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Calígula (filme)

Caligula é um filme ítalo-estadunidense de 1979, do gênero drama histórico-biográfico, dirigido por Tinto Brass, com roteiro de Gore Vidal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/08/2026
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Sinopse

O filme conta a história de Calígula, tirano que comandou o Império Romano durante quatro anos, entre 37 e 41 d.C. Em seu reinado orgiástico e sangrento, ele mandou assassinar vários membros da aristocracia senatorial, casou-se com a própria irmã Drusila e concedeu ao seu cavalo, Incitato, as insígnias de senador. O filme começa com a morte do imperador Tibério, que é sucedido por seu neto Calígula. Calígula é um jovem ambicioso e cruel, que rapidamente assume o controle do império. Ele executa seus inimigos políticos, organiza orgias e eventos públicos decadentes. Em seu caso incestuoso, Calígula e sua irmã Drusila planejam governar o império juntos. No entanto, Drusila logo morre e Calígula fica devastado. Calígula se torna cada vez mais paranoico e violento. Ele começa a acreditar que é um deus e que pode fazer o que quiser. Ele executa seus amigos e familiares e envia seu exército para lutar em batalhas inúteis.

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Recepção

O filme foi mal-recebido pela crítica; Roger Ebert deu "nota zero", descrevendo-o como "doentio, imprestável, lixo vergonhoso." Talvez o comentário mais cruel que já apareceu nas críticas de Ebert é atribuído a um terceiro: "'Esse filme', disse a moça na minha frente na máquina de refrigerante, 'é a pior merda que eu já vi!'" Esse foi um dos poucos filmes que Ebert já abandonou no meio da projeção; "depois de duas horas dos seus 170 [sic] minutos." O crítico Leonard Maltin disse que o filme era pouco mais do que "seis minutos de cenas não envolvendo sexo explícito." A revista estadunidense Newsweek chamou Caligola de "uma enxurrada de depravação de duas horas e meia que parece ter sido filmada através de um vidro de vaselina." Analisando sua perspectiva contemporânea, o crítico Alex Jackson ofereceu uma análise mais simpática: O filme é agressivamente, odiosamente, chocantemente sem sentido. No entanto, a distância irônica que você usa para aguentar (e talvez até gostar) de filmes do Takashi Miike, até funciona por um tempo em Calígola, mas não dura até o fim. O filme é simplesmente muito vazio e cruel. Depois de umas duas horas e meia, o filme fica mais dinâmico e realmente vai ficando melhor conforme você mergulha na atmosfera. Mas não há perspectiva alguma. Eu nunca consegui me identificar com nenhum dos personagens, nem me importar com eles. O filme é tão profundamente desumano que tira dele qualquer conceito.

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Referências culturais

Calígula: Eu existo desde a manhã do mundo e existirei até que a última estrela caia da noite.Apesar de ter tomado a forma de Gaius Caligula, Eu sou todos os homens da mesma forma como não sou homem algum, e por isso sou um deus.Eu esperarei pela decisão unânime do Senado, Cláudio…Cláudio: Todos aqueles que concordam, digam sim.Calígula: Sim… Sim!Senadores: Sim! Sim! Sim!…Quereia: Agora ele é um deus…

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Exibição na TV brasileira

A Rede OM, que acabara de se tornar rede nacional, se envolveu em uma polêmica em 1992 após ser proibida pela Justiça de exibir o filme por conta das cenas de sexo explícito. A história repercutiu em todo o Brasil e fez a emissora conquistar uma excelente audiência para seus padrões mesmo tendo mostrado apenas um trecho da obra com censura. A Rede OM (bem como suas afiliadas, incluindo a TV Gazeta de São Paulo) não conseguiu exibir o filme completo em virtude dos impasses judiciais. Após se envolver em várias polêmicas, a Rede OM foi extinta em 22 de maio de 1993, dando lugar à atual Rede CNT.

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Dublagem brasileira

O filme foi inteiramente dublado e apesar de não ter sido totalmente exibido é possível encontrá-lo em sua versão completa em português.

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Outros cortes e edições

2007: "Edição Imperial"

Calígula foi lançado nos formatos DVD e Blu-ray em uma "Edição Imperial" em 2007, com a versão de lançamento nos cinemas e uma nova versão apresentando sequências alternativas do lançamento original nos cinemas e sem o conteúdo sexual explícito filmado por Guccione, marcando a primeira tentativa de reconstruir o filme em uma versão mais próxima das intenções de Brass. Esta edição também inclui comentários em áudio com Malcolm McDowell e Helen Mirren, além de entrevistas com o elenco e a equipe.

2018: Proposta de uma reconstrução “versão do diretor”

Em 2018, foi lançado o documentário Mission: Caligula, sobre os planos originais de Tinto Brass para o filme Calígula . Nos anos anteriores, Alexander Tuschinski, o diretor do documentário, pesquisou o tema em sua tese de bacharelado e auxiliou na redescoberta das filmagens brutas do filme, bem como da cópia de trabalho de Brass da década de 1970. Na estreia, foi anunciado que Kelly Holland, então CEO da Penthouse, estava interessada em que Tuschinski concluísse remontasse o filme no estilo de Brass, se possível, com a participação de Brass. A ideia não teve avanços.

2023: Ultimate Cut

O produtor Thomas Negovan anunciou uma reconstrução do filme em 2020, buscando seguir o roteiro original de Gore Vidal (em vez das visões de Brass ou Guccione). Composto por material previamente inédito totalizando 178 minutos, Ultimate Cut estreou no Festival de Cannes de 2023. Brass respondeu movendo uma ação judicial contra a Penthouse Films, dizendo: "Após inúmeras e infrutíferas negociações que se seguiram ao longo dos anos, primeiro com a Penthouse e depois com outros indivíduos obscuros, para editar o material que filmei e que havia sido encontrado nos arquivos da Penthouse, foi criada uma versão na qual não participei e que estou convencido de que não refletirá minha visão artística. [...] O público de Cannes será, portanto, enganado pelo uso arbitrário do meu nome." McDowell respondeu positivamente a essa versão, escrevendo no Instagram: "Devido ao brilhante trabalho de Thomas Negovan - uma das minhas melhores performances finalmente veio à luz após 47 anos!"

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Fontes consultadas

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