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Caio Mário

Caio Mário foi um político da gente Mária da República Romana. É conhecido como o "terceiro fundador de Roma" por suas vitórias militares. Caio Mário, o Jovem, cônsul em 82 a.C., era seu filho.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Primeiros anos

Mário nasceu em Arpino, ao sul do Lácio, por volta de 157 a.C. em uma família de classe média. A cidade havia sido conquistada pela República no final do século IV e, na época, seus cidadãos receberam a cidadania romana, mas sem direito de voto. Somente em 188 a.C. é que a cidadania plena lhes foi concedida. Apesar de Plutarco afirmar que o pai de Mário era um trabalhador que cuidava de uma granja com suas próprias mãos, esta informação é seguramente falsa, pois era comum exagerar a pobreza dos homens novos (como eram chamados os cidadãos romanos sem ascendência nas principais famílias romanas). O fato de Mário ter ligações com a nobreza em Roma (os Cecílios Metelos) e suas relações matrimoniais com a nobreza local de Arpino são indicações de que ele deve ter pertencido a uma família de certa importância de ordem equestre. Os problemas que teve que enfrentar em sua carreira são indicativos das dificuldades que encontravam os homens novos em suas carreiras políticas na capital da República.

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Guerra contra Jugurta

Quando parecia que a carreira política de Mário estava encerrada, seria uma nova crise militar para Roma, neste caso na Numídia, que permitiria que Mário se apresentasse novamente perante a opinião pública como um habilidoso comandante militar.

Contexto histórico

O Reino da Numídia havia saído fortalecido da Segunda Guerra Púnica. O príncipe númida Massinissa desertou para o lado romano durante a invasão romana na África cartaginesa comandada por Cipião Africano e, como recompensa, ganhou um extenso reino que os romanos criaram para utilizar como contraponto ao poder cartaginês. A partir daí, a Numídia seria uma boa fonte de tropas e provisões para Roma, tanto na África como fora dela, como foi o caso da Guerra Numantina, quando Jugurta dirigiu um contingente de cavaleiros e elefantes númidas. Apesar disto, as habituais lutas dinásticas internas entre os próprios númidas colocaram em confronto o próprio Jugurta (sobrinho e filho adotivo do rei Micipsa) e seus irmãos adotivos Aderbal e Hiempsal. Depois que este foi assassinado, Aderbal fugiu para Cirta, onde estavam assentados diversos comerciantes romanos e itálicos, que o ajudaram a defender a cidade. Porém, quando Jugurta conseguiu a rendição de Cirta, todos eles foram executados. Os romanos, ultrajados, ordenaram que Jugurta seguisse imediatamente até Roma, mas ele preferiu subornar senadores influentes até conseguir, inclusive, a morte de um outro parente que estava refugiado em Roma. Depois, em 110 a.C., o general romano na Numídia, Aulo Postúmio Albino, sofreu uma importante derrota na Batalha de Sutul (uma fortaleza númida), quando Jugurta realizou um ataque surpresa com a ajuda de vários contingentes romanos corrompidos por seus subornos.

Cecílio Metelo assume o comando

Roma reagiu em 109 a.C. enviando Quinto Cecílio Metelo para assumir o comando da guerra. Apesar de ser evidente que, depois que Mário assumiu o cargo de tribuno da plebe, ter havido um rompimento entre os dois, o relacionamento já havia melhorado nesta época, pois Metelo o levou como legado em sua campanha contra Jugurta. Não sabemos em quais circunstâncias o clã dos Metelo se reconciliou com Mário, nem se se tratou de um perdão sincero ou uma obrigação dadas as circunstâncias; seja como for, Mário, depois de um ano como propretor na Hispânia Ulterior, foi incorporado como legado ao exército africano de Metelo em sua campanha. Com ele, Metelo buscava provavelmente a grande experiência de Mário como militar e este, por sua vez, pretendia fortalecer sua carreira política para chegar ao consulado.

Consulado

Em 108 a.C., Mário pediu permissão a Metelo para deixar seu posto de legado para ir a Roma apresentar sua candidatura ao consulado. Metelo não permitiu e lhe ofereceu como alternativa apoiar a candidatura de seu filho que tinha apenas vinte anos, o que implicitamente supunha que tal apoio só viria vinte anos depois. A partir de então, Mário começou sua campanha para obter o consulado de qualquer forma. Salústio afirma que esta decisão foi apressada, em parte, por uma adivinha que lhe disse que havia previsto coisas grandes e maravilhosas e que, por isso, ele poderia perseguir qualquer desejo que tivesse, confiando aos deuses o êxito, e que poderia provar a sorte quantas vezes quisesse, posto que todas as suas campanhas prosperariam. Diante da situação (Mário precisava da permissão de Metelo para deixar o posto), Mário passou o verão congraçando-se com as tropas, o que aumentou imensamente sua popularidade, comendo junto com eles e demonstrando que não tinha medo de compartilhar com eles as agruras da vida militar. Buscou ainda a aprovação dos comerciantes itálicos, sugerindo que, se estivesse no comando, conseguiria uma vitória rápida e fácil na Numídia contra Jugurta. Os dois grupos escreveram para seus aliados em Roma, falando muito bem de Mário e criticando as táticas de Metelo, que baseava sua estratégia num lento desgaste das forças de Jugurta. Depois disto, Metelo decidiu ceder e deixou Mário partir, pois mantê-lo como subordinado em nada o ajudava.

Final da guerra

Apesar de ter se gabado poder finalizar a guerra rapidamente, Mário levaria mais três anos para cumprir sua promessa, o que parece demonstrar que Metelo vinha atuando com honradez e utilizando a única tática possível perante um inimigo astuto e conhecedor da guerra de guerrilha em um território bem conhecido. Sua estratégia não foi em nada diferente da que vinha conduzindo Metelo, ocupando-se do cerco das principais fortalezas númidas, que Jugurta utilizava para conter o avanço romano. Dedicando-se à pilhagem e a destruição do território inimigo, Mário avançou, em lenta marcha para o oeste, até o interior do Reino da Numídia, com o Reino da Mauritânia, onde Jugurta, sempre na defensiva, tornando-se seu último refúgio. Apesar disto e apesar das repetidas vitórias romanas, Jugurta sempre conseguia escapar para continuar a luta.

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Reformas militares

Na época, as legiões eram formadas por proprietários de terras e haviam sofrido uma série de graves derrotas, em grande parte devidas à inabilidade dos aristocratas romanas, que provocaram uma grande quantidade de baixas. Por tradição, o exército romano era formado apenas por homens com propriedades de terra, sobretudo fazendeiros, pois esperava-se que estes seriam os que lutariam com mais afinco pela defesa da República. Depois das reformas agrárias dos irmãos Graco, continuava estabelecido o tradicional recrutamento romano, que excluía do serviço os que não tinham propriedades suficientes para entrar no censo da quinta classe. Parece que os requisitos para formar a quinta classe foram reduzidos de de 11 000 para 3 000 sestércios por propriedade e que, inclusive, em 109 a.C., os cônsules teriam aprovado uma suspensão destas restrições. Seja como for, no final do século II a.C., estes deveres militares dos proprietários de terra se mostraram tão pesados a ponto de Salústio afirmar que os adversários políticos de Mário estarem esperando que os novos alistamentos de tropas minariam sua popularidade. Mário, que necessitava de mais tropas e tinha muitos problemas para obtê-las, foi obrigado a recorrer a métodos não convencionais e, possivelmente, nem se deu conta das consequências que suas reformas teriam no futuro.

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Cimbros e teutões

No final do século II a.C., Roma teve que enfrentar diversos movimentos migratórios de bárbaros vindos do norte: cimbros e teutões, assim como outros grupos, como ambrões e tigurinos. Eram povos em busca de terras para se assentarem que viajavam em grupos familiares muito numerosos. Em 113 a.C., alguns teutões chegaram em Nórica, na época habitada por aliados romanos, e a República reagiu enviado o cônsul Cneu Papírio Carbão para enfrentá-los. Em meio às negociações, Carbão atacou de surpresa os germânicos, mas, apesar da inciativa, os romanos foram derrotados. Quatro anos depois, em 109 a.C., chegaram na Gália os cimbros e, durante a Guerra Cimbria, o cônsul Marco Júnio Silano foi derrotado, o que aumentou muito o grau de descontentamento das tribos celtas recém-conquistadas no sul da Gália. Em 107 a.C., o cônsul Lúcio Cássio Longino foi derrotado por uma tribo local na Batalha de Agen e seu oficial responsável, Caio Popílio Lenas (filho de Públio Popílio Lenas, cônsul em 132 a.C.) salvou o que foi possível depois de abandonar parte de seu acampamento e depois de passar pela humilhação de "passar debaixo do jugo". No ano seguinte, outro cônsul, Quinto Servílio Cépio marchou para Gália para sufocar uma revolta e capturou a cidade de Tolosa, onde capturou uma enorme quantidade de dinheiro, conhecida como Tesouro de Tolosa (Aurum Tolosanum). Parte deste dinheiro desapareceu misteriosamente no caminho até Massília. Cepião foi prorrogado no comando, como procônsul, por mais um ano e, quando um dos cônsules, Cneu Málio Máximo, outro homem novo, passou a operar no sul da Gália, Cepião (que se considerava incapaz de obedecer a um homem novo, mesmo sendo cônsul, por causa de sua linhagem) fez de tudo para não cooperar com ele.

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Cônsul

No final de 105 a.C., Mário foi eleito cônsul pela segunda vez, mesmo estando ainda na África. Sua eleição, in absentia, foi um evento muito raro, mas não apenas isto. Em algum momento depois de 152 a.C. foi promulgada uma lei que estabelecia que um lapso de tempo de dez anos deveria se transcorrer antes que a mesma pessoa pudesse se candidatar a um novo consulado. Há evidências ainda de que, em 135 a.C., houve uma lei que chegou a proibir que um ex-cônsul fosse eleito novamente. Apesar disto, na época de Mário, chegavam a Roma notícias catastróficas sobre a chegada iminente dos cimbros e, como medida de emergência, Mário foi eleito novamente como cônsul por conta de uma lei específica. Ela se repetiu e Mário acabou eleito por cinco anos consecutivos (entre 104 e 100 a.C.), um feito sem precedentes na história de Roma. Ele voltou a Roma em 1 de janeiro de 104 a.C. para celebrar seu triunfo sobre Jugurta, que foi exibido em procissão e executado no final do evento.

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Encontro com as tribos germânicas

Em 102 a.C., os cimbros partiram da Hispânia e invadiram a Gália, onde se encontraram com os teutões e decidiram invadir a Itália. Os teutões seguiram para o sul e avançaram até a Itália pela costa mediterrânea. Os cimbros, por outro lado, cruzaram os Alpes, entrando na península pelo noroeste. Finalmente, os tigurinos, a tribo celta que havia derrotado Lúcio Cássio Longino poucos anos antes, cruzaram os Alpes pelo nordeste. Esta decisão se mostrou errada, pois as tribos germânicas dividiram suas forças e permitiram que o exército romano as enfrentassem em separado. Mário enfrentou primeiro os teutões, que estavam na Gália Narbonense, marchando em direção aos Alpes. Ele negou dar-lhes combate em seu próprio terreno e retirou-se para Águas Sêxtias, uma cidade fundada por Caio Sêxtio Calvino em 124 a.C.), que bloqueava o passo das montanhas. Mário acampou perto do inimigo em uma posição fortificada e, pouco de pois de acampar, ocorreu uma pequena escaramuça entre germânicos e romanos pelo controle do acesso à água. O incidente acabou tornando-se uma vitória romana e serviu para aumentar o moral das tropas republicanas, que se viram capazes de derrotar o inimigo germânico. Na noite seguinte, Mário enviou um destacamento de 3 000 homens sob o comando de Marco Cláudio Marcelo para preparar uma emboscada esperando pelo contingente principal. Ao amanhecer, Mário colocou seu exército em formação de combate na colina e provocou os teutões com sua cavalaria.

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Sexto consulado (100 a.C.)

Durante o seu sexto consulado, Mário teve que enfrentar problemas para assegurar os seus muitos objetivos políticos, incluindo uma lei para outorgar terras a seus veteranos na Gália Transalpina, Sicília e Grécia (muitos veteranos da Numídia havia conseguido terras no norte da África). Quando Mário voltou para Roma depois de sua vitória contras os cimbros, ele se viu isolado no senado e entrou num acordo com Lúcio Apuleio Saturnino e seu aliado, Caio Servílio Gláucia e os três formaram uma espécie de triunvirato com o apoio dos veteranos de Mário e da maior parte da plebe. Depois de subornos e assassinatos, Mário foi eleito cônsul pela sexta vez em 100 a.C. (quinta consecutiva), Gláucia foi eleito pretor e Saturnino, tribuno da plebe pela segunda vez. Saturnino então apresentou uma lei agrária para ampliar o escopo da que já havia sido aprovada na África e que propunha que todo o território ao norte do rio Pó, recentemente conquistado por Mário dos cimbros, deveria ser utilizado para assentar os veteranos , incluindo terras antes ocupadas pelas tribos celtas. Esta lei provocou uma enorme polêmica, já que estas terras eram, até serem conquistadas pelos cimbros, propriedade de camponeses italianos.

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Guerra Social

Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados · BY-SA · Openverse

Neste período no qual Mário esteve fora e, tempos depois, quando ele voltou a Roma, houve uma paz relativa em Roma. Apesar disto, em 95 a.C., foi emitido um decreto mediante o qual todos os habitantes de Roma que eram cidadãos de outras cidades italianas, mas que não eram cidadãos romanos, deveriam ser expulsos da capital. Em 91 a.C., Marco Lívio Druso foi eleito tribuno da plebe e propôs uma divisão maior das terras do estado, o aumento no número de senadores e a ampliação da cidadania romana a todos os homens livres da Itália. Druso foi assassinado e os aliados italianos iniciaram uma revolta contra Roma que se chamou Guerra Social, que perdurou de 91 até 88 a.C.. Mário e Sula assumiram o comando das forças romanas contra as cidades rebeldes, sendo que Mário lutou nos primeiros anos da guerra sem conseguir nenhuma vitória importante, o que revela a possibilidade de que ele já tivesse problemas de saúde que o impediram de desempenhar um papel mais destacado no conflito. Apesar disto, Mário conseguiu salvar o exército romano do desastre na batalha que tirou a vida de Públio Rutílio Lupo contra os picenos em 90 a.C., às margens do rio Liri segundo o relato de Apiano.

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Sula e a Primeira Guerra Civil

Imagem: Ferreiraclara · BY-SA · Openverse

Depois do término da Guerra Social, o rei Mitrídates VI do Reino do Ponto começou uma série de campanhas expansionistas e invadiu a Grécia. Em 88 a.C., Sula, que havia se destacado militarmente durante a Guerra Social, foi eleito cônsul. A escolha que o senado tinha diante de si era eleger ou Sula ou Mário como comandantes de um exército que defendesse os aliados romanos e derrotasse Mitrídates. O senado finalmente nomeou Sula, entre outras coisas, porque Mário, aos 69 anos de idade naquele momento, foi considerado velho demais para liderar uma campanha tão difícil. Apesar disto, Mário estava obcecado em conseguir o comando e, com isto, voltar ao centro da vida pública romana. Para reverter a decisão do senado, tentou novamente recorrer ao artifício de contornar a decisão do senado recorrendo à Assembleia dos cidadãos. Para isto, valeu-se da ajuda do tribuno Públio Sulpício Rufo. Neste momento, Sula se converteu no maior adversário de Mário e se negou a aceitar a validade da decisão da assembleia. Ele deixou Roma e seguiu diretamente para o acampamento de seu exército, o mesmo que o senado lhe havia entregue para lutar contra Mitrídates, que estava em Nola. Ele pediu às legiões que desafiassem a Assembleia e o aceitassem como líder legítimo; elas o fizeram e, para demonstrar a fidelidade a Sula, os legionários apedrejaram os representantes da Assembleia. Sula liderou seis legiões em uma marcha contra Roma, algo completamente imprevisto e que pegou Mário de surpresa, dado que nenhum exército romano jamais havia marchado contra Roma até então, algo proibido pelas leis e pelas mais antigas tradições republicanas.

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Sétimo consulado (86 a.C.) e morte

Enquanto Sula estava combatendo na Grécia, ressurgiu o conflito entre os populares (o partido de Mário) e os optimates (o partido de Sila, comandado por Otávio). Mário conseguiu amealhar apoio suficiente, em grande parte oriundo das colônias de veteranos no norte da África, para regressar à Itália à frente de um exército. Seu filho, Caio Mário, o Jovem, o acompanhou. Cina e Mário chegaram a Roma com quatro exércitos, dois deles comandados por Quinto Sertório e Cneu Papírio Carbão. A primeira grande batalha deste conflito ocorreu no Janículo, na qual as forças de Otávio saíram vitoriosas, mas sofrendo grandes perdas, o que desmoralizou o exército de Otávio, mas em nada atrapalhou o cerco de Cina e Mário. Finalmente, depois de várias escaramuças nas periferias de Roma, negociadores conseguiram uma promessa de Cina de que ele não causaria propositalmente a morte de ninguém ao reentrar em Roma.

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