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Calendário maia

O calendário maia é um sistema de calendários e almanaques distintos, usados pela civilização maia da Mesoamérica pré-colombiana, e por algumas comunidades maias modernas dos planaltos da Guatemala.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/10/2026
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Visão geral

O mais importante destes calendários é aquele com período de 260 dias. Este calendário de 260 dias era prevalente em todas as sociedades mesoamericanas, e é de grande antiguidade (quase certamente o mais velho dos calendários). Ainda está em uso em algumas regiões de Oaxaca, e pelas comunidades maias dos planaltos da Guatemala. A versão maia é conhecida pelos estudiosos como Tzolkʼin na ortografia revisada da Academia de Lenguas Mayas de Guatemala. O tzolkʼin é combinado com outro calendário de 365 dias (conhecido como haab, ou Haabʼ), para formar um ciclo sincronizado durando 52 haabs, chamado de roda calendárica. Ciclos menores de 13 dias (a trezena) e 20 dias (a vintena) eram componentes importantes dos ciclos tzolkʼin e Haabʼ', respectivamente. Uma forma diferente de calendário era usada para manter registros de longos períodos de tempo, e para a inscrição da data de calendário (identificando quando um evento aconteceu em relação a outros). Esta forma, conhecida como calendário de contagem longa mesoamericano ou contagem longa, é baseada no número de dias transcorridos desde um ponto inicial mítico. De acordo com a correlação entre a contagem longa e os calendários ocidentais aceita pela grande maioria dos pesquisadores maias (conhecida como a correlação GMT), este ponto inicial é equivalente ao dia 11 de agosto de 3114 a.C. no calendário gregoriano proléptico, ou 6 de setembro no calendário juliano (-3113 astronômico). A correlação Goodman-Martinez-Thompson foi escolhida por Thompson em 1935 baseado em correlações anteriores de Joseph Goodman em 1905 (11 de agosto), Juan Martínez Hernández em 1926 (12 de agosto), e John Eric Sydney Thompson em 1927 (13 de agosto). Pela sua natureza linear, a contagem longa podia ser estendida para se referir a qualquer data no futuro ou passado distantes. Este calendário envolvia o uso de um sistema de notação posicional, em que cada posição significava um múltiplo cada vez maior do número de dias. O sistema numérico maia era essencialmente vigesimal (ou seja, tinha base numérica 20), e cada unidade de uma dada posição representava 20 vezes a unidade na posição que a precedia. Uma exceção importante foi feita no valor de segunda ordem, que em vez disto representava 18 × 20, ou 360 dias, mais próximo do ano solar do que seriam 20 × 20 = 400 dias. Deve-se contudo notar que os ciclos da contagem longa eram independentes do ano solar.

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Conceito maia de tempo

Com o desenvolvimento do calendário da contagem longa e sua notação posicional (que se acredita herdada de outras culturas mesoamericanas), os maias tinham um sistema elegante no qual os eventos podiam ser registrados de forma linear uns relativamente aos outros, e também com respeito ao próprio calendário ("tempo linear"). Em teoria, este sistema pode ser estendido para delinear qualquer extensão de tempo desejado, simplesmente aumentando o número de marcadores de maior ordem usados (gerando assim uma sequência crescente de múltiplos de dias, cada dia na sequência identificado univocamente por seu número da contagem longa). Na prática, a maioria das inscrições maias da contagem longa limitam-se em registrar somente os primeiros 5 coeficientes neste sistema (uma contagem b'ak'tun), que era mais do que adequado para expressar qualquer data histórica ou atual (20 b'ak'tuns são equivalentes a cerca de 7885 anos solares). Mesmo assim, existem inscrições que apontavam ou implicavam sequências maiores, indicando que os maias compreendiam bem uma concepção linear do tempo (passado-presente-futuro).

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Calendário tzolkʼin

O tzolkʼin é o nome comumente empregado pelos estudiosos da civilização maia para o Ciclo Sagrado Maia ou calendário de 260 dias. A palavra tzolkʼin é um neologismo cunhado na língua maia iucateque, para significar "contagem de dias". Os vários nomes deste calendário usados pelos povos maias pré-colombianos ainda são debatidos pelos estudiosos. O calendário asteca equivalente foi chamado tonalpohualli, na língua náuatle. O calendário tzolkʼin combina vinte nomes de dias com os treze números do ciclo trezena para produzir 260 dias únicos. Ele é usado para determinar o momento de eventos religiosos e cerimoniais e para divinação. Cada dia sucessivo é numerado de 1 a 13 e então começa novamente em 1. Além disso, a cada dia é dado um nome uma lista sequencial de 20 nomes de dias: Notas: 1. o número sequencial do dia designado no calendário tzolkʼin 2. Nome do dia, na ortografia padrão revista padrão da Academia Guatemalteca de Línguas Maias 3. Exemplo de glifo (logograma) para o dia designado. Notar que para a maior parte destes existem várias formas diferentes; as aqui mostradas são as versões talhadas nos monumentos (estas são versões em cartela) 4. Nome do dia, conforme registros em língua iucateque do século XVI, principalmente de Diego de Landa; até há pouco tempo, esta ortografia era largamente difundida 5. Na maioria dos casos, não é conhecido o verdadeiro nome do dia, tal qual era falado nos tempos do período clássico(c. 200-900) em que foi feita a maioria das inscrições. As versões aqui apresentadas (em maia clássico, a principal língua usada nas inscrições) são reconstruções baseadas em evidências fonológicas, se existentes; o símbolo '?' indica que se trata de uma tentativa de reconstrução.

Origem do tzolkʼin

A origem exata do tzolkʼin não é conhecida, mas existem várias teorias. Uma teoria é que o calendário vem de operações matemáticas baseadas nos números 13 e 20, que eram números importantes para os maias. Os dois números multiplicados um pelo outro dão 260. Outra teoria é que o período de 260 dias vem da duração da gestação humana. Este número é próximo do número médio de dias entre o primeiro período menstrual perdido e o nascimento, diferente da Regra de Naegele, que é de 40 semanas (280 dias) entre a última menstruação e o nascimento. É postulado que as parteiras teriam desenvolvido originalmente este calendário para prever as datas de nascimento dos bebês.

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Haabʼ

O Haabʼ era o calendário solar maia composto de dezoito meses de vinte dias cada mais um período de cinco dias ("dias sem nome") no fim do ano conhecidos como Wayeb' (ou Uayeb na ortografia do século XVI). Bricker (1982) estimou que o Haabʼ foi usado pela primeira vez cerca de 550 a.C. com o ponto de início no solstício de inverno. Os nomes dos meses do Haabʼ são conhecidos atualmente pelos nomes correspondentes em maia iucateque da eras colonial, conforme transcritos por fontes do século XVI (em particular, Diego de Landa e livros como o Chilam Balam de Chumayel). Análises fonêmicas dos nomes de glifos Haabʼ em inscrições maias pré-colombianas demonstram que os nomes destes períodos de vinte dias variavam consideravelmente de região para região e de período para período, refletindo diferenças na(s) lingua(s) de básica e usos nas eras Clássica e Pós-clássica predatando seus registros por fontes espanholas.

Wayeb'

Os cinco dias sem nome no fim do calendário, chamados Wayeb', eram dias que se acreditavam perigosos. Foster (2002) escreve que "durante o Wayeb, os portais entre o reino mortal e o submundo se dissolviam. Nenhum limite impedia que as deidades mal-intencionadas causassem desastres". Para afastar os maus espíritos, os maias tinham costumes e rituais que eram praticadas durante o Wayeb. Por exemplo, as pessoas evitavam sair de casas e lavar ou pentear o cabelo.

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Ciclo de Calendário

Nem o sistema tzolkʼin nem o Haabʼ numeram os anos. A combinação de uma data tzolkʼin e uma data Haabʼ era suficiente para identificar uma data para a satisfação da maior parte das pessoas, já que uma combinação destas não se repete antes de 52 anos, muito acima da expectativa de vida geral da época. Estes dois calendários eram baseados em 260 e 365 dias respectivamente, o ciclo completo se repete exatamente a cada 52 anos Haabʼ. Este período era conhecido como um Ciclo de Calendário. O fim do Ciclo de Calendário era um período de tensão e má sorte entre os maias, eles esperavam para ver se os deuses concederiam outro ciclo de 52 anos.

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Contagem longa

Como as datas da roda calendárica só podem distinguir 18 980 dias, equivalentes a cerca de 52 anos solares, o ciclo se repete aproximadamente uma vez em uma vida, e portanto, um método mais refinado para manter datas era necessário para registrar a história de forma mais precisa. Assim, para manter datas sobre períodos mais longos que 52 anos, os mesoamericanos criaram o calendário da contagem longa. O nome maia para dia era k'in. Vinte destes k'ins são conhecidos como um winal ou uinal. Dezoito winals fazem um tun. Vinte tuns são conhecidos como k'atun. Vinte k'atuns fazem um b'ak'tun. O calendário da contagem longa identifica uma data contando o número de dias desde a criação maia, 4 Ahaw, 8 Kumk'u (11 de agosto de 3114 a. C. no calendário gregoriano proléptico ou 6 de setembro no calendário juliano). Mas em vez de usar um esquema de base 10 (decimal), como a numeração ocidental, os dias da contagem longa eram registradas em um esquema de base 20 modificado. Assim, 0.0.0.1.5 é igual a 25, e 0.0.0.2.0 é igual a 40. Como a unidade winal reinicia ao chegar a 18, a contagem longa usa a base 20 consistentemente só se o tun for considerada a unidade primária de medida, não o k'in, com o k'in e winal sendo os números de dias em um tun. A contagem longa 0.0.1.0.0 representa 360 dias, em vez de 400 em uma contagem de base 20 pura.

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Contagem curta

Nos reinos do pós-clássico do Iucatã, a notação linear da contagem longa caiu em desuso e deu lugar a uma contagem curta cíclica de 13 katuns (ou 260 tuns), na qual cada katun era designado de acordo com o seu último dia, Ahau ('Senhor'). 1 Imix foi seleccionado como o primeiro dia do ciclo, correspondendo a 1 Cipactli na contagem asteca. O ciclo era contado desde katun 11 Ahau até katun 13 Ahau, com os coeficientes dos dias finais dos katuns a seguirem a ordem 11 – 9 – 7 – 5 – 3 – 1 – 12 – 10 – 8 – 6 – 4 – 2 – 13 Ahau (dado que faltam dois dias a uma divisão de 20 × 360 dias por 13). O último dia 13 Ahau era seguido pelo dia 1 Imix. Este é o sistema encontrado nos livros de Chilam Balam. Seguindo a característica moda mesoamericana, estes livros projectam o ciclo na linguagem, com 13 Ahauob 'Senhorios' a dividirem a terra do Iucatãa em 13 'reinos'.

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Ciclo de Vénus

Outro calendário importante para os maias era o ciclo de Vénus. Os maias eram astrónomos hábeis, e podiam calcular o ciclo de Vênus com extrema precisão. Existem seis páginas no Códice de Dresden (um dos códices maias) devotadas ao cálculo preciso da ascensão heliacal de Vénus. Os maias conseguiram atingir tal precisão por observação cuidadosa ao longo de muitos anos. Existem várias teorias sobre porque o ciclo de Vénus era especialmente importante para os maias, incluindo a crença de que estava associado com a guerra e que era usado para adivinhar bons períodos (chamada astrologia electiva) para coroações e guerras. Os governadores maias planeavam o início das guerras quando Vénus ascendia. Os maias possivelmente também registavam os movimentos de outros planetas, incluindo Marte, Mercúrio, e Júpiter.

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