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Brian Boru

Brian Boru foi um rei irlandês denominado como o Grande Rei da Irlanda, terminando a dominação dos Uí Néill. Concedido o título de "Imperator Scottorum", ou "Imperador dos Gaélicos", construiu seu reinado sobre os feitos do pai, Cennétig mac Lorcain, e especialmente de seu irmão mais velho, Mathgamain. Foi primeiro Rei de Munster, partindo então para subjugar Leinster, eventualmente se tornando o Grande Rei da Irlanda. Foi o fundador da dinastia O'Brien e é considerado como um dos monarcas mais bem sucedidos e unificadores da Irlanda medieval.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/07/2026
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Biografia

Não existem dados confiáveis sobre sua data de nascimento, com o ano normalmente sendo estabelecido em 941 na vila de Killaloe, no Condado de Clare, em Munster. Era um dos doze filhos de Cennétig mac Lorcáin, rei de Dál gCais e rei de Tuadmumu, hoje no Condado de Clare, um dos sub-reinos ao norte de Munster. Cennétig era descrito como rígdamna Caisil, algo como herdeiro ou candidato ao reinado de Cashel ou de Munster. Sua mãe era Bé Binn inion Urchadh, filha de Urchadh mac Murchadh, rei de Maigh Seóla, em Connacht. O fato de ela pertencer à dinastia dos Uí Briúin, de Connacht, pode explicar porque ele foi nomeado Brian, um nome incomum entre os Dál gCais. A família de Brian era descendente do lado Ui Tairdelbach dos Dal gCais (ou Deis Tuisceart). Os Ui Tairdelbach tinha tomado recentemente o poder dos de outro lado dos Dal gCais, os Ui Óengusso, que tradicionalmente geravam os reis de Dal gCais. Essa mudança na balança de poder ocorre depois da morte do rei vindo dos Ui Óengusso, Rebechan Mac Mothla, em 934. Os filhos do avô de Brian, Lorcan, aproveitaram o vácuo de poder e tomar o poder do lado rival da família, com o pai de Brian, Cennétig, sendo o mais bem sucedido na empreitada. Seu pai foi o primeiro rei de Dal gCais a liderar um exército em seu próprio território e a liderar uma expedição ao norte, até Athlone. Na ocasião de sua morte, em 951, ele foi reconhecido também como "Rei de Tuadmumu". Seu irmão, Mathgamain mac Cennétig, se arvorou na reputação do irmão e foi o primeiro a tomar o Castelo de Cashel e a se tornar Rei de Munster.

Reinado de Mathgamain

Seu irmão mais velho, Mathgamain, reivindicou o controle sobre toda a província de Munster, capturando o Castelo de Cashel, centro de poder dos antigos Eóganachta, os senhores hereditários ou Altos reis de Munster, mas que em conflitos dinásticos e com múltiplos assassinatos se enfraqueceram ao ponto de serem agora impotentes. Ataques anteriores dos nórdicos e dos Uí Néill também foram fatores decisivos para a perda de poder dos Eóganacht. Esta situação permitiu que os Dal gCais, mais fortes, porém ilegítimos do ponto de vista dos Eóganachta, tomassem o poder. Mathgamain nunca foi formalmente reconhecido e sofreu oposição em todo o seu reinado entre os anos de 960 e 970 por Máel Muad mac Brain, reclamante legítimo dos Eóganacht, mas visto como um forasteiro por aqueles que agora controlavam Cashel.

Extensão do poder

Depois de estabelecer um poder incontestável sobre a província de Munster, Brian voltou sua atenção para outras províncias, como Leinster ao leste e Connacht no norte. Ao se pôr em marcha, ele arrumou atritos com o Grande Rei Máel Sechnaill mac Domnaill, cuja base de seu poder ficava na província de Meath. Pelos 15 anos seguintes, de 982 a 997, Máel Sechnaill marchou com seus exércitos sobre Leinster e Munster, enquanto Brian, assim como seu pai e irmão antes dele, liderou suas frotas navais pelo rio Shannon para atacar Connacht e Meath dos dois lados do rio. Apesar de ter sofrido alguns revezes nas batalhas, Brian teria aprendido com seus erros, tendo desenvolvido uma estratégia militar que lhe seria útil em sua vida: coordenando o uso de forças tanto em terra quando na água, tanto fluvial quanto marítima. Suas forças navais, incluindo contingentes vindos de cidades nórdicas sob seu comando, lhe davam suporte direto e indireto para suas forças em terra. O suporte indireto envolvia desde a confecção de navios à distrações aos exércitos inimigos bem longe de onde Brian pretendia atacar. Suporte direto envolvia dois braços atacando de maneira estratégica, com as frotas navais de um lado e os exércitos em terra do outro.

A batalha pela Irlanda

Insatisfeito com o compromisso firmado em 977, Brian reuniu um exército no ano 1000, com forças combinadas de Munster, Leinster e Dublin e marchou até a província de Meath para confrontar o Grande Rei Máel Sechnaill mac Domnaill. A luta pelo controle da Irlanda tinha recomeçado. O aliado mais importante de Máel era o Rei de Connacht, Cathal mac Conchobar mac Taidg, porém isso apresentava vários problemas. As províncias de Meath e Connacht foram separadas pelo rio Shannon, que serviu como uma rota pela qual as forças navais de Brian podiam atacar as praias de qualquer uma das províncias e ainda agia como uma barreira para os dois governantes. Máel Sechnaill sugeriu então que duas pontes fossem erguidas sobre o Shannon, que agiriam como obstáculos para a frota de Brian e por quais os exércitos de Meath e Connacht pudessem atravessar os reinos de um lado para o outro.

Grande Rei

Neste período, Brian também buscou maneiras alternativas de consolidar seu poder sobre a ilha enquanto lutava por Ulster. A Igreja da Irlanda não estava centrada na figura do bispo ou do arcebispo, mas sim nos monastérios, controlados por abades poderosos, membros de várias dinastias reais que governavam as terras onde os monastérios estavam. Um dos mais poderosos entre eles era o monastério de Armagh, em Ulster. No Livro de Armagh diz que no ano de 1005, Brian doou pouco mais de meio quilo de ouro para o monastério e declarou que Armagh era a capital religiosa da Irlanda. Era um movimento estratégico e inteligente, onde Brian dizia nas entrelinhas que o poder e a soberania de Armagh estavam atrelados ao tempo em que Brian permaneceria como o Grande Rei, sendo que também era de interesse de Armagh em apoiá-lo, visando seu poder e fortuna.

A Batalha de Clontarf

Máel Mórda sabia que o Grande Rei voltaria a Dublin em 1014 para tentar derrotá-lo novamente. Máel Mórda, provavelmente, pensou que se desafiasse Brian Boru abertamente, ele conseguiria apoio dos governantes regionais da Irlanda, porém apenas um governante lhe enviou tropas, o que obrigou Máel Mórda a buscar apoio com governantes estrangeiros. Seu primo Sigtrygg, o governante de Dublin, foi quem buscou ajuda fora da Irlanda. Sigtrygg navegou até Orkney, parando na volta na Ilha de Man. Essas ilhas estavam ocupadas pelos nórdicos muito antes e os nórdicos da Irlanda tinham fortes laços familiares com eles. O pai de Sigtrygg já tinha pedido a ajuda deles em 980 e o próprio Sigtrygg em 990. O incentivo para eles era o saque, não terras nem títulos. Contrariando o que afirma o Cogadh Gaedhel re Gallaibh, essa não foi uma tentativa dos nórdicos de reconquistarem a Irlanda e sim um conflito civil interno, estando todos os nórdicos, inclusive os que vieram das ilhas, a serviço de Máel Mórda. Brian Boru tinha nórdicos já nascidos na Irlanda em seu exército, especialmente os que vieram de Limerick e provavelmente de Waterford, Wexford e Cork.

Morte

Algumas fontes dizem que a batalha durou um dia inteiro. Muitos também são os relatos sobre sua morte. Alguns dizem que foi uma morte heroica em combate homem a homem com um nórdico, outros dizem que ele foi emboscado por Brodir enquanto rezava em sua tenda em Clontarf. Após sua morte, seu corpo foi levado para Swords para o funeral, depois enviado para Armagh para o sepultamento. Seu túmulo estaria no muro norte da Catedral de São Patrício, em Armagh.

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Família

A primeira esposa de Brian foi Mór, filha do rei de Connacht, Uí Fiachrach Aidne. Ela teria sido a mãe de Murchad, Conchobar e Flann. Genealogias posteriores alegam que esses três filhos não teriam deixado descendentes, ainda que se diga que o filho de Murchad tenha morrido em batalha com o pai e o avô. Sua segunda esposa, Echrad, era filha de Carlus mac Ailella, rei de Uí Áeda Odba, um braço pouco conhecido da dinastia dos Uí Néill. Ela era mãe de Tadc, cujo filho Toirdelbach e neto Muirchertach rivalizaram com Brian em fama e poder. O casamento mais famosos de Brian foi com Gormflaith, irmã de Máel Mórda de Leinster. Donnchad, que teve seu meio-irmão Tadc morto em 1023 e governou Munster por 40 anos depois, foi o resultado dessa união. Brian tinha um sexto filho, Domnall, que chegou a ter um filho, ainda que esse nome não tenha sido preservado. Talvez ele tenha sido filho de Brian com sua quarta esposa, Dub Choblaig, que morreu em 1009. Ela era filha de Cathal mac Conchobar mac Taidg, rei de Connacht. Brian também teve pelo menos três filhas, mas os nomes de suas mães são desconhecidos. Segundo os Anais de Innisfallen, Sadb, que morreu em 1048, foi casada com Cian, filho de Máel Muad mac Brain. Bé Binn foi casada com o rei Flaithbertach Ua Néill, dos Uí Néill. A terceira filha, Sláine, foi casada com o enteado de Sigtrygg Silkbeard, de Dublin. Segundo a Saga de Njáll, Brian ainda teria um filho adotivo, Kerthialfad.

Herança familiar

Os descendentes de Brian Boru ficaram conhecidos como o clã dos Uí Briain (O'Brien), com variações como Ó Briain, O'Brien, O'Brian, etc.. A letra O no começo do nome era em Ó, que veio de Ua, que significa neto ou descendente da pessoa referida. O prefixo é normalmente anglicizado para O, usando a apóstrofe para indicar a presença do acento agudo no O. A dinastia dos O'Brien se tornou uma das principais famílias irlandesas nas gerações seguintes. A terceira bisneta de Brian foi Gwenllian ferch Gruffydd (1097 – 1136), princesa consorte de Deheubarth, em Gales, líder de uma revolta e batalha que levaram à grande revolta de 1136 contra os normandos.

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Fontes consultadas

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