Brás Garcia de Mascarenhas
Brás Garcia de Mascarenhas foi um fidalgo aventureiro, militar, escritor e poeta português, autor do poema heróico Viriato Trágico.
Percurso universitário
Cursou Direito Canónico na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra, onde seus três irmãos, um mais velho e dois mais novos ou os três mais novos, se formaram, mas não completou o curso porque, em 1620, em virtude de conflitos de carácter político, se viu obrigado a emigrar para Espanha. Durante a sua juventude, sabendo que um seu amigo, Diogo César de Meneses, filho do General de Artilharia e Alcaide-Mor do Castelo de Alenquer, Vasco Fernandes César, e de sua mulher D. Ana de Meneses, fora atraiçoado em questão de amores por outro estudante, D. António Mascarenhas, que lhe furtara a namorada, em ocasião de festas públicas em Coimbra, bateu-se com este em duelo e feriu-o gravemente. Preso em flagrante, também devido a correspondência amorosa, foi conduzido à Cadeia da Portagem, donde se evadiu e o libertaram à força o amigo desagravado e com a ajuda dos seus irmãos, que, a esse tempo, frequentavam a Universidade.
Exílio em Espanha
Constituindo o delito e a fuga crime grave, tratou Brás Garcia de Mascarenhas de fugir para Espanha, pelo que teve de brigar na fronteira com dois salteadores, a um dos quais matou, e dirigiu-se a Madrid, então capital da Monarquia dualista de Portugal e Castela. Exilou-se, então, um ano em Madrid.
Viagens
Depois, saído daquele país, foi atacado por Turcos o navio em que viajava. Passado o combate, em que se evidenciou, pôde seguir viagem, e percorreu parte da Europa: a França, a Itália, a própria Espanha e a Flandres, indo, por fim, para o Brasil, para onde viajou, e chegando à Baía depois de várias aventuras.
No Brasil
Ao percorrer as costas brasileiras, sofreu naufrágio, de que dificultosamente escapou com alguns companheiros. Aportou, depois, a Pernambuco, ao tempo em que os Holandeses atacavam as colónias sul-americanas portuguesas. Tomou parte na guerra, alcançando, por seus serviços, o posto de Alferes.
Guerra da Restauração
Sabendo que rebentara em Lisboa a Revolução do 1.º de Dezembro de 1640, veio apresentar-se ao serviço de D. João IV de Portugal, e organizou e agrupou em torno de si, no contexto da Guerra da Restauração, um punhado de guerreiros num Batalhão de voluntários, que o nomeou seu Capitão e se denominou a "Companhia dos Leões da Beira", que se celebrizou em diversas acções durante a guerra. Partindo com os seus homens da vila de Avô e lugares vizinhos, foi ocupar a Praça de Pinhel, travando temerárias escaramuças com os Castelhanos. Pelos feitos então praticados, e como recompensa pelos seus serviços, lhe fez o Monarca mercê do cargo de Governador da Praça de Alfaiates, situado na fronteira, de que recebeu o Governo, que ele dotou de novas fortificações, e donde empreendia surtidas por terras de Espanha.
Obra literária
A sua obra, o Poema Viriato Trágico, foi inicialmente impresso e editado em Coimbra, postumamente, já depois do falecimento do autor, em 1699, e, visto que tinha caído no esquecimento, saiu em nova edição, que foi reeditada em dois tomos, em 1846, por iniciativa de Albino de Abranches Freire de Figueiredo. O Professor Hernâni António Cidade dá-lhe preferência sobre os outros poemas épicos portugueses do século XVII. Neste singular poema, em boa parte feito da essência dos nervos e do espírito do autor, sente-se, mesmo através do engomado da forma, comum aos restantes, palpitar a vida, como em nenhum outro. Vida de ar livre — jogos de barras, canas, danças, corridas, cavalhadas — e vida íntima de tumulto sentimental, que se intercala, imprevistamente, entre páginas colaboradas pelo gosto da época, páginas de moralista e poeta frequentador do salão seiscentista.
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Filiação
Era o terceiro de onze filhos e filhas de Marcos Garcia de Mascarenhas (bap. 17 de Novembro de 1564) e de sua mulher (19 de Agosto de 1591) Helena Madeira da Costa (26 de Setembro de 1568), família nobre e abastada, que tinha seu Solar na vila de Avô.
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Casou a 19 de Fevereiro de 1645 com Maria da Fonseca da Costa (Oliveira do Hospital, Avô, 18 de Novembro de 1618 - Oliveira do Hospital, Avô, 8 de Agosto de 1656), filha de João Manuel da Fonseca (Oliveira do Hospital, Avô, 11 de Setembro de 1595 - Oliveira do Hospital, Avô, 16 de Julho de 1664), Capitão-Mor, e de sua mulher Maria Madeira da Costa (Oliveira do Hospital, Avô, bap. 11 de Setembro de 1595 - Oliveira do Hospital, Avô, 10 de Julho de 1664).


