Cachoeira do Sul
Cachoeira do Sul é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, emancipado de Rio Pardo e instalado em 1820. A origem de seu nome se deve a uma antiga cachoeira existente no Rio Jacuí, porém em seu lugar foi construída a Ponte do Fandango. Fisiograficamente, está na Depressão Central do Rio Grande do Sul, na área compreendida como Vale do Jacuí, além de ser a principal e maior cidade do Conselho Regional de Desenvolvimento do Jacuí Centro e da Diocese de Cachoeira do Sul. Atinge uma altitude média de 26 metros ao nível do mar e encontra-se às margens da Rodovia Transbrasiliana (BR-153) e distancia-se 196 km da capital do Estado, Porto Alegre, e 1 663 km da capital brasileira, Brasília.
A história da cidade confunde-se com as disputas territoriais entre Portugal e Espanha no sul do Brasil.
Fundação e período colonial
A história do município inicia em 1750, quando tropas portuguesas vindas de São Paulo receberam sesmarias e começaram a povoar a área em volta ao Rio Jacuí, para segurança ao cumprimento do Tratado de Madri. As tropas estabeleceram-se com estâncias de criação de gado bovino. Para demarcar a linha de fronteira foi designado para ir ao Rio Grande do Sul, o governador e capitão general do Rio de Janeiro e Minas Gerais, Gomes Freire de Andrade, Visconde de Bobadela, acompanhado por uma comissão técnica e tropas dos exércitos espanhol e português. Em 1754 ocorreu a Guerra Guaranítica, onde os índios residentes nas Missões se revoltaram contra o poder da Coroa Portuguesa, da Coroa Espanhola e os padres jesuítas. Com a derrota dos indígenas, alguns deles foram recolhidos por portugueses e formaram uma pequena aldeia no Cerro do Botucaraí. Em 1769 foram levados para o Passo do Fandango, onde construíram a capela de São Nicolau. O lugar é hoje o bairro Aldeia. É nessa época que a pequena vila, formada de açorianos e índios, começa a ser chamado de Cachoeira, devido às quedas d'água do Rio Jacuí que havia no local. Em 10 de julho de 1779, a Capela foi elevada à categoria de Freguesia, com a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira. Em 28 de setembro de 1799, foi inaugurado o novo templo católico, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
Período imperial
Cachoeira sofreu vários investimentos em seu período imperial, evidenciando-se o desenvolvimento nos seguintes aspectos: criação de aulas públicas (1827); organização dos serviços dos Correios (1829); estabelecimento das Posturas Municipais, (1830); construção do edifício do Paço Municipal e entrega do mesmo à Câmara (1865). Na Revolução Farroupilha, Cachoeira se evidenciou por ser terra natal de um dos líderes da guerra: Antônio Vicente da Fontoura. Alguns a consideram como uma das capitais Farroupilhas pois Caçapava, a segunda das seis capitais, ainda não emancipada, na época pertencia ao Município de Cachoeira. Em 1857 chegam os primeiros imigrantes alemães, dirigindo-se à Colônia Santo Ângelo, região hoje compreendida nos municípios de Agudo, Paraíso do Sul, Novo Cabrais, Cerro Branco, Dona Francisca, Nova Palma e Restinga Seca. Essas famílias alemãs dedicaram-se à agricultura, especialmente ao cultivo do arroz. Já a colonização italiana se dá a partir de 1877, quando as primeiras famílias estabelecem-se em Cortado, vindas da Quarta Colônia. Depois, essas famílias transferem-se para a cidade trabalhar no comércio cachoeirense.
Período republicano
No ano de 1900, a agricultura começa a modernizar-se e acaba por impulsionar a economia cachoeirense, sendo cultivados diversos hectares de arroz, e aplicados altos investimentos em engenhos de beneficiamento de arroz. Dos que se destacam, está o Engenho Roesch. Nesta época também se dá um impulso no número de habitantes, que chegam na cidade interessados no comércio. O enriquecimento cultural também chega, com diversos eventos e encontros. Nesta época até os anos 1920 que são construídos os prédios de maior valor cultural da cidade, tais como a atual Casa de Cultura e a Câmara de Vereadores. É no início da década de 1920 que Cachoeira atinge a liderança brasileira na produção de arroz, fato este que ganhou o apelido de "Capital Nacional do Arroz". Em 1924 é terminada a construção do 3° Batalhão de Engenharia e Combate Conrado Bittencourt e, em 1925, é inaugurado o monumento símbolo da cidade: o Château d'Eau.
Emancipações
Por ter um território vasto, Cachoeira do Sul teve consequentes desmembramentos. Em 1831, com a Lei de 25 de outubro, separou do município de Cachoeira, os de Alegrete (com Santana do Livramento), e Caçapava do Sul (com São Gabriel), elevando-os à condição de vilas. Em 1857, separou-se a Freguesia de Santa Maria que foi elevada à vila, por decreto de 16 de dezembro daquele ano. Em 1959 emancipam-se o 5º e o 6º Distritos de Cachoeira, formando os municípios Faxinal do Soturno e Agudo, este último parte da antiga Colônia de Santo Ângelo e o primeiro parte da antiga Colônia Silveira Martins, a Quarta Colônia de Imigração Italiana. No ano seguinte, é criado o município de Nova Palma, que também engloba parte do antigo território Cachoeirense. Os municípios Dona Francisca e São João do Polêsine emanciparam-se de Faxinal do Soturno em 1965 e 1992 respectivamente. Também surgiram do território cachoeirense os municípios de São Sepé, em 1876, (deste último, Formigueiro, em 1963) e Restinga Seca, em 1960. Em 1988 Paraíso do Sul e Cerro Branco conseguem emancipação e, em 1996, foi a vez de Rincão dos Cabrais possuir autonomia, sob o nome de Novo Cabrais.
A área do município é de 3.735,167 km², representando 1,3891% do Rio Grande do Sul (o nono maior município em território do estado), 0,6628% da Região Sul do Brasil e 0,044% de todo o território brasileiro. Está a 196 km de Porto Alegre, por via asfáltica, e 160,1 km em linha reta.
Relevo e geologia
Cachoeira do Sul possui um relevo bastante variado. Em sua parte meridional há várias coxilha (leves ondulações nas planícies), sendo essa a causa para o nome de um dos distritos localizados nessa região: Cordilheira, apesar de haver poucas altitudes e morros nessa área. Em sua parte setentrional há presença de vários morros e cerros, que fazem parte das Escarpas do Botucaraí. A altitude média na zona urbana do município é de 26 metros ao nível do mar, com uma altitude máxima de 68 metros, localizada próximo ao distrito de Três Vendas. O município é incluído na Depressão Central do Rio Grande do Sul, uma grande bacia localizada entre o Planalto Médio e as Serras do Sudeste e que é compreendida entre a Região Metropolitana de Porto Alegre até a Microrregião da Campanha Ocidental. Uma das partes dessa depressão é o Vale do Jacuí, região que abrange todas as cidades às margens do Rio Jacuí. Por sua vez, Cachoeira é a maior cidade às margens desse rio, fato este que seu apelido secundário seja Princesa do Jacuí. O Vale do Jacuí é uma região integrante da Região dos Vales, que une esse vale com o Vale do Rio Pardo, Vale do Taquari e Vale do Caí.
Clima
O município de Cachoeira do Sul pertence à zona climática designada pela letra C, com o tipo climático Cfa, segundo a classificação do clima de Köppen. Tal tipo climático se caracteriza por ser um clima subtropical úmido. A temperatura média é de 19 °C e a pluviosidade média de tal clima é de 1 477 mm/ano, sendo agosto o mês mais chuvoso, com 157,4 mm, e abril o mais seco, com 83,6 mm. Sofre déficit hídrico de 85 mm entre dezembro e março, não sendo raro períodos de estiagem durante o verão. As estações do ano são bem distintas: o verão na cidade é quente, um pouco amenizado pelo efeito das águas do Rio Jacuí; já o outono é frio, com ocorrência de queda de folhas, mas também é nesse período que acontece o "veranico", época de calor comparado ao verão entre os meses de abril e maio. O inverno é muito frio, com temperaturas negativas nas partes mais altas do município, com ocorrência de geada e nevoeiro. A primavera é o início da floração. A partir do mês de outubro o calor começa novamente, com a proximidade do verão.
Vegetação
A vegetação típica da cidade são os pampas, especialmente nas coxilhas. Há ilhas de mata nesses campos, principalmente composta de eucaliptos e pinus. Na beira de rios, arroios e sangas há uma arborização bastante densa, servindo de mata ciliar desses córregos. Porém a maior parte dos campos já está devastada, para a criação de gado e a prática da agricultura. Já a mata ciliar está ainda conservada; no Rio Jacuí, próximo à cidade, começa a acontecer o fenômeno da erosão.
Hidrografia
Cachoeira situa-se na Bacia Hidrográfica do Baixo Jacuí, tendo como referência o rio Jacuí, com uma vazão média de 632 m³/s e uma largura média de 150m. Além da água de escoamento superficial, Cachoeira do Sul possui reservação de água disposta em barragens e açudes de domínio privado, que são, muitas vezes, zonas para pesca. Esta grande disponibilidade hídrica associa-se a presença do Aqüífero Guarani onde o limite sul do município, junto a borda da formação geológica do escudo cristalino é importante área de recarga desta reserva. Apesar do domínio hidrográfico principal ser do rio Jacuí, a contribuição de seus afluentes é bastante expressiva e pode-se citar como sub-bacias os rios Vacacaí e Botucaraí
A administração se dá pelo poder executivo, poder legislativo e poder judiciário. O primeiro representante do poder executivo e prefeito do município foi Olímpio Leal, ainda chamado de intendente, em 1892. A atual prefeita de Cachoeira é Ângela Schuh, que tomou posse em dezembro de 2023 após a renúncia do então mandatário José Otávio Germano. Ela será sucedida por Leandro Balardin (PSDB), eleito em 1º turno com 17.088 votos (40,22%) nas eleições municipais de 2024. O poder legislativo está na Câmara de Vereadores, denominada, no município, como Palácio Legislativo João Neves da Fontoura. Há a representatividade de quinze vereadores. A cidade possui as seguintes representatividades do poder judiciário: uma Vara da Justiça Federal; Procuradoria da Justiça Federal; Fórum da 10ª Comarca, com duas varas cíveis, duas varas criminais e Justiça Eleitoral; Vara da Justiça do Trabalho e Ministério Público.
Divisão territorial
Cachoeira do Sul é dividida em sete distritos: cidade de Cachoeira do Sul (zona urbana), Ferreira, Bosque, Três Vendas, Barro Vermelho, Capané e Cordilheira (zonas rurais). Os distritos do interior, por sua vez, são divididos em localidades, destacando-se Vila Piquiri (na Cordilheira), São Lourenço (em Ferreira) e Três Vendas, que apresentam uma população razoável e crescimento comercial. Já na cidade, a divisão é feita, primeiramente, por regiões: Norte, Leste, Oeste e Sul (as divisões por regiões tem destaque apenas nos veículos de informação). As regiões são dividas em bairros.
Símbolos oficiais
O brasão de Cachoeira do Sul é formado por um escudo talhado, com uma coroa de torres na sua parte superior. A borda verde significa a principal atividade econômica do município: a agricultura. As estrelas prateadas no alto do bordão significam os distritos agrícolas. O escudo é dividido em duas partes por uma barra dourada. Na parte superior, o fundo é azul, mostrando a formação católica e a tranqüilidade social do município, aparecendo, ainda, desenhos da ponte e queda de água, simbolizando o Passo do Fandango. Na parte inferior, a cor vermelha significa as lutas pela fixação de fronteiras. Sobre o fundo, aparecem: uma roda dentada, um arado e uma cabeça de boi, mostrando a riqueza e o progresso da pecuária cachoeirense. Os cachos de arroz e de trigo simbolizam as principais culturas do município. Ao pé do escudo, uma faixa branca com dizer em azul, representa a data da fundação do município de Cachoeira do Sul: 5 de agosto de 1820.
Demografia
Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de 81 552 habitantes, sendo o 21° município mais populoso do estado, apresentando uma densidade populacional de 22,4 hab/km², a 246ª maior do estado. A população urbana, em 2006, era de 75.635 pessoas (84,35%) e a população rural de 14.034 pessoas (15,65%). O sexo feminino representa 51,41% da população, enquanto o sexo masculino corresponde a 48,59% (na zona urbana o sexo feminino possui uma vantagem de 52,15% contra 47,85% da masculina; já os homens são maioria no campo, com 52,57% da população e 47,43% sendo mulheres), de modo que a população estimada neste ano era de 89.669 habitantes. Em 2000 a população local representava 0,86% da população do Rio Grande do Sul e 0,045% da do Brasil.
Crescimento populacional
Durante os últimos sessenta anos a cidade não variou muito o seu número de habitantes.
Cachoeira do Sul pertence a região econômica da Metade Sul do Rio Grande do Sul, grupo de municípios que teve prosperidade na primeira metade do século XX graças à agropecuária, mas que não se industrializaram ou tiveram uma industrialização tardia, mantendo seus tradicionais tipos de economia, empobrecendo e perdendo a concorrência para outros municípios. O Produto Interno Bruto cachoeirense é de R$ 690.396.000,00, sendo o 46º maior do Rio Grande do Sul em 2005. Destes, R$ 91.484.000,00 provém da agropecuária; R$ 94.670.000,00 acrescentado da indústria e R$ 441.221.000,00 adicionado aos serviços, somando R$ 63.020.000,00 de impostos. O retorno do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) possui índice de 0,522799, estando, em 2006 na 38ª posição entre os maiores do stadoe. Em 2005, a cidade teve uma exportação de produto equivalente a US$ 3.939.377,00. No município há 790 estabelecimentos industriais, 4.494 comerciais, 2.863 de serviços e 4.339 estabelecimentos autônomos.
Agropecuária e mineração
Cachoeira é caracterizada como "cidade agropecuária" e tendo vocação para o agronegócio, por causa das várias lavouras de arroz, milho e soja e as diversas cabanhas (locais dedicados à criação de gado) presentes no interior do município. Há, ainda, produção de noz-pecã, sendo a maior produtora desse tipo de fruto na América Latina. Vem ganhando destaque a produção de olivas e produção de azeite de oliva de ótima qualidade, segundo publicações da área. A produção pecuária, em 2006, se deu pela seguinte forma: 191.216 cabeças de bovinos, 111.318 cabeças de frangos, 68.729 cabeças de galinhas, 60.215 de ovinos, 10.377 de suínos, 4.753 de eqüinos, 3.869 de caprinos, 876 de coelhos, 567 de bubalinos, 293 de codornas, 41 de asisinos e 36 cabeças de muares. Ainda produziu 6.758 cabeças de vacas ordenhadas, 51.947 cabeças de ovinos tosqueados, 7.122 litros de leite, 114.602 quilos de lã, 782 mil dúzias de ovos de galinha, três mil dúzias de ovos de codorna e 78.500 quilos de mel de abelha. Na área de silvicultura, foram produzidos 18 toneladas de carvão vegetal, 13.194 metros cúbicos de lenha e 251 m³ de toras de madeiras.
Indústria
A indústria de Cachoeira é influenciada pela agricultura. O governo municipal prevê que em 2010 ela colocará R$ 500.000.000,00 no Produto Interno Bruto do município. O destaque industrial é o beneficiamento do arroz por empresas como Engenho Moraes, Coriscal, Engenho Trevisan e Engenho Treichel. O beneficiamento de soja vem sendo feito pela Granol, empresa que promete trazer novos empregos para a cidade e reativar o Porto de Cachoeira do Sul. A Granol, além de beneficiar soja, irá fabricar biodiesel, assim nomeando-se Grandiesel. Outra empresa que está chegando à cidade é a Aracruz Celulose, que está acelerando a produção de eucalipto na região do Piquiri. Uma das poucas empresas que não são influenciadas pela agricultura é a Schimidt Calçados. Inaugurou uma filial da indústria na cidade, e confecciona sapatos para serem vendidos na Europa. Junto com ela, há uma sistemista, a Calçados Fama, que forma um polo calçadista no município. A cidade também é o maior polo brasileiro de confecção de balanças mecânicas. Estão localizadas na zona urbana as duas empresas líderes de produção nacionais: a Balanças Cauduro e a Metalúrgica Brião.
Comércio
O comércio também é determinado pela agricultura, sendo o setor da economia cachoeirense que mais emprega. Estão presentes na cidade (especialmente nas ruas Júlio de Castilhos e Sete de Setembro) filiais de grandes lojas de repercussão regional, estadual e nacional, assim gerando e desenvolvendo o terceiro setor na cidade. Ainda há supermercados, farmácias, pequenas lojas e um "camelódromo". Há muitas instituições regionais sediadas na cidade que coordenam o comércio local. Dentre as principais, estão o Serviço Social do Comércio e a Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Cachoeira do Sul (Cacisc). Há também o Serviço de Proteção ao Crédito, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e a Câmara dos Dirigentes Lojistas.
Turismo
Cachoeira do Sul possui em seu turismo aspectos da sua história. Desde 2005 o governo tem se empenhado em transformar o município em um polo turístico. O cartão-postal do município é o Château d'Eau (Castelo das Águas, traduzido da língua francesa para a língua portuguesa), inaugurado em 1925 para bombear água até as partes mais altas da cidade, foi desativado em 1980. Em 2007 foi reconhecido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul como patrimônio histórico do estado. A fonte foi restaurada entre 2016 e 2017 e voltada a sua aparência original, sem jatos de água saindo dos cântaros (o que foi uma alteração dos anos 60). À sua frente está a Catedral Nossa Senhora da Conceição, templo católico inaugurado em 1799. Os dois monumentos fazem alusão à figura mitológica de Netuno e à figura católica de Nossa Senhora da Conceição, que possuem estátuas no topo do Château d'Eau e da Catedral, respectivamente.
A cidade conta com dezessete hotéis e motéis, totalizando aproximadamente 450 leitos. Esses leitos ficam lotados quando há um evento, principalmente a Fenarroz. Além disso, têm seis restaurantes, seis pizzarias e várias lancherias.
Educação
Cachoeira é um polo de educação, pois está na cidade a 24ª Coordenadoria Regional de Educação, representante da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul na região. Em diversas praças e locais públicos da cidade (especialmente nas periferias) se localizam os Módulos Literários, pequenas bancas itinerárias de livros e que servem a comunidade em geral. Segundo os dados preliminares do Censo Escolar do Inep em 2007, Cachoeira possui um número total de 18.372 alunos matriculados. A distribuição dos mesmos se dá de tal jeito: 11.942 estudantes estão na rede estadual, com 66,15% do número total; 4.989 estudantes estão na rede municipal, com 26,25% do total; e 1.441 estudantes estão na rede particular, 7,58% do total. O estudo também informa que 1.635 crianças estão em creches, e mesmo estudo não levou em consideração os estudantes do Ensino Superior. Os alunos encontram-se assim distribuídos, segundo o Censo Escolar do Inep de 2004:
Saúde
Cachoeira é o centro da 8ª Coordenadoria Regional de Saúde do Rio Grande do Sul, que, do mesmo jeito que a 24ª CRE, é representante da Secretaria Estadual da Saúde na região. Apesar do alto número de mortalidade infantil, ainda tem boa qualidade de vida, possuindo três equipes do Programa Saúde da Família, um ambulatório de prevenção à AIDS e outro de saúde mental, além de diversos agentes comunitários de zoonose e de saúde, médicos, dentistas, enfermeiros (há a Escola Técnica de Saúde do HCB, que forma técnicos em enfermagem), psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais ligados à área da saúde. Há um banco de sangue, um centro de oncologia, 186 leitos hospitalares em 2003, dez postos de saúde na zona rural, oito espalhados pelos bairros e três hospitais, que são o Hospital de Caridade e Beneficência de Cachoeira do Sul (HCB), o Hospital da Liga Operária e o Hospital da Unimed.
Transportes
Cachoeira do Sul conta com uma grande malha de transportes, sendo o quarto maior entroncamento de transportes do Rio Grande do Sul, unindo a BR-153, a estrada de ferro e o Rio Jacuí. A cidade está às margens da Rodovia Transbrasiliana (BR-153), garantindo acesso à RSC 287 ao norte, ligando-se a Santa Maria e Santa Cruz do Sul, e, ao sul, pela Ponte do Fandango, à BR-290, com Porto Alegre, e possui um prolongamento da estrada na cidade, a Volta da Charqueada. Também há a RS 470, que liga Cachoeira a Rio Pardo e as VRSs 810 e 811, a Estrada do Ferreira, que se comunica com São Sepé e Restinga Seca. Contudo, há outras vias de menor importância e que ligam Cachoeira aos seus vizinhos ou até mesmo a suas localidades distantes da cidade. Também existe um grande número de ruas e avenidas que levam as pessoas da cidade para bairros e Centro.
Comunicações
Cachoeira possui diversos meios de comunicações: a cidade possui dois jornais, o Jornal do Povo e o Jornal O Correio, abrangendo a cidade e seus municípios vizinhos. Há, no município, um escritório do jornal Correio do Povo (de Porto Alegre) e outros dois jornais de âmbito regional em circulação: Zero Hora e Diário Gaúcho. Há três publicações de revistas: a Pop Revista (com informações destinadas ao público jovem da Região dos Vales), a revista Linda e a Planeta Arroz. Esta última é a única revista especializada em orizicultura. A divulgação delas é mensal. Ainda tem anuário: o Anuário de Cachoeira do Sul, na qual está uma radiografia de todos os dados da cidade, além de ser um bom guia histórico e turístico do município.
Serviços
O serviço de abastecimento de água e recolhimento de esgoto, no município é feito pela CORSAN, mas, por desavenças entre a estatal e o governo municipal, tal serviço está em via de licitação para ser municipalizado. Estão instalados 369.281 metros de rede para distribuição de água, 81.318 metros de rede de esgoto e 20.000 metros cúbicos de água tratada e distribuída ao dia. No município, assim como em toda a Região Central do Rio Grande do Sul, o serviço de energia é fornecido pela RGE Sul. Todavia, devido aos vários blecautes ocorridos, em especial os ocorridos durante a Páscoa e em dezembro de 2007 e o de março de 2008, que paralisou o comércio local durante a véspera da data, o serviço vem sendo rejeitado pela população. No entanto, a cidade consome 25% da capacidade elétrica destinada a ela. São 24.078 residências, 363 indústrias e 1.863 estabelecimentos comerciais abastecidos. Há 1.557 ligações na zona rural. Os outras estabelecimentos rurais são ligados através da Companhia de Eletrificação Centro Jacuí Ltda., conhecida como CELETRO, empresa cachoeirense que atua também em municípios vizinhos, da Região Central e da Região Centro-Serra.
Cachoeira possui uma tradição própria: as famosas "encrencas", massas caseiras com aspecto parecido com casquinhas de sorvete e que são vendidos por pessoas sempre munidas de sinos para alertar os consumidores. Geralmente esses vendedores carregam as encrencas em uma espécie de tambor levado nas costas ou nos ombros; Por ser uma cidade com ampla diversidade e miscigenação cultural, Cachoeira é composta por etnias portuguesas, espanholas, italianas, alemãs, africanas e, em menor escala, japonesas e árabes. Além disso, o município possui uma grande história retratada em sua arquitetura, nas tradições, em festas populares e na memória cachoeirense. O feriado da cidade é dia 8 de dezembro, em comemoração à padroeira do município, Nossa Senhora da Conceição. Durante todo o ano acontecem eventos, destinados principalmente para o público jovem e adulto. Os principais são a Romaria Diocesana, a Feira do Livro de Cachoeira do Sul e a Festa da Noz Pecã (em comemoração à colheita do fruto) e a Vigília do Canto Gaúcho, os quatro em âmbito anual, mas o mais importante é a Feira Nacional do Arroz, conhecido como Fenarroz, é a maior feira orizícola das Américas e a segunda maior do mundo. Ver Eventos e feriados de Cachoeira do Sul.
Instituições culturais
Há várias instituições culturais em funcionamento na cidade. A principal é a AMICUS (Associação de Amigos da Cultura de Cachoeira do Sul), órgão responsável pela organização de eventos na cidade. No mesmo prédio da AMICUS está o Arquivo Histórico Municipal Carlos Salzano Vieira da Cunha, uma iniciativa do Poder Executivo para preservar obras, documentos e objetos que fazem parte da memória cachoeirense. Recentemente foi modernizada e, com a ajuda de historiadores, tornou-se uma das maiores do Rio Grande do Sul. Também possui o Parque Municipal da Cultura, uma área que abrange dois centros de convivência da população cachoeirense: o Museu Municipal Patrono Edyr Lima (onde há exposição de objetos importantes para a história da cidade, como o livro-ata que legalizou a emancipação de Cachoeira do Sul) e o Zoológico Municipal de Cachoeira do Sul.
Arquitetura
Por ser um dos primeiros municípios gaúchos, a arquitetura é uma marca nos costumes da população local. Casas antigas do interior do município refletem a arquitetura colonial brasileira do século XIX. Os prédios antigos, principalmente os de tradicionais casas que se transformaram em comércio localizados no Centro da cidade, possuem característica art nouveau, com detalhes e requinte, exemplo da Câmara de Vereadores e da Casa de Cultura. A art déco também está presente, com mais simplicidade, como na fachada do Cine Coliseu. De qualquer jeito, o estilo arquitetônico predominante na cidade é o açoriano (exemplo da fachada da União de Moços Católicos) e italiano (diversas residências localizadas na Rua Sete de Setembro). No Templo Martinho Lutero, a arquitetura românica é a marcante, com arcos ogivais, parede grossas e interior pouco iluminado, com traços da cultura alemã. Em igrejas, como a Santo Antônio, o estilo barroco é o principal, com vitrais que lembram a arquitetura gótica; em outros templos também há traços modernos. Seu principal cartão-postal, o Château d'Eau, floresce o estilo neoclássico, requinte típico da arquitetura francesa com presença de colunas dóricas em sua base inferior e colunas jônicas em sua base superior. Em seu torno há oito ninfa, figuras da mitologia grega, além da estátua de Netuno, localizada no topo do monumento.
Lazer
Entre os principais lugares de lazer de Cachoeira do Sul está a rua Sete de Setembro, onde a comunidade cachoeirense se encontra. A Praça José Bonifácio, localizada exatamente no Centro da cidade, é o espaço de convivência mais popular. Aí acontecem, geralmente aos sábados e domingos, espetáculos de artistas locais, atividades culturais e esportivas e a tradicional mateada (uma roda de amigos com chimarrão). A Praça Honorato de Souza Santos é uma praça bastante frequentada pelos cachoeirenses. Localizada no Centro da cidade, já foi o ponto de encontro mais frequentado pela comunidade, durante os anos 1990, e em 2007 voltou a ser realizada aí a Feira do Livro de Cachoeira do Sul. Existem outras praças no Centro da cidade, como a Baltazar de Bem (conhecida como Praça da Matriz) e Borges de Medeiros (popular praça da Caixa d'Água). Já na periferia existem 27 praças e locais para a prática esportiva. Uma empresa cachoeirense ganhou a licitação do governo municipal para melhorar a infraestrutura delas, como a colocação de playgrounds, enjardinamento e arborização, com árvores plantadas no Horto Florestal Municipal.
Sociedade
Cachoeira do Sul conta com diversos clubes, dentre os quais se destacam: Sociedade Rio Branco (SRB), Sociedade União Cachoeirense (SUC), Clube Comercial Cachoeirense (CCC), Grêmio Náutico Tamandaré (GNU) e Caiçara Piscina Tênis Clube. Também possui representatividade na cidade duas entidades do Lions Club e seis do Rotary Club, ambos clubes de apoio à comunidade. Há diversas casas noturnas, como a Hype (que costuma tocar música eletrônica e pop rock), Casa Nova e Clube Seresta, conhecidas como bailões por tocarem ritmos como forró, sertanejo e música regional gaúcha. Em vários pontos da cidade se encontram os Centros de Tradições Gaúchas, os populares CTGs.
Paleontologia
No município estão localizados afloramentos de grande importância e que têm contribuído para a paleobotânica, na Formação Rio Bonito e data do Sakmariano, no Permiano.[carece de fontes?] A Ulbra/Cachoeira do Sul possui uma equipe de profissionais especializados em paleontologia. Esse grupo foi quem descobriu, em Agudo, município próximo a Cachoeira, os fósseis de dois dos dinossauros mais antigos do planeta: o Sacissauro;
Esportes
Há vários campeonatos esportivos disputados em Cachoeira do Sul, como as Olimpíadas Escolares, anuais, organizadas pela Prefeitura, Ulbra, Serviço Social do Comércio e Jornal do Povo; a Taça de Futsal, com oito times de futsal; e o Cachoeirão, campeonato amador de futebol, na qual a sua prática é feita no Centro Esportivo Municipal Pedro Germano. Na cidade há espaço para a prática de voleibol, futsal, basquete e handebol nos quatro ginásios existentes na cidade, do qual o principal é o Ginásio Dom Pedro I, localizado no Parque da Fenarroz. Está em construção o Ginásio Municipal. Corridas e caminhadas também são praticadas no Parque da Fenarroz e junto às próprias ruas da cidade, com circuito de rústica em frequência mensal. Há duas quadras poliesportivas, uma na Praça José Bonifácio e outra na Praça da Caixa d'Água, uma pista de skate na Praça José Bonifácio e pistas de patinação e ciclismo na Praça Honorato. Musculação, natação e tênis são praticados em clubes. Há esportes náuticos no rio Jacuí, como canoagem e remo. Também tem hipismo, que é disputado no Jockey Club de Cachoeira do Sul, localizado no Prado.
A cidade de Cachoeira Do Sul possui diversos problemas sociais. A criminalidade em Cachoeira cresceu desde a década de 1990: diariamente ocorrem assaltos a mão armada, arrombamento de casas e furtos a carros. Uma prática que vinha sendo feita apenas na Região Sudeste do Brasil também está presente: a compra de cartões para celulares pré-pagos em troca de uma suposta premiação e o "falso sequestro". Entre 2006 e 2007, a cidade apresentou um aumento de 51% no número de assaltos, passando de 131 para 199 roubos e furtos. O crime de abigeato também é alto. Segundo a Polícia Civil do município, são roubadas três cabeças de gado a cada dez dias. Uma modalidade de assalto em particular se destaca: Criminosos utilizando motocicletas para subtrair itens de pedestres que circulam nas calçadas. Quanto ao roubo de carros, Cachoeira está na 44ª posição entre as cidades que mais acontecem esse tipo de crime no estado.


