Deus no hinduísmo
No Sanātana Dharma, o conceito de Deus pode variar de acordo com as muitas denominações existentes da religião. De forma predominante, há a crença em um único Deus (Brahman) que se manifesta em diversas formas e nomes, podendo ser uma fé considerada monista e henoteísta, e em certa medida, até mesmo monoteísta. Ao longo de sua história, surgiram escolas que ensinaram panteísmo, politeísmo, panenteísmo, agnosticismo e até mesmo o ateísmo, mas não são visões predominantes.
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Eles o chamam de Indra, Mitra, Varuna, Agni, e como aquele que voa nos céus Garutman. Os sábios dão muitos nomes ao Uno. Henoteísmo é o termo usado por eruditos como Max Müller para descrever a teologia da religião védica Müller notou que os hinos do Rigveda, as escrituras sagradas mais antigas da humanidade, mencionam muitos nomes diferentes, mas sempre afirmam que aquela divindade é "o mesmo único e supremo Deus" (saccidānanda), percebendo uma unidade (ekam), como manifestações plurais do mesmo Deus com diferentes nomes. A ideia é encontrada de forma repetida ao londo dos textos védicos, como por exemplo, no hino 1.164 e em um ainda mais antigo, o hino 5.3 do Rigveda diz:[carece de fontes?] Em seu nascimento Você é Varuna, Ó Agni. Quando entusiasmado, você é Mitra. Em você, ó Filho da Força, todos os Deuses estão centrados. Você é Indra para o mortal que traz oblações. Você é Aryaman, quando você é considerado como tendo os nomes misteriosos de donzelas, Ó sustentador de si mesmo!
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Jeaneane Fowler afirma que o Deus do hinduísmo, é muito mais do que apenas um Deus monoteísta, mas uma Realidade por detrás de todo o fenômeno do universo. Os hinos védicos chamam este Deus de "ilimitado e indescritível princípio absoluto", ou seja, expressam uma visão monista. Por volta do início da escrita dos Upanishads (800 a.C.), o não-dualismo passou a se desenvolver de forma mais acelerada na teologia hindu. O texto sagrado passou a registrar perguntas a cerca da natureza de Deus, como porções tardias do Rigveda, como o Nasadiya Sukta. Brahman, incorpora dentro de si uma realidade transcendental e imanente. Diferentes escolas de pensamento interpretam Brahman como pessoal, impessoal e transpessoal. Ishwar Chandra Sharma descreve como "A Realidade Absoluta, além de todas as dualidades, existência e não-existência, luz e trevas, tempo, espaço e causa".
Considerando o monoteísmo como sendo a fé em um único Deus criador, certos setores do hinduísmo apresentam a visão de um Deus monoteísta, como o culto vaixinava centrado em Krishna, o Dvaita Vedanta e Arya Samaj. Estudiosos como David Adams Leeming, André Kërr e Gavin Flood, afirmam a existência de conceitos monoteístas de Deus em algum certo grau, pois todos os demais são vistos como meras manifestações do mesmo Brahman. Até mesmo eruditos islâmicos, como al-Biruni e Amir Khusrau, descrevem o Hinduísmo como fundamentalmente monoteísta, e atribuem o culto e a interpretação politeísta como uma prática comum de pessoas iletradas. Madhvacharya (1238–1317 CE) apresentou em sua teologia Dvaita, uma visão monoteísta do Deus Vishnu, semelhante às religiões abraâmicas. Esta coincidência levou certos pesquisadores a sugerir que houve influência de cristãos em sua formação. No entanto, não há evidência de qualquer contato com os cristãos e sua escola.
Muitas tradições dentro do hinduísmo compartilham a ideia védica de uma realidade e verdade metafísicas últimas chamada Brahman. De acordo com Jan Gonda, Brahman era a Palavra (vāc), "o poder imanente no som, palavras, versos e fórmulas dos Vedas" nos primeiros textos védicos. A compreensão religiosa védica inicial de Brahman passou por uma série de abstrações nas escrituras hindus que seguiram as escrituras védicas. Os adeptos hindus dessas tradições dentro do hinduísmo reverenciam as divindades hindus e, de fato, toda a existência, como aspectos do Brahman. As demais divindades menores no hinduísmo não são consideradas todo-poderosas, onipotentes, oniscientes e onibenevolentes, e a espiritualidade é considerada como a busca da verdade suprema que é possível por vários caminhos. Assim como em outras religiões indianas, no hinduísmo, tais divindades nascem, vivem e morrem em cada kalpa (ciclo de existência).
Saguna e nirguna
No Advaita Vedanta, tanto Brahman como Atman são o mesmo, mas há a diferenciação entre saguna Brahman— Brahman dotado de atributos, e nirguna Brahman— o Brahman sem atributos. Nirguna é Brahman como ele realmente é, já saguna é ilusório. Quando dotado de atributos, com um nome e forma de um Deus se trata apenas de uma ferramenta para a jornada espiritual, mas não se trata de Deus de fato.
Os Yogasutras de Patanjali usam o termo Ishvara em 11 versos: I.23 até I.29, II.1, II.2, II.32 e II.45. Os comentaristas identificam Isvara como um "Deus pessoal" ou "qualquer coisa que tenha significância espiritual para o indivíduo". Whicher explica que Patanjali pode ser interpretado de forma teísta e não-teísta, pois o conceito serve como "um guia catalisador de tranformação que ajudará o yogi a alcançar a emancipação espiritual". Patanjali define Isvara (Sanskrit: ईश्वर) no verso 24 do Livro 1, como "um Eu especial (पुरुषविशेष, puruṣa-viśeṣa)", Sanskrit: क्लेश कर्म विपाकाशयैःपरामृष्टः पुरुषविशेष ईश्वरः ॥२४॥ – Yoga Sutras I.24 Este verso afirma que Isvara é o Eu não afetado (अपरामृष्ट, aparamrsta) por obstáculos (क्लेश, klesha), circunstâncias do passado ou ações atuais (कर्म, karma), como seus frutos (विपाक, vipâka), e intenções psicológicas (आशय, ashaya). Dentro das tradições de Bhakti fora da Yoga, se subentende o termo como um dos nomes dados a Shiva.


