Henry Kissinger
Henry Alfred Kissinger foi um político, diplomata e especialista em geopolítica americano que serviu como Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos nos governos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford. Um refugiado de uma família judia que fugiu da Alemanha Nazista em 1938, Kissinger se destacou academicamente, recebendo um diploma de bacharelado, summa cum laude, da Universidade Harvard em 1950, estudando sob William Yandell Elliott. Recebeu um MA e um PhD de Harvard em 1951 e 1954, respectivamente. Por suas ações negociando um cessar-fogo em Vietnã, Kissinger recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1973 sob circunstâncias controversas.
Em 1938, devido às perseguições antissemitas na Alemanha nazista, seus pais emigram com ele para os EUA. Cinco anos depois, ele obtém sua cidadania americana em 19 de junho de 1943.
Exército dos EUA
Kissinger passou por treinamento básico no Camp Croft, em Spartanburg, Carolina do Sul. Em 19 de junho de 1943, aos 20 anos, enquanto estava na Carolina do Sul, naturalizou-se cidadão norte-americano. O exército o enviou para estudar engenharia no Lafayette College, na Pensilvânia, sob o Programa de Treinamento Especializado do Exército, mas o programa foi cancelado e Kissinger foi transferido para a 84ª Divisão de Infantaria. Lá, ele conheceu Fritz Kraemer, um imigrante alemão que notou a fluência de Kissinger em alemão e seu intelecto e providenciou para que ele fosse designado para a inteligência militar da divisão. Kissinger viu o combate com a divisão e se ofereceu para tarefas de inteligência perigosas durante a Batalha do Bulge. Em 10 de abril de 1945, ele participou da libertação do campo de concentração de Hannover-Ahlem, um subcampo do campo de concentração de Neuengamme. Na época, Kissinger escreveu em seu diário: "Eu nunca tinha visto pessoas degradadas ao nível que as pessoas estavam em Ahlem. Mal pareciam humanos. Eram esqueletos." Após o choque inicial, no entanto, Kissinger ficou relativamente em silêncio sobre seu serviço de guerra.
Política
Kissinger foi conselheiro de relações exteriores de todos os presidentes dos EUA, de Eisenhower a Gerald Ford, sendo Secretário de Estado dos Estados Unidos (cargo equivalente ao de Ministro das Relações Exteriores, no Brasil, e de Ministro dos Negócios Estrangeiros, em Portugal), conselheiro político e confidente de Richard Nixon. Em 1973, ganhou, com Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu papel na obtenção do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietnam. Le Duc Tho recusou o prêmio. Henry Kissinger esteve envolvido em uma intensa atividade diplomática com a República Popular da China, o Vietnã, a União Soviética e a África. É considerado uma figura polêmica e controversa, tendo alguns de seus críticos acusado-o de ter cometido crimes de guerra durante sua longa estadia no governo, como dar luz verde à invasão indonésia de Timor (1975) e aos golpes de estado no Chile, no Camboja e no Uruguai (1973), sendo que, por diversas vezes, Kissinger usava uma política tortuosa, em que parecia jogar com um "pau de dois bicos". Entre tais críticos, incluem-se o jornalista Christopher Hitchens (no livro The Trial of Henry Kissinger) e o analista Daniel Ellsberg (no livro Secrets). Apesar de essas alegações não terem sido provadas perante uma corte de justiça, considera-se um ato perigoso, para Kissinger, entrar em alguns países da Europa e da América do Sul.
O processo de descolonização português chamou a atenção dos EUA para a ex-colónia portuguesa de Timor-Leste, que declarou a sua independência em 1975. O presidente indonésio Suharto considerava Timor-Leste como parte legítima da Indonésia. Em dezembro de 1975, Suharto discutiu planos de invasão durante uma reunião com Kissinger e o presidente Ford na capital indonésia de Jacarta. Tanto Ford quanto Kissinger deixaram claro que as relações dos EUA com a Indonésia permaneceriam fortes e que não se oporiam à anexação proposta. Eles só queriam que fosse feita "rapidamente" e propuseram que fosse adiada até depois de terem retornado a Washington. Assim, Suharto atrasou a operação por um dia. Finalmente, em 7 de dezembro, as forças indonésias invadiram a antiga colónia portuguesa. As vendas de armas dos EUA para a Indonésia continuaram e Suharto prosseguiu com o plano de anexação. De acordo com Ben Kiernan, a invasão e ocupação resultaram na morte de quase um quarto da população timorense de 1975 a 1981.
Abertura diplomática da China
Kissinger inicialmente tinha pouco interesse na China quando começou o seu trabalho como Conselheiro de Segurança Nacional em 1969, e a força motriz por trás da reaproximação com a China foi Nixon. Em abril de 1970, tanto Nixon quanto Kissinger prometeram a Chiang Ching-kuo, filho do Generalíssimo Chiang Kai-shek, que nunca abandonariam Taiwan ou fariam quaisquer compromissos com Mao Zedong, embora Nixon falasse vagamente de seu desejo de melhorar as relações com o país asiático. Kissinger fez duas viagens à República Popular em julho e outubro de 1971 (a primeira das quais foi feita em segredo) para conversar com o primeiro-ministro Zhou Enlai, então responsável pela política externa da RPC. Durante a sua visita a Pequim, a questão principal acabou por ser Taiwan, pois Zhou exigiu que os Estados Unidos reconhecessem que Taiwan era uma parte legítima da RPC, retirassem as forças dos EUA de Taiwan e acabassem com o apoio militar ao regime do Kuomintang. Kissinger cedeu ao prometer retirar as forças dos EUA de Taiwan, dizendo que dois terços seriam retirados quando a Guerra do Vietnã terminasse e o resto seria retirado à medida que as relações sino-americanas melhorassem.
Golpe de Estado no Chile em 1973
O Golpe de Estado de 11 de Setembro, ocorrido no Chile em 1973, foi um golpe militar que derrubou o regime democrático constitucional do Chile e de seu presidente, Salvador Allende, tendo sido articulado conjuntamente por oficiais sediciosos da marinha e do exército chileno, com apoio militar e financeiro do governo dos Estados Unidos e da CIA, bem como de organizações terroristas chilenas, como a Patria y Libertad, de tendências nacionalistas-neofascistas, tendo sido encabeçado pelo general Augusto Pinochet, que se proclamou presidente.
Guerra Suja na Argentina
Guerra Suja na Argentina ou Guerra Suja (em espanhol: Guerra Sucia) (1976-1983) foi o regime adotado em meio a ditadura militar argentina, caracterizado por violência indiscriminada, perseguições, tortura, terrorismo de Estado, desaparecimentos forçados etc. Conhecido também como Processo de Reorganização Nacional segundo a ditadura, foi marcado por várias mortes, desaparecimentos e pelos voos da morte, em que pessoas eram jogadas ao mar vivas. Vítimas da violência incluíram vários milhares de ativistas de esquerda, incluindo sindicalistas, estudantes, jornalistas, marxistas e os guerrilheiros peronistas e simpatizantes. Cerca de 10 mil desaparecidos sob a forma dos Montoneros, guerrilheiros do Exército Revolucionário do Povo (ERP) foram mortos. As estimativas para o número de pessoas que foram mortas ou "desapareceram" variam de 9 000 a 30 000.
Ditadura militar brasileira
Ditadura militar brasileira foi um regime autoritário e nacionalista instaurado em 1 de abril de 1964, que perdurou até 15 de março de 1985, sendo conduzido por sucessivos governos militares. O regime teve início com o golpe de Estado de 1964, que depôs o governo João Goulart, eleito democraticamente. A ditadura terminou formalmente em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência, marcando o início da chamada Nova República. Apesar da promessa inicial de uma intervenção breve, o regime se estendeu por 21 anos, consolidando-se por meio da promulgação de sucessivos Atos Institucionais, que ampliaram os poderes dos militares. O mais severo foi o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 1968, que suprimiu direitos civis e fortaleceu a repressão política, permanecendo em vigor por dez anos. A Constituição de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967, e o Congresso Nacional foi dissolvido. Além disso, a ditadura impôs um código de processo penal militar, permitindo que o Exército e a Polícia Militar encarcerassem suspeitos sem possibilidade de revisão judicial.
Operação Condor
A Operação Condor (em inglês: Operation Condor; em castelhano: Operación Cóndor, também conhecida como Plan Cóndor) foi uma campanha de repressão política e terror de Estado levada a cabo pelas ditaduras de direita do Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos. A operação envolveu operações de inteligência e assassinato de opositores políticos exilados em outros países. Foi formalmente implementada em novembro de 1975 a pedido do ditador chileno Augusto Pinochet. Em novembro de 1975, Manuel Contreras, chefe da DINA, a polícia secreta do Chile, convidou 50 oficiais de inteligência do Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil para o Chile para implementar formalmente a Operação Condor. Mais tarde, o Equador e o Peru juntaram-se à operação com funções mais periféricas. A fase principal da operação ocorreu entre 1976 e 1978. As relações entre o Chile e a Argentina tornaram-se tensas em 1978, levando ao eventual colapso da rede mais ampla da Condor, embora as operações tenham continuado até 1981.
Programa brasileiro de armas nucleares
Kissinger era a favor do programa de armas nucleares na década de 1970 do Brasil. Kissinger justificou sua posição argumentando que o Brasil era um aliado dos EUA e alegando que isso beneficiaria atores privados da indústria nuclear nos EUA. A posição de Kissinger sobre o Brasil estava fora de sincronia com vozes influentes no Congresso dos EUA, no Departamento de Estado e a Agência de Controle de Armas e Desarmamento.
Kissinger morreu aos 100 anos em 29 de novembro de 2023, na sua residência no estado de Connecticut, nos Estados Unidos. Sua morte motivou notas por políticos do mundo inteiro. Joe Biden falou sobre o intelecto de Kissinger, com o qual discordava frequentemente, e que continuou dando sua opinião muito depois de se aposentar. George W. Bush relembrou seu status de refugiado, que fugiu dos nazistas. Vladimir Putin falou sobre a política pragmática de relações exteriores, que permitiu formar acordos entre os Estados Unidos e a União Soviética. O embaixador do Chile, Juan Gabriel Valdes, escreveu sobre sua "profunda miséria moral". Na internet, houve grande repercussão na mídia e redes sociais. Memes sobre sua morte já circulavam bem antes dele morrer, devido a sua longevidade, envolvendo personagens como o ceifador e satã. Quando a morte finalmente aconteceu, grande parte dos memes tiveram tom de celebração. Na Wikipédia em inglês, editora que atualizou a biografia de Kissinger informando sobre a morte recebeu dezenas de congratulações e medalhas virtuais.


