Caetité
Caetité é um município brasileiro do interior do estado da Bahia. Está localizado no Alto Sertão. Distante 645 quilômetros da capital do estado, Salvador, possui uma população de 54 730 habitantes, conforme a estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com mais de dois séculos de emancipação, a cidade foi polo cultural da região sertaneja da Bahia: foi a terra natal de figuras como Cezar Zama, Aristides Spínola, Anísio Teixeira, Nestor Duarte Guimarães, Waldick Soriano, Haroldo Lima, Prisco Viana, Paulo Jackson, Paulo Souto, Edvan Rodrigues da Silva (Buiú), dentre outros. Foi, ainda, pioneira na educação regional, com a primeira escola normal do sertão baiano.
"Caetité" deriva da língua tupi, e significa "mata da pedra grande", através da junção dos termos ka'a (mata), itá (pedra) e eté (verdadeiro).[não consta na fonte citada] É uma referência à formação rochosa a leste da cidade conhecida por "Pedra Redonda". Antes de ter a grafia atual, foi também chamada de Cahitaté e Caeteté.
Primórdios
Núcleos de povoamento encontram registros em sítios arqueológicos de mais de 6 mil anos, que motivaram a criação do Museu do Alto Sertão da Bahia (MASB). A região de Caetité originalmente era habitada por povos indígenas do tronco macro-jê, como os tupinaens, pataxós e maracás, havendo também a referência de que no século seguinte a região entre Minas do Rio de Contas e Caetité era ocupada pelos índios aracapás. A colonização da região de Caetité se iniciou no século XVII, por meio de vaqueiros associados à Casa da Ponte, de Antônio Guedes de Brito. Nessa época, essa área foi ponto de passagem para bandeirantes paulistas e posto de catequese.
Século XVIII
Na primeira metade do século XVIII, Caetité era ponto de pouso para viajantes, tropeiros e mineradores que se dirigiam para as minas de ouro de Minas Gerais e de Rio de Contas. Nesse período, muitas famílias se fixaram na região, atraídas pelo clima ameno e água abundante. Em 1724, a vila de Minas do Rio de Contas se emancipou de Jacobina e as terras que pertenceriam a Caetité passaram a pertencer à nova vila.[carece de fontes?] Em 1740, a família Carvalho ergueu uma capela em louvor a Sant'Ana, em cujos arredores se formou o arraial de Caetité, atual sede municipal. O Arraial de Caetité foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de Santana do Caetité, subordinada à vila de Minas do Rio de Contas, por meio de Alvara Régio de 1754.
Do século XIX aos dias atuais
Em 1817, Caetité foi visitada pela expedição de Spix e Martius, guardando boa impressão nos naturalistas, que consignaram a presença de uma escola régia de latim.[carece de fontes?] Morada do Major Silva Castro, herói da Independência da Bahia, teve uma filha, Pórcia, raptada por Leolino Pinheiro de Azevedo, num drama que inspirou, no século seguinte, o romance Sinhazinha, do acadêmico Afrânio Peixoto. Avô do poeta Castro Alves, a presença de Silva Castro foi um dos motivos pelos quais a cidade ainda hoje comemora o 2 de julho, data máxima do estado da Bahia. A vila participou indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, apoiando o Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo Baiano, em Caetité teve lugar o episódio dos mata-marotos, lutas entre brasileiros e portugueses, que se seguiram em 1823.[carece de fontes?]
Municípios emancipados direta e indiretamente de Caetité
Anagé (Conquista, 1962); Aracatu (Brumado, 1962); Barra do Choça (Conquista, 1962); Belo Campo (Conquista, 1962); Boa Nova (Conquista, 1880); Bom Jesus da Serra (Poções,1989); Brumado (1877); Caatiba (Conquista, 1961); Caculé (1919); Caetanos (Poções,1989); Candiba (Guanambi, 1962); Cândido Sales (Conquista, 1962); Caraíbas (Tremedal, 1989); Condeúba (1889); Cordeiros (Condeúba, 1961); Dário Meira; Encruzilhada (Macarani, 1952); Guajeru (Condeúba, 1985); Guanambi (seu território originalmente pertencia à Vila Nova de Caetité, depois passou a Palmas de Monte Alto quando esta desmembrou-se de Macaúbas em 1840, por sua vez oriunda de Urubu em 1832); Ibiassucê (Caculé, 1962); Ibicuí (Poções, 1952); Igaporã (1953/58); Iguaí (Poções, 1952); Itagibá; Itambé (Conquista, 1927); Itapetinga (Itambé, 1952); Jacaraci (1880); Lagoa Real (1989); Licínio de Almeida (Jacaraci/Urandi, 1962); Macarani (Conquista, 1921); Maetinga (Presidente Jânio Quadros, 1985); Maiquinique (Macarani, 1961); Malhada de Pedras (Brumado, 1962); Manoel Vitorino (Boa Nova, 1962); Mirante (Boa Nova, 1962); Mortugaba (Jacaraci, 1943?); Nova Canaã (Poções, 1961); Pindaí (Urandi, 1962); Piripá (Condeúba, 1962); Planalto (Poções, 1962); Poções (Conquista, 1880/1923); Presidente Jânio Quadros (1961); Ribeirão do Largo (Encruzilhada, 1989); Rio do Antônio (Caculé, 1962); Tremedal (Condeúba, 1953); Urandi (1889) e Vitória da Conquista (então Conquista, 1840).
Além da sede, possui quatro distritos com as seguintes distâncias desta: Brejinho das Ametistas, a 24 km; Caldeiras, a 60 km; Maniaçu, a 28 km e Pajeú do Vento, a 26 km. Além disso, alguns povoados de maior importância se destacam, como Anguá, Campinas, Juazeiro, Santa Luzia e Umbuzeiro.[carece de fontes?] O município apresenta características de cerrado e caatinga, estando aqueles presentes nas partes altas. Em meio ao cerrado, denominado localmente de "gerais", surgem ilhas de mata com características de floresta tropical, chamadas de "capões".[carece de fontes?] Os principais problemas ecológicos apresentados são o desmatamento indiscriminado, para a produção de carvão (destinado ao consumo das grandes siderúrgicas de Minas Gerais), bem como para atender ao polo ceramista local.[carece de fontes?] Em Caetité, foram identificadas diversas espécies vegetais, algumas delas únicas (caso da palmeira "coco-de-vassoura"), estudadas boa parte delas pelo New York Botanical Garden, na década de 1980.
Clima
Com altitude de 825 metros, possui clima ameno, apesar de situado no semiárido. Os períodos de maior insolação são entre maio e setembro (200 horas), quando o município se encontra na estação seca, e sua temperatura média compensada anual é de 22,1 °C (média máxima de 27,6 °C e mínima de 17,5 °C).[carece de fontes?] Segundo dados da estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no município, entre 1961 e 2019 a menor temperatura registrada em Caetité foi de 6,1 °C em 21 de julho de 1966, e a maior atingiu 36,7 °C em 1° de novembro de 2012.[nota 1] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 111,5 milímetros (mm) em 18 de dezembro de 2007. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 105,5 mm em 9 de março de 1988, 101,2 mm em 3 de janeiro de 2004 e 101 mm em 11 de outubro de 1995.
Demografia
A população residente do município de Caetité - BA chegou a 54.572 habitantes, conforme a estimativa do IBGE de 2024. Com a densidade demográfica de 19,62 habitantes por quilômetro quadrado, representando um aumento em comparação com o Censo de 2010. No Ranking de população dos municípios, Caetité está na 41º colocação no estado; na 166º colocação na região Nordeste e na 627º colocação no Brasil.
Na pecuária, destaca-se com um rebanho bovino com mais de 32 000 cabeças. Na mineração, conta com ricas jazidas de urânio, ametista, manganês e ferro (esta descoberta no começo do século XXI). Na indústria, possui importantes manufaturas têxteis e é polo regional na cerâmica.[carece de fontes?] A jazida ferrífera virá a ser explorada pela companhia mineradora indiana instalada em joint venture com o nome de Bahia Mineração Ltda. O depósito conta com de 4 a 6 bilhões de toneladas, e uma produção anual estimada em cerca de 12 000 000 de toneladas anuais — a terceira maior do Brasil.[carece de fontes?] Em 3 de março de 2007, o governador Jaques Wagner, o representante da mineradora Pramod Agarwal e o Prefeito Municipal participaram, na cidade, da cerimônia que celebrou a parceria das entidades públicas e da mineradora, esta última com investimentos estimados em cerca de 1,5 bilhão de dólares estadunidenses. Em 2008, foi anunciada a venda de 50% da Bahia Mineração Ltda. para uma empresa cazaque, a Eurasian Natural Resources, por trezentos milhões de dólares estadunidenses. O empreendimento prevê, ainda, o escoamento da produção até o Porto de Ilhéus.
Em Caetité, a única mina de urânio explorada da América Latina
Em Caetité, está localizada a única mina de urânio em produção no Brasil, uma unidade de mineração e beneficiamento de urânio que é explorada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil S.A., empresa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Considerada como uma província uranífera, com reservas de 100.000 toneladas do minério (suficiente para abastecer todas as centrais nucleares do país - existentes e programadas - por toda sua vida útil), a mina de Caetité tem capacidade para a produção de 400 toneladas de concentrado de urânio/ano. No primeiro semestre de 2011, a energia nuclear foi a segunda fonte de geração de eletricidade no país.[carece de fontes?]
Parque eólico
Com a crise energética ocorrida no final do governo Fernando Henrique Cardoso, o grupo Iberdrola iniciou um projeto para a instalação na cidade, em 2002, de um complexo gerador de energia eólica, orçado à época em 550 000 000 de reais. Entretanto, o governo federal, na época, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, não aprovou o financiamento deste parque eólico e o projeto foi abandonado. Este parque eólico seria composto por 130 geradores, com geração de duzentos megawatts de energia, e considerado estratégico para o desenvolvimento regional. Em 2005, o Greenpeace, passando pela cidade, teve ocasião de registrar, junto a lideranças locais, a importância não apenas energética - mas sobretudo ecológica e econômica da instalação do parque.
O Município de Caetité possui uma estrutura político-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um Prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de Caetité, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por vereadores também eleitos por sufrágio universal.
Hino
O Hino de Caetité é um dos símbolos oficiais da cidade, consoante o artigo catorze de sua Lei Orgânica. A letra é de autoria da professora Emiliana Nogueira Pita, que em sua letra ao falar de Caetité "revela um pouco da sua história de nobreza, glória, orgulho e pioneirismo". Com autoria de Marcelino José das Neves, escritor da cidade, e música de Hilarião Cerqueira, era cantado nas escolas e eventos cívicos desde fins do século XIX. Na sua letra procurava o autor ressaltar a condição de destaque sertanejo então ocupada pelo município: “Caetité do sertão és princesa / De cultura és cidade ideal / Nestas plagas de tanta beleza / Caetité está só sem rival /Salve, salve, Caetité”.


