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Batalhão de Operações Policiais Especiais

Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) é uma força de operações especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), subordinada ao Comando de Operações Especiais (COE) da PMERJ. Popularizado pelo filme Tropa de Elite, o BOPE é frequentemente classificado como a melhor equipe de combate urbano do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Estrutura

Companhia de Operações (COp)

A unidade mais conhecida do BOPE é a 3.ª Companhia, chamada de Companhia de Operações (COp). Estruturada em quatro equipes, Alfa, Bravo, Charlie e Delta, ela se destina a cumprir missões de repressão ao crime organizado e apoio à inteligência e às intervenções táticas, atuar como força de pronta-resposta e intervenção especial e executar outras missões específicas de operações especiais.

Companhia de Intervenções Táticas (CIT)

Para responder a situações de crise, o BOPE dispõe da Companhia de Intervenções Táticas (CIT), formada por três grupos distintos: Grupo de Negociação e Análise (GNA), Grupo de Atiradores de Precisão (GAP) e o Grupo de Retomada e Resgate (GRR). Os integrantes dessa Unidade atuam em situações cruciais, pondo à prova todo o treinamento e meios disponíveis. No BOPE, o treinamento não está relacionado somente a repetição continuada de movimentos, mas ao exercício do uso da razão para buscar alternativas possíveis em momentos de alto risco. Os policiais realizam constantes estudos de casos de situações ocorridas no Brasil e no mundo. Além disso, são realizados exercícios simulados para avaliação conjunta dos grupos da CIT.

Unidade de Engenharia, Demolição e Transporte

A UEDT surgiu devido à necessidade de desobstrução dos acessos das comunidades para a entrada das viaturas durante as operações policiais. Ela é formada por policiais com conhecimento em mecânica de veículos pesados e explosivos. Eles são responsáveis por operar os maquinários na liberação dos acessos e por destruir as fortificações do tráfico. Quando se faz necessário eles também usam explosivos em suas missões. Com a atuação do BOPE no processo de pacificação, a equipe agregou uma nova função: montar os equipamentos desdobrados em terreno de difícil acesso, para servir de base avançada das tropas no local a ser pacificado. O treinamento da equipe é baseado em constantes estudos e pesquisas sobre demolição e engenharia de combate, o que lhes permite o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas. Seus policiais são especializados em explosivos e receberem o brevê "explosivista". Somente em 2008, a UEDT derrubou cerca de 75 muros de contenção, barricadas e "bunkers" de traficantes.

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Veículos

O BOPE progride normalmente por camionetes, cuja caçamba carrega os combatentes prontos pra entrar em ativa. Quando a situação torna-se crítica, são usados veículos blindados popularmente conhecidos como "caveirões", utilizados, principalmente, em operações onde há conflitos com narcotraficantes. Os blindados não possuem armamento próprio, sendo o seu poder de fogo constituído pelas armas da própria guarnição. Sua blindagem é capaz de resistir a explosivos debaixo do veículo, tiros de fuzis 7,62 até 12,7x99mm NATO. O BOPE começou a utilizar o primeiro caveirão em 2001. A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto. Em 2014, o governo fluminense designou quatro novos Caveirões para o BOPE, denominados Maverick, cujo preço individual pode chegar até R$ 1,5 milhão. Eles são fabricados pela empresa sul-africana Paramount e possuem a mesma blindagem do anterior, com teto igualmente à prova de balas, capazes de de resistirem a granadas e coquetéis molotov nas paredes, além de serem equipados com diversas câmeras do lado externo do carro, possuir reforço na carroceria para derrubar bloqueios nas ruas, carregar um sistema de extintores automáticos nas rodas e ter espaço para até 12 policiais (incluindo motorista e navegador).

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História

Origem

A ideia de um grupo de policiais que fossem especificamente treinados para atuar em resgate e situações de extremo risco surgiu após o trágico desfecho da ocorrência com reféns no Instituto Penal Evaristo de Moraes, em 1974. Na ocasião o diretor do presídio, o Major PM Darcy Bittencourt, que era mantido refém pelos criminosos que tentavam fuga, foi morto juntamente com alguns presos após a intervenção da força policial. Foi criado em 19 de janeiro de 1978, pelo Boletim da Polícia Militar n° 014 da mesma data como Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), através de um projeto elaborado e apresentado pelo capitão PM Paulo César Amendola de Souza, que presenciou a crise, ao então comandante-geral da PMERJ, coronel Mário José Sotero de Menezes. O NuCOE foi formado por policiais voluntários, dotados de comprovada integridade moral, e alguns possuíam especialização nas Forças Armadas, tais como o Estágio de Operações Especiais, o Curso de Guerra na Selva (ambos do Exército) e o Curso de Contra Guerrilha (CONGUE), dos Comandos Anfíbios. Funcionava em um acampamento nas dependências CFAP-31 em Sulacap, na zona oeste do Rio, e era subordinado operacionalmente ao chefe do Estado-Maior da PMERJ. Eram 12 barracas para cerca de 30 policiais.

Tragédia e recomeço (2000)

Em 12 de junho de 2000, oficiais do BOPE foram comunicados para negociar com Sandro Barbosa do Nascimento, um sequestrador aparentemente drogado que mantinha reféns no Jardim Botânico em um evento conhecido como Sequestro do ônibus 174. Os policiais passaram quatro horas tentando negociar com o criminoso, e se comunicavam usando gestos, uma vez que não tivessem rádio. Coronel José Penteado, o comandante da unidade, estava no local e os atiradores de elite posicionados, mas a ordem para disparar um tiro fatal não veio. Após horas frustradas, o sequestrador deixou o ônibus com a professora Geísa Gonçalves, de 20 anos. Sem ordens, o soldado Marcelo Santos avançou pra alvejar Sandro com uma submetralhadora e errou o tiro, acertando a refém de raspão no queixo. Como resposta, Geísa levou três tiros nas costas disparados do revólver do sequestrador. Dentro do camburão, a caminho da prisão, os policiais asfixiaram Sandro. Santos entrou em depressão por anos e Penteado desapareceu.

Tropa de Elite (2007)

Em 2007, estreou nos cinemas a adaptação do livro Elite da Tropa, escrito pelo antropólogo e ex-Secretário de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares, pelo major do BOPE André Batista e pelo ex-capitão Rodrigo Pimentel: Tropa de Elite, dirigido por José Padilha. O filme, que fala sobre a missão de extermínio do tráfico nas favelas para aguardar a chegada do Papa e a substituição de dois capitães do BOPE, se tornou, com apenas duas semanas, a produção mais vista e comentada da história do cinema brasileiro, embora mais de 11 milhões (80%) dos espectadores tenham assistido sua versão pirata, vendida em camelôs. Com o filme, o BOPE se tornou um super-herói brasileiro e um sucesso estrondoso do público. A média de e-mails enviados à unidade, que até então era de 400 por semana, passou a 400 por dia (recados de felicitação do combate ao crime e pedidos de visita ao batalhão). Houve universitários interessados em desenvolver teses acadêmicas sobre os policiais. Várias emissoras insistiam em fazer documentários televisivos e reportagens sobre o BOPE.

Grandes eventos em pauta (2010)

Com a aproximação da Copa do Mundo FIFA de 2014, com jogos sediados no Rio de Janeiro, e os Jogos Olímpicos de Verão de 2016, realizados principalmente na capital, o BOPE se preocupou com a preparação de seus agentes e o aumento de seu efetivo e equipamentos. Em 2010, a 18.ª edição do COEsp ganhou dois meses adicionais, para estudar sobre grupos terroristas e aprimorar o condicionamento físico dos agentes. Foi estudado a criação do Curso de Intervenções Táticas, com cerca de seis semanas de duração, dando mais conteúdo, por exemplo, de negociação e equipamento. A modalidade poderia ser realizada por quem já tivesse feito pelo menos um de seus cursos. Também foi marcado um intercâmbio para treinar em Israel em técnicas contra o terrorismo, e construído um centro de instrução especializada. Oito membros do Grupo de Retomada e Resgate participaram do Urban Shield de 2012, instruído pelo Exército dos Estados Unidos e Departamento de Polícia de Oakland, e realizado durante 48 horas ininterruptas, com 32 simulações de situações catastróficas, como incêndios, desastres naturais, atentados terroristas e outras ameaças externas. Em 2 de junho de 2013, foi realizado um treinamento para ambientação operacional em embarcação com a Unidade de Intervenção Tática.

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Equipamento

O peso do equipamento de um combatente do BOPE varia entre 25 e 30 kg. Eles usam um calçado com uma palmilha no calcanhar muito parecida com um tênis de corrida e ventilação. Há inúmeros bolsos pelo colete, além de uma mochila, cuja intenção é de se manter 48 horas sem parar. Neles, são carregados uma faca, um canivete multifuncional, um rádio comunicador com GPS, carregadores da pistola e fuzil, barrinhas de cereal e câmeras para gravação de ações táticas. Na mochila, seu carregamento pode incluir um aparelho de visão noturna (cedidos pela Marinha), um reservatório de água ou isotônico, um balaclava, dois kits de limpeza de armamento, granadas fumígenas, granadas de luz e som, kit de primeiros socorros, pasta de dente, um binóculo e roupas íntimas.

Armamento

Além disso, o BOPE também conta com 30 armas de eletrochoque X2 produzidos pela marca Taser International para serem usados em resgate de reféns. O X2 é característico e eficiente por registrar todas as informações de uso, a possibilidade de acoplar câmeras no armamento para a filmagem das operações e trazer a possibilidade de dois disparos.

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Uniformes

Em 22 de junho de 2016, o BOPE estreou sua nova farda verde, com a camuflagem MARPAT Woodland (única dos Fuzileiros Navais norte-americanos) digital que passaria a ser seu uniforme principal. Estudos da Polícia Militar em 2009 pelo então major Fábio Souza demonstraram que, na prática, a cor preta acaba expondo seus integrantes na maioria dos terrenos e dificulta a camuflagem. Além disso, o preto acumula mais calor e provoca desidratação dos soldados em operações mais longas, sob o sol carioca. O novo uniforme é feito de um tecido moderno, resistente, mais leve e fresco que o antigo, além de permitir melhor circulação de ar e apresentar resistência maior às chamas. O primeiro estoque com 930 fardas é semelhante ao usado pelos fuzileiros navais dos Estados Unidos, e custou 283 mil reais (305 reais por conjunto). A mudança também é provocada pela intensificação da presença de criminosos em áreas de matas ao redor das favelas.

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Treinamento

Para ingressar no BOPE, o candidato deve ser policial militar da PMERJ há pelo menos dois anos, possuir excelente condicionamento físico, assim como ser aprovado nas avaliações física, médica e psicológica. Após ser convidado, são oferecidas duas modalidades de curso, para as duas atribuições da unidade.

Curso de Operações Especiais - COEsp

No COEsp, o aluno ganha experiência em operações de alto risco em favelas, selvas ou em regiões montanhosa, dorme e alimenta-se muito pouco e é submetido a situações extenuantes, aprendendo a controlar melhor sua agressividade. Misturam-se instruções de atirador de elite, emboscada, defesa pessoal, conduta de patrulha, montanhismo, sobrevivência no mar, primeiros socorros, armamento, situações com reféns e diversas outras situações de risco. Apenas 20% dos que entram nesse curso vão até o fim. Suas aulas teóricas incluem, desde 2010, entender as aspirações políticas dos grupos terroristas, suas maneiras de agir e como identificar seus integrantes e instrumentos de ataque e estudar a origem e história destes.

Curso de Ações Táticas - CAT

Através de instruções de alto padrão, o Curso de Ações Táticas (CAT) busca colocar na vanguarda tecnológica e operacional policiais militares que irão atuar nas mais difíceis e arriscadas missões no campo de segurança pública. O curso é considerado o mais completo e difícil entre cursos de ações táticas em todo território nacional. Desde 1996, o ano de sua fundação, até 2015, o BOPE já formou 763 "raios" (designação aos que completam esse curso).

Preparo

O policial do BOPE tem uma carga diária de mais de três horas de preparo físico, além de fazer treinamentos específicos de três dias (como ações na montanha ou em helicópteros) uma vez por mês.

Curso de Guerra na Selva

Até 1995, o Exército Brasileiro oferecia aos policiais do Batalhão vagas para o Curso de Guerra na Selva, do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). A partir de 1996, as vagas não foram mais disponibilizadas e os agentes passaram a buscar alternativas, como centros de treinamento militar na Colômbia e outros países. Em 2015, o convênio entre o CIGS e o BOPE foi restabelecido.

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Controvérsias

O BOPE gerou notoriedade graças ao papel no combate ao narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro, e têm sido referidos internacionalmente como "Death Squad" por muitos jornais. A Anistia Internacional declarou que "as forças policiais brasileiras adotam métodos violentos e repreensivos. Isso causa violações dos direitos fundamentais de grande parte da população em uma base regular", e atribui um certo número de civis assassinados ao BOPE em particular. Em março de 2006, a Anistia Internacional condenou especificamente a utilização de vans blindadas, como o Caveirão. Ela afirmou que implantar agressivamente e indiscriminadamente o veículo visando comunidades inteiras destacou a ineficácia do uso excessivo da força.

Desvios de conduta

Um relatório de 2005 sobre execuções sumárias pela Universidade de Direito de Nova Iorque indicou que o BOPE estava envolvido na morte de quatro adolescentes sob o pretexto de que eles eram traficantes de drogas que haviam resistido à prisão: "oficiais do BOPE falsificaram a cena do crime, a fim de incriminar as vítimas. Esperando que essa maneira faça-lhes parecer ser membros de gangues. Nenhuma arma foi encontrada em nenhuma das vítimas. Nenhum deles tinha qualquer histórico prévio de atividade criminal". Entre agosto e dezembro de 2012, o terceiro-sargento Arlen Santos da Silva, de 43 anos, forneceu instruções de uso de armas, fardas e acessórios (colete e coturno) do BOPE a membros da quadrilha do Terceiro Comando Puro do Complexo da Maré, em troca de propina. Além disso, ele dava orientações ao bando pra escapar de flagrantes, deixando armamentos pra trás. Em 6 de dezembro de 2014, um sargento em atividade há pelo menos 14 anos antes do ocorrido foi acusado de desacatar militares da UPP da Vila Cruzeiro por um membro não ter trocado o pneu de seu carro. Em julho de 2015, foi relatado que policiais teriam apreendido 1,8 milhão de reais de traficantes em uma operação no Morro da Covanca. Em 30 de dezembro de 2015, uma mulher de 28 anos da Favela da Rocinha reportou que, ao voltar de uma festa, encontrou quatro policiais e um cadáver, foi pedida que entrasse no Beco do Seu Miro e, então, agarrada pelo cabelo por dois PMs do BOPE e estuprada.

Rebates

Sobre as denúncias durante a ocupação do Alemão em 2010, o tenente-coronel Wilman René Gonçalves Alonso afirma que, quando foi verificada a localidade das denúncias, checaram que o BOPE não esteve lá. Sobre o boato de que traficantes terem fugido em caveirões, ele comenta: "Na operação do Complexo do Alemão, nós estávamos na Vila Cruzeiro. Como um camarada iria fugir com um blindado nosso se nós não estávamos lá? Só tínhamos um blindado naquela noite e estava estacionado na Vila Cruzeiro. Havia um planejamento de entrarmos no Alemão num horário X. No horário em que isso teria acontecido, estávamos todos na Vila Cruzeiro". Alfredo Guarischi, médico civil voluntário no Comando de Operações Especiais, diz testemunhar que o BOPE é "incorruptível".

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Cultura

O filme Tropa de Elite, do cineasta José Padilha, baseado no livro Elite da Tropa de autoria dos ex-integrantes do BOPE André Batista e Rodrigo Pimentel, em parceria com o antropólogo Luiz Eduardo Soares, inspirado nas ações do BOPE, estreou nos cinemas brasileiros em 12 de outubro de 2007. Baseada no livro Elite da Tropa 2, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro estreou em em 8 de outubro de 2010. Com o lançamento de Tropa de Elite 2, uma unidade brasileira baseada no BOPE, chamada OPES, foi introduzida no jogo de tiro em primeira pessoa CrossFire, em 2011. No jogo Tom Clancy's Rainbow Six Siege, foi lançada em 2 de agosto de 2016 a "Operação Skull Rain" (Chuva da Caveira), adicionando o mapa "Favela" ("o mais destrutível e aberto de todos os já lançados para Rainbow Six Siege até agora") e dois operadores: Caveira e Capitão.

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Fontes consultadas

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