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Cambises II

Cambises II, rei da Pérsia entre 530 e 522 a.C., foi o segundo governante da dinastia dos Aquemênidas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/10/2026
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Cambises torna-se Rei da Pérsia

Imagem: OdecamJ · BY-NC-SA · Openverse

Com a morte de Ciro II, o Império Aquemênida passou legalmente para o filho mais velho do conquistador, Cambises (ou Cambúsia), homem maduro quando da morte do pai. Ele já havia governado a Babilônia, porém era outra coisa governar o maior reino do mundo. Para criar-lhe o contexto adequado, dois acontecimentos preliminares foram necessários: Um foi garantir para ele a sucessão contra os rivais; o outro, assegurar a continuidade da linhagem, no advento de sua própria morte. Ambos eram questões de família. O principal desafiante de seu governo era o irmão mais novo, Esmérdis, ou Bárdia, pelo visto popular em demasia para a tranqüilidade de Cambises, homem severo e pouco apreciado. Conta-se que Cambises mandou esfolar um de seus juízes por corrupção e fez com que a pele do homem fosse esticada sobre sua cátedra de juiz. Para um homem de semelhante reputação, não era difícil resolver a questão de um irmão problemático. Esmérdis desapareceu sigilosamente. O escabroso fato estava na tradição real do assassinato, mas o caso foi silenciado. Enquanto isso, a segunda consideração, a produção de um herdeiro cujos laços estivessem inteiramente dentro da família, foi regulada por outro reputado costume tradicional. Os reis persas, como, aliás, outros predecessores, frequentemente se casavam com suas próprias irmãs, na busca de uma descendência pura. Cambises casou-se com duas de suas irmãs, Atossa e Roxana.

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A Conquista do Egito

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Devidamente atendidos os assuntos domésticos, ele estava pronto a resolver questões de natureza superior. De Ciro, o novo rei havia herdado um caso importante em matéria de negócios pendentes. Ao contrário dos grandes príncipes de Nínive, o conquistador persa não tinha vivido o suficiente para reivindicar a vassalagem do Egito, onde um velho monarca chamado Amásis ocupava agora o trono de Mênfis. Cambises preparou-se para resolver o assunto. Lançando mão dos povos navegadores de seu império, os gregos da Jônia e os fenícios do Levante, ele organizou uma esquadra para navegar até o estuário do Nilo. Então, convocando o exército veterano treinado por Ciro, marchou para Gaza, a derradeira cidade importante antes da inóspita faixa de deserto que separa da Palestina o subcontinente africano. A comitiva a ele atribuída era versátil. Entre as comodidades estava sua jovem esposa Roxana. Entre os conselheiros estava o idoso rei deposto Creso, agora aparentemente um sábio no acampamento persa. Entre seus substitutos mais importantes estava um certo Dario, comandante ardiloso e descendente de uma família de sangue real.

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Tentando Conquistar a África

A conquista é um hábito que vicia. Tendo contraído o hábito com o pai, Cambises agora estava movido a satisfazer um desejo cada vez maior. Dos pináculos de Mênfis o convite parecia estender-se a seus pés: tendo ocupado a terra dos faraós, ele agora conquistaria a África inteira. Sua noção de África, entretanto, era um pouco imprecisa. Para o sul, a África dos antigos terminava na Etiópia. Aqui os deuses mantinham suas tertúlias noturnas — ou pelo menos assim pensava Homero, cuja ideia era de que o sol pernoitava ali. Os etíopes, ou o povo "da cara escura", gozavam da fama de soldados talentosos, organizados e bons, pois no século VIII haviam realmente dominado o Egito. Da maneira como Cambises compreendeu a rota, alcançar a Etiópia desde o Egito significava atravessar a Núbia, uma terra nua, de antiga cultura, cujos habitantes negros, milhares de anos antes do surgimento da Pérsia, tinham estado manufaturando peças de cerâmica com decorações características e lanças engenhosamente farpadas. A oeste do estuário do Nilo, os persas estavam conscientes da existência de Cartago, na região da moderna Túnis, cidade marítima frequentada por gregos, fenícios e outros. Em torno do litoral do império, Cartago era, como porto mercantil, altamente considerada. Entre o Egito e Cartago situava-se o deserto da Líbia. Cambises, agora um tanto enfastiado em relação a desertos, acreditava que o problema podia ser contornado pela tática de saltar de um oásis para outro. Deve-se acrescentar, no entanto, que ele próprio não tentou fazê-lo pessoalmente. Em vez disso, o imperador se reservava para o embate com a Etiópia, enviando para a Líbia um contingente separado de seu exército estacionado no Egito. O exército jamais chegou a Cartago, nem tampouco retornou. Segundo a tradição egípcia, a expedição simplesmente desapareceu no deserto, o que não é difícil de conceber, já que a oeste do delta existe uma área desértica suficientemente grande para fazer a faixa de Gaza parecer muito insignificante.

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A Morte de Cambises

O fracasso teve profundo efeito sobre Cambises. Inicialmente, a exemplo de Ciro, ele tinha se esforçado até certo ponto para apaziguar os sentimentos no Egito — adotando a indumentária, os costumes e a religião dos faraós. Mas agora se espalhavam as histórias de um comportamento instável, beirando o maníaco. Divulgou-se que num ataque de mau génio ele matou Ápis, o boi sagrado egípcio, ridicularizou e queimou as estátuas dos deuses egípcios, violou antigas sepulturas e profanou as múmias. Correram boatos de ações funestas em seu próprio acampamento. Supunha-se que assassinara a esposa Roxana com um pontapé no ventre, e que tendo ordenado o assassinato de Creso sob algum pretexto, dera a contra-ordem e descontara o mau humor nos assassinos frustrados. Dario, que no Egito fora íntimo de Cambises, tentou desfazer depois os mexericos sinistros das terras do Nilo. "A inverdade", asseverou, "espalhou-se por sobre todo o país, não só na Pérsia e na Média, mas em outras províncias." Isso é de fato, era prudente o ceticismo em relação ao escândalo que cercava as vidas privadas dos poderosos, não porque seu comportamento fosse exemplar — longe disso —, mas porque eles comandam os recursos necessários a manter seus escândalos em segredo.

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