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Terapia cognitivo-comportamental

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de psicoterapia que se baseia no conhecimento empírico da psicologia. Ela abrange métodos específicos e não-específicos que, com base em comprovado saber específico sobre os diferentes transtornos e em conhecimento psicológico a respeito da maneira como seres humanos modificam seus pensamentos, emoções e comportamentos, tem por fim uma melhoria sistemática dos problemas tratados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

Raízes filosóficas

Os precursores de certos aspectos fundamentais da TCC são reconhecidos em várias tradições filosóficas antigas, particularmente o estoicismo. Filósofos estoicos, particularmente Epiteto, acreditavam que a lógica poderia ser usada para identificar e descartar falsas crenças que levavam a emoções destrutivas, o que influenciou a forma que terapeutas cognitivo-comportamentais modernos identificam distorções cognitivas que contribuem para depressão e ansiedade. O manual original de tratamento para depressão de Aaron T. Beck afirma, "As origens filosóficas da terapia cognitiva podem ser encontradas nos filósofos estoicos". Outro exemplo de influência do estoicismo nos teóricos cognitivos é a influência de Epiteto em Albert Ellis. Uma figura filosófica chave que influenciou o desenvolvimento da TCC foi John Stuart Mill através da sua criação do associacionismo, um antecessor do condicionamento clássico e da teoria comportamental.

Terapia Comportamental

O trabalho pioneiro no behaviorismo começou com os estudos de condicionamento de John B. Watson e Rosalie Rayner em 1920. Abordagens terapêuticas centradas no comportamento surgiram já em 1924 com o trabalho de Mary Cover Jones dedicado à desaprendizagem de medos em crianças. Esses foram os antecedentes do desenvolvimento da terapia comportamental de Joseph Wolpe na década de 1950. Foi o trabalho de Wolpe e Watson, baseado no trabalho de Ivan Pavlov sobre aprendizagem e condicionamento, que influenciou Hans Eysenck e Arnold Lazarus a desenvolver novas técnicas de terapia comportamental baseadas no condicionamento clássico. Durante as décadas de 1950 e 1960, a terapia comportamental tornou-se amplamente utilizada por pesquisadores nos Estados Unidos, no Reino Unido e na África do Sul. Sua inspiração foi a teoria comportamental da aprendizagem de Ivan Pavlov, John B. Watson e Clark L. Hull .

Terapia cognitiva

Um dos primeiros terapeutas a abordar a cognição em psicoterapia foi Alfred Adler, notavelmente com sua ideia de erros básicos e como eles contribuem para a criação de objetivos comportamentais e de vida prejudiciais. Abraham Low acreditava que os pensamentos de alguém eram modificados de uma forma mais eficiente pela mudança de suas ações. Adler e Low influenciaram o trabalho de Albert Ellis, que desenvolveu a primeira psicoterapia baseada na cognição, chamada terapia racional emotiva comportamental, ou TREC. A primeira versão da TREC foi anunciada ao público em 1956. No final da década de 1950, Aaron Beck conduzia sessões de associação livre em sua prática psicanalítica . Durante essas sessões, Beck percebeu que os pensamentos não eram tão inconscientes quanto Freud havia teorizado anteriormente e que certos tipos de pensamento poderiam ser os culpados pelo sofrimento emocional. Foi a partir dessa hipótese que Beck desenvolveu a terapia cognitiva e chamou esses pensamentos de "pensamentos automáticos". Ele publicou sua nova metodologia pela primeira vez em 1967 e seu primeiro manual de tratamento em 1979. Beck é considerado o "pai da terapia cognitivo-comportamental".

Fusão de terapias comportamentais e cognitivas

Embora as primeiras abordagens comportamentais tenham sido bem-sucedidas em muitos dos chamados transtornos neuróticos, elas tiveram pouco sucesso no tratamento da depressão . O behaviorismo também estava perdendo popularidade devido à revolução cognitiva . As abordagens terapêuticas de Albert Ellis e Aaron T. Beck ganharam popularidade entre os terapeutas comportamentais, apesar da rejeição anterior, por parte dos behavioristas, de conceitos mentalistas como pensamentos e cognições. Ambos os sistemas incluíam elementos e intervenções comportamentais, com foco principal nos problemas do presente. Nos estudos iniciais, a terapia cognitiva era frequentemente contrastada com os tratamentos comportamentais para verificar qual era o mais eficaz. Durante as décadas de 1980 e 1990, as técnicas cognitivas e comportamentais foram fundidas na terapia cognitivo-comportamental. Fundamental para essa fusão foi o desenvolvimento bem-sucedido de tratamentos para o transtorno do pânico por David M. Clark no Reino Unido e David H. Barlow nos EUA.

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Princípios básicos

Jürgen Margraf oferece uma lista de nove princípios básicos que caracterizam os diversos métodos conceituais da TCC:

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Princípios etiológicos

Os transtornos mentais são vistos como fruto de um desequilíbrio entre os fatores salutogênicos por um lado e os fatores patogênicos por outro: Tradicionalmente a TCC dedica-se especialmente aos fatores mantenedores, sem no entanto perder de vista os demais fatores. Nos últimos anos vem crescendo cada vez mais a consciência de que sobretudo os fatores salutogênicos têm grande importância na recuperação da saúde e devem ser fomentados.

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Estrutura da terapia

A estrutura da TCC pode ser descrita em uma série de cinco passos:

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Eficácia

Estudos científicos feitos por Aaron Beck(um dos fundadores da terapia cognitiva) e vários de seus alunos demonstram a eficácia a longo prazo da terapia cognitiva para depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, fobia social, TOC, agressão sexual, esquizofrenia e transtornos internalizantes na infância. Nos casos de depressão e pânico os resultados foram especialmente promissores e mais duradouros. A TCC também se provou eficaz no tratamento de transtorno bipolar, TDAH aliado à medicação, anorexia nervosa, transtorno dismórfico corporal, colecionismo patológico, jogo patológico, TEPT em crianças que sofreram abuso, TOC em crianças e transtorno afetivo sazonal. Estudos na área da psicologia da saúde também têm demonstrado a eficácia da TCC no apoio psicológico perante condições médicas, incluindo doenças coronarianas, hipertensão, câncer, dor de cabeça, dor crônica, dor lombar crônica, síndrome da fadiga crônica, artrite reumatóide, síndrome pré-menstrual e síndrome do cólon irritável.

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Desenvolvimento posterior

Nos últimos 15 anos,[quando?] a psicologia cognitivo-comportamental tem procurado expandir-se, desenvolvendo novos conceitos e técnicas para o tratamento de transtornos mentais, para os quais as técnicas tradicionais não apresentavam a efetividade desejada. Esse desenvolvimento posterior, chamado de "terceira onda" da terapia cognitivo-comportamental (sendo a "primeira onda" a terapia comportamental e a segunda a terapia cognitiva), procurou desenvolver mais o trabalho com as emoções e com o conceito de mente alerta, além de trazer uma maior aproximação com o corpo teórico das outras escolas psicoterapêuticas, sobretudo a psicanálise, a gestaltoterapia e a abordagem centrada na pessoa. Dentre essas novas forma de psicoterapia se destacam:

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Críticas

Eficácia Relativa

Investigação feita sobre TCC tem sido tópico de contínua controvérsia. Enquanto alguns investigadores escrevem que as TCC são mais mais eficazes que outros tratamentos, muitos outros investigadores e praticantes têm interrogado a validade dessas afirmações. Por exemplo, um estudo determinou ser a TCC superior a outros tratamentos da ansiedade e depressão. Contudo, investigadores respondendo directamente a esse estudo efectuaram a re-análise e não encontraram provas da superioridade da TCC perante outros tratamentos fidedignos, e efectuaram uma análise de treze outros ensaios clínicos de TCC e concluíram que esses não davam provas de superioridade das TCC.

Preocupações filosóficas com os métodos das TCC

Os métodos empregues na investigação das TCC não têm sido os únicos criticados; alguns investigadores põem em causa a própria teoria e terapia. Por exemplo, Fancher argumenta que as TCC falharam em fornecer um quadro de pensamento claro e correcto. Afirma que é estranho os teóricos das TCC desenvolverem um quadro para determinar a distorção cognitiva sem desenvolverem um quadro para a "clareza cognitiva" ou o que seria um "pensamento saudável, normal". Além disso, escreve que o pensamento irracional não pode ser uma fonte de angústia mental e emocional quando não há provas do pensamento racional causar bem-estar psicológico. Ou, que a psicologia social tenha provado ser irracional o processo cognitivo normal do indivíduo médio, mesmo dos que estão psicologicamente bem. Fancher também diz que a teoria das TCC é inconsequente com os princípios básicos da racionalidade, ignorando até muitas regras da lógica. Argumenta que as TCC faz do pensar algo que é muito menos emocionante e verdadeiro do que pensar provavelmente é. Entre outros argumentos há a manutenção do status quo promovido nas TCC, o autoengano encorajados entre os clientes e pacientes envolvidos nas TCC, como a pesquisa é feita, e alguns dos seus princípios básicos e normas: "A norma básica da terapia cognitiva é isto: exceptuando o modo como o paciente pensa, tudo está bem".

Efeitos secundários

As TCC são geralmente vistas como tendo muito poucos, se não mesmo nenhum, efeitos secundários. Têm sido feito apelos para maiores estudos sobre os efeitos secundários.

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Fontes consultadas

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