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Camilo Castelo Branco

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor português. Foi o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. É um dos escritores mais populares, proeminentes e prolíferos da literatura portuguesa, especialmente do século XIX.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Biografia

Castelo Branco teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente de seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original. Dentro da sua vasta obra, também se encontra sua colaboração na autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856–1859), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859–1865), Archivo pittoresco (1857–1868), A Esperança (1865–1866), Gazeta Literária do Porto (1868) (também chamada de Gazeta de Camilo Castelo Branco devido à sua extensa colaboração como redator), a revista literária República das Letras (1875), Ribaltas e Gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884–1890), Lisboa creche: jornal miniatura (1884) e, a título póstumo, nas publicações periódicas A semana de Lisboa (1893–1895), Serões (190 1–1911), Azulejos (1907–1909) e Feira da Ladra (1929–1943).

Vida

Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa, numa casa da Rua da Rosa (actualmente com os n.os 5 a 13), a 16 de março de 1825. Oriundo de família da aristocracia, foi batizado a 14 de abril de 1825, na freguesia dos Mártires, em Lisboa, como filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, nascido na casa dos Correia Botelho em São Dinis, Vila Real, a 17 de agosto de 1778 e que teve vida errante entre Vila Real, Viseu e Lisboa, onde faleceu a 22 de dezembro de 1835. A sua mãe era Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira (Sesimbra, Santiago, 27 de janeiro de 1799 – 6 de fevereiro de 1827), com quem Joaquim Botelho Castelo Branco não se casou mas de quem teve os seus dois filhos — Carolina Rita Botelho Castelo Branco, nascida a 24 de março de 1821 em Socorro, Lisboa, e Camilo. Oficialmente, eram filhos de mãe incógnita.

Sífilis, cegueira e suicídio

Desde 1865 que Camilo começa a sofrer de graves problemas visuais (diplopia e cegueira nocturna). Era um dos sintomas da temida neurossífilis, o estado terciário da sífilis ("venéreo inveterado", como escreveu em 1866 a José Barbosa e Silva), de que supostamente sofreria, que, além de outros problemas neurológicos, provocava-lhe cegueira, aflitivamente progressiva e crescente, que lhe ia atrofiando o nervo óptico, impedindo-o de ler e de trabalhar capazmente, mergulhando-o cada vez mais em trevas e em desespero suicidário. Ao longo dos anos, Camilo consultou os melhores especialistas em busca de uma cura, mas em vão. A 21 de maio de 1890, dita esta carta ao então famoso oftalmologista aveirense, Dr. Edmundo de Magalhães Machado:

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Descendência

Imagem: Brero · BY-NC-ND · Openverse

Do casamento com Joaquina Pereira de França: Da relação com Patrícia Emília do Carmo de Barros: Da relação com Ana Augusta Vieira Plácido:

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Pseudónimos

Imagem: HombreDHojalata · BY-SA · Openverse

Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu mais de 260 obras, com a média superior a seis por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura portuguesa. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa. Além dos vários romances, deixou um legado enorme de textos inéditos, comédias, folhetins, poesias, ensaios, prefácios, traduções e cartas — tudo com assinatura própria ou os menos conhecidos pseudónimos, tais como:

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Estilo literário

Imagem: Hemeroteca Municipal de Lisboa (Portugal) · BY-NC-SA · Openverse

Camilo gostaria de se situar acima das escolas literárias. Mas os modelos clássicos vão ter sempre peso na sua produção literária, embora também se deixe impressionar pela literatura misteriosa e macabra de Ann Radcliffe. Foi imensamente influenciado por Almeida Garrett. Contudo, a fidelidade à linguagem e aos costumes populares, ao cheiro do torrão (como aponta Jacinto do Prado Coelho), vai permanecer como uma das suas maiores qualidades. A crítica tem apontado que, se por um lado Camilo, nos enredos das suas novelas, com as suas peripécias mais ou menos rocambolescas, está claramente numa filiação romântica, por outro lado, nas explicações psicológicas, na maneira como analisa os sentimentos e ações das personagens, pelas justificações e explicações dos acontecimentos, pela crítica a determinado tipo de educação, não pode ser considerado simplesmente como romântico. Jacinto do Prado Coelho considera-o «ideologicamente flutuante […] Camilo mantém-se um narrador de histórias românticas ou romanescas com lances empolgantes e situações humanas comoventes» e também diz que «o romantismo de Camilo é um romantismo em boa parte dominado, contido, classicizado» e que há ao «lado do seu alto idealismo romântico a viril contenção da prosa, um bom-senso ligado às tradições e a certo cânones clássicos, um realismo sui generis, de vocação pessoal que parece na razão directa da autenticidade do seu romantismo».

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