Black Tie White Noise
Black Tie White Noise é o 20º álbum de estúdio, lançado pelo cantor britânico David Bowie. Lançado em 1993, foi seu primeiro disco solo da década de 1990, após uma decepcionante experiência em sua banda de hard rock, Tin Machine, e um novo casamento com a Top model Iman Abdulmajid em 1992. Este álbum conta com a participação de Mick Ronson, seu antigo guitarrista da era Ziggy Stardust, que morreria de câncer no mesmo ano de lançamento do disco. Este álbum foi inspirado pelo casamento do próprio cantor, e inclui faixas como "The Wedding" e sua reprise no final do álbum, canções que refletem a ocasião.
Bowie se religou a Nile Rodgers em 1991, em Nova York, após um show com sua banda Tin Machine. Bowie trabalhara com Rodgers anteriormente em Let's Dance, de 1983. Bowie afirmou que ele e Rodgers não estavam procurando recriar o sucesso que anteriormente haviam alcançado. "Se Nile e eu quiséssemos fazer um Let's Dance II, tê-lo-íamos feito há anos, quando, talvez, teria feito mais sentido. Trabalhando novamente juntos, evitamos cair nessa armadilha a todo custo." Nile Rodgers concordou, dizendo: "Metade da diversão de trabalhar com David é que você nunca sabe com o que ele vai aparecer." Sobre querer trabalhar novamente juntos, Bowie continuou: "Nós dois basicamente sentíamos falta do mesmo elemento, com o que estava acontecendo com o novo R&B, que hoje é o hip-hop e o house, e sentíamos falta do forte conteúdo melódico que era aparente nos anos 60. Eu queria ver se podíamos estabelecer um novo tipo de forma melódica no house."
Imagem: petertandlund · BY-NC-ND · Openverse
Bowie e Iman, recém-casados, haviam chegado a Los Angeles para procurar um novo lar, no dia em que o veredito de Rodney King foi dado, o que foi seguido por um protesto na cidade. Isso inspirou Bowie a escrever a faixa "Black Tie White Noise", que foi gravada com uma qualidade bruta e inconvencional para evitar acabar como "um 'Ebony e Ivory' dos anos 1990." O cantor Al B. Sure! participou dessa faixa. Sobre chegar em Los Angeles com os protestos, Bowie disse: Foi incrível e entorpecente, e foi a experiência mais apocalíptica que já tive em toda a minha vida. Foi um sentimento de diferenças irreconciliáveis que pareciam ter sido fabricadas na América e como difícil seria reconciliar essas diferenças e curar a ferida, o que é muito necessário. A faixa "Jump They Say" é uma faixa livremente autobiográfica sobre o meio-irmão de Bowie, Terry, que cometeu suicídio após ser hospitalizado por ter esquizofrenia, nos anos 1980. "Foi a primeira vez em que me senti capaz de falar sobre isso, e, como sempre, quando estou dando o primeiro passo em direção a uma situação, eu falo dela em termos de imagens ilusórias", Bowie disse.
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Em entrevistas dadas antes do lançamento do álbum, Bowie estava especialmente recatado, recusando-se a divulgar o título do álbum e das faixas que estava gravando, dizendo "estou tão orgulhoso deste disco. Arriscando ser prepotente, não acho que atingi esse nível antes, como compositor e músico." Resenhas do álbum foram geralmente positivas, com o crítico chamando o álbum de "provavelmente seu melhor disco desde Scary Monsters". A Rolling Stone chamou o álbum de "um dos discos mais inteligentes de uma carreira muito inteligente" e chamou a boa recepção da crítica e a adulação pública do álbum de "um dos grandes truques à maneira de Houdini na história do Rock & Roll." Numa resenha de 2011, a BBC creditou a superioridade do álbum (em relação aos seus antecessores) à qualidade da produção e à "imensa confiança de Bowie". A Entertainment Weekly achou o álbum majoritariamente "apático" e "cansado", com duas exceções: a "sonhadora" "Miracle Goodnight" e a "graciosa" "I Know It's Gonna Happen Someday". Robert Christgau, escrevendo para a The Village Voice, disse que a música era "a mais interessante" de Bowie por causa da sua batida dançante e texturas eletrônicas, mas reagiu negativamente às letras de Bowie sobre relações étnicas.
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Em março de 2016, a sessão de fotos para o álbum, do fotógrafo Nick Knight, foi revelada: um retrato simples do rosto de Bowie seria espelhado a partir do meio, com os lados direitos do rosto formando a capa frontal e os lados esquerdos a contracapa. O resultado seria "uma visão levemente estranha perturbadora, fazendo com que a pessoa sentisse que algo não estava exatamente certo." Esse conceito foi abandonado, e outra foto da mesma sessão foi usada na capa.
Imagem: Kaptain Kobold · BY-NC-SA · Openverse
Após a má recepção dos álbuns Tonight (1984) e Never Let Me Down (1987), e da Glass Spider Tour (1987), a posição de Bowie em relação à crítica estava indo mal. Este álbum, ao lado da Sound+Vision Tour (1990) e da participação de Bowie na Tin Machine, marcou o início da sua ressurreição comercial e melhora da posição crítica, tendo a BBC chamado o álbum de uma forma "perfeita" para começar a "próxima fase" da sua carreira. Foi sugerido por críticos que o nome de Bowie, mais do que a música do álbum, foi o que impediu um maior sucesso comercial do álbum; para provar isso, em 1993, foram lançados remixes anônimos da faixa "Pallas Athena" em discotecas americanas, e acabaram se tornando grandes sucessos. Após finalizar o álbum, Bowie disse que planejava tomar algum tempo para ficar com sua mulher e voltar ao estúdio com a Tin Machine para um novo álbum em 1993, mas o projeto da Tin Machine não ocorreu e seu próximo trabalho seria a trilha sonora The Buddha of Suburbia, como artista solo.


