Corrida do ouro na Califórnia
A Corrida do ouro na Califórnia (1848–1855) começou em 24 de janeiro de 1848, quando foi encontrado ouro em Sutter's Mill. Quando as notícias da descoberta se espalharam, cerca de 300 000 pessoas, oriundas do restante dos Estados Unidos e do exterior, acorreram à Califórnia.
A corrida do ouro começou em Sutter's Mill, próximo de Coloma. Em 24 de janeiro de 1848, James W. Marshall, um homem que trabalhava em Sacramento, e o pioneiro John Sutter, encontraram pedaços de um mineral brilhante em uma calha que vinha de um moinho (pertencente a Marshall), que era de propriedade de Sutter, junto ao American River. Marshall trouxe as peças metálicas para a análise de Sutter, e os dois pesquisaram silenciosamente qual era o material das peças. O teste mostrou que Marshall havia encontrado ouro. Sutter ficou desanimado com a descoberta, e decidiu não relatar a descoberta, temendo que isso poderia arruinar seus projetos da construção de um império agrícola, sabendo que muitas pessoas se dedicariam à mineração com essa descoberta naquela região. Mas os rumores da descoberta acabaram por se espalhar, e em março de 1848 foi anunciada publicamente a descoberta nos jornais de São Francisco, publicados e comercializados por Samuel Brannan. O mais famoso relato sobre a corrida do ouro na Califórnia foi feito por Brannan; após tanto escavar nas minas para encontrar e comercializar o ouro, ele saiu pelas ruas de São Francisco insanamente, segurando uma porção do mineral, gritando: "Gold! Gold! Gold from the American River!" (Ouro! Ouro! Ouro encontrado no rio American!).
Os primeiros que chegaram para a procura de ouro, já desde a primavera de 1848, foram os próprios residentes da Califórnia: europeus, cidadãos dos E.U.A., "californianos " e ameríndios. No princípio, as notícias sobre a febre do ouro difundiram-se lentamente. Os primeiros pesquisadores de ouro que chegaram em 1848 viviam perto da Califórnia ou tinham tido conhecimento das notícias graças aos navios que cursavam as rotas mais rápidas que saíam da Califórnia. Vários milhares de cidadãos do Oregon formavam o primeiro grupo de estado-unidenses que chegou à Califórnia, através da rota de Siskiyou. Depois, chegou gente do Havaí, milhares de latino-americanos, entre os quais imigrantes do México, Peru e Chile, tanto por terra como por mar. Em finais de 1848, mais de 6 000 argonautas estavam já na Califórnia. Apenas uns poucos tinham chegado por terra. Alguns destes "forty-eighters" puderam recolher grandes quantidades de ouro de forma muito rápida, às vezes milhares de dólares no mesmo dia.
Quando começou a febre do ouro, a Califórnia era, na prática, um lugar sem lei. O dia da descoberta em Sutter's Mill, a Califórnia era ainda tecnicamente parte do México, embora sob ocupação militar dos E.U.A., como resultado da guerra México-Estados Unidos de 1846. O Tratado de Guadalupe Hidalgo, que fez terminar a guerra a 2 de fevereiro de 1848, tinha transferido o domínio da Califórnia para os Estados Unidos. A Califórnia não era um território formalmente organizado, e a sua incorporação na União Americana não foi imediata.[carece de fontes?] Temporalmente, a Califórnia foi um território sob controlo militar, sem que houvesse poderes legislativo, executivo ou judicial para a região. Os residentes atuavam sujeitos a uma confusa mistura de regras mexicanas e dos E.U.A., e com o juízo pessoal.[carece de fontes?] O Tratado obrigava os Estados Unidos a respeitar as concessões territoriais que tinham sido feitas pelo governo mexicano, mas as zonas mineiras estavam longe dessas ditas concessões, pelo que a febre do ouro não se viu afetada pelos termos do tratado. Os campos de exploração eram tecnicamente propriedade do governo dos Estados Unidos, mas na prática eram terrenos sem legislação definida, e sem mecanismos para fazer valer qualquer lei sobre eles.
A alta concentração de ouro na areia da Califórnia, permitiu que inicialmente se necessitasse apenas utilizar uma bateia, para obter um concentrado de ouro nos rios e correntes de água. Não é possível fazer esta operação em grande escala, pelo que os mineiros começaram a desenhar máquinas que os auxiliariam[carece de fontes?] a processar grandes volumes de gravilha.[carece de fontes?] Nas operações mais complexas, os mineiros desviavam rios inteiros para canais construídos ao longo do rio, para depois escavar no leito do rio, agora exposto. Os cálculos da United States Geological Survey, dizem que foram removidas 12 milhões de onças de ouro, equivalentes a 370 toneladas, durante os primeiros cinco anos da febre do ouro. Esta quantidade de metal equivalia a 7,2 milhares de milhões de dólares, a preços de final de 2006.[carece de fontes?] Na etapa seguinte, até 1853, tiveram lugar as primeiras operações de mineração hidráulica. Esta técnica foi utilizada em leitos de gravilha que havia nas colinas dos campos de ouro, dirigindo uma corrente de água de alta pressão até às jazidas de ouro, soltando a gravilha que é recuperada em canais, onde o ouro se sedimenta. Estima-se que em meados da década de 1880, esta técnica serviu para recuperar onze milhões de onças de ouro, equivalentes a 6,6 milhares de milhões de dólares, a preços de finais de 2006.[carece de fontes?] Um subproduto indesejado desta técnica eram as grandes quantidades de gravilha solta, metais e outros contaminantes, que foram depositadas nos rios. Algumas áreas ainda apresentam cicatrizes deixadas pela mineração hidráulica, já que a vida vegetal não se desenvolve nos depósitos de gravilha e de terra exposta.
Imagem: Fernando Valgode · BY-SA · Openverse
Uma crença popular é que os comerciantes ficaram com mais lucros da febre do ouro que os próprios pesquisadores de ouro. A realidade é, no entanto, mais complexa. Efetivamente, os lucros de alguns comerciantes foram notáveis. O homem mais rico da Califórnia durante os primeiros anos da febre do ouro foi Samuel Brannan, que anunciou a descoberta de Sutter's Mill. Brannan abriu as primeiras lojas em Sacramento, Coloma e outros lugares próximos dos campos de ouro. No começo da febre do ouro, Brannan comprou todos os artefactos de mineração (pás, bateias, etc.) disponíveis em San Francisco, e revendeu-os com consideráveis lucros. Mas os pesquisadores de ouro também obtiveram importantes benefícios. Por exemplo, um pequeno grupo que trabalhava em Feather River em 1848, em uns quantos meses conseguiu mais de milhão e meio de dólares em ouro. Em média, os pesquisadores de ouro tiveram lucros modestos, uma vez deduzidos os gastos. Os que chegaram mais tarde ganharam muito pouco, ou mesmo perderam dinheiro. De modo similar, muitos comerciantes desafortunados estabeleceram-se em povoações que desapareceram, ou foram vítimas de algum dos muitos incêndios que arrasavam as localidades.[carece de fontes?]
O destino do ouro
Uma vez que o ouro era recuperado, o metal podia tomar vários caminhos. O mais imediato era ser utilizado como moeda de troca para comprar provisões e pagar pela hospedagem dos mineiros. Com frequência, o ouro usado nestas transações acabava de ser encontrado, e tinha sido cuidadosamente pesado e avaliado. Por seu lado, os comerciantes e vendedores utilizavam o ouro para comprar provisões aos capitães dos barcos que levavam mercadorias à Califórnia. O ouro deixava a Califórnia a bordo de barcos ou em mulas. Um segundo destino era que os próprios Argonautas o levaram consigo ao partir, quando decidiam que tinham obtido o suficiente para voltar para casa. Estima-se que 80 milhões de dólares em ouro foram levados para França deste modo. Com o avanço e a consolidação da febre do ouro, os bancos locais começaram a emitir notas de crédito ou notas, em troca de ouro, e algumas casas de moeda privadas criaram moedas de ouro. Com a construção da Casa da Moeda de São Francisco em 1854, o ouro transformou-se em moedas oficiais dos Estados Unidos, para circulação. O ouro também foi enviado para bancos nacionais na Califórnia, em troca de papel-moeda corrente
Efeitos imediatos
Antes da corrida do ouro, a Califórnia tinha cerca de 15 000 habitantes, sem contar os ameríndios nativos, e a chegada de centenas de milhares de imigrantes em tão pouco tempo, teve consequências dramáticas. Os custos humanos e ambientais do fenómeno foram consideráveis. Os índios nativos da região foram vítimas de doença, fome e ataques genocidas; a população nativa, estimada em 150 000 habitantes em 1845, diminuiu abruptamente para menos de 30 000 em 1870. Saíram leis explicitamente xenófobas, procurando afastar os imigrantes da China e da América Latina. A quota mortal entre os imigrantes dos E.U.A. também foi severa, já que um em cada doze forty-niners pereceu; os índices de criminalidade durante a febre do ouro foram extremamente altos. O meio ambiente sofreu uma deterioração considerável, graças à gravilha, terra solta e químicos tóxicos empregados na mineração, que mataram animais e deterioraram habitats.
Efeitos a longo prazo
O nome Califórnia ficou relacionado permanentemente à Corrida do Ouro, e, como resultado, também se relacionou ao que foi conhecido como o "sonho californiano". A Califórnia era vista como lugar de novos começos e grandes oportunidades, de onde o duro trabalho e um pouco de sorte podiam ser recompensados com enormes riquezas. O historiador H. W. Brands fez notar que, nos anos posteriores à febre do ouro, o Sonho californiano difundiu-se pelo resto do país, e fez parte integral do novo Sonho americano.[carece de fontes?] O velho sonho americano … era o sonho dos puritanos, do almanaque de Benjamin Franklin … de homens e mulheres satisfeitos com acumular una modesta riqueza pouco a pouco, ano após ano após ano. O novo sonho era um sonho de riqueza instantânea, ganha em um abrir e fechar de olhos, graças à audácia e à boa sorte. [Este] sonho dourado … converteu-se em uma parte proeminente da psique americana apenas depois [de Sutter's Mill].
Crê-se que a alta concentração de ouro na Califórnia seja o resultado de forças que atuaram durante centenas de milhões de anos. Há aproximadamente 400 milhões de anos, a Califórnia jazia no fundo do mar. Vulcões submarinos depositaram lava e minerais, incluindo ouro, no leito marino. Há 200 milhões de anos, as placas tectónicas empurraram o leito marinho para baixo da massa continental americana. Enquanto descia, o leito marinho ia afundando, e o magma resultante subiu até à superfície, arrefecendo na subida. Quando este magma se solidificava, formaram-se alguns veios de ouro rodeados de quartzo. Os minerais e rochas solidificadas resultantes emergiram na Sierra Nevada e se erodiram, expondo parte do ouro à superfície. As correntes de água se encarregaram então de levar o ouro encosta abaixo, e depositá-lo em leitos de gravilha nos ribeiros. Os forty-niners se concentraram inicialmente nestes depósitos.


