Cabanagem
A Cabanagem, também chamada Guerra dos Cabanos, foi uma revolta popular e social que ocorreu na então Província do Grão-Pará entre 1835 e 1840, durante a regência de Diogo Antônio Feijó no Império do Brasil, influenciada pela Revolução Francesa, tendo como líderes Félix Clemente Malcher, Antonio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula. A revolta foi motivada pela extrema pobreza, fome e doenças que afetavam a população local, além do isolamento político, a forte influência portuguesa na região com a independência do Brasil em 1822, uma vez que o Pará aderiu à independência apenas em 1823.
Posterior a independência do Brasil em 1822, o Grão-Pará mobilizou-se para expulsar os reacionários que buscavam manter a região como colônia de Portugal. Em uma luta que durou vários anos, destaca-se as figuras do jornalista cônego barcarenense João Batista Gonçalves Campos, do fazendeiro montealegrense Félix Clemente Malcher, do lavrador barcarenense Eduardo Francisco Nogueira Angelim e, dos irmãos Vinagre (Antonio e Francisco Pedro). Em um período que ocorreu a formação de vários mocambos de escravizados fugitivos e ocorreu rebeliões militares frequentes. Após finalizada a luta pelo fim da escravidão, distribuição fundiária aos lavradores e, a instalação de um governo provincial, as líderanças locais foram marginalizadas. A elite fazendeira da nova Província, embora com melhores condições, ressentia-se de não participação nas decisões político-administrativas do governo central, comandado pelas províncias da região nordeste e sudeste do Brasil.
O movimento
No dia 7 de janeiro de 1835, Clemente Malcher foi libertado. Na madrugada desse dia, os rebeldes (tapuios, cabanos e negros), liderados por Francisco Vinagre e Félix Clemente Malcher, conquistaram o quartel e a sede do governo de Belém. Nesse episódio, assassinaram Bernardo Lobo de Sousa, nomearam Francisco Pedro Vinagre como Comandante das Armas da Cabanagem, Félix Clemente Malcher como presidente do Grão-Pará e apoderaram-se de todo o material armamentista. No entanto, o governo cabano não durou muito tempo, uma vez que o presidente Félix Clemente Malcher — um latifundiário, tenente-coronel e dono de engenhos de açúcar — estava mais identificado com os interesses da elite. Foi deposto então em 19 de fevereiro de 1835 e considerado traidor do movimento por apoiar as exigências do Governo Imperial, com respaldo da elite dominante, que pretendia manter a província subordinada ao Império do Brasil.
Ocorreram vários massacres sangrentos, calcula-se que cerca de 30 a 40% da população foi exterminada, nações indígenas como o murá e o mauê praticamente desapareceram. Em 1833, o Grão-Pará tinha 119 877 habitantes; 32 751 eram índios e 29 977 eram negros escravizados. A maioria mestiça (miscigenação de índios, negros e brancos) chegava a 42 mil. A minoria totalizava quinze mil brancos, dos quais mais da metade eram portugueses. Os impactos ocasionados pela revolta e contrarrevolta eram vistos no rastro de destruição após o fim do conflito, pois a produção de alimentos ficou escassa, sendo então comprada farinha do nordeste brasileiro devido a falta do produto na província. Foram afetados os pequenos ranchos que eram relevantes na economia paraense, estes deixando de produzir; terras que pertenciam aos indígenas foram brutalmente arrancadas, pela cobiça e cultura discriminatória praticada por uma parte da população.


