Brian Clough
Brian Howard Clough OBE foi um futebolista que atuava como atacante e treinador inglês. Clough fora um prolífico atacante durante sua carreira, sendo, mesmo mais de 50 anos após sua aposentadoria, um dos maiores artilheiros do futebol inglês, e ainda possuidor da terceira maior média de gols do futebol britânico. Como treinador, celebrou-se por levar as pequenas equipes rivais, Derby County e Nottingham Forest, da segunda divisão ao título na elite nacional, sendo o comandante do período áureo dos dois times. No Nottingham, foi ainda mais longe, conquistando com o clube um extraordinário bicampeonato na Copa dos Campeões Europeus.
Brian Clough nasceu em 21 de março de 1935, em uma casa na rua Valley Road, no distrito de Grove Hill, que pertencia a cidade de Middlesbrough. Grove Hill fora construído durante os anos 1920 como parte do programa 'Homes Fit For Heroes' –– programa que visava construir casas confortáveis para os soldados da Primeira Guerra Mundial ––, e é historicamente parte da North Riding of Yorkshire, umas das três regiões do condado de Yorkshire. Clough foi o sexto de nove filhos de Joseph e Sarah Clough. Sua irmã mais velha, Elizaberth, morreu com apenas quatro anos de vida, em 1927, por sepsia. Seu pai trabalhava em uma fábrica de doces e era um ávido torcedor do Middlesbrough. Apesar da influência de seu pai, seu esporte preferido na infância era o críquete, chegando a afirmar em sua autobiografia que na época preferia realizar um teste no campo de críquete Lord's do que marcar um hat-trick no estádio de Wembley. Clough também era um ávido jogador de tênis, e costumava alugar um barco para andar no lago próximo.
Middlesbrough
Tendo nascido e crescido na cidade de Middlesbrough, Clough iniciou sua carreira no clube homônimo da cidade, primeiramente atuando nas categorias de base, e depois chegando à equipe principal, após duas temporadas na base do Billingham Synthonia. Embora tenha ganhado um contrato profissional durante sua primeira passagem pelo Boro, seu retorno ao clube, no entanto, quase não ocorreu, contando com a interferência de um jogador que também estava participando do jogo-treino para ingressar no clube, Peter Taylor, frente ao treinador Bob Dennison para que Clough não fosse dispensado. Taylor, ao contrário de Dennison, reparou no potencial do jovem atacante, e sugeriu a este que o contratasse, sugestão acatada por Dennison. Clough e Taylor formaram uma sólida amizade a partir de então.
Sunderland
Em 1961, quando estava com 26 anos, obteve autorização para assinar com outro clube, o historicamente rival Sunderland, que pagou uma quantia entre 45 e 57 mil libras pela transferência[nota 1], e também estava disputando a segunda divisão. À época, a transferência resultou em uma forte crítica dos torcedores e público à direção do clube por permitir a ida de um jogador com tão elevada média de gols para um clube rival –– de fato, embora tenha se aposentado há mais de 50 anos, Clough ainda detém a terceira maior média de gols por jogo do futebol inglês, com um aproveitamento de 92%. "Quando vi seu joelho, soube que sua carreira tinha acabado, mas disse: 'não tirem a chuteira dele porque ele tem de voltar ao jogo'"
Inglaterra
Embora tenha sido um prolífico artilheiro durante sua carreira, Clough disputou apenas seis partidas pelas seleções inglesas, sendo somente duas pela equipe principal. Sua estreia ocorreu pela equipe B da Inglaterra, em 6 de fevereiro de 1957; Clough marcou um dos gols na vitória por 4 x 1 sobre a Escócia. Esta acabaria sendo sua única vitória pela Inglaterra. Sua atuação lhe rendeu uma convocação para a equipe sub-23, estreando no dia 26 contra os mesmos rivais escoceses. Ao contrário do último jogo, a Inglaterra empatou em 1 x 1 e Clough não marcou. Clough jogou mais uma vez naquele ano pela equipe sub-23, na derrota por 2 x 1 para a Bulgária, em 19 de maio, com o tento inglês sendo seu.[carece de fontes?] Ainda em 1957, no mês de outubro, fora um dos jogadores convidados para representar o FA’s Select XI, um selecionado de jogadores da Football Association para um amistoso contra o British Army XI, o equivalente do time do Exército Britânico. Clough, que prestara seu serviço militar pela RAF, marcou cinco gols nesse jogo.
Início e Hartlepools United
Após abandonar a carreira como jogador, Clough recebeu um convite do então treinador do Sunderland, George Hardwick, para treinar a terceira equipe do clube. Sua passagem acabou sendo curta, com Brian recebendo uma oferta do Hartlepools United em outubro de 1965 após indicação de Len Shackleton, antigo jogador do Sunderland. No entanto, tendo apenas 30 anos, sendo naquele momento o treinador mais jovem no futebol inglês, pediu a Taylor, que era jogador-treinador do Burton Albion desde 1962, para assinar como seu assistente no Hartlepools, dizendo: "Eu recebi uma oferta para treinar o Hartlepools, mas não me agrada. Se você assinar comigo, eu vou considerá-la".
Derby County
Clough fora relutante inicialmente em aceitar a proposta do Derby, mesmo que tenha pensado diversas vezes em deixar o Hartlepools, sendo sempre convencido do contrário, e recebido propostas de Aston Villa e West Bromwich Albion. Embora eles tenham contratado alguns dos jogadores que fariam história no clube quando chegaram, como Roy McFarland, John O'Hare e Alan Hinton, flertaram com o rebaixamento no primeiro ano, ficando em 18°[carece de fontes?] –– Clough chegara a prometer à torcida do Derby quando fora contratado que terminaria em uma posição mais elevada na tabela. O Derby foi 17° no ano anterior ––. A temporada terminou resultando em uma "faxina" na equipe, chegando ao ponto de demitirem duas tea ladies por elas terem rido após uma derrota feia. O secretário, o jardineiro e o olheiro chefe também foram demitidos. Foi a partir deste momento que Clough passou a adotar o estilo que caracterizou sua carreira: de duro e exigente mas justo. Dos jogadores que estavam no clube quando ele chegou, 11 foram dispensados e apenas quatro continuaram: Kevin Hector, Alan Durban, Ron Webster e Colin Boulton. Para 1968/69, também trouxeram John McGovern, Les Green, Dave Mackay e Willie Carlin. McGovern e Green eram oriundos do Hartlepools, com ambos tendo sido promovidos enquanto Clough estava treinando o clube. Embora o time tenha demorado a apresentar resultado neste ano, a temporada terminou rendendo o título do campeonato. A promoção veio graças a uma série de 22 jogos sem derrotas –– ainda hoje um recorde no clube ––, com o time subindo dezessete posições na tabela.
Brighton & Hove Albion e Leeds United
Poucas semanas após a saída do Derby, Clough e Taylor foram abordados pelo proprietário do Brighton & Hove Albion, Mike Bamber, para assumirem o comando do clube, então na terceira divisão. A contratação, oficializada em 1 de novembro, foi vista à época mais como um ato publicitário do Brighton do que puramente futebolístico. Embora tenha chegado a realizar contratações, como o goleiro Peter Grummitt, Clough não demonstrou real interesse pelo clube, falhando em obter sucesso no almejado acesso de divisão, e terminando a temporada em uma decepcionante 19ª colocação, apenas o segundo clube fora da zona de rebaixamento. Ao todo, o time venceu apenas 12 dos 34 jogos dirigidos por Clough, sofrendo derrotas humilhantes nesse período, como um 8 x 2 em casa para o Bristol Rovers, e um 4 x 0 na Copa da Inglaterra para o clube semiprofissional Walton & Hersham.
Nottingham Forest
Embora seu sucesso no Derby o tenha feito ser odiado pela torcida do Nottingham Forest, sentimento amenizado após sua passagem pelo Brighton & Hove Albion e Leeds United, Clough fora contratado pelo Forest em 3 de janeiro de 1975. Assim como quando chegara ao Derby County, veio ao novo clube com ele na segunda divisão. Tendo assumido a equipe durante a metade da temporada, terminou aquela edição do campeonato na 16ª colocação, com 12 vitórias em 42 jogos. Na temporada seguinte, 1975/76, terminou apenas em uma posição intermediária na tabela, em 8°, com 17 vitórias nas 42 partidas do torneio.[carece de fontes?] Ao fim daquela temporada, conseguiu reatar sua amizade e parceria com Peter Taylor, com este deixando o Brighton & Hove para se juntar a Clough no Nottingham em julho de 1976. Até então, Clough tinha Jimmy Gordon como seu assistente –– que havia voltado a trabalhar com Clough após um breve tempo trabalhando na fábrica da Rolls-Royce após sua saída do Leeds ––. Clough chegou a descrever a importância de Gordon nos primeiros dias no clube como "a pessoa que eu mais precisava no Forest".
Egocêntrico, extrovertido e sincero, Clough foi uma famosa personalidade na mídia britânica, principalmente durante os anos 1970 e 1980, quando viveu seus melhores momentos na carreira. Conhecido pelo bom humor durante suas participações nos programas de rádio e televisão, chegou a declarar em uma de suas entrevistas, quando questionado se era o melhor treinador de futebol: "Posso não ser o melhor técnico do futebol, mas estou no primeiro lugar do ranking geral". Por sua sinceridade, Clough também ficou marcado como uma pessoa arrogante, ganhando a alcunha de Old Big 'Ead. Ele também exigia que seus jogadores o chamassem de 'Mr. Clough' . "(...) Estávamos no vestiário quando ele olhou para Dave Currie, encarando-o diretamente nos olhos, e disse: "Você já encontrou uma casa, Dave?" Dave disse: "Não, ainda não, chefe." Ao qual Cloughie respondeu: "Não se incomode, filho." – Stuart Pearce comentando sobre uma cena que presenciou minutos antes de um amistoso contra o Derby entre Clough e Dave Currie, contratado três semanas antes por 650 mil libras.
Clough e Taylor tinham perfis opostos, com o primeiro sendo extrovertido e gostando de motivar os companheiros mais do que da rotina diária de treinos, além de receber atenção da mídia sempre que possível, e o segundo sendo introvertido, gostando de lidar com rotinas diárias e evitando receber atenção da mídia mais que o necessário. Taylor ainda complementava Clough com uma capacidade única na descoberta de bons nomes para o elenco, sendo indicações suas as contratações de Roy McFarland, John O'Hare, John McGovern e Alan Hinton, alguns dos principais personagens nos títulos do Derby e Larry Lloyd, Kenny Burns, Gary Birtles e Peter Shilton nas conquista do Forest. Cliff Wright, que fora treinado pela dupla no Hartlepools, os descreveu como "bom policial, mau policial. Cloughie o derrubaria no chão, verbalmente ao menos, e Pete te colocaria em pé novamente". Eu não sou capaz de ser bem-sucedido sem Peter Taylor. Eu sou a vitrine da loja e ele é as coisas boas dentro.
Clough ficou caracterizado como o "treinador que a Inglaterra nunca teve" por nunca ter chegado a treinar a seleção inglesa, mesmo esta vivendo um dos piores períodos de sua história enquanto Clough vivia seu auge no Forest. Apesar disso, ele chegou a ser entrevistado para o cargo em duas oportunidades, em 1977 e 1982, pela forte demanda popular para sua contratação, ao ponto de Bobby Robson, contratado como treinador inglês em 1982, declarar ao presidente da Associação de Futebol, entidade responsável pela seleção: "Eu estou vivendo um período difícil, todos querem Brian –– deem o trabalho a ele. Se ele for bem-sucedido, todos ficam felizes. Se ele falhar, é o fim do clamor para Brian Clough ser o treinador da Inglaterra". Sobre o episódio, Clough apenas afirmou: "Eu tenho certeza que os dirigentes pensaram que, se eles me dessem o trabalho, eu acabaria sendo a estrela do espetáculo. Eles eram perspicazes, pois seria exatamente o que eu faria".
Como futebolista
A tabela abaixo resume as aparições de Brian Clough pelas equipes B, sub-23 (ambas especificadas em parênteses) e principal da seleção inglesa.[carece de fontes?]
Como treinador
A tabela abaixo resumo a quantidade de jogos, vitórias, empates e derrotas da carreira de treinador de Clough, entre os anos de 1965 e 1993.
Clough fora casado durante toda sua vida com Barbara Glasgow, que também era oriunda da cidade de Middlesbrough. Tarde em sua vida, chegaria a dizer que conhecer Barbara foi "a melhor coisa que ele já fez". Eles tiveram três filhos juntos: Simon, nascido em 1964; Nigel, nascido em 1966; e Elizabeth, nascida em 1967. Nigel seguiu os passos de seu pai, se tornando jogador e treinador. Passou a maior parte da carreira no Nottingham Forest enquanto este era treinado por seu pai, também jogando por Liverpool, Manchester City, Sheffield Wednesday e Burton Albion, onde era jogador-treinador. Também defendeu a Inglaterra, participando da Eurocopa de 1992. Como treinador, dedicou mais de 15 anos ao Burton Albion, clube associado a Peter Taylor, e também chegou a treinador o Derby County por quase cinco anos, mas com sucesso modesto. Devotado à sua família durante sua vida, Clough chegou a dizer: "Eu provei muitas coisas, mas se há alguma coisa melhor que a vida familiar, me mostre." Brian possuía um perfil socialista, chegando em duas oportunidades a ser abordado sobre a possibilidade de se tornar um candidato ao parlamento. Também fora presidente do Anti-Nazi League. Por seus serviços prestados ao futebol, Clough fora apontado como oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) em 1991. Ele disse que as letras significavam 'Old Big 'Ead' , um apelido seu ganho durante sua carreira. Em 1993 ele ganhou o Freedom of the City of Nottingham, e na mesma cerimônia um bonde foi nomeado com seu nome.


