Madre Teresa de Calcutá
Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, M.C., conhecida como Madre Teresa de Calcutá ou Santa Teresa de Calcutá, foi uma religiosa católica de etnia albanesa naturalizada indiana, fundadora da congregação das Missionárias da Caridade, cujo carisma é o serviço aos mais pobres dos pobres por meio da vivência do Evangelho de Jesus Cristo. Em 2015, a congregação fundada por ela contava com mais de 5 mil membros em 139 países. Por seu serviço aos pobres, tornou-se conhecida ainda em vida pelo cognome de "Santa das Sarjetas".
Madre Teresa de Calcutá nasceu em 26 de agosto de 1910, em Üsküp, então capital do vilaiete do Kosovo, subdivisão do Império Otomano. Tinha pais de etnia albanesa, numa família de três filhos, sendo duas moças e um rapaz. Seus pais eram Nikollë Bojaxhiu e Dranafile Bernai. Considerava 27 de agosto, o dia em que recebeu o sacramento do batismo, como o seu "verdadeiro aniversário". Sua cidade natal é hoje a atual Skopje, capital da Macedónia do Norte. Começou por fazer votos aos dezoito anos nas Irmãs de Nossa Senhora do Loreto (Instituto Beatíssima Virgem Maria), na Irlanda, onde viveu por pouco tempo. Várias décadas depois, em 1965, a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias da Caridade e, entre 1968 e 1989, estabeleceu a sua presença missionária em países como Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Sri Lanka, Itália, antiga União Soviética e China.[carece de fontes?]
Fase não teísta
Uma coleção de cartas dirigidas a uns poucos conselheiros espirituais e recolhidas no livro "Madre Teresa: Venha Ser Minha Luz" (Mother Teresa: Come Be My Light) publicado em 4 de setembro de 2007, traduzido e publicado no Brasil pela editora Thomas Nelson, organizado pelo Padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa da sua canonização revelaram, segundo alguns, dúvidas profundas de Madre Teresa sobre sua fé em Deus, provocando discussões sobre uma possível posição agnóstica. Madre Teresa, em suas cartas, descreveu como sentia falta de respostas de Deus. Em 1956 escreveu: "Tão profunda ânsia por Deus - e ... repulsa - vazio - sem fé - sem amor - sem fervor. Almas não atrai - O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959: "Se não houver Deus - não pode haver alma - se não houver alma então, Jesus - Você também não é real."
Beatificação e canonização
Foi beatificada em 19 de outubro de 2003 pelo Papa João Paulo II, devido ao milagre ocorrido com Monica Besra, uma indiana que terá sido curada de um tumor no estômago de forma inexplicável, graça que foi atribuída à intercessão de Madre Teresa de Calcutá. O Papa Francisco proclamou Madre Teresa de Calcutá como santa no Jubileu da Misericórdia, em 4 de setembro de 2016. A canonização aconteceu depois de a Igreja Católica ter aprovado, por unanimidade, a cura extraordinária do brasileiro Marcílio Haddad Andrino em 2008, que se encontrava em coma devido a abscessos no cérebro e hidrocefalia. Apesar de sua discrição e de evitar entrevistas, ele participou da cerimônia de canonização. No dia 11 de fevereiro de 2025, o pontífice inscreveu sua memória como facultativa no Calendário Romano Geral, podendo assim ser celebrada por toda a Igreja.
Títulos e homenagens
O Papa Bento XVI na sua encíclica Deus Caritas Est, de 25 de dezembro de 2005, "sobre o amor cristão", cita Madre Teresa como exemplo de pessoa de oração e ao mesmo tempo de fé operativa: A piedade não afrouxa a luta contra a pobreza ou mesmo contra a miséria do próximo. A beata Teresa de Calcutá é um exemplo evidentíssimo do fato que o tempo dedicado a Deus na oração não só não lesa a eficácia nem a operosidade do amor ao próximo, mas é realmente a sua fonte inexaurível. Na sua carta para a Quaresma de 1996, essa beata escrevia aos seus colaboradores leigos: 'Nós precisamos desta união íntima com Deus na nossa vida cotidiana. E como poderemos obtê-la? Através da oração.
Em 2016, o hábito de Madre Teresa, tida como imagem indissociável de sua figura, um sári branco com três listas azuis, foi registrado junto ao Departamento de Patentes da Índia visando evitar o uso comercial indevido. Este é o primeiro caso de copyright de uma vestimenta religiosa no mundo. O hábito foi usado pela primeira vez por Madre Teresa em 1948, e, durante mais de três décadas, os tecidos foram desenvolvidos por doentes com lepra, que viviam em habitações sob alçada da ordem das Missionárias da Caridade, nas imediações de Calcutá.
Os críticos de Madre Teresa, nominalmente Christopher Hitchens, Aroup Chatterjee e Robin Fox, argumentam que sua organização fornecia ajuda abaixo dos padrões e possuía como interesse primário a conversão de pessoas à beira da morte para o Catolicismo. Além disso, afirmam que Madre Teresa teria usado as doações que recebeu para atividades missionárias em outros lugares, em vez de gastar na melhoria do padrão de ajuda médica de sua fundação. Esses críticos colocaram objeções fortes às virtudes de Madre Teresa e têm recebido a atenção de um número cada vez maior de pessoas. Em 1994, Hitchens publicou um artigo no The Nation intitulado "O Demônio de Calcutá". Para ele, as próprias palavras de Madre Teresa a respeito da pobreza provam que "suas intenções não eram de ajudar as pessoas". Chegou a afirmar, inclusive, que Madre Teresa mentiu a certos doadores sobre o destino de suas contribuições. Hitchens também foi a única testemunha chamada pelo Vaticano para fornecer evidências contra a beatificação e canonização de Madre Teresa.


