Bruce Lee
Lee Jun-fan, conhecido mundialmente como Bruce Lee, foi um artista marcial, ator, diretor de cinema, produtor cinematográfico, roteirista, instrutor de artes marciais, filósofo e autor sino-americano. Ele foi o fundador do Jeet Kune Do, uma filosofia híbrida de artes marciais derivada de diferentes disciplinas de combate, que, muitas vezes, é creditada por pavimentar o caminho para as Artes Marciais Mistas. Lee é considerado por comentaristas/críticos, pela mídia e por outros artistas marciais o mais influente artista marcial de todos os tempos e um ícone da cultura pop do século XX, que fez a ponte entre o Oriente e o Ocidente. Ele é creditado por ter ajudado a mudar a maneira como os asiáticos eram apresentados nos filmes americanos.
Em 1971, Lee apareceu em quatro episódios da série de televisão Longstreet, escrita por Silliphant. Lee interpretou Li Tsung, o instrutor de artes marciais do personagem-título Mike Longstreet (interpretado por James Franciscus), e aspectos importantes de sua filosofia de artes marciais foram escritos no roteiro. De acordo com declarações feitas por Lee, e também por Linda Lee Cadwell após a morte de Lee, em 1971 Lee lançou uma série de televisão de sua autoria provisoriamente intitulada The Warrior, as discussões também foram confirmadas pela Warner Bros. no The Pierre Berton Show, Lee afirmou que tanto a Paramount quanto a Warner Brothers queriam que ele "estivesse em um tipo de coisa modernizada, e que eles acham que a ideia do faroeste está fora de questão, enquanto eu quero fazer o faroeste". De acordo com Cadwell, entretanto, o conceito de Lee foi reformulado e renomeado como Kung Fu, mas a Warner Bros. não deu a Lee nenhum crédito. A Warner Brothers afirma que há algum tempo vem desenvolvendo um conceito idêntico, criado por dois escritores e produtores, Ed Spielman e Howard Friedlander em 1969, como afirmado também pelo biógrafo de Lee, Matthew E. Polly.
Primeiros anos
No ano e na hora do lendário dragão chinês, Bruce Lee nascia no Hospital Chinês de Chinatown, em São Francisco, na Califórnia, durante uma turnê de ópera chinesa, da qual seus pais eram integrantes. Voltou para Hong Kong (colônia britânica até 1997) com apenas três meses de idade, cresceu e viveu lá até o fim de sua adolescência. Seu pai se chamava Lee Hoi-chuen, e sua mãe, Grace Ho. Bruce foi o quarto de cinco filhos. Por seus pais serem artistas da ópera chinesa, Bruce atuou em vários filmes chineses durante sua infância.
Nomes
O nome de nascimento era Lee Jun-fan (chinês tradicional: 李振藩). O nome, homofonicamente, significa "retornar de novo". O nome foi-lhe dado por sua mãe, que sentia que ele retornaria aos Estados Unidos quando tivesse idade para tanto. Por causa do espírito supersticioso da sua mãe, ela o apelidou de Sai-fon (細鳳), que é um nome feminino que significa "pequena fênix". O nome em inglês "Bruce" fora dado pela médica do hospital, Mary Glover. Bruce Lee tinha outros três nomes em chinês: Li Yuanxin (李源鑫), um nome de família; Li Yuanjian (李元鑒), um nome de estudante enquanto ele cursava em La Salle College, em Hong Kong; e seu nome artístico, Li Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa "pequeno dragão").
Família
O pai de Bruce, Lee Hoi-cuen, foi um dos maiores intérpretes de ópera cantonesa e ator do cinema chinês. Completou um ano de turnê com a ópera cantonesa nas vésperas da invasão japonesa em Hong Kong durante a Segunda Guerra Mundial. Lee Hoi-chuen ficou em turnê nos Estados Unidos por muitos anos, realizando apresentações em inúmeras comunidades chinesas. Lee Hoi-chuen decidiu voltar para Hong Kong depois que sua esposa deu à luz Bruce, em 1940. Poucos meses após retornarem, Hong Kong foi invadida e viveu três anos e oito meses sob ocupação japonesa. A família Lee sobreviveu razoavelmente bem aos tempos de guerra. Com o fim da guerra, o pai de Bruce decidiu retomar sua carreira de dentista e se tornou uma estrela de maior sucesso durante os anos de "reconstrução" de Hong Kong.
1940 a 1958: Primeiros papéis, estudo e iniciação nas artes marciais
O pai de Lee, Lee Hoi-chuen, foi uma famosa estrela da ópera cantonesa. Como resultado, o jovem Lee foi apresentado ao mundo do cinema desde muito jovem e apareceu em vários filmes quando criança. Lee teve seu primeiro papel como bebê, no filme Golden Gate Girl. Aos nove anos, ele coestrelou com seu pai em The Kid (1950), baseado em um personagem de quadrinhos. Foi seu primeiro papel principal. Quando Lee completou 18 anos, já tinha aparecido em 20 filmes. Depois de estudar na Tak Sun School (ficava a dois quarteirões de sua casa, na 218 Nathan Road, Kowloon), Lee entrou numa rígida escola de ensino médio, a La Salle College, entre 1950 e 1952 (com 12 anos). Em 1956, devido ao fraco desempenho acadêmico e possivelmente a uma má conduta, foi transferido para o St. Francis Xavier's College, onde seria orientado pelo irmão Edward, professor e treinador da equipe de boxe da escola.
1959 a 1964: Estudos contínuos e descoberta das artes marciais
Até o final da adolescência, as brigas de rua de Lee se tornaram mais frequentes e incluíam bater no filho de uma temida tríade familiar. Em 1958, depois que alunos de Choy Li Fut, uma escola rival de artes marciais, desafiaram a escola de Wing Chun de Lee, ele se envolveu em uma luta em um telhado. Em resposta a um soco injusto de outro menino, Bruce espancou-o tanto que ele arrancou um dente, levando os pais do menino a uma queixa à polícia. A mãe de Lee teve que ir a uma delegacia de polícia e assinar um documento dizendo que ela assumiria total responsabilidade pelas ações de Bruce se eles o libertassem sob sua custódia. Embora não tenha mencionado o incidente ao marido, ela sugeriu que Bruce, sendo cidadão americano, voltasse para os Estados Unidos. O pai de Lee concordou, já que as perspectivas de Lee na faculdade, caso ele permanecesse em Hong Kong, não eram muito promissoras.
1966 a 1970: papéis nos Estados Unidos e criação de Jeet Kune Do
De 1966 a 1967, Lee desempenhou o papel de Kato ao lado do personagem The Green Hornet (O Besouro Verde, no Brasil) na série de mesmo nome interpretado por Van Williams na série de TV produzida e narrada por William Dozier, baseado no programa de rádio de mesmo nome. O show durou apenas uma temporada (26 episódios) de setembro de 1966 a março de 1967. Lee e Williams também apareceram como seus personagens em três episódios crossover de Batman, outra série de televisão produzida por William Dozier. The Green Hornet apresentou o adulto Bruce Lee ao público americano e se tornou o primeiro programa americano popular a apresentar artes marciais de estilo asiático. O diretor da série queria que Lee lutasse no típico estilo americano, usando punhos e socos. Como um artista marcial profissional, Lee recusou, insistindo que ele deveria lutar no estilo de sua especialidade. No início, Lee se moveu tão rápido que seus movimentos não puderam ser capturados no filme, então ele teve que desacelerá-los. Depois do show ter sido cancelado em 1967, Lee escreveu a Dozier agradecendo-lhe por iniciar "minha carreira no show business".
Embora Bruce Lee seja mais conhecido como artista marcial, também estudou teatro e filosofia enquanto frequentava a Universidade de Washington. Estudava bastante e tinha lido uma extensa quantidade de livros. Seus livros sobre artes marciais e filosofia são conhecidos pelos seus pensamentos, tendo inclusive sido publicada a sua poesia de tema livre. Sua filosofia eclética espelhava suas crenças e lutas, embora afirmasse que as artes marciais eram apenas uma metáfora para tais ensinamentos. Acreditava que qualquer conhecimento o levaria ao autoconhecimento e disse que seu método escolhido era a autoexpressão através das artes marciais. Suas influências incluem o taoismo, Jiddu Krishnamurti e o budismo. Quando Little John lhe perguntou, em 1972, qual era sua religião, Lee respondeu: "Nenhuma." Também em 1972, quando lhe perguntaram se acreditava em Deus, ele respondeu: "Para ser perfeitamente franco, na verdade não".
Bruce Lee era conhecido pela sua aptidão física e pelo desenvolvimento avançado dos músculos do corpo. Seus exercícios e treinamentos de musculação cumpridos com dedicação tornaram-no tão forte quanto uma pessoa de seu porte poderia ficar. Depois de sua luta com Jack Wong-man, em 1965, Lee se focou totalmente no treinamento de artes marciais. Sentia que muitos artistas marciais de sua época não passavam tempo suficiente treinando o condicionamento físico. Bruce incluiu, em seus exercícios de condicionamento, todos os elementos da força e da aptidão muscular, da resistência muscular, da resistência cardiovascular e da flexibilidade. Tentou técnicas tradicionais de musculação para construir músculos volumosos ou aumentar a massa muscular. No entanto, Lee teve o cuidado de advertir que a preparação mental e espiritual era fundamental para o sucesso do treinamento físico nas habilidades de artes marciais.
Os abdominais de Bruce Lee
De todas as partes do corpo que Bruce Lee desenvolveu, os seus músculos abdominais eram os mais espetaculares: sólidos como pedra ao toque, profundamente cortados e altamente definidos. Bruce acreditava que os abdominais eram um dos mais importantes grupos musculares para um artista marcial, já que virtualmente todo movimento requer algum grau de trabalho abdominal. A esposa de Lee, Linda Emery, afirma que o seu falecido marido "era um fanático por treinos abdominais. Estava sempre a fazer agachamentos, abdominais, movimentos de cadeira romanos, elevações de perna, e abdominais em V." De acordo com algumas notas iniciais de Lee, o seu treino diário abdominal incluía:
Desde que alcançou o estrelato e apesar de seu precoce falecimento, Bruce Lee mantém o estatuto de maior ícone das artes marciais e bebe do néctar da imortalidade graças a uma série de iniciativas por parte do seu fã-clube, da Fundação Bruce Lee e de diversas marcas de renome, como a Nokia, a Xiaomi, a Hublot, a Casio, a Nike, a ONE Championship e a Chkoudra Paris. Em 2008, a Nokia lançou o celular Nokia N96 Bruce Lee Limited Edition. O comercial de Bruce Lee jogando tênis de mesa com nunchucks fez furor nas redes sociais. Em 2012, a fabricante de perfumes Chkoudra Paris, em parceria com as empresas Bruce Lee, lançou três fragrâncias: Don’t Think, Feel; Be Water; Anger Blinds. Em 2015, a Hublot, fabricante de relógios de luxo com sede na Suíça, assinalou o 75.° aniversário de Bruce Lee com uma coleção de edição limitada, The Hublot Spirit of Big Bang Bruce Lee. Em 2020, a Casio comemorou o 80.° aniversário de Bruce Lee com o lançamento do Casio G-shock MR-G Bruce Lee Collaboration Model, uma linha de relógios resistentes ao choque.


