forma similar a uma igreja, realizando cultos, ceias e batismos.

Patrimônio

Nas eleições gerais no Brasil em 2022, declarou um patrimônio de 16,9 milhões de reais, posteriormente retificado para 96,2 milhões de reais. Nas eleições municipais de 2024, Marçal declarou ter um patrimônio de 193,5 milhões de reais. Para disputar a Presidência da República em 2026, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de 149,9 milhões de reais.

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Fontes consultadas

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