Pantanal (1990)
Pantanal é uma telenovela brasileira exibida pela Rede Manchete de 27 de março a 11 de dezembro de 1990 em 216 capítulos. Sucedeu Kananga do Japão e antecedeu A História de Ana Raio e Zé Trovão. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, tem direção de Carlos Magalhães, Roberto Naar e Marcelo de Barreto e direção geral de Jayme Monjardim.
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Antecedentes e pré-produção
Antes de Pantanal, a Rede Manchete havia falhado em realizar novelas de massiva audiência, sendo Dona Beija e Kananga do Japão duas novelas que conquistaram relativo sucesso e chegaram a incomodar a TV Globo, acompanhadas pela série Joana. Durante anos, a novela ficou engavetada na Central Globo de Produções, chegando a entrar em pré-produção no final de 1984 para o horário das 18h, em substituição à novela Livre Para Voar, com o título de Amor Pantaneiro. Porém, a região do Pantanal estava em época de chuvas, o que inviabilizou a produção. Sendo assim, foi cancelada. Em 1990, a Rede Manchete contrata seu escritor, Benedito Ruy Barbosa, que finalmente realiza seu sonho, obtendo estrondoso sucesso e superando a até então imbatível TV Globo. Benedito foi convidado por Jayme Monjardim, novo Diretor de Dramaturgia da emissora, para reforçar o departamento, e só aceitou o convite após Amor Pantaneiro entrar nas conversas. O filho de Maysa era o terceiro diretor do departamento em quatro anos, sendo Herval Rossano e José Wilker seus antecessores, o que foi considerado pela crítica especializada uma rotatividade alta para um cargo executivo. Herval e Wilker não haviam conquistado grandes sucessos com suas novelas.
Escolha do elenco
Inicialmente Glória Pires foi cotada para viver Juma Marruá, convidada por telefone pelo autor Benedito Ruy Barbosa, porém Cristiana Oliveira ficou com o papel, que se transformou no maior sucesso de sua carreira. O personagem "Roberto", filho de Tenório, inicialmente seria gravado por Livingstone Trobilio, tido como um afilhado da então "primeira-dama" da Rede Manchete, Ana Bentes Bloch. Porém, por motivos de estudos, foi substituído por Eduardo Cardoso, que por sua vez desempenhou o personagem com mérito. Ambos estudavam na mesma escola na vida real. Uma das integrantes do elenco não queria participar da trama: Carolina Ferraz só fez sua estreia em novelas após ser ameaçada de demissão. Àquela altura, Carolina apresentava o Programa de Domingo na Manchete, e afirmou mais tarde que não teve alternativa senão fazer Pantanal.
Os animais
Um animal bastante comentado na trama era a piranha. Na trama, as piranhas serviam para matar algumas personagens: comentava-se que as piranhas não deixavam rastro, pois atacavam em cardume, digeriam toda a carne e os ossos iam ao fundo do rio. Um animal que também aparece na trama é a sucuri, contracenando com o Velho do Rio. A cobra, na verdade, era domesticada e chamava-se Rafaela. Por ser mais dócil, foi usada na novela para fazer as cenas mesmo quando representava uma jararaca ou outra espécie. Ela já carimbou presença na minissérie Mad Maria. Mascote do Instituto Vital Brazil, onde morou durante 30 anos, media 6 metros de comprimento e pesava 90 quilos. Morreu no dia 2 de julho de 2009, de causas naturais.
Abertura
A exibição original da novela contém duas versões em vinhetas de abertura. Além de imagens do Pantanal ambos estrelavam a apresentadora de TV Nani Venâncio (na época como modelo), que aparecia nua e se transformava em onça.
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Desde 2006, a TV Globo que já possui os direitos sobre Pantanal, estava inicialmente pensando em fazer uma adaptação em 2008, no horário das 18h, com o título de Amor Pantaneiro, vendo os bom índices de audiência de remakes anteriores de Benedito, como Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006), continuando a trilogia de novelas. Mas, em 2008, Silvio Santos levou ao ar no mesmo ano a reprise de Pantanal, no SBT. Em 2020, a TV Globo confirmou que fará um remake de Pantanal para o ano de 2021, por conta dos focos de queimada na região, para o horário das 21h, com o próprio texto original da novela, mas com algumas adaptações, sob a autoria de Bruno Barbosa Luperi, seu neto, com quem já havia trabalhado na produção de Velho Chico em 2016; a nova versão contará com a direção artística de Rogério Gomes e com Marcos Palmeira, intérprete de Tadeu na versão original, como José Leôncio (papel de Cláudio Marzo em 1990), enquanto que a icônica personagem, Juma Marruá, que foi vivida por Cristiana Oliveira será interpretada na nova versão por Alanis Guillen. A novela teve como uma das locações a mesma fazenda que serviu de cenário na gravação original, a fazenda Rio Negro, em Aquidauana-MS. O remake, que estava programado para 2021, teve sua estreia adiada para 2022 por conta do agravamento da pandemia de COVID-19.
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Pantanal conta a história de Zé Leôncio (Paulo Gorgulho/Cláudio Marzo), um peão de comitiva que chegou com o pai, Joventino (Cláudio Marzo) ao Pantanal, onde compraram uma fazenda e começaram a criar gado de corte. José Leôncio e seu pai caçavam marruás, um tipo de boi selvagem que vivia solto pelas matas da região, aumentando, assim, o rebanho na fazenda. Um certo dia, Zé Leôncio viajou com os peões em comitiva e pediu a que seu pai não fosse caçar marruá sozinho. Entretanto, o velho Joventino acabou por ir caçar e desapareceu na imensidão do Pantanal. Zé Leôncio voltou de viagem e procurou pelo pai sem sucesso. Nesse dia, prometeu que ia trazer um marruá no laço todos os dias, só para ter a esperança de encontrar o pai. Passado algum tempo, Zé Leôncio, já um fazendeiro rico, vai ao Rio de Janeiro cobrar uma dívida e conhece a fútil e mimada Madeleine (Ingra Lyberato/ Ittala Nandi). A família de Madeleine era da classe alta carioca, porém seu pai, Antero (Sérgio Britto) é viciado em jogo, acabando aos poucos com o status da família e deixando-os perto da falência. Antero acaba aceitando que Zé Leôncio se case com sua filha, recebendo dele um bom dinheiro para tentar resgatar o que perdeu, enquanto Zé a leva ao Pantanal e a engravida. Mulher da cidade grande, Madeleine não se adapta ao mundo rural, à rude vida pantaneira e à rotina de peão do marido. Durante uma das viagens de Zé Leôncio em comitiva, levando gado à venda, ela foge com o amigo Gustavo (José de Abreu), que a vai buscar no Pantanal, e o filho de poucos dias para a cidade do Rio de Janeiro.
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Pantanal estreou com 7 pontos de média. A Globo exibia em seu horário das oito da noite a novela Rainha da Sucata e Pantanal entrava no ar, na TV Manchete, imediatamente depois, às 21h30. Durante os vinte primeiros capítulos, ao competir diretamente com a linha de shows da Globo, Pantanal rapidamente atingia picos de 30 pontos, fechando sempre com média superior aos 20 pontos na Grande São Paulo. A partir da quarta semana, a novela passou a superar a TV Globo todos os dias na audiência. Isso fez a emissora esticar Rainha da Sucata para que os telespectadores não mudassem de canal, e lançar uma novela com os maiores nomes da casa (Araponga) para competir no mesmo horário, cancelando boa parte da linha de shows, tirando do ar programas consagrados como o TV Pirata. Seu último capítulo registrou 31 pontos na Grande São Paulo, um pouco mais que a Globo, que registrou 21 no horário. Teve média geral de 22 pontos, a maior da história da dramaturgia da Rede Manchete, entrando para a história da televisão brasileira como a única telenovela a bater a TV Globo quase que do começo ao fim, bem como a primeira desde a TV Tupi a ultrapassar frequentemente a marca de 40 pontos de audiência fora da Globo. Porém, ao contrário do que é dito, Pantanal jamais chegou a superar Rainha da Sucata, e sim superava a linha de shows da Globo e posteriormente Araponga.
Pantanal foi reexibida em duas ocasiões: às 19h30, de 17 de junho de 1991 a 18 de janeiro de 1992. Foi reprisada na íntegra, de 26 de outubro de 1998 a 14 de julho de 1999. Essa segunda reexibição tem uma particularidade interessante: entrou no ar em substituição à novela Brida, que acabou com os recursos da emissora. A Rede Manchete acabou sendo vendida pouco depois da reestreia de Pantanal. Sendo assim, essa reprise foi concluída pela TV!. Foi reapresentada na íntegra pelo SBT de 9 de junho de 2008 a 13 de janeiro de 2009, às 22h, em 187 capítulos, como sua "arma secreta" para a programação, alcançando a liderança no horário. Nesta reexibição foi apresentada na íntegra de segunda a sábado, ou seja, o SBT conseguiu apresentá-la completa em 187 capítulos, uma vez que, no seu início, o SBT apresentava três capítulos completos em um, apresentando a novela em full time. Também foi criada uma nova abertura, em que aparecia nua a modelo Glenda Santos.
O Melhor do Pantanal
CD lançado durante a reexibição pelo SBT, um misto entre os CDs lançados pela Manchete.
Pantanal: Suíte Sinfônica
Músicas compostas e regidas por "Marcus Viana".
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A novela foi um sucesso na época e ganhou vários prêmios:


