Brega & Chique
Brega & Chique é uma telenovela brasileira produzida pela TV Globo e exibida de 20 de abril a 6 de novembro de 1987, em 173 capítulos. Substituiu Hipertensão e foi substituída por Sassaricando, sendo a 38ª "novela das sete" exibida pela emissora.
Ambientada na cidade de São Paulo, Brega & Chique tem como personagens centrais duas mulheres, Rafaela e Rosemere. De ambientes sociais inteiramente opostos, as duas têm suas histórias cruzadas por causa de Herbert, empresário paulistano "casado" com ambas. A sua família oficial é formada por Rafaela, os filhos Ana Cláudia, Teddy e Tamyris, além do genro Maurício e da sogra Francine. Rafaela é uma mulher rica, sofisticada, desligada dos problemas do cotidiano, cheia de manias e futilidades. Mora em uma mansão em um bairro nobre de São Paulo. A segunda família de Herbert, na qual é conhecido pelo nome Mário Francis, é formada por Rosemere e Márcia, filha dos dois. Rosemere é uma mulher simplória, pobre e brega. Batalhadora, mora em um bairro da periferia de São Paulo, mantendo a casa e a família, que enfrenta dificuldades financeiras. Além de Márcia, tem outros dois filhos: Vânia e Amaury. Rosemere ainda ajuda o pai, Lourival. Rafaela e Rosemere, quando se conhecem, tornam-se amigas.
A trama teve os títulos provisórios Caviar e Goiabada e Lucros e Perdas. Foi durante uma ligação de Roberto Talma que Boni escolheu o título definitivo. Marcou a volta de Marília Pêra às novelas, após 13 anos de ausência. Sua última novela havia sido Supermanoela, em 1974. Para acompanhar o ritmo ágil da trama, a equipe de produção utilizou vários efeitos especiais, como o wipe, que faz com que a imagem seja varrida da tela, para mudar de cena, e o filó, que dividia tela ao meio, para a transmissão de duas cenas em simultâneo. Para além disto, a produção usou também animação. Brega e Chique popularizou as lentes de contato coloridas, usadas por Rafaela e Rosemere. Nos créditos de abertura, a ordem de aparição dos nomes de Marília Pêra e Glória Menezes alternavam-se diariamente. Foi uma exigência da própria Marília na época, pois esta queria que seu nome abrisse os créditos. A abertura da novela contou com a participação da atriz e apresentadora Doris Giesse, de Deise Nunes, Miss Brasil 1986 e também do modelo Vinícius Manne.
Imagem: Globoplay Novelas · BY · Openverse
Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 31 de julho de 1989 a 19 de janeiro de 1990, substituindo A Gata Comeu e sendo substituída por Pão Pão, Beijo Beijo, em 125 capítulos. Foi reexibida também no quadro de reprises compactadas do Video Show, o Novelão da Semana, de 4 a 8 de junho de 2012, substituindo Tieta e sendo substituída por A Gata Comeu, em cinco capítulos. Foi reapresentada novamente no Novelão, de 5 a 12 de janeiro de 2015, em cinco capítulos, substituindo Tieta, e com narração de Marília Pêra. Originalmente o último capítulo deveria ser exibido na sexta feira, dia 9. No entanto, a cobertura jornalística do atentado terrorista ao jornal Charlie Hebdo, ocorrido no dia 7 em Paris, e dos desdobramentos nos dias seguintes, fez com que o último capítulo da reprise fosse adiado para o dia 12. Foi exibida na íntegra pelo Viva, de 19 de fevereiro a 7 de setembro de 2020, substituindo Selva de Pedra e sendo substituída por Sassaricando, que foi também sua substituta na exibição original em 1987.
Outras mídias
Em 26 de outubro de 2020, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate.
Imagem: Graziarthur · BY-ND · Openverse
Audiência
Em sua exibição original, alcançou média geral de 57 pontos no IBOPE pelo método eletrônico, sendo até hoje considerada uma das novelas das sete de maior audiência de todos os tempos (muito acima da meta estipulada pela Globo para o horário, que era de 40 pontos) e também um dos trabalhos mais memoráveis da carreira de Cassiano Gabus Mendes como escritor de telenovelas. A audiência e repercussão que a trama obteve junto ao público foram tantas que acabaram por superar O Outro, de Aguinaldo Silva, novela das oito exibida na época
Controvérsias
Desde o seu início, a novela se mostrou bastante polêmica, começando pela abertura exibida. Nela, o modelo Vinícius Manne aparecia com as nádegas à mostra. Após a reclamação de telespectadores mais conservadores, o governo Federal exigiu que fosse colocada uma folha de parreira sobre o traseiro do modelo. Feito isso, novos protestos surgiram em prol da nudez, e acusação de censura. Então o Ministro da Justiça (que na época era Paulo Brossard) liberou a abertura original. Moradores do bairro Itaim Bibi protestaram contra o deboche no qual a personagem Rafaela se referia ao bairro. Em resposta, o autor Cassiano Gabus Mendes precisou rescrever as falas da personagem em relação ao bairro, em que Rafaela ironizava o bairro despejando elogios.


