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Caatinga

Caatinga é o único bioma brasileiro exclusivamente dentro do território nacional, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro país do planeta. Seu nome decorre da alusão à paisagem esbranquiçada apresentada pela vegetação durante o período seco. A maioria das plantas perde as folhas e os troncos tornam-se esbranquiçados e secos. A caatinga, que ocupa uma área de cerca de 734.478 km², o equivalente a 10% do território nacional, ocorre nos estados da Paraíba, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão e parte do norte de Minas Gerais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Etimologia

O Dicionário de Tupi Antigo (2013) do tupinólogo Eduardo Navarro apresenta duas definições para o adjetivo ting: Deste modo, ka'a + ting pode ser traduzido como mata branca, ou, mais precisamente, como mata clara. A tradução mata branca, contudo, não está errada, pois em português brasileiro a palavra "branco" nem sempre tem sentido literal (fala-se em vinho branco, ou pessoa branca).

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Definição

O conceito e a extensão da caatinga variam, dependendo do ponto de vista. Pode-se entendê-la como: O uso dos termos "sertão" e "agreste", relacionados à caatinga, também variam entre os autores. Uma definição usual é de sertões como os interiores secos das caatingas e, de agreste, como a região leste de transição entre as caatingas e a serra do Mar.

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Subdivisões

Fitogeografia

Luetzelburg (1922) dividiu a vegetação da caatinga em duas classes, em termos florísticos: Em termos de fisionomia, Luetzelburg identificou, na região do Nordeste ("Hamadryas"), vários tipos de vegetação (parte deles com termos iguais aos usados no Cerrado, mas com sentidos específicos para a Caatinga): Sampaio (1938) identificou quatro tipos de vegetação da caatinga: Divisão fitogeográfica da caatinga por Rizzini (1963): Tipos de vegetação da Caatinga por Rizzini (1997): Principais unidades de vegetação e tipos de comunidades das Caatingas, baseada essencialmente em critérios fisionômicos e florísticos, a partir de Andrade-Lima (1981) e Prado (2003):

Ecorregiões

Velloso et al. (2002) propuseram oito ecorregiões (definidas no sentido ecológico de Bailey - isto é, como "unidades relativamente grandes de terra e água delineadas pelos fatores bióticos e abióticos que regulam a estrutura e função das comunidades naturais que lá se encontram" - e não no sentido biogeográfico, de distribuição da biota, usado no esquema do WWF) para o bioma Caatinga:

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Biodiversidade

Flora

A vegetação da caatinga é adaptada às condições de aridez (xerófila). Foram registradas até o momento cerca de 1000 espécies, estimando-se que haja um total de 2000 a 3000 plantas. A caatinga apresenta vegetação típica de regiões semiáridas com perda de folhagem pela vegetação durante a estação seca. Anteriormente acreditava-se que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes, como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. Essa crença sempre levou à falsa ideia de que o bioma seria homogêneo, com biota pobre em espécies e em endemismos, estando pouco alterada ou ameaçada, desde o início da colonização do Brasil, tratamento este que tem permitido a degradação do meio ambiente e a extinção em âmbito local de várias espécies, principalmente de grandes mamíferos, cujo registro em muitos casos restringe-se à associação com a denominação das localidades onde existiram.

Fauna

A fauna possui baixas densidades de indivíduos e poucas espécies endêmicas. Apesar da pequena densidade e do pouco endemismo, já foram identificadas 45 espécies de anfíbios, 95 de répteis, 975 de aves, 148 de mamíferos e 240 de peixes num total de 1225 espécies de animais vertebrados, pouco se conhecendo em relação aos invertebrados. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas, indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema, que segundo os pesquisadores é considerado o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros. Na Caatinga vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção. O último exemplar da espécie vivendo na natureza não foi mais visto desde o final de 2000. Outros animais da região são o sapo-cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatu-peba e o sagui-de-tufos-brancos, entre outros.

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Povos Indígenas da Caatinga

Os vestígios humanos mais antigos da Caatinga são encontrados em diversos locais, como no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, onde foram encontrados utensílios, pinturas rupestres e um crânio, nomeado "Zuzu", com cerca de 8 mil anos de idade. Este fóssil, em estudo, pode ser ainda mais antigo que o fóssil de Luzia, que atualmente é o mais antigo do continente sulamericano. Uma das áreas mais preservadas de todo bioma caatingueiro, é uma região no sertão baiano, um dos últimos grandes abrigos de onças-pintadas e onças-pardas. Essa região conta com 3 mil sítios arqueológicos, feitos por ancestrais dos povos indígenas a mais de 15 mil anos. Alguns estudos dos vestígios pré-históricos na Caatinga podem provar que os seres humanos já habitavam a América muito antes do que se esperava. A relação dos indígenas com o bioma é tão profunda e antiga, que novos achados arqueológicos apontam que os nativos já conheciam a presença de dinossauros, na Paraíba, algo inédito no planeta.

Indígenas e a Preservação da Caatinga

Vários ambientalistas, pesquisadores e lideranças indígenas apontam que a demarcação das terras indígenas são muito benéficas para preservação ambiental, pois causam a diminuição do desmatamento, preservação de matas virgens e secundárias, barram poluição de cursos d'água e assim ajudam no combate ao aumento da temperatura do planeta. Assim, a demarcação de terras e a luta ambientalista-indígena na Caatinga são uma margem de esperança para recuperar os ecossistemas, a fauna e a flora da Caatinga, um dos biomas mais devastados do país. Os dez maiores povos indígenas da Caatinga são responsáveis por 123 411 hectares de terras demarcadas e protegidas, além de várias outras terras que ainda estão buscando a demarcação.

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Conservação e degradação ambiental

Algumas unidades de conservação da caatinga são: Monumento Natural do Rio São Francisco, Monumento Natural Vale dos Dinossauros, Área de Proteção Ambiental da Ararinha-azul, Parque Nacional da Chapada Diamantina, Parque Nacional da Serra da Capivara, Parque Nacional do Catimbau, Parque Nacional da Serra das Confusões, Parque Nacional da Serra do Teixeira, Parque Nacional de Sete Cidades, Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba, Reserva Biológica de Serra Negra, Floresta Nacional de Açu, Floresta Nacional de Sobral, Estação Ecológica do Seridó, Estação Ecológica do Castanhão, dentre outras. No entanto, este patrimônio encontra-se ameaçado, a exploração feita de forma extrativista pela população local, desde a ocupação do semiárido, tem levado a uma rápida degradação ambiental. Além da vulnerabilidade a desertificação do bioma, graças ao mau uso do solo e o superpastoreiro. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem e somente 7% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação. Menos de 1% de sua área está em unidades de proteção integral (como Parques, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas), que são as mais restritivas à intervenção humana (em média a caatinga tem 14 sítios de preservação totalmente administrados pelo Governo Federal no Nordeste).

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Fontes consultadas

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