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Império Bizantino

Império Bizantino foi a continuação direta do Império Romano na Antiguidade Tardia e Idade Média. Sua capital, Constantinopla, originalmente era conhecida como Bizâncio. Inicialmente parte oriental do Império Romano, sobreviveu à fragmentação e ao colapso do Império Romano do Ocidente no século V e continuou a prosperar, existindo por mais de mil anos até sua queda diante da expansão dos turcos otomanos em 1453. Foi conhecido simplesmente como Império Romano ou România por seus habitantes e vizinhos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Nomenclatura

A designação do império como "bizantino" surgiu na Europa Ocidental em 1557, quando o historiador alemão Hieronymus Wolf publicou sua obra Corpus Historiæ Byzantinæ, uma coleção de fontes bizantinas. "Bizantino" em si vem de "Bizâncio" (uma cidade grega, fundada por colonos de Mégara em 667 a.C.), o nome da cidade de Constantinopla antes de se tornar a capital do império sob Constantino. Este antigo nome da cidade raramente seria utilizado a partir daquele evento, exceto no contexto poético ou histórico. A publicação, em 1668, de Bizantino du Louvre (Corpus Scriptorum Historiæ Byzantinæ), e em 1680 da História Bizantina de Du Cange popularizou o uso de Bizantino em autores franceses, como Montesquieu. Contudo, só em meados do século XIX é que o termo entrou em uso geral no mundo ocidental. O império era conhecido por seus habitantes como Império Romano (em latim: Imperium Romanum; em grego: Βασιλεία τῶν Ῥωμαίων; romaniz.: Basileía tôn Rhōmaíōn) ou Império dos Romanos (em latim: Imperium Romanorum; em grego: Αρχη τῶν Ῥωμαίων; romaniz.: Arche tôn Rhōmaíōn), România (em latim: Romania;em grego: Ῥωμανία; romaniz.: Rhōmanía),[b] República Romana (em latim: Res Publica Romana; em grego: Πολιτεία τῶν Ῥωμαίων; romaniz.: Politeίa tôn Rhōmaíōn), Graikia (em grego: Γραικία), e também Rhōmais (Ῥωμαΐς).

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História

Depois do saque de Constantinopla de 1204 pelos cruzados latinos, dois Estados sucessores foram estabelecidos: o Império de Niceia e o Despotado do Epiro. Um terceiro, o Império de Trebizonda, havia sido criado algumas semanas antes do saque por Aleixo I. Dos três, Epiro e Niceia ficaram em melhores condições para recuperar Constantinopla. O Império de Niceia lutou para sobreviver nas décadas seguintes e, em meados do século XIII, perdeu muito do sul da Anatólia. O enfraquecimento do Sultanato de Rum após a invasão mongol de 1242–1243 permitiu que muitos beis e gazis criassem seus próprios principados (beilhiques) na Anatólia, enfraquecendo a posição bizantina na região. O Império de Niceia, fundado pela dinastia lascarina, conseguiu reconquistar Constantinopla aos latinos em 1261 e derrotar o Despotado do Epiro. Depois de uma recuperação de curta duração das finanças bizantinas sob Miguel VIII Paleólogo (r. 1259–1282), o império foi devastado pela guerra por estar mal equipado para lidar com os inimigos que agora o cercavam. A fim de manter suas campanhas contra os latinos, Miguel retirou tropas da Ásia Menor e cobrou impostos exorbitantes sobre o campesinato, causando muita insatisfação.

Divisão do Império Romano

Em 293, Diocleciano (r. 284–305) criou um novo sistema administrativo, a Tetrarquia. Após a abdicação de Diocleciano e Maximiano (r. 286–308), a tetrarquia entrou em colapso e Constantino (r. 306–337) substituiu-a pelo princípio dinástico de sucessão hereditária. Escolheu a antiga cidade de Bizâncio como nova capital imperial, refundando-a em 330 como "Nova Roma" (adquiriria posteriormente o nome Constantinopla), pois estava bem situada nas rotas comerciais que passavam pelos mares Negro e Mediterrâneo, ligando o Oriente e o Ocidente. Constantino fez muitas mudanças nas instituições civis, militares, administrativas e religiosas. Baseando-se nas reformas administrativas introduzidas por Diocleciano, estabilizou a moeda (o soldo de ouro que introduziu tornou-se moeda altamente valorizada e estável)[g] e fez alterações na estrutura do exército. Embora não tenha sido tornado a religião oficial do Estado, o cristianismo gozava da preferência imperial, uma vez que Constantino concedeu-lhe generosos privilégios. Estabeleceu o princípio de que os imperadores não deveriam resolver questões de doutrina, mas deveriam convocar concílios eclesiásticos gerais para esse efeito. O Primeiro Concílio de Arles foi convocado por ele e o Primeiro Concílio de Niceia apresentou sua reivindicação para ser a cabeça da Igreja.

Reconquista das províncias ocidentais

Em 527, Justiniano (r. 527–565), sobrinho de Justino I (r. 518–527), assume o trono. Em 529, uma comissão de dez homens sob João da Capadócia e Triboniano revisou o código legal romano e criou um novo código de leis e extratos de juristas; em 534, o código foi atualizado e, juntamente com as Novelas de Justiniano (decretos promulgados pelo imperador até 534), formou o sistema legal usado durante a maior parte do período bizantino. Em 532, com a morte do xá Cavades I (r. 488–496; 499–531), Justiniano firmou a chamada Paz Eterna com o seu filho e sucessor, Cosroes I (r. 531–579), concluindo assim a Guerra Ibérica que havia sido iniciada em 526. No mesmo ano, o imperador sobreviveu a uma revolta em Constantinopla (a Revolta de Nica), que terminou com a morte de cerca de 30 a 35 mil revoltosos. Esta vitória consolidou o poder de Justiniano. No rescaldo do evento, o imperador empreendeu um extenso programa de reparação e ampliação dos edifícios danificados, entre os quais o mais famoso, a Basílica de Santa Sofia, perdura até a atualidade como um dos principais monumentos da arquitetura bizantina.

As fronteiras encolhendo

Nos séculos VI e VII, o império foi atingido por uma série de epidemias, que foram devastadoras à população e contribuíram para um declínio econômico significativo e e para o enfraquecimento do império. Sob Tibério II, o excedente do tesouro que havia sido acumulado desde Justino II foi gasto com sua magnanimidade e campanhas, o que forçou Maurício a adotar medidas fiscais estritas e cortes nos pagamentos do exército, ocasionando vários motins. O último deles, em 602, levou ao assassinato de Maurício por Focas (r. 602–610). Depois do assassinato, Cosroes II usou-o como pretexto para recomeçar hostilidades com o Império Bizantino. Focas, um líder impopular invariavelmente descrito como "tirano", foi alvo de conspirações lideradas pelo senado. Foi deposto em 610 por Heráclio, que rumou para Constantinopla de Cartago com um ícone posto na proa de seu navio. Em sua ascensão, os sassânidas avançaram profundamente na Ásia Menor, ocupando importantes cidades do Oriente como Damasco e Jerusalém e levando a Vera Cruz para sua capital, Ctesifonte. A contraofensiva de Heráclio assumiu caráter de guerra santa, e uma imagem acheiropoieta de Cristo foi usada como estandarte. De mesmo modo, quando Constantinopla foi salva do cerco avar em 626, a vitória foi atribuída ao ícone da Virgem, que foi levado em procissão pelo patriarca Sérgio I sobre os muros. A principal força persa foi destruída em Nínive em 627 e Heráclio restaurou a Vera Cruz em cerimônia majestosa em 629. A guerra esgotou os Impérios Bizantino e Sassânida, e deixou-os vulneráveis aos árabes muçulmanas que surgiram nos anos seguintes. Os romanos sofreram uma esmagadora derrota para os árabes na Batalha de Jarmuque, em 636, e Ctesifonte caiu em 637.

Dinastia macedônica e o ressurgimento

A ascensão de Basílio I, o Macedônio (r. 867–886) marcou o começo da dinastia macedônica, que governaria nos dois séculos e meio seguintes. Esta dinastia incluiu alguns dos imperadores mais competentes, e o período é marcado pelo renascimento sociocultural e militar. O império mudou de uma posição defensiva para uma agressiva que, além de possibilitar a reconquista de muitos territórios perdidos, fez com que o Estado se reafirmasse como potência militar e autoridade política. Além disso, durante esse período se assistiu a um renascimento cultural em áreas como a filosofia e as artes. Houve um esforço consciente de restaurar o brilho do período anterior às invasões eslavas e árabes, o que levou a que o período macedônico fosse apelidado de "Idade do Ouro" do Império Bizantino.

Dinastia comnena e as Cruzadas

O período entre 1081 a 1185 é também conhecido como período Comneno. Juntos, os cinco imperadores da dinastia (Aleixo I, João II, Manuel I, Aleixo II e Andrónico I) reinaram por 104 anos, presidindo uma constante, embora incompleta, restauração da posição militar, econômica e política do Império Bizantino. Apesar dos turcos seljúcidas terem ocupado o coração do império na Anatólia, foi contra as potências ocidentais que os esforços militares bizantinos foram direcionados, particularmente contra os normandos. O império sob os Comnenos desempenhou papel fundamental na história das Cruzadas na Palestina, que Aleixo I ajudou a trazer, ao mesmo tempo que exerceu enorme influência cultural e política na Europa, Oriente Próximo e nas terras ao redor do mar Mediterrâneo sob João e Manuel. O contato entre o Império Bizantino e o Ocidente latino, incluindo os Estados cruzados, aumentou enormemente durante o período Comneno. Comerciantes italianos, nomeadamente venezianos, começaram a residir em Constantinopla e no resto do império em grande número (havia cerca de seis mil latinos só em Constantinopla, fora a população de 300 a 400 mil) e a presença deles, juntamente com vários mercenários latinos que foram contratados por Manuel, ajudou a difundir a tecnologia, arte, literatura e cultura bizantinas em todo Ocidente latino, ao mesmo tempo que provocou um fluxo de ideias e costumes ocidentais ao império.

Declínio e desintegração

Manuel morreu em 24 de setembro de 1180 e deixou seu filho de 11 anos, Aleixo II (r. 1180–1183), no trono. Se mostrou incompetente na função, mas o que fez a sua regência impopular foi sua mãe, Maria de Antioquia, que era de origem "franca" (o nome dado pelos bizantinos a todos os latinos). Finalmente, Andrônico I, neto de Aleixo I, lançou uma revolta contra seu jovem parente e conseguiu derrubá-lo num violento golpe de Estado. Aproveitando-se de sua boa aparência e imensa popularidade com o exército, marchou para Constantinopla em agosto de 1182 e incitou o massacre dos latinos da cidade. Depois de eliminar seus rivais em potencial, coroou-se como coimperador em setembro de 1183, eliminando Aleixo II e casando com sua esposa Inês da França, de 12 anos.

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Governo

No Estado bizantino, o imperador se tornou governante único e absoluto, e seu poder foi visto como tendo origem divina. A afiliação foi tamanha que no Império Bizantino tornou-se comum a mutilação de rivais políticos: se Deus era perfeito, o imperador também devia ser imaculado; qualquer mutilação, sobretudo feridas faciais, equivalia a desqualificar um indivíduo de sua possibilidade de ascender ao trono. O senado deixou de ter autoridade política e legislativa efetiva, mas permaneceu como conselho honorário com membros titulares. Até o final do século VIII, uma administração civil centrada na corte foi formada como parte da consolidação em larga escala do poder na capital (o aumento e proeminência da posição do sacelário está relacionada a esta mudança). A reforma administrativa mais importante do período foi a criação de temas, nas quais a administração civil e militar era exercido pelo estratego.

Diplomacia

Após a queda do Ocidente, o principal desafio ao Império Bizantino era manter relações entre si e seus vizinhos. Quando essas nações forjaram instituições políticas formais, muitas vezes se basearam nas de Constantinopla. A diplomacia conseguiu atrair rapidamente seus vizinhos numa rede de relações internacionais interestatais. Ela se baseava em tratados, que incluíam a integração do novo líder na família dos reis e assimilação de hábitos sociais, valores e instituições bizantinas. Enquanto os escritores clássicos faziam distinções éticas e legais entre paz e guerra, os bizantinos consideravam a diplomacia como forma de guerra alternativa. A Igreja Ortodoxa também teve seu papel, e a propagação do cristianismo era objetivo diplomático importante do império.

Exército

O exército bizantino foi uma continuação do seu antecessor romano. Sua história como força independente remonta às reformas do início do século IV, quando as legiões foram trocadas por milícias locais fronteiriças (limítanes) e exércitos campais móveis (comitatenses) que guarneceram o império. Nos séculos V e VI, oficiais chamados mestres dos soldados foram nomeados para algumas das principais fronteiras do império e sob seu comando estavam as forças nativas e aquelas dos federados, os bárbaros sob proteção bizantina; mercenários estrangeiros, os chamados símocos (symmochoi), foram por vezes contratados como unidades separadas controladas por seus próprios comandantes. Nesses mesmos séculos, como descrito no Estratégico de Maurício (r. 582–602), o método de guerra passou por uma transição na qual regimentos de arqueiros e cavaleiros foram valorizados, imitando as práticas persas e avares.

Marinha

A marinha, tal como o exército, foi uma continuação de sua correspondente romana, porém mais importante. No início do século IV, devido à não ocorrência de grandes operações navais, as esquadras imperiais eram compostas de navios relativamente pequenos que dedicavam-se quase exclusivamente a missões de policiamento e escolta. Com as guerras civis do final do século IV e começo do V, contudo, a atividade naval foi retomada e as frotas foram usadas sobretudo no transporte de tropas,, mas só a partir do século VI, sob Anastácio I (r. 491–518), o império possuiria frota fixa. Sob Justiniano (r. 527–565) e Justino II (r. 565–578), a frota anastasiana foi aperfeiçoada e transformou-se numa força profissional bem treinada. Durante o século VI, desde as invasões árabes, foi necessário recompor as tropas imperiais para enfrentarem os novos inimigos. A marinha foi reorganizada aos moldes do sistema de temas, e estabeleceu-se a frota dos carabisianos (em grego: Καραβισιάνοι; romaniz.: Karabisianoi; "os homens dos navios") que foi a correspondente dos tagmas que constituíam o exército.

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Economia

Sua economia esteve entre as mais avançadas da Europa e Mediterrâneo por muitos séculos; a Europa, em particular, foi incapaz de corresponder a sua força econômica até fins da Idade Média. Constantinopla foi eixo central numa rede de comércio que por diversas vezes estendeu-se por quase toda a Eurásia e Norte da África estando no ponto mais ocidental da Rota da Seda. Até primeira metade do século XI, em nítido contraste com o Ocidente decadente, sua economia floresceu e resistiu. Um dos fundamentos econômicos do Império Bizantino foi o comércio, promovido pelo caráter marítimo do império, embora, a partir do século VIII e até o início do XIV, tenha desenvolvido uma intensa economia rural baseada na produção de cereais, vinhas e oliveiras. Têxteis devem ter sido, de longe, o item mais importante de exportação;[k] Sedas foram certamente importadas ao Egito e aparecem também na Bulgária e no Ocidente.

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Religião

A sobrevivência do Império Romano do Oriente assegurou um papel ativo do imperador em assuntos da Igreja. O Estado herdou dos tempos pagãos os procedimentos administrativos e financeiros dos assuntos religiosos — o imperador era o pontífice máximo — e esses procedimentos foram aplicados à Igreja Cristã. Seguindo o padrão estabelecido por Eusébio de Cesareia, os bizantinos viam o imperador como representante ou mensageiro de Jesus Cristo, responsável, em particular, pela propagação do cristianismo entre pagãos e pelos temas que não se relacionavam diretamente à doutrina, como administração e finanças. A busca pela unificação das crenças, costumes e ritos em todo império e hierarquia eclesiástica foram dois fatores essenciais que legitimaram o poder imperial assim como a centralização do Estado: como Cyril Mango aponta, o pensamento político bizantino pode ser resumido no lema "Um Deus, um império, uma religião". No entanto, o papel imperial nos assuntos da Igreja nunca se desenvolveu num sistema fixo legalmente definido. Com o declínio de Roma e a dissensão externa nos outros Patriarcados do Oriente (Antioquia, Alexandria e Jerusalém), a Igreja de Constantinopla tornou-se, entre os séculos VI e XI, o mais influente e rico centro da cristandade. Mesmo quando o império foi reduzido a apenas uma sombra de seu esplendor, a Igreja continuou a exercer influência significativa tanto dentro como fora das fronteiras imperiais. Como George Ostrogorsky aponta:

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Língua

Além da corte, da administração e do exército, a principal língua usada nas províncias romanas orientais mesmo antes do declínio do Império Ocidental sempre foi o grego, falado na região séculos antes do latim. Na verdade, logo no início do Império Romano, o grego se tornou língua comum da Igreja Cristã, da erudição, das artes e, em grande medida, foi lingua franca para o comércio entre as províncias e outras nações. Durante algum tempo, a língua ganhou natureza dual, com a principal língua falada, o coiné vernacular em constante desenvolvimento (que haveria de evoluir para o grego demótico), coexistindo com o grego ático, uma língua literária mais antiga; o coiné acabou por evoluir até se tornar o dialeto padrão. O uso administrativo do latim persistiu até ser abandonado por Heráclio (r. 610–641). O latim académico caiu rapidamente em desuso entre as classes instruídas, embora fez parte, ao menos cerimonialmente, da cultura durante algum tempo. Além disso, o latim vulgar continuou a ser língua minoritária no império, e entre as populações traco-romanas deu origem ao proto-romeno. Do mesmo modo, na costa do mar Adriático se desenvolveu outro vernáculo neolatino, que mais tarde originaria a língua dálmata. Nas províncias do Mediterrâneo Ocidental, temporariamente conquistadas sob Justiniano (r. 527–565), o latim (que posteriormente evoluiu às línguas românicas) continuou a ser usado como língua falada e como língua acadêmica.

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Arte

A arte é quase inteiramente centrada na expressão religiosa e, notadamente, na tradução impessoal da teologia da Igreja cuidadosamente controlada em termos artísticos. Foi muito influenciada pela arte da Antiguidade Clássica e pela alegoria oriental, mantendo, a despeito da influência oriental, forte uniformidade da tradição clássica ao longo de sua história. A partir do século VI a arte começou a distanciar-se da produzida nas regiões do antigo Império Ocidental. Alcançou seu apogeu sob a dinastia macedônica (886–1056) e declinou com a Queda de Constantinopla em 1453. Foi muito prestigiosa e procurada na Europa Ocidental, mantendo influência na arte medieval até perto do final do período; tal era o caso na Itália, onde seus estilos persistiram de forma modificada ao longo do século XII e tornaram-se influências formativas na arte renascentista. Com a expansão da Igreja Ortodoxa, suas formas e estilos espalharam-se para todo o mundo ortodoxo e além.

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Conhecimento

Os escritos da Antiguidade Clássica nunca deixaram de ser cultivados no Império Bizantino. Assim, a ciência teve ligação estreita com a filosofia antiga (sobretudo Platão e Aristóteles) e com a metafísica. Embora em vários momentos os bizantinos tenham alcançado feitos magníficos na aplicação das ciências (notadamente na construção de Santa Sofia), a partir do século VI os eruditos fizeram poucas contribuições à ciência em termos de desenvolvimento de novas teorias ou no estender de autores clássicos. Nos anos sombrios da praga e conquistas árabes, o conhecimento sofreu acentuada estagnação, mas no Renascimento bizantino no final do primeiro milênio, os estudiosos reafirmaram-se novamente, tornando-se especialistas nos desenvolvimentos científicos dos árabes e persas, especialmente astronomia e matemática. No século XV, gramáticos foram os principais responsáveis pela execução, pessoalmente e por escrito, de estudos gramaticais e literários do grego antigo que marcaram o início da Renascença italiana. Nesse período, a astronomia e outras ciências matemáticas eram ensinadas em Trebizonda e a medicina atraiu o interesse de quase todos os estudiosos.

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Sociedade

A sociedade incluía várias classes sociais que não eram exclusivas nem imutáveis. Delas as mais características eram as dos pobres, camponeses, soldados, comerciantes e membros do clero. Os pobres, segundo um documento de 533, eram todos aqueles que não possuíssem 50 moedas de ouro (soldos). Formaram a maioria da plebe cosmopolitana e sua quantidade flutuou ao longo dos séculos do império, embora seu número tenha se elevado de maneira acentuada no final da Antiguidade Tardia com as invasões bárbaras e a fuga de muitas pessoas às cidades, para escaparem da alta tributação no campo. Embora não haja dados precisos sobre seu número, sem dúvida o campesinato representou a maioria dos habitantes das áreas rurais. Como os soldados, são referidos no Tática de Leão VI como a espinha dorsal do império. A nível organizacional, os soldados eram semelhantes a seus congêneres do período romano clássico, mas quando analisados no âmbito social surgem diferenças nítidas; a Tática de Leão VI fornece muitos elementos sobre a aparência, costumes, hábitos e vida dos soldados.

Recreação

Os persas introduziram o chatrangue (um dos antecessores do xadrez) no Império Bizantino por volta do século VII que foi assimilado sob o nome de zatrício (em grego: ζατρίκιον; romaniz.: zatrikion). Porém, sua primeira evidência da qual é possível estabelecer uma data correta é do século XII, numa passagem da biografia de Aleixo I, escrita por sua filha Ana Comnena. Não se conhece em detalhes as regras do jogo que era praticado na corte bizantina e com a derrocada do império em 1453, a versão existente do jogo foi substituída pela versão turca que viria a ser posteriormente substituída pela versão europeia. Os bizantinos eram ávidos jogadores de tábula (em grego medieval: τάβλη; romaniz.: táble), o moderno gamão, que ainda é popular em antigos territórios bizantinos e é conhecido na Grécia pelo mesmo nome.

Vestuário

O vestuário e moda eram muito importantes, havendo regulamentos e regras sobre o que vestir no dia a dia ou em ocasiões especiais como os banquetes. Um exemplo disso é o Cletorológio de Filoteu, que descreve o local onde os convidados dos banquetes imperiais se sentariam segundo sua posição e roupas. O vestuário imperial dos períodos iniciais era uma reminiscência clara do estilo romano. Com o tempo, porém, em especial através da influência de povos vizinhos, esse estilo foi deixado às ocasiões cerimoniais, enquanto um estilo próprio surgiu: a trábea triunfal, uma toga cerimonial romana utilizada até o século VI, evoluiu à estola de couro ou seda pesada com pedras preciosas e pérolas cravejadas, denominada loros, que manteve-se em uso até o século XII. O clâmide, uma vestimenta militar que evoluiu do paludamento romano, adquiriu caráter luxuoso e passou a ser fabricado em seda e outros materiais preciosos.

Culinária

Para Nicolau Tselementes, a culinária era marcada pela fusão da gastronomia greco-romana: embora registros dos alimentos sejam escassos, há nítidas relações com a culinária descrita, por exemplo, na Gastronomia de Arquéstrato (século V a.C.). As receitas dos pratos sobreviveram em tratados que lidavam com a nutrição e o regime mensal de alimentos para boa saúde e no século XII autores como Eustácio de Salonica e Ptocoprodromo descreveram pratos luxuosos. Consumia-se alimentos em três refeições (café da manhã, almoço e ceia) e o consumo variava conforme a classe social. No palácio, convidados eram recebidos com vinho, frutas, bolos de mel e doces xaroposos. A nobreza e os ricos comiam com fartura, inclusive alimentos exóticos; se tem notícia de caviar e esturjão, que eram importados, e carne de animais selvagens, molhos, vinagre, repolho em conserva e especiarias como pimenta e canela, sobremesas e bolos de mel feitos com farinha misturada com mosto ou feitos com farinha de trigo em formatos circulares recheavam a mesa. Apenas as classes mais abastadas comiam cordeiro.

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Legado

O império é comumente descrito como absolutista, ortodoxo, oriental e exótico, assim como os termos "bizantino" e "bizantinismo" são usados como arquétipos de decadência, burocracia complexa e repressão. Países da Europa Central e Sudeste que saíram do Bloco do Leste no final da década de 80 e começo da 90 avaliaram essa civilização e seu legado negativamente devido sua ligação com um suposto "autoritarismo e autocracia oriental". Tanto autores europeus orientais como ocidentais têm apresentado frequentemente o Império Bizantino como um corpo de ideias religiosas, políticas e filosóficas contrárias ao Ocidente. Mesmo na Grécia do século XIX, o foco foi principalmente seu passado clássico, enquanto a tradição bizantina era associada a conotações negativas. Essa abordagem tradicional tem sido questionada, parcial ou totalmente, e revisada por estudos modernos, que focam nos aspectos positivos da cultura e legado. Averil Cameron considera inegável sua contribuição à formação da Europa medieval, e tanto Cameron como Obolensky reconhecem o papel central do Império Bizantino na formação da Ortodoxia, que por sua vez ocupou posição central na história e sociedade da Grécia, Bulgária, Rússia, Sérvia e outros países. Os bizantinos preservaram e copiaram manuscritos clássicos, pelo que são assim reconhecidos como transmissores do conhecimento clássico, importantes contribuidores à civilização europeia moderna e precursores tanto do humanismo renascentista como da cultura eslava ortodoxa.

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Fontes consultadas

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