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Brigitte Bardot

Brigitte Anne-Marie Bardot, frequentemente referida também por suas iniciais "B.B.", foi uma atriz, modelo e ativista francesa. Famosa por interpretar personagens emancipados e hedonistas, foi considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 1950 e 1960. Figura feminina de destaque durante esse período, Bardot tornou-se mundialmente conhecida em 1957, após protagonizar o polêmico filme E Deus Criou a Mulher, trabalho que foi censurado em muitos países e a catapultou a um nível de fama internacional até então inédito para uma atriz de língua estrangeira atuando fora de Hollywood. Ela trabalhou com diversos cineastas renomados interpretando personagens com elegância e sensualidade fotogênica. Seu estilo de vida liberal e inconformista na Europa do pós-guerra, também chamou atenção de muitos intelectuais franceses e despertou grande interesse público. Simone de Beauvoir, em sua obra de 1959 intitulada A Síndrome de Lolita e baseando-se em temas existencialistas, descreveu Bardot como "uma locomotiva da história das mulheres".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Infância e adolescência

Brigitte Bardot nasceu no dia 28 de setembro de 1934, em um apartamento localizado na Place Violet, no 15.º arrondissement de Paris. Sua juventude foi marcada por uma educação muito rigorosa. Em entrevista ao jornalista Jean Cau, ela atribuiu seu espírito rebelde à educação que recebeu: "Fui criada por pais de direita, de uma burguesia austera, que me deram uma educação católica bastante rigorosa. Eu conhecia o chicote. Era supervisionada por uma governanta. Nunca saía sozinha na rua. Fui muito bem mantida até os quinze anos". Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Paris foi ocupada pela Alemanha Nazista, Bardot passou mais tempo em casa devido a vigilância civil cada vez mais rigorosa. Nesta época, ela se interessou por dança, que sua mãe via como potencial para uma carreira de bailarina. Bardot foi admitida aos sete anos de idade na escola particular Cours Hattemer. Ela frequentava a escola três dias por semana, o que lhe dava tempo suficiente para ter aulas de dança em um estúdio local, sob os arranjos de sua mãe. Em 1947 foi aceita no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde cursou as aulas de balé por três anos, ministradas pelo coreógrafo russo Boris Knyazev, onde também foi colega e se tornou amiga de Leslie Caron.

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Carreira

Depois de aparecer na capa da revista Elle novamente, Bardot recebeu seu primeiro papel no cinema pelo diretor Jean Boyer, no filme Le Trou Normand, em 1952, aos dezessete anos de idade. Em sua autobiografia, ela contou que resistiu em aceitar esse pequeno papel por causa do dinheiro e que também não guardava boas lembranças das filmagens, devido à sua inexperiência diante das câmeras. Em dezembro de 1952, após dois anos de namoro à revelia dos pais, ela casou-se com Roger Vadim na igreja Notre-Dame-de-Grâce de Passy, em Paris, indo morar com ele a partir de então. Apesar da insegurança que sofreu durante as gravações de seu primeiro filme, ela continuou tentando novos trabalhos e, no mesmo ano, conseguiu seu segundo papel em Manina, la fille sans voile, dirigido por Willy Rozier — filme que fez seu pai recorrer à Justiça para tentar impedir que as cenas de biquíni fossem levadas ao cinema, sem sucesso.

Estrelato mundial

Roger Vadim não estava contente com o pouco sucesso dos primeiros filmes e achava que Brigitte estava sendo subestimada pela indústria. A nouvelle vague francesa, inspirada no neorrealismo italiano, estava começando a crescer internacionalmente e ele, acreditando que Bardot poderia estrelar filmes desta categoria, a escalou para o papel principal de sua nova produção, Et Dieu... créa la femme (1956), com a então jovem sensação masculina do cinema francês, Jean-Louis Trintignant. O filme, sobre uma adolescente amoral numa pequena e respeitável cidade do litoral, fez um grande sucesso e causou escândalo mundial, especialmente pela forma como abordou a sexualidade. Quando chegou aos Estados Unidos o filme estourou as receitas, transformando Bardot em um fenômeno da noite para o dia com suas cenas de biquíni percorrendo as telas de cinema do mundo todo. No entanto, o filme sofreu fortes censuras e chegou a ser proibido em alguns países, sendo condenado pela Liga da decência católica. Na Europa, a imprensa conservadora reagiu violentamente contra a obra, estampando em suas capas manchetes com a foto de Bardot e usando termos como "sujeira", "vulgaridade", "besta" e chamando-a de "A heroína pitoyable" (expressão em francês para algo ruim, lastimável, patético e sem valor). Houve ainda magnatas da época e movimentos religiosos que se articularam para tentar banir ela definitivamente dos cinemas. Durante a abertura da Exposição Universal de Bruxelas em 1958, o pavilhão do Vaticano, decorado com o tema dos sete pecados capitais, ilustrou a luxúria com um outdoor de fotos de Bardot, o que precisou de uma intervenção dos advogados dela e do governo francês para ser removido.

O Desprezo, Viva Maria! e outros projetos

Em 1962, durante um encontro em Paris, Bardot mostrou-se interessada em estrelar o aclamado filme cult de Jean-Luc Godard O Desprezo. No entanto, Godard não queria ela para o papel principal pois considerava o perfil de Brigitte Bardot "muito moderno". Um dos produtores e investidores americanos do projeto, Joseph E. Levine, quando soube do interesse de Bardot pelo filme, impôs o nome dela a Godard que, sem alternativa, escalou BB para o papel. As gravações foram feitas ao longo de 1963 e ocorreram nos estúdios Cinecittà em Roma, na cidade de Sperlonga e na ilha de Capri, encerrando na Casa Malaparte. Neste filme, Godard utiliza o relacionamento conturbado de um casal para mostrar, de forma não explícita, seu modo de ver o cinema como arte ao mesmo tempo em que critica o cinema precisamente comercial. Foi também neste período que Bardot engatou um relacionamento com o franco-marroquino-brasileiro Bob Zagury, então jogador de basquete do Flamengo e que viajou com ela ao Rio de Janeiro.

Passagem pelo Brasil

Em 7 de janeiro de 1964, a chegada de Bardot ao Brasil causou enorme alvoroço na imprensa e no público local. O Jornal do Brasil foi o primeiro a noticiar que ela havia embarcado no Aeroporto de Orly, em Paris, num voo da Panair do Brasil com destino ao Rio de Janeiro, tratando a informação como um furo de reportagem. A expectativa por sua aterrissagem no Aeroporto do Galeão mobilizou jornais, revistas, rádios e emissoras de TV, que disputavam cada detalhe sobre o horário de chegada e as primeiras imagens dela em solo brasileiro. Aos 29 anos e no auge da fama, Bardot viajou ao Brasil em viagem particular acompanhada do namorado, Bob Zagury, e rapidamente tornou-se o centro das atenções da mídia brasileira.

Últimos anos no cinema

Pelo resto da década de 1960, o seu mito de ícone sexual foi mantido e alimentado por filmes como Histórias Extraordinárias, com Alain Delon e o faroeste britânico Shalako, com Sean Connery. Em 1969, foi convidada para ser a Bond Girl do sexto filme da série do agente James Bond, o On Her Majesty's Secret Service, mas recusou o papel. Bardot anunciou o fim definitivo de sua carreira em meados de 1974, pouco antes de completar 40 anos. Quando questionada, ela disse que estava cansada da indústria cinematográfica e que encerrar sua carreira aos 39 anos era uma forma de "sair elegantemente". Nas décadas seguintes, ela recusou inúmeros convites para voltar a atuar, incluindo uma oferta de 1 milhão de dólares para estrelar um filme ao lado de Marlon Brando, e ao longo dos anos têm negado propostas e proibido muitos diretores de realizar filmes sobre sua vida.

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Ativismo

Em 2002, por ocasião da Copa do Mundo FIFA, ela convocou um boicote aos produtos sul-coreanos a fim de protestar contra o consumo de carne de cães e gatos na Coreia do Sul e outros países da Ásia, chegando a receber ameaças de morte: “Recebi 7 000 cartas com ameaças de morte. Eles estão furiosos com minhas críticas e me disseram que essa prática faz parte de sua cultura. Comer cachorro não faz parte da cultura, é grotesco. Cultura é compor música, como fez Mozart, ou construir edifícios”, disse ela em entrevista na época, que também afirmou não ter medo das intimidações. Em março de 2006, aos 71 anos, Bardot viajou pela segunda vez ao Canadá para protestar contra a caça às focas, mas o então primeiro ministro Stephen Harper rejeitou sua petição e seu pedido para uma reunião.Em 2010, Bardot liderou uma campanha contra a caça de golfinhos nas Ilhas Faroé. Ela enviou uma carta pública à Rainha Margarida II da Dinamarca, apelando à soberana para que interrompesse a matança. Na carta, Bardot descrevia a atividade como um "espetáculo macabro" que "é uma vergonha para a Dinamarca e para as Ilhas Faroé... Isso não é uma caça, mas um massacre em massa... uma tradição ultrapassada que não tem justificativa aceitável no mundo de hoje".

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Política, controvérsias e processos

Em novembro de 1961, a Organisation Armée Secrète (Organização Armada Secreta), uma facção terrorista e paramilitar que praticava atentados na Argélia e na França continental, ameaçou em carta aberta sequestrar Brigitte Bardot e explodir a Torre Eiffel. Em resposta, Bardot acusou os membros da OAS de serem nazistas e ameaçou deixar a França pois não queria viver em um país de nazistas. A segurança precisou ser reforçada durante meses no apartamento que Brigitte tinha em Paris na época e também na casa de sua família. Seu livro autobiográfico de 1996, grande sucesso de vendas na França, trazia diversas referências e críticas principalmente ao Islamismo. Em 1992 casou-se com Bernard d'Ormale, empresário e político francês. Bernard foi conselheiro do Front National de Jean-Marie Le Pen. Entre 1997 e 2003 Bardot foi processada por diversas entidades muçulmanas, devido suas críticas aos imigrantes islamitas do país, ao crescimento do número de mesquitas, ao sacrifício de animais usado em vários de seus rituais e foi acusada de racismo e suposto incitamento racial contra imigrantes, chegando a ser condenada, em tribunal, a pagar 5 mil euros de multas.

Relação com Marine Le Pen e o Front National

Bardot expressou apoio a Marine Le Pen, líder do Front National, chamando-a de "a Joana d'Arc do século 21" e dizendo que Marine é "a única mulher que tem colhões". Ela apoiou publicamente Le Pen nas eleições presidenciais francesas de 2012 e 2017. Ao ser questionada por jornalistas do Le Monde em 2018 sobre ser adepta do partido de Le Pen, rótulo que teria manchado sua imagem pública, ela declarou: "Eu julgo os políticos por suas propostas para a causa animal. Tive uma esperança insana quando a Frente Nacional fez propostas concretas para reduzir o sofrimento animal. Se amanhã um comunista aceitar as propostas da minha fundação, eu aplaudo e voto. Mas não vou apoiar mais ninguém."

Entrevista para a Valeurs Actuelles em Dezembro de 2023

A edição de dezembro de 2023 do periódico conservador Valeurs Actuelles publicou uma entrevista exclusiva e "sem filtros" de Brigitte Bardot, na qual ela, aos 89 anos de idade, falou sobre suas visões atuais da sociedade em assuntos como religião, política e ambientalismo. Na entrevista, ela disse que o Papa Francisco é "um idiota”, que está fazendo “muito mal à igreja” e que ele "parece um representante do diabo”. Ela também se refere ao presidente Emmanuel Macron e o acusa de ser “pior que o Papa”, dada a sua “inação, a sua covardia e o seu desprezo pelos franceses”. "A França está ferrada no momento. Mas com a tomada do poder por um governo autoritário e com coragem, ela pode ressurgir das cinzas".

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Influências na cultura pop

Além de ser a responsável pela popularização de Saint-Tropez, na França, ao se mudar para lá no começo dos anos 1960, no verão de 1964 Brigitte Bardot também mudou a vida de uma pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro chamada Armação dos Búzios, então distrito de Cabo Frio, onde ficou hospedada em suas visitas pelo Brasil na tentativa de escapar da perseguição da imprensa no Rio, e acompanhada do namorado Bob Zagury, um playboy, jogador e produtor marroquino que viveu muitos anos e radicou-se no Brasil. Depois da visita de BB, acompanhada diariamente pela imprensa e recheada de fotografias, Búzios foi 'descoberta', virou município e tornou-se um dos pontos mais sofisticados e procurados do verão brasileiro, inclusive por estrangeiros. Em sua homenagem, a Prefeitura local criou a Orla Bardot, na Praia da Armação, e instalou ali uma estátua de bronze da atriz em tamanho natural. O único cinema do sofisticado balneário também leva seu nome, e existem outras dezenas de referências a ela em todos os cantos da cidade. Na sua autobiografia, ela deixou registrado que os períodos passados na região foram as épocas mais lindas de sua vida. Em entrevista de 2017, ela declarou para a RFI: "Guardo recordações únicas. Uma lembrança mágica, magnífica. Vivíamos como Robinson Crusoé em praias selvagens e desertas. As ruelas eram cheias de leitões pretos e galinhas. Nós vivíamos de pesca, farofa, mangas e muito sol".

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Vida pessoal e relacionamentos

O terceiro casamento foi com o playboy e multimilionário alemão Gunter Sachs. Além dos escândalos que protagonizou, Brigitte Bardot também foi conhecida por sua vida conturbada e polêmica. No auge de sua carreira, sua vida íntima despertava grande curiosidade pública e era alvo constante de tabloides e revistas de fofoca. A mídia sensacionalista, em muitas ocasiões, a apelidou de "devoradora de homens", devido a rapidez com que terminava seus relacionamentos e pela quantidade deles. Na biografia que escreveu sobre BB em 2013, a jornalista Ginette Vincendeau revelou que ao longo de sua vida Bardot teve cerca de 100 amantes (incluindo mulheres) e que a pressão trazida pela fama a fez entrar em colapso, tentando suicídio quatro vezes e abandonando seu único filho. Durante o período em que atuou no cinema, sua carreira foi marcada por três casamentos. O primeiro foi em 1950 com Roger Vadim, sendo ele o responsável por assessorar e lançar ela ao estrelato. Vadim e Bardot se divorciaram em 1957, depois que ela o traiu com Jean-Louis Trintignant durante as filmagens de E Deus Criou a mulher. Logo depois, Bardot teve um rápido relacionamento com o cantor francês Sacha Distel. O segundo casamento aconteceu em 1959 com o ator Jacques Charrier, os dois atuaram juntos no filme Babette vai à guerra e foi ele quem deu a Bardot seu único filho, Nicolas Jacques Charrier, o qual ela abandonou com o pai após a separação.

Finanças

Estimativas feitas pela Yahoo apontam que o patrimônio líquido de Bardot fosse de cerca de 65 milhões de dólares. As vendas de seu livro Initials BB, em 1997, foram estimadas em US$ 4 milhões apenas na França. Após sua separação de Roger Vadim, Bardot adquiriu uma propriedade histórica do século XVI, chamada Le Castelet, em Cannes. A vila de quatorze quartos, cercada por jardins exuberantes, oliveiras e vinhedos, é composta por vários edifícios. Ela a colocou à venda em 2020 por € 6,4 milhões. Além de sua famosa casa La Madrague, Bardot também foi dona de uma segunda propriedade em Saint-Tropez, localizada em um ponto mais alto e isolado da cidade, que ela usava durante o verão para se refugiar do tumulto causado pelos turistas. Nessa época do ano, as excursões de barco que navegam pela costa até as proximidades de sua casa chegavam a ser realizadas mais de 20 vezes por dia.

Saúde

Em 27 de setembro de 1983, na véspera de seu 49º aniversário, Bardot sofreu uma overdose de comprimidos tranquilizantes para dormir com vinho tinto e depois vagou até a praia, onde mais tarde foi retirada das ondas. Ela teve que ser levada às pressas para o hospital, onde foi salva após uma lavagem estomacal para remover os comprimidos de seu corpo. Em 1984, Bardot foi diagnosticada com câncer de mama. Ela recusou o tratamento de quimioterapia e decidiu fazer apenas radioterapia. Ela se recuperou em 1986. Ela sofria de artrose desde meados dos anos 2000 e ao longo das décadas se recusou a passar por qualquer tipo de procedimento estético. Em 19 de julho de 2023, foi noticiado na imprensa internacional que Bardot tinha sido socorrida por bombeiros em sua casa em Saint-Tropez, após enfrentar uma crise respiratória devido a uma intensa onda de calor.

Morte

Em 17 de outubro de 2025 começou circular na imprensa a notícia que Bardot estava internada num hospital particular chamado Saint-Jean, em Toulon. As notícias diziam que ela já estava internada há cerca de 10 dias em estado crítico e que havia passado por uma cirurgia para o tratamento de uma "doença grave". No mesmo dia, sua assessoria publicou que ela tinha recebido alta e que iria se recuperar em casa, em Saint-Tropez. Algumas semanas depois, em 25 de novembro, foi noticiado que ela estava novamente internada em Toulon e sua equipe pediu por orações em um comunicado. Nesta mesma semana, páginas de fofocas na internet chegaram a divulgar que Brigitte tinha morrido e que sua Fundação estava tentando abafar a notícia. No entanto, os boatos foram desmentidos por uma publicação feita em sua conta oficial no X, no qual ela chamou os propagadores da fake news de "idiotas". No dia 1 de dezembro, Brigitte fez outra publicação pedindo a seus fãs que "não se preocupassem com sua saúde".

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Livros

Ao todo, Bardot também escreveu seis livros:

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