Björk
Björk Guðmundsdóttir, conhecida simplesmente por Björk, é uma cantora, compositora, produtora musical e atriz islandesa. Ganhou fama na década de 1990, com seu álbum Debut (1993). Notável por sua voz distinta e personalidade excêntrica, Björk desenvolveu um estilo musical único, que vai de rock, jazz, música eletrônica, clássica e folclórica. Björk também tem uma forte relação com a cultura brasileira, desde uma música que fez em homenagem a Elis Regina, até parcerias musicais com artistas brasileiros como, Milton Nascimento. Ela é uma das pioneiras da música eletrônica e experimental. Com mais de 40 milhões de discos vendidos em todo o mundo, Björk é uma das artistas alternativas mais vendidas de todos os tempos.
Em 31 de agosto de 2004, Björk lança o álbum Medúlla. Durante a produção, Björk decidiu que o álbum seria inteiramente de vocais de base. No entanto, este plano inicial não se materializou exatamente dessa forma, como a maioria dos sons do álbum são, na verdade, criada por vocalistas (embora muitas vezes estes sons são eletronicamente distorcidos). Em 13 de agosto de 2004, Björk se apresentou com a canção "Oceania" na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004, em Atenas, Grécia. Enquanto cantava, seu vestido se abriu lentamente para revelar um mapa-múndi de 900 m², que ela deixou fluir sobre todos os atletas olímpicos. A canção "Oceania" foi escrita especialmente para a ocasião, e teve participação de Shlomo, um beatboxer de Leeds, e um coro. Uma versão alternativa da música com os vocais adicionais da cantora Kelis, se tonou um Lado B do single de "Who Is It", e chegou a 26ª posição no Reino Unido. Este single foi seguido por "Triumph of a Heart", que chegou a 31ª posição na mesma parada. Um vídeo de "Where Is the Line", foi filmado em colaboração com a artista islandesa Gabriela Fridriksdóttir, no final de 2004, e foi lançado exclusivamente no DVD Medúlla Videos.
1965–1978: Inicio de Vida e Primeiro Álbum
Björk nasceu e foi criada em Reykjavik, capital da Islândia. Seu pai, Guðmundur Gunnarsson, é um eletricista e líder sindical, que ficou nacionalmente conhecido antes da sua filha se tornar famosa, e sua mãe, Hildur Rúna Hauksdóttir (7 de outubro de 1946 - 25 de outubro de 2018), era uma homeopata e ativista ambiental, que em 2011, fez greve de fome em protesto contra a construção de uma hidrelétrica no país. Seus pais divorciaram-se quando Björk era criança e ela passou a juventude morando com a mãe, o padrasto e os meio irmãos. Aos seis anos, Björk começou a estudar piano clássico e flauta. Após um recital escolar em que Björk cantou "I Love to Love" de Tina Charles, seus professores enviaram uma gravação dela cantando a música para a estação de rádio RÚV, que na época era a única estação de rádio da Islândia. A gravação foi transmitida nacionalmente e, após ouvi-la, um representante da gravadora Fálkinn ofereceu a Björk um contrato de gravação. Seu disco de estreia, Björk, foi gravado quando ela tinha 11 anos e foi lançado na Islândia em dezembro de 1977.
1979–1985: Bandas
Após a difusão do punk rock na Islândia, Björk formou uma banda feminina chamada, Spit and Snot. Com o passar do tempo, ela vê que o estilo já não a inspirava muito, e em 1980, ela formou um grupo de jazz, Exodus, que não dura muito. Jam-80 seria o seu próximo grupo na sua fase experimental, que lhe rendeu uma turnê. Em 1981, ela e o baixista Jakob Magnússon formaram outro grupo, Tappi Tíkarrass, e lançaram o EP Bitið fast í vitið ("Bite Hard Into the Mind"), em agosto de 1982. Seu único álbum, Miranda, foi lançado em dezembro de 1983. Nessa época, Björk conheceu o guitarrista Þór (Thor) Eldon e o grupo surrealista Medusa, que também incluía o poeta Sjón, com quem ela iniciou uma colaboração para toda a vida e formou mais um grupo, Rokka Rokka Drum.
1986–1992: The Sugarcubes e Estreia como Atriz
O segundo álbum do Kukl, Holidays in Europe (The Naughty Nought), foi lançado em 1986. A banda se separou devido a conflitos pessoais, com Björk mantendo uma colaboração com Guðlaugur, que foi chamada de Elgar Sisters. Algumas das músicas que gravaram acabaram como lado B dos singles solo de Björk. Björk também teve seu primeiro papel como atriz em Juniper Tree (filmado em 1986, lançado em 1990), um conto de bruxaria baseado na história dos Irmãos Grimm com o mesmo nome. Björk desempenhado o papel de Margit, uma menina cuja mãe foi morta por praticar bruxaria. Após o nascimento de seu primeiro filho, em 1986, Björk começa sua trilha experimental com a banda The Sugarcubes, o estilo e irreverência da banda conquistariam o selo independente inglês One Little Indian. O primeiro single da banda "Ammæli" ou (Birthday, em inglês) foi lançado em 1987, chamando a atenção da crítica da música Alternativa. O primeiro álbum do The Sugarcubes, chamado, Life’s Too Good, foi lançado em 1988. Na época, a banda criou um selo e editora intitulado, Smekkleysa, com o intuito de gravar outras bandas e publicar poesias, tanto de artistas da Islândia como de fora. O segundo álbum da banda, Here, Today, Tomorrow, Next Week!, lançado em 1989, não repercutiu tanto como o anterior. Em 1990, Björk participou da a gravação de Gling-Gló, com o trio tradicional de jazz da Islândia, Trio Guðmundar Ingólfssonar. Ela também contribuiu com os vocais para o álbum ex:el do 808 State, com quem ela cultivou seu interesse em house music. Ela contribuiu com os vocais nas músicas "Qmart" e em "Ooops", que foi lançado como single no Reino Unido em 1991. Neste ponto, Björk decidiu deixar a banda e se mudar para Londres, para seguir carreira solo, mas seu contrato incluía a produção de um último álbum, Stick Around for Joy (1992), com uma turnê promocional subsequente, que ela concordou em fazer. Ela ainda participou de duas faixas da trilha sonora do filme irlandes Remote Control (1992).
1993–1996: Debut e Post
Lançado em 5 de julho de 1993, seu álbum solo Debut, co-produzido por Nellee Hooper, se destaca como um dos principais álbuns de trip-hop que iniciaram o movimento. O single “Human Behaviour”, uma faixa dançante com um ritmo de guitarra sampleado do cantor e compositor brasileiro, Antônio Carlos Jobim, tornou-se seu primeiro hit internacional, alcançando o terceiro lugar na parada de singles do Reino Unido. Seu videoclipe dirigido por Michel Gondry, fez sucesso na programação da MTV, e recebeu seis indicações ao MTV Video Music Awards de 1994, e uma de Melhor Vídeo no Grammy de 1994. Seguindo na mesma linhagem "Big Time Sensuality" também fez sucesso. “Play Dead”, feita para a trilha sonora do filme The Young Americans (1993), acabou sendo incluída nas reedições de Debut, na Europa e Japão. O álbum ganhou disco de platina nos Estados Unidos e trouxe a Björk o reconhecimento do público e da crítica.
1997–2000: Homogenic, Dancer in the Dark e Selmasongs
Lançado em 20 de setembro de 1997, o álbum Homogenic, que começou a ser produzido em sua casa em Londres , mas foi interrompido após ela sofrer a uma tentativa de assassinato por um perseguidor; Procurando um lugar seguro, Björk se mudou para uma casa no sul da Espanha, onde finalizou álbum. Ela trabalhou novamente com Howie B, e com os produtores Mark Bell, e o brasileiro Eumir Deodato. Segundo Björk, o álbum chama-se Homogenic devido a todas canções serem similares, homogêneas. A união de elementos "high-tech" e cordas traduzem a melancolia e introspecção de sua vida e sua terra natal, com vulcões, terremotos e luzes das cidades, ficando bem evidente em seu primeiro videoclipe da canção "Jóga", dirigido por Michel Gondry, cheias de paisagens islandesas e terminando no coração da cantora. A arte da capa, ficou a cargo do designer Paul White, do fotógrafo inglês Nick Knight e do estilista Alexander McQueen (que também dirigiu o videoclipe de "Alarm Call"), trazendo Björk como uma "gueixa futurística".
2001–2002: Vespertine, Family Tree, Grestest Hits e Live Box
Em 27 de agosto de 2001, Björk lançou o álbum, Vespertine, que trouxe o som experimental de Matmos, DJ Thomas Knak, e a harpista Zeena Parkins. Fontes líricas incluem as obras do poeta americano EE Cummings, o cineasta independente americano Harmony Korine e a dramaturga inglesa Sarah Kane. Vespertine gerou três singles: "Hidden Place", "Pagan Poetry" e "Cocoon". Björk causou controvérsia com o videoclipe de "Pagan Poetry", que mostra os mamilos de Björk, bem como a distorção de imagens de atos sexuais, que incluem penetração vaginal e sexo oral. Como resultado, o clipe foi censurado pela MTV. Em 2002, ele foi exibido pela primeira vez sem censura, no especial do MTV2, intitulado "Os clipes mais controversos". O clipe de "Cocoon", dirigido pelo artista japonês Eiko Ishioka, trouxe Björk nua (na verdade ela estava usando um bodysuit), e também acabou sendo censurado pela MTV. Para coincidir com o lançamento do álbum, um livro de mesa de centro homônimo de prosa solta e fotografias foi publicado. Vespertine vendeu dois milhões de cópias mundialmente, até o final de 2001. Björk embarcou em uma turnê de teatros e óperas na Europa e na América do Norte, acompanhado pelos músicos Matmos, Zeena Parkins e um coral da Gronelândia.
Relacionamentos e Família
Björk foi brevemente casada com o guitarrista do Sugarcubes, Þór Eldon. Eles tiveram um filho, Sindri Eldon Þórsson, nascido em 8 de junho de 1986. Eles se divorciaram antes do final de 1986, mas continuaram a trabalhar juntos na banda. Sindri tem um filho, tornando Björk avó. No final da década de 1990, Björk morava em Nova York, onde conheceu o artista Matthew Barney. O casal começou a viver junto, mudando-se para Brooklyn Heights em 2000. Sua filha Ísadóra Bjarkardóttir Barney, nasceu em 2002. O casal se separou em 2013. Sobre sua sexualidade, em uma entrevista de 2004, ela declarou: "Acho que todo mundo é bissexual em algum grau; é apenas uma questão de você escolher reconhecer e abraçar isso."
Ativismo
Björk apoia fortemente grupos de libertação, incluindo o apoio à independência do Kosovo. Ela dedicou sua canção "Declare Independence" para o povo do Kosovo durante um show no Japão, e o show que ela faria no Sérvia 's Exit Festival foi cancelado. Em 2008, Björk causou mais uma controvérsia após ter dedicado "Declare Independence" para o Tibete, durante um concerto em Xangai, gritando "Tibete! Tibete!" durante a canção; Como resultado, os próximos concertos que ela faria no país foram cancelados a pedido do Ministério da Cultura da China, afirmando que Björk "violou a lei chinesa". Assim como sua mãe, Björk também se interessa por questões ambientais. Ela fundou a organização Náttúra, que visa promover a preservação da natureza islandesa. Em 2004, ela participou do concerto Hætta em Reykjavík, organizado em protesto contra a construção de fundições de alumínio da Alcoa no país, o que tornaria a Islândia a maior fundição da Europa. Em outubro de 2008, Björk escreveu um artigo para o The Times sobre a economia islandesa e deu sua opinião sobre o uso proposto de recursos naturais para resgatar o país da dívida. Em 21 de maio de 2010, Björk escreveu uma carta aberta no The Reykjavík Grapevine, apelando ao governo islandês para "fazer tudo o que estiver ao seu alcance para revogar os contratos com a Magma Energy". Em 2014, Björk organizou o Stopp, Let's Protect the Park, um evento organizado para arrecadar dinheiro e conscientizar sobre a preservação da natureza islandesa. O show arrecadou £ 3 milhões, e o dinheiro foi usado para restabelecer um parque nacional.
Filantropia
Após o tsunami que assolou o Sudeste Asiático no final de 2004, Björk começou a trabalhar sobre um novo projeto intitulado Exército de Misturas para ajudar a angariar dinheiro para um fundo de socorro social. Este projeto recrutou fãs e músicos de todo o mundo para cobrir ou remixar a faixa de 1995, "Army of Me". De mais de 600 respostas Björk e seu co-escritor Graham Massey escolheu os melhores vinte para aparecer no álbum. O álbum foi lançado em abril no Reino Unido e, em finais de Maio de 2005, nos E.U. sob o nome de Army of Me: Remixes and Covers. Até Janeiro de 2006, o álbum arrecadou cerca de £ 250 000 para ajudar a UNICEF a trabalhar no sudeste asiático. Björk visitou Banda Aceh em fevereiro de 2006 para ver o trabalho da UNICEF com as crianças que foram afetadas pelo tsunami.
Agressões
Em fevereiro de 1996, Björk desembarcou no aeroporto Don Muang, na Tailândia, depois de um longo voo com seu filho de 9 anos; no local, havia um grupo de jornalistas e cinegrafistas esperando por ela. Quando a repórter Julie Kaufman se aproximou e lhe cumprimentou com as palavras "Bem-vinda a Bancoque", Björk agarrou os cabelos da repórter e a atacou com vários golpes, derrubando-a no chão. Após ser puxada pelo segurança, ela ainda tentou voltar atrás para continuar a atacar a repórter, mas foi colocada num ônibus. Sua gravadora declarou mais tarde, que Kaufman estava importunando Björk por quatro dias antes do incidente. Björk, mais tarde, se desculpou com Kaufman, que não prestou queixa.
Perseguidor
Em 12 de setembro de 1996, um "fã" norte-americano chamado Ricardo López, enviou uma carta-bomba disfarçada de livro para a casa de Björk, em Londres, que foi projetada para borrifar ácido sulfúrico em seu rosto para desfigurá-la e matá-la. Ele queria "punir" Björk por estar em um relacionamento com Goldie. López então voltou para seu apartamento, raspou a cabeça e pintou o rosto e a cabeça de vermelho e verde, e filmou seu suicídio na parte final de um diário em vídeo, que mais tarde se tornou público após ser divulgado aos jornalistas, causando uma sensação na mídia. O dispositivo não chegou a Björk porque o corpo de López e seus planos foram descobertos antes da entrega do pacote, e o dispositivo foi desativado pela Scotland Yard. Em seus poucos comentários públicos sobre este evento, Björk disse que estava "muito angustiada", principalmente pela segurança de seu filho. Apesar disso, ela enviou um cartão e flores para a família de López. Após o incidente, ela partiu para a Espanha, onde gravou o restante de seu terceiro álbum, Homogenic, longe da atenção da mídia.
Acusações de assédio sexual contra Lars von Trier
Em outubro de 2017, Björk, após dezenas de casos de abuso sexual movidos contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, postou em sua página do Facebook que havia sido assediada sexualmente por um diretor de cinema dinamarquês; O Los Angeles Times encontrou evidências que o identificam como Lars von Trier, que a dirigiu no filme Dancer in the Dark. Von Trier respondeu a alegação de Björk e disse: "Esse não foi o caso. Mas que definitivamente não éramos amigos, isso é um fato". O produtor de Dancer in the Dark, Peter Aalbæk Jensen, declarou: "até onde me lembro, nós [Lars von Trier e eu] fomos as vítimas. Aquela mulher era mais forte do que Lars von Trier, eu e nossa empresa juntos. Ela ditou tudo".


