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Caiçaras

Os caiçaras são um povo que habita os litorais dos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina, e os municípios de Paraty e Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro. Formados pela miscigenação entre indígenas, portugueses e escravos africanos, são considerados "um dos últimos traços visíveis do momento da criação do brasileiro". A cultura caiçara tem como base principal a pesca artesanal, cultivo de pequenos roçados, a caça, o extrativismo vegetal e o artesanato.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

O termo "caiçara" tem origem no termo tupi caá-içara, que era utilizado para denominar as estacas colocadas em torno das tabas ou aldeias, e o curral (armadilha) feito de galhos de árvores fincados na água para cercar o peixe.

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História

Formação

A comunidade caiçara foi formada pela mescla de populações indígenas, portugueses e negros, principalmente quilombolas. Os caiçaras permaneceram por séculos isolados em uma estreita faixa de terra entre o oceano e a Serra do Mar, o que permitiu a preservação de seu povo. Inicialmente, as áreas ocupadas por populações caiçaras localizam-se nas mais antigas cidades de São Paulo e do Paraná, fundadas entre o século XVI e XVII.

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Cultura

Muitas práticas agrícolas (coivara) e de pesca (puçá), assim como a preparação de alimentos (farinha, peixe) apresentam marcante influência indígena. Ainda que essa comunidade tenha sido formada a partir de populações culturalmente tão díspares, ao descrever o modo de vida da população caiçara, pode-se brevemente defini-la como a população que habita pequenas cidades e povoados ao longo do litoral do Brasil, corroborando a importância da ligação entre o caiçara e seu habitat. A cultura dos caiçaras possui semelhanças com a cultura dos caipiras – a estrutura da casa caiçara tradicionalmente era a mesma do caipira primitivo: paredes de pau a pique e telhado de sapê de duas águas, algumas vezes caiada; o chão era de terra batida. Nas cidades, os caiçaras tentam manter suas tradições, que também estão ligadas ao "particularismo da gente do litoral". Este é marcado pela exploração dos ambientes marinhos em oposição aos de terra.

Fandango

Os primeiros colonizadores açorianos trouxeram o fandango à Comarca de Paranaguá (atual litoral do Paraná), em 1750.[nota 1] Os açorianos, os escravos e os indígenas começaram a praticá-lo durante o entrudo, evento antecessor do carnaval. Durante os quatro dias de festas, o povo recorria com exclusividade para que batesse o fandango e que saboreasse o mais importante prato típico regional, que é o barreado. No Paraná, os bailarinos são chamados de folgadores ou folgadeiras, pois dançavam na folga do fim de semana. Eles interpretam diversas coreografias, as quais ganham nomes específicos como andorinha, xarazinho, tonta, etc. O fandango é acompanhado com duas violas (as quais de maneira geral tem cinco cordas), uma rabeca e o adulto, ou maxixe. Para que um batido ritmado e forte seja conseguido, os homens usam botas ou tamancos. A coreografia é simplificada, possivelmente valsada, com participantes que dançam com os pés que se arrastam no chão, ou possivelmente sapateadas, sendo seguidas por palmadas. O fandango mais famoso do Paraná é o da região de Morretes. Trata-se de uma dança singular, e isso pode se perceber na escala que eles usam, semelhante aos cânticos litúrgicos e populares da Idade Média. O fandango caiçara típico do litoral é considerado uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva reconhecida como bem imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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Economia

Até meados do século XIX, as localidades habitadas pelos caiçaras serviam como centros exportadores de ouro, açúcar e arroz, mas quando o Brasil passou a adotar um ciclo econômico mais dinâmico no interior dos estados (o ciclo do café), essa área acabou sendo deixada de lado; com a decadência econômica da região litorânea, as comunidades caiçaras ficaram, por muito tempo, geograficamente isoladas das florescentes cidades do interior, baseando-se em uma combinação de agricultura de subsistência e pesca artesanal. Diferentemente do sistema de produção instaurado no interior, o sistema de produção caiçara baseia-se na mão de obra familiar, regida por um calendário marcado pelo "tempo quente" (novembro-abril) e pelo "tempo frio" (maio-setembro). .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

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Identidade

A identidade cultural é formada ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não é inata. Ela permanece sempre incompleta, está sempre "em processo", sempre "sendo formada". No mundo moderno, com o fenômeno da globalização, as identidades se tornam desvinculadas — desalojadas — de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem “flutuar livremente". Não é diferente com a identidade caiçara. Postos diante da modernidade, os jovens caiçaras, convivendo diariamente com turistas, acabam subjugando seus valores e modo de vida tradicional. À medida em que as culturas tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. Em um contexto em que esses jovens não mais se autoidentifiquem como caiçaras, por não possuírem mais os mesmos hábitos das populações caiçaras ditas tradicionais, há uma brecha para o especulador imobiliário, que rodeia essas populações. Estes alegam que as autoridades poderiam deixar de reconhecê-los como caiçaras, caso essa identidade "tradicional" seja diluída. Nesse contexto, a identidade deveria ser ainda mais presente, revelando-se como resistência à especulação imobiliária presente nesta área, à qual se apropriaram como terra de vida. No entanto, não é possível considerar a população caiçara sem considerar o contexto de mundo no qual está inserida. Se considerada essa população enquanto grupo social participante das relações sociais, econômicas, culturais e históricas, se lhes permite que se apropriem dos valores e comportamentos próprios de seu tempo e lugar.

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Caiçara contemporâneo

O caiçara contemporâneo pode ser considerado "traduzido", segundo o sociólogo Stuart Hall. A mudança no modo de vida e da cultura se dá em praticamente todas as comunidades existentes. O caiçara contemporâneo presenciou a chegada da eletricidade à comunidade assim como da televisão, que desempenhou um importante papel na transformação e incorporação de determinados valores típicos de um Brasil em que a maioria de sua população vive em cidades. Dois fatores foram definitivos para essa mudança no modo de vida: O contato com outras realidades, que se tornou muito mais fácil com a abertura das estradas para o litoral e, consequentemente, o turismo de massa. Além disso, órgãos ambientais passaram a monitorar o desmatamento, inibindo a produção agrícola de subsistência dessas populações, somado a especulação imobiliária (pirataria/grilagem) e, as restrições à pesca e ao artesanato. Gerando um grande impacto na realidade caiçara, forçando-os a modificar suas práticas de cultivo.

Perda de cultura e terras

Na segunda metade do século XX, o litoral paulista passa por diversas transformações, como a abertura de estradas, a chegada do turismo e a urbanização do litoral, o que trouxe como consequências a transformação do espaço caiçara e a expulsão desse povo para as cidades. A aculturação é uma das principais consequências do contato com o mundo exterior. Tradições culturais têm sido cada vez menos populares entre essa população litorânea. Em muitas das antigas terras desse povo foram construídos condomínios residenciais.

Distribuição atual dos caiçaras

Atualmente, as comunidades caiçaras remanescentes se encontram em regiões do litoral entre Paraty e o sul do Paraná que não foram alvo da especulação imobiliária, podendo ser encontradas em territórios de municípios como Ubatuba, Ilhabela, Peruíbe, Iguape, Ilha Comprida, Cananeia e Guaraqueçaba. Na parte continental de Santos, é possível encontrar vilas de pescadores, como Ilha Diana.

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Reconhecimento no Brasil

Em 2007, os povos tradicionais, entre eles o caiçara, foram reconhecidas pelo Governo do Brasil, que através da política de desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais (PNPCT), ampliou o reconhecimento feito parcialmente na Constituição de 1988, agregando aos indígenas e aos quilombolas outros povos tradicionais, a saber: ribeirinho, castanheira, catador de mangaba, retireiro, cigano, cipozeiro, extrativista, faxinalense, fecho de pasto, geraizeiro, ilhéu, isqueiro, morroquiano, pantaneiro, pescador artesanal, piaçaveiro, pomerano, terreiro, quebradeira de coco-babaçu, seringueiro, vazanteiro e, veredeiro. Aqueles que mantêm um modo de vida primordial, intimamente ligado aos recursos naturais e ao meio ambiente em que vivem.

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Fontes consultadas

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