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Cachoeira do Campo

Cachoeira do Campo é um distrito do município brasileiro de Ouro Preto, no interior do estado de Minas Gerais. Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 12 035 habitantes e havia 4 264 domicílios particulares permanentes ocupados. Possui área de 57,47 km² conforme a Fundação João Pinheiro (FJP). Foi criado pela lei provincial nº 50 de 8 de abril de 1836.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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História

O Imperador Dom Pedro II esteve em Cachoeira do Campo, onde chegou em 2 de abril de 1881, por ocasião de uma viagem pela Província de Minas. A comitiva imperial saiu do Rio de Janeiro no dia 26 de março, viajando de trem até Barbacena, de onde a viagem devia seguir a cavalo até Ouro Preto. Quando sua carruagem entrou no distrito pelo Tombadouro, houve intenso foguetório provocado pela multidão que se encontrava nas proximidades da praça da igreja matriz, cessando a pedido da Imperatriz D. Teresa Cristina, por estar assustando os cavalos. O Imperador foi recebido pelo Pe. Afonso, Coronel Ramos (Joaquim Fernandes Ramos) e outras autoridades locais. A comitiva imperial passou pela Matriz de Nossa Senhora de Nazareth, cujos altares o "agradaram muito", como ele próprio escreveu. Passou também pelo Palácio da Cachoeira e no imóvel onde se localiza o Colégio Dom Bosco, onde segundo consta, era intenção do Imperador transformar aquela propriedade numa escola agrícola.

1680 - Primeiro morador

O distrito surgiu entre os anos de 1674 a 1675, quando a bandeira de Fernão Dias Paes - o "caçador de esmeraldas" - na busca de riquezas nas montanhas de Minas, provavelmente descobriu a cascata de águas límpidas, próximo ao atual Centro Dom Bosco, que daria origem ao histórico nome do povoado da “Cachoeira”, passando mais tarde a ser chamado de Cachoeira do Campo. No ano de 1680 o aventureiro Manuel de Mello teria se estabelecido em Cachoeira, tornando-se o primeiro morador. O povoado teve em 1700 seu desenvolvimento inicial, quando uma crise de fome atingiu Vila Rica fazendo com que um grande número de pessoas, que moravam naquela região mineradora, procurassem o local para produzir alimentos.

1708 - Guerra dos Emboabas

Na localidade, pela projeção da época, desencadeou um dos episódios mais sangrentos e decisivos do conflito envolvendo os direitos de exploração de ouro na futura Capitania de Minas Gerais, conhecido como Guerra dos Emboabas, entre 1708 e 1709, no local conhecido atualmente como Oratório Festivo. O termo “emboaba” era pejorativo, dirigido aos estrangeiros que tentaram controlar a região das minas de ouro, tardiamente. Na língua tupi, essa expressão era originalmente utilizada pelos indígenas referenciando a todo tipo de ave que tinha suas pernas cobertas de penas até os pés. Com o passar do tempo, os bandeirantes paulistas a reinterpretaram para se referir aos forasteiros que, calçados de botas, alcançavam a região interiorana atrás dos metais preciosos.

1720 - Felipe dos Santos e a sedição de Vila Rica

Em 1720, Felipe dos Santos e Pascoal Guimarães, mineradores de Vila Rica, foram os primeiros a enfrentarem a autoridade da Coroa. lideraram uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição e consequente recolhimento pela Coroa de um quinto de todo o ouro extraído. Revolta conhecida por Sedição de Vila Rica, obtinha a simpatia de várias camadas da população. O episódio mais importante da revolta se deu na praça da matriz, em Cachoeira do Campo: a prisão de Felipe dos Santos Freire, enquanto insurgia o povo. Foi condenado à morte. Há controvérsias sobre sua execução, se enforcado e esquartejado, ou teve o corpo amarrado a cavalos, que saíram em disparada estraçalhando-o. Pascoal Guimarães foi condenado e teve sua propriedade incendiada. Os acontecimentos materializaram-se na autonomia administrativa da região das minas. A então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro foi desmembrada em duas por D. João V, criando a Capitania de São Paulo e a Capitania de Minas Gerais, em 12 de setembro de 1720.

Construção do acervo histórico e artístico

Na primeira metade do século XVIII, uma poderosa aristocracia se consolidava no lugarejo, com influência e dinheiro o bastante para construir prédios suntuosos para a época. Aliás, mesmo hoje seriam considerados suntuosos. A pompa e luxo fizeram morada em Cachoeira do Campo. Não demorou para que o poder também a escolhesse como residência. A maior parte de seu acervo arquitetônico já não existe mais, como os antigos casarões coloniais da ladeira e da rua Sete de Setembro, o Palácio da Cachoeira, mesmo assim imponentes ruínas e construções remanescentes resistem ao tempo: A Ponte do Palácio, datada do século XVIII, que dava acesso ao Palácio da Cachoeira, com 30 metros de comprimento e toda feita em pedra bruta, assentada em argamassa tendo o sangue de boi como aglomerante;

1775 - Regimento Regular de Cavalaria de Minas & Tiradentes & PMMG

Em 1775 foi construído no distrito de Cachoeira do Campo pelo governador provinciano Dom Antônio de Noronha, o quartel para abrigar o recém-formado Regimento Regular de Cavalaria de Minas, considerado a célula-máter da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Sua origem, portanto, data de 9 de junho do ano de 1775 no então chamado Quartel dos Dragões Del’Rey, onde lotava-se o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, exatamente no local onde se encontra atualmente o Colégio Dom Bosco (Centro Dom Bosco). Em 1816, deu início as adaptações para fundação da Coudelaria Imperial de Cachoeira do Campo, o que se deu a 29 de julho de 1819, transformando o local no maior centro criador de cavalos de raça da província, partindo dali a gênese de algumas das raças mais apreciadas no Brasil e no exterior.

1856 e 1864 - Bandas Musicais

Foi criada no distrito em 1856 a Banda Euterpe Cachoeirense e em 1864, a Sociedade Musical União Cachoeirense, atualmente Sociedade Musical União Social, sendo a segunda, formada por dissidentes da Banda Euterpe Cachoeirense, bandas que se encontram em atividade ininterrupta desde a fundação e que muito contribuem para o enriquecimento da cultura local. Estão entre as bandas musicais civis mais antigas de Minas Gerais.

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Fontes consultadas

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