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Branca Dias

Branca Dias, ocasionalmente referida como Branca Dias Coronel, foi uma senhora de engenho do período colonial brasileiro. Cristã-nova, foi processada pelo Santo Ofício sob a acusação de praticar secretamente o judaísmo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

Imagem: Rogerio121402 · BY-SA · Openverse

O ano de nascimento de Branca Dias é estimado como sendo 1515 a partir de depoimentos dados por terceiros ao Tribunal do Santo Ofício. O ano aproximado de sua morte em Pernambuco é conhecido graças ao depoimento de um neto de Branca que veio a ser exilado do Brasil por prática de sodomia. Em sua inquirição ocorrida no ano de 1595, o jovem Jorge de Sousa afirma ter conhecido sua avó, Branca Dias, e diz que ela teria morrido "seis ou sete anos atrás", ou seja, entre 1588 e 1589. Com uma existência entre história e lenda, considerada uma das heroínas do Brasil Colonial e de Pernambuco, Branca Dias foi, no Brasil do século XVI, a primeira mulher portuguesa a manter uma «esnoga» (sinagoga) em suas terras, a primeira «mestra laica de meninas» e uma das primeiras «senhoras de engenho». Denunciada pela mãe e pela irmã e presa pela Inquisição no Palácio dos Estaus, em Lisboa, Branca Dias embarca para o Brasil com sete filhos, juntando-se ao marido, Diogo Fernandes, vivendo ambos entre Camaragibe e Olinda, onde tiveram mais quatro filhos (também educou uma enteada, Briolanja Fernandes).

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No Tribunal do Santo Ofício

Imagem: Rogerio121402 · BY-SA · Openverse

Conforme o livro "Familias Endogâmicas do Vale do Acaraú" de autoria de Vicente Freitas, "No processo nº 5736 do Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, consta que Branca Dias, casada com o mercador Diogo Fernandes e filha de Antônio Afonso e Violante Dias, é cristã-nova, natural de Viana e moradora em Lisboa. Acusada de judaísmo, ela foi sentenciada, em 12 de setembro de 1543, a abjuração pública, dois anos de cárcere e hábito penitencial, ficando reservada a sua comutação e dispensa. Branca Dias apresentou uma petição ao Santo Ofício, em que pediu dispensa do tempo que lhe faltava cumprir, tendo sido a mesma concedida, talvez em razão de ter filhos pequenos para criar. Sua mãe e a irmã Isabel Dias foram presas na mesma época. Elas eram naturais de Viana da Foz do Lima, onde moravam. No processo nº 5775, datado de 2 de abril de 1544, consta que Violante Dias foi ao auto de fé em Lisboa, e Isabel Dias foi sentenciada a abjuração pública, 2 anos de cárcere e hábito penitencial; reservada a comutação da penitência quando parecesse serviço de Nosso Senhor.

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Linhagem

Imagem: Juliana Coutinho · BY · Openverse

Branca Dias e seu marido, Diogo Fernandes Santiago, deixaram vasta descendência. Alguns de seus filhos nasceram em Portugal, a exemplo de Inês Fernandes, Guiomar Fernandes, Brites Fernandes e Manoel Afonso, tendo os dois últimos nascido com deformidades físicas. Os demais filhos nasceram na capitania de Pernambuco. Dentre alguns descendentes ilustres de Branca Dias, destacam-se o comediante Renato Aragão, a atriz Mariana Ximenes, os políticos João Felipe de Saboia Ribeiro, Cid e Ciro Gomes, o escritor Alexey Dodsworth, o cantor Belchior, a cantora Marisa Monte e o ator e cineasta Paulo Leão. Diversas famílias brasileiras tem ascendência direta de Branca dias, principalmente no Ceará, Paraíba, Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Regiões específicas desses estados são conhecidas por terem descendentes dela e outros judeus conhecidos. Em particular na região de Acaraú no estado do Ceará (onde se encontra a cidade de Sobral (Ceará) entre outras), o Seridó (ambos os lados paraibano e potiguar), dentre outras. Nessas regiões, ramos familiares específicos de algumas famílias apresentam descendência direta de Branca Dias, embora somente com esforço genealógico seja possível identificar exatamente quais famílias são descendentes diretos dela, uma vez que nem todos os ramos venham diretamente de sua linhagem, salvo algumas raras exceções. Em particular, alguns ramos dos Macedo do Seridó descendem de Branca Dias, assim como alguns Dantas, Medeiros, Cavalcanti, até mesmo os Hollanda, embora nem todos e em muitos casos não são maioria. Famílias atuais em que sua totalidade são descendentes de Branca Dias são raras, como os Ferreira Gomes, Ximenes de Aragão, Liberato e Uchoa da região de Sobral. Embora esses nomes não se originem a partir dela, por casamento de patriarcas e primeiros membros no Brasil, as pessoas que hoje o possuem oriundos dessa região são seus descendentes.

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Na ficção e na arte

Imagem: Ana_Cotta · BY · Openverse

A vida de Branca Dias serviu e tem servido de inspiração para romances, canções e histórias em quadrinhos. Elza Cataldo dirigiu "O Ouro Branco" (2009) que trata sobre Branca Dias. No teatro, a peça O Santo Inquérito, escrita em 1966 por Dias Gomes, recria a história da mulher perseguida pela Inquisição. Na música, há a canção "Branca Dias", da cantora brasileira Nana Caymmi, assim como outra canção de mesmo nome, da cantora brasileira Fortuna Safdié, que em 2020 lançou um clipe que contou com a participação de Lia de Itamaracá e do historiador Cândido Pinheiro Koren de Lima. No universo das histórias em quadrinhos, Branca Dias aparece como personagem na obra "Assombrações do Recife Antigo", da roteirista pernambucana Roberta Cirne, assim como na HQ "A Máscara da Morte Branca", do roteirista baiano e filósofo Alexey Dodsworth. O poeta Carlos Drummond de Andrade autorou o poema "Branca Dias", em que mistura a história da Branca Dias histórica estabelecida em Pernambuco à da personagem possivelmente ficticia da Paraíba. O escritor Arnaldo Niskier publicou em 2017 a obra "Branca Dias: O Martírio" em que explora as questões de fato e mito sobre a sua história.

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