Heart of Midlothian Football Club
Heart of Midlothian Football Club, comumente conhecido como Hearts, é um clube de futebol profissional em Edimburgo, na Escócia. A equipe compete na Scottish Premier League, a primeira divisão do futebol escocês. O Hearts, o clube de futebol mais antigo da capital escocesa, foi formado em 1874, com seu nome influenciado pelo romance The Heart of Midlothian (1818), de Walter Scott. O brasão do clube é baseado no mosaico do Coração de Midlothian na Royal Mile da cidade; as cores da equipe são grená e branco. Seus rivais locais são o Hibernian, com quem disputam o Dérbi de Edimburgo.
Fundação e Primeiros Anos (1874–1914)
O clube foi formado em 1874 por um grupo de amigos do Heart of Midlothian Quadrille Assembly Club. O nome da agremiação foi diretamente influenciado pelo romance histórico homônimo de Walter Scott, publicado em 1818, e pelo mosaico em forma de coração localizado na Royal Mile de Edimburgo, que marcava a entrada da antiga prisão de Tolbooth. O Hearts rapidamente se consolidou como uma força pioneira na Escócia, vencendo o seu primeiro Campeonato Escocês na temporada 1894–95 e conquistando a Copa da Escócia em quatro ocasiões antes da virada do século XX (1891, 1896, 1901 e 1906).
O Batalhão de McCrae e a Primeira Guerra Mundial
O evento de maior peso sociológico da história do clube ocorreu em novembro de 1914, durante a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Com o Hearts liderando confortavelmente o Campeonato Escocês, a diretoria e o elenco tomaram uma decisão sem precedentes: 16 jogadores profissionais do clube se alistaram voluntariamente para combater na França, tornando-se o primeiro time de futebol britânico a se alistar em massa. Eles integraram o 16º Batalhão (de Serviço) dos Royal Scots, que ficou popularmente conhecido como o Batalhão de McCrae, comandado por Sir George McCrae. O ato inspirou o alistamento de cerca de 500 torcedores do clube e atletas de outras equipes. O batalhão sofreu perdas catastróficas, especialmente no primeiro dia da Batalha do Somme (1 de julho de 1916). Sete jogadores do time principal do Hearts perderam a vida no conflito, e vários outros retornaram com ferimentos que encerraram suas carreiras esportivas. Em 1922, o clube ergueu uma torre do relógio memorial em Haymarket, Edimburgo, para honrar esse sacrifício.
A Era de Ouro de Tommy Walker (décadas de 1950 e 1960)
O período de maior sucesso esportivo do Hearts ocorreu sob o comando do técnico Tommy Walker (1951–1966). A equipe celebrizou-se por um futebol de alta produtividade ofensiva, capitaneado pelo chamado "Trio Terrível" de atacantes: Jimmy Wardhaugh, Willie Bauld e Alfie Conn Sr., além da presença estrutural do meio-campista Dave Mackay. Na temporada 1957–58, o Hearts venceu a liga quebrando recordes estatísticos que permanecem imbatíveis na primeira divisão escocesa: a equipe marcou 132 gols em 34 partidas (uma média de 3,88 gols por jogo) e terminou a campanha com um impressionante saldo de gols de +103. O clube repetiria a conquista da liga em 1959–60 e arremataria quatro Copas da Liga no período, rompendo temporariamente a hegemonia da Old Firm.
O trauma de 1986 e instabilidade
Na década de 1980, sob o comando do técnico Alex MacDonald e impulsionado pelo financiamento do presidente Wallace Mercer, o clube ressurgiu como postulante ao título. A temporada 1985–86, no entanto, culminou em um dos colapsos esportivos mais dramáticos da história do futebol escocês. Na última rodada do campeonato, em 3 de maio de 1986, o Hearts liderava a tabela, estava invicto há 27 jogos e precisava apenas de um empate fora de casa contra o Dundee F.C. para ser campeão. A equipe perdeu por 2–0 (com dois gols tardios de Albert Kidd), enquanto o Celtic goleou o St Mirren por 5–0. O Celtic conquistou o troféu no saldo de gols por uma margem de apenas 3 gols. Uma semana depois, o Hearts perderia a final da Copa da Escócia para o Aberdeen, terminando a temporada sem troféus.
A era Romanov e a administração judicial (2005–2014)
Em janeiro de 2005, o empresário russo-lituano Vladimir Romanov adquiriu o controle acionário da agremiação, injetando capital agressivo que resultou no vice-campeonato escocês em 2005–06 (dividindo a Old Firm) e nas conquistas da Copa da Escócia de 2006 e 2012. Contudo, a gestão foi marcada por alta rotatividade de treinadores, interferência direta do proprietário na escalação e gastos insustentáveis. Com a falência do banco Ūkio bankas (controlado por Romanov), a dívida do clube ultrapassou as £ 30 milhões. Em 19 de junho de 2013, o Hearts foi colocado sob administração judicial, com uma dívida exigível imediata de £ 15 milhões e apenas £ 7.000 no caixa operacional, sofrendo punições de dedução de pontos e subsequente rebaixamento.
Propriedade dos torcedores e reestruturação (2014–presente)
A liquidação iminente foi evitada pela intervenção da empresária Ann Budge, que aportou £ 2,5 milhões para financiar o acordo de credores (CVA) em 2014, operando em parceria com a Foundation of Hearts (FoH) – um grupo de torcedores associados que injetava fundos mensais na agremiação. O clube recuperou sua estabilidade econômica e retornou imediatamente à primeira divisão. Em agosto de 2021, Ann Budge transferiu formalmente a participação majoritária (75,1%) para a Foundation of Hearts, tornando o Heart of Midlothian o maior clube do Reino Unido a ser gerido majoritariamente por seus torcedores. Após liderar a reconstrução institucional do clube por mais de uma década, Budge anunciou sua saída oficial da presidência em dezembro de 2025. O fim de sua gestão coincidiu com a formalização de um investimento de capital de £ 9,86 milhões feito por Tony Bloom (proprietário do Brighton & Hove Albion) em troca de 29% das ações sem direito a voto, abrindo uma nova era tecnológica e de prospecção de dados para a equipe no mercado global.
O Hearts tem como seu principal adversário tradicional o Hibernian, confronto conhecido como Dérbi de Edimburgo. Trata-se de uma das rivalidades mais longevas do futebol mundial, com o primeiro encontro entre as equipes ocorrido em 25 de dezembro de 1875. Diferentemente da Old Firm de Glasgow entre Celtic e Rangers, cuja dinâmica é historicamente moldada por divisões sectárias entre católicos irlandeses e protestantes unionistas, o clássico edimburguês experimentou uma transformação significativa em suas bases sociológicas. Ao longo do século XX, o componente religioso que originalmente caracterizava o confronto foi progressivamente atenuado, dando lugar a uma rivalidade fundamentada primordialmente em identidades geográficas e comunitárias dentro da capital escocesa. Atualmente, o Hearts concentra seus fãs tradicionalmente nas regiões leste e norte de Edimburgo, particularmente na área portuária de Leith. O Hibernian, por sua vez, tem seu epicentro de apoio nos bairros de Gorgie e Dalry, situados nas zonas sul e oeste da capital escocesa.


