Pesquisa · Mapa mental

Celo

Celo, também conhecido como Coelo, era uma divindade primordial na mitologia romana, representando o céu. Frequentemente concebido como uma força geradora masculina, seu nome aparece na forma gramatical masculina. Ele desempenhou um papel significativo na teologia, iconografia e literatura romanas, sendo associado a conceitos cósmicos e a outras divindades importantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 25/07/2026

Pontos-chave

  • Celo era o deus primordial do céu na mitologia romana.
  • Ele era a contraparte romana de divindades gregas e judaicas.
  • Celo era filho de Éter e Dies, e pai de várias divindades importantes.
  • Ele substituiu Urano em mitos romanos, como o de Saturno castrando seu pai.
  • Celo apareceu em arte romana, como na couraça do Augusto de Prima Porta, e em cultos sincréticos.
01

Identidade e Origens

O nome Celo o liga diretamente à sua contraparte grega, Urano, e também à divindade judaica Yahweh. Varrão o descreve, junto com a Terra (Telo), como 'pater et mater' (pai e mãe) e 'grandes divindades' nos mistérios de Samotrácia. Embora seu culto em Roma não seja amplamente documentado, alguns estudiosos o consideram uma divindade puramente romana, associada a Sumano, o deus do trovão noturno. Celo ganhou proeminência na arte augustana e no culto de Mitra durante o Império Romano. Vitrúvio o incluiu entre os deuses celestiais cujos templos deveriam ser abertos ao céu, e uma inscrição o identifica com Júpiter como 'Optimus Maximus Caelus Aeternus Iupiter'.

02

Genealogia Divina

Imagem: Graphic Dix SL Photo Studio · BY-NC-ND · Openverse

Segundo Cícero e Higino, Celo era filho de Éter (o éter superior) e Dies (o Dia ou a Luz do Dia). Nessa tradição, Celo e Dies eram os pais de Mercúrio. Com Trivia, Celo gerou Jano, uma divindade distintamente romana, além de Saturno e Ops. Celo também é creditado como pai de um dos três Júpiteres, sendo os outros dois filhos de Éter e Saturno, respectivamente. Em uma tradição específica, Celo foi pai de Telo das Musas, possivelmente uma tradução direta de Urano de uma fonte grega.

03

Mito e Alegoria Cósmica

Imagem: Graphic Dix SL Photo Studio · BY-NC-ND · Openverse

Celo assume o papel de Urano nas versões latinas do mito em que Saturno (Crono) castra seu pai celestial. Os órgãos genitais decepados, lançados ao mar, dão origem à deusa Vênus. Cícero, em 'Sobre a Natureza dos Deuses', interpreta essa castração como uma alegoria estóica, onde o éter celestial, a 'semente de fogo' geradora, não necessita de órgãos genitais para sua função criadora. Para Macróbio, a separação simboliza a distinção entre o Caos e o Tempo mensurável (Saturno), estabelecida pelos Céus giratórios (Caelum). As 'semina rerum' (sementes das coisas) emanam de Celo, sendo os elementos fundamentais para a criação do mundo. A personificação espacial divina Caelum é sinônimo do Olimpo, a morada celestial metafórica dos deuses, identificada, mas também distinta da montanha grega. Varrão menciona que os gregos chamavam Celo de 'Olimpo'. Como representação espacial, Celo é um dos componentes do 'mundus' (mundo ou cosmos), ao lado da terra, do mar e do ar. O humanista renascentista Gerardus Vossius explorou extensivamente Caelus, destacando sua dualidade como deus e como o local habitado pelas divindades.

04

Representações Artísticas

Imagem: channone · BY · Openverse

Acredita-se amplamente que Celo seja retratado no topo da couraça do Augusto de Prima Porta. Ele aparece acima dos cavalos da quadriga do deus Sol, como um homem maduro e barbudo que segura um manto ondulante sobre a cabeça, um gesto tradicional ('velificatio') que simboliza a abóbada celeste. Essa figura está equilibrada e emparelhada com a personificação da Terra na parte inferior da couraça, embora essas figuras também possam representar Saturno e Magna Mater, aludindo à 'Idade de Ouro' augustana. Em um altar dedicado aos Lares, conservado no Vaticano, Celo em sua carruagem é representado ao lado de Apolo-Sol, acima da figura de Augusto.

05

Celo Nocturnus e o Templum

Imagem: channone · BY · Openverse

Como Caelus Nocturnus, ele era o deus do céu estrelado noturno, considerado o oposto do deus Sol. Essa divindade aparece em inscrições na Dalmácia e na Itália, associada a outras divindades do esquema cosmológico de Marciano Capela, derivado da tradição etrusca. Na disciplina etrusca de adivinhação, Caelus Nocturnus era posicionado ao norte, sem sol, em oposição ao Sol, para representar os eixos polares. Esse alinhamento era crucial para o traçado de um 'templum' (espaço sagrado) para a prática augural.

06

Sincretismo no Culto Mitraico

Imagem: Salomé Bielsa · BY-NC-SA · Openverse

O nome Caelus figura em inscrições votivas ligadas ao culto de Mitra. O Caelus mitraico é por vezes descrito alegoricamente como uma águia que se curva sobre a esfera celeste, adornada com símbolos planetários ou zodiacais. No contexto mitraico, ele é associado a Cautes e pode ser invocado como Caelus Aeternus ('Céu Eterno'). Uma forma de Ahura-Mazda é referida em latim como Caelus Aeternus Iupiter. Algumas paredes de 'mitreus' (templos mitraicos) exibem representações cósmicas com Oceano e Celo, e o 'mitreu' de Dieburg ilustra o mundo tripartido com Celo, Oceano e Telo sob Faetonte-Heliódromo.

07

Sincretismo com o Judaísmo

Imagem: channone · BY · Openverse

Escritores romanos utilizaram Caelus ou Caelum como uma forma de se referir ao deus monoteísta do Judaísmo, Yahweh. Juvenal identificou o Deus judeu com Celo como o 'summum caelum' (céu mais alto), afirmando que os judeus adoravam o 'numen' de Caelus. Petrônio utilizou uma linguagem similar. Floro descreveu o Santo dos Santos no Templo de Jerusalém como abrigando um 'caelum' (céu) sob uma videira dourada. Uma videira dourada, possivelmente a mesma mencionada, foi enviada pelo rei hasmoneu Aristóbulo a Pompeu Magno após a conquista de Jerusalém e posteriormente exibida no Templo de Júpiter Capitolino.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando