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Bissexualidade

Bissexualidade é a atração romântica e/ou sexual voltada tanto para homens quanto para mulheres ou, de acordo com a Associação Americana de Psicologia, por mais de um sexo ou gênero. Também pode ser definida como atração romântica e/ou sexual por pessoas de qualquer sexo ou gênero, aproximando-se do conceito de pansexualidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Definição

Orientação sexual, identidade e comportamento

Bissexualidade é atração romântica ou sexual por homens e mulheres. A Associação Americana de Psicologia afirma que "a orientação sexual segue um continuum. Em outras palavras, alguém não precisa ser exclusivamente homossexual ou heterossexual, mas pode sentir diferentes graus de ambos. A orientação sexual se desenvolve ao longo da vida de uma pessoa. Diferentes pessoas percebem em diferentes momentos de suas vidas que são heterossexuais, bissexuais ou homossexuais." A atração sexual, o comportamento e a identidade também podem ser incongruentes, visto que a atração ou o comportamento sexual podem não ser necessariamente consistentes com a identidade. Alguns indivíduos se identificam como heterossexuais, homossexuais ou bissexuais sem ter tido nenhuma experiência sexual. Outros tiveram experiências homossexuais, mas não se consideram gays, lésbicas ou bissexuais. Da mesma forma, indivíduos gays ou lésbicos que se auto identificaram podem ocasionalmente interagir sexualmente com membros do sexo oposto, mas não se identificam como bissexuais. Os termos queer, polissexual, heteroflexível, homoflexível, homens que fazem sexo com homens (HsH) e mulheres que fazem sexo com mulheres (MsM) também podem ser usados para descrever a identidade sexual ou identificar o comportamento sexual.

Escala de Kinsey

Em termos de estudos quanto à bissexualidade, sublinha-se em notoriedade e importância para estudos posteriores do assunto os Estudos de Kinsey, publicados em 1948 e 1953, quanto a um estudo cujas conclusões afirmavam, entre outras constatações, que grande parte da população estadunidense tinha comportamentos bissexuais de intensidade variante. Embora algo criticados, em particular quanto à seleção dos indivíduos a quem se aplicaram os inquéritos correspondentes ao estudo, estes vieram a tornar-se uma referência notória no que toca a estudos da sexualidade, e apresentaram pela primeira vez a noção de que a bissexualidade é, possivelmente, muito mais comum do que se pensa.

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Demografia e prevalência

As estimativas científicas sobre a prevalência da bissexualidade variam de 0,7% a 8%. The Janus Report on Sexual Behavior, publicado em 1993, concluiu que 5% dos homens e 3% das mulheres se consideravam bissexuais, enquanto 4% dos homens e 2% das mulheres se consideravam homossexuais. Uma pesquisa de 2002 nos Estados Unidos feita pelo National Center for Health Statistics descobriu que 1,8% dos homens com idades entre 18 e 44 anos se consideravam bissexuais, 2,3% homossexuais e 3,9% como "outra coisa". O mesmo estudo descobriu que 2,8% das mulheres entre 18 e 44 anos se consideravam bissexuais, 1,3% homossexuais e 3,8% como "outra coisa". Em 2007, um artigo na seção "Saúde" do The New York Times declarou que "1,5% das mulheres americanas e 1,7% dos homens americanos se identificam [como] bissexuais". Também em 2007, foi relatado que 14,4% das mulheres jovens norte-americanas se identificaram como "não estritamente heterossexuais", com 5,6% dos homens se identificando como gays ou bissexuais. Um estudo publicado na revista Biological Psychology, em 2011, relatou que havia homens que se identificavam como bissexuais e que ficavam excitados tanto por homens quanto por mulheres. Na primeira pesquisa governamental em grande escala que mediu a orientação sexual dos americanos, o NHIS relatou em julho de 2014 que apenas 0,7% dos americanos se identificam como bissexuais.

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Estudos, teorias e respostas sociais

Não há consenso entre os cientistas sobre os motivos exatos pelos quais um indivíduo desenvolve uma orientação heterossexual, bissexual ou homossexual. Embora os cientistas sejam a favor de modelos biológicos para a causa da orientação sexual, eles não acreditam que o desenvolvimento da orientação sexual seja o resultado de algum fator específico. Eles geralmente acreditam que é determinado por uma interação complexa de fatores biológicos e ambientais, e é moldado desde a infância. Há consideravelmente mais evidências apoiando as causas biológicas não sociais da orientação sexual do que as sociais, especialmente para os homens. Não há evidências substantivas que sugiram que as experiências dos pais ou da primeira infância desempenham um papel no que diz respeito à orientação sexual. Os cientistas não acreditam que a orientação sexual seja uma escolha. A Associação Americana de Psiquiatria declarou: "Até o momento não há estudos científicos replicados que apóiem qualquer etiologia biológica específica para a homossexualidade. Da mesma forma, nenhuma causa psicossocial ou dinâmica familiar para a homossexualidade foi identificada, incluindo histórias de abuso sexual na infância." A pesquisa sobre como a orientação sexual pode ser determinada por fatores genéticos ou outros fatores pré-natais desempenha um papel nos debates políticos e sociais sobre a homossexualidade, e também aumenta o medo sobre o perfil genético e os testes pré-natais.

Estrutura cerebral e cromossomos

O exame de LeVay (1991) na autópsia de 18 homens homossexuais, 1 homem bissexual, 16 homens presumivelmente heterossexuais e 6 mulheres presumivelmente heterossexuais descobriu que o núcleo INAH 3 do hipotálamo anterior de homens homossexuais era menor do que o de homens heterossexuais e mais próximo em tamanho de mulheres heterossexuais. Embora agrupado com homossexuais, o tamanho INAH 3 de um sujeito bissexual era semelhante ao dos homens heterossexuais. Algumas evidências sustentam o conceito de precursores biológicos da orientação bissexual em homens genéticos. De acordo com John Money (1988), os homens genéticos com um cromossomo Y extra têm maior probabilidade de ser bissexuais, parafílicos e impulsivos.

Teoria evolucionária

Alguns psicólogos evolucionistas argumentam que a atração pelo mesmo sexo não tem valor adaptativo porque não tem associação com o sucesso reprodutivo potencial. Em vez disso, a bissexualidade pode ser devida à variação normal da plasticidade cerebral. Mais recentemente, tem sido sugerido que as alianças entre pessoas do mesmo sexo podem ter ajudado os homens a subir na hierarquia social, dando acesso às mulheres e oportunidades reprodutivas. Aliados do mesmo sexo poderiam ter ajudado as fêmeas a se mudarem para o centro do grupo mais seguro e rico em recursos, o que aumentou suas chances de criar seus descendentes com sucesso. Brendan Zietsch, do Instituto de Pesquisa Médica de Queensland, propõe a teoria alternativa de que os homens que exibem traços femininos se tornam mais atraentes para as mulheres e, portanto, são mais propensos a acasalar, desde que os genes envolvidos não os levem à completa rejeição da heterossexualidade.

Masculinização

A masculinização da mulher e a hipermasculinização do homem tem sido um tema central nas pesquisas sobre orientação sexual. Existem vários estudos que sugerem que os bissexuais têm um alto grau de masculinização. LaTorre e Wendenberg (1983) encontraram diferentes características de personalidade para mulheres bissexuais, heterossexuais e homossexuais. Foi encontrado que bissexuais têm menos inseguranças pessoais do que heterossexuais e homossexuais. Essa descoberta definiu os bissexuais como autoconfiantes e menos propensos a sofrer de instabilidades mentais. A confiança de uma identidade segura consistentemente se traduziu em mais masculinidade do que outros sujeitos. Este estudo não explorou normas sociais, preconceitos ou a feminização de homens homossexuais.

Hormônios pré-natais

A teoria hormonal pré-natal da orientação sexual sugere que as pessoas expostas a níveis excessivos de hormônios sexuais têm cérebros masculinizados e mostram aumento da homossexualidade ou bissexualidade. Estudos que fornecem evidências para a masculinização do cérebro, no entanto, não foram realizados até o momento. Pesquisas sobre condições especiais, como hiperplasia adrenal congênita (HAC) e exposição ao dietilestilbestrol (DES) indicam que a exposição pré-natal a, respectivamente, excesso de testosterona e estrogênios está associada a fantasias sexuais femininas em adultos. Ambos os efeitos estão associados à bissexualidade e não à homossexualidade.

Desejo sexual

Van Wyk e Geist resumiram vários estudos comparando bissexuais com heterossexuais ou homossexuais que indicaram que os bissexuais têm maiores taxas de atividade sexual, fantasia ou interesse erótico. Esses estudos descobriram que homens e mulheres bissexuais tinham mais fantasias heterossexuais do que heterossexuais ou homossexuais; que os homens bissexuais tinham mais atividades sexuais com mulheres do que os homens heterossexuais, e que se masturbavam mais, porém tinham menos casamentos felizes do que os heterossexuais; que as mulheres bissexuais tinham mais orgasmos por semana e os descreveram como mais fortes do que os das mulheres heterossexuais ou homossexuais; e que as mulheres bissexuais tornaram-se heterossexuais ativas mais cedo, masturbaram-se e desfrutaram mais da masturbação, e foram mais experientes em diferentes tipos de contato heterossexual.

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Comunidade

Impactos sociais

A comunidade bissexual (também conhecida como comunidade bissexual/pansexual, bi/pan/fluida, ou não monossexual) inclui membros da comunidade LGBT que se identificam como bissexuais, pansexuais ou fluidos. Porque algumas pessoas bissexuais não acham que se encaixam no mundo gay ou heterossexual, e porque têm uma tendência a serem "invisíveis" em público, algumas pessoas bissexuais se comprometem a formar suas próprias comunidades, cultura e movimentos políticos. Alguns que se identificam como bissexuais podem se fundir na sociedade homossexual ou heterossexual. Outras pessoas bissexuais veem essa fusão mais como forçada do que voluntária; pessoas bissexuais podem enfrentar a exclusão da sociedade homossexual e heterossexual ao se assumirem. A psicóloga Beth Firestein afirma que bissexuais tendem a internalizar tensões sociais relacionadas à escolha de seus parceiros e se sentir pressionado a se rotular como homossexual em vez de ocupar o difícil meio-termo, onde a atração por pessoas de ambos os sexos desafiaria o valor da monogamia pela sociedade. Essas tensões e pressões sociais podem afetar a saúde mental dos bissexuais, e métodos de terapia específicos foram desenvolvidos para bissexuais para lidar com essa preocupação.

Percepções e discriminação

Como pessoas de outras sexualidades LGBT, os bissexuais frequentemente enfrentam discriminação. Além da discriminação associada à homofobia, os bissexuais frequentemente lutam contra a discriminação de gays, lésbicas e da sociedade heterossexual em torno da própria palavra bissexual e identidade bissexual. A crença de que todos são bissexuais (especialmente as mulheres, em oposição aos homens), ou que a bissexualidade não existe como uma identidade única, é comum. Isso se origina de duas visões: Na visão heterossexista, presume-se que as pessoas se sentem sexualmente atraídas pelo sexo oposto e, às vezes, é argumentado que uma pessoa bissexual é simplesmente uma pessoa heterossexual que está experimentando sexualmente. Na visão monosexista, acredita-se que as pessoas não podem ser bissexuais a menos que sejam igualmente atraídas sexualmente por ambos os sexos, regulando a orientação sexual em relação ao sexo ou gênero que preferem. Nesta visão, as pessoas são exclusivamente homossexuais (gays/lésbicas) ou exclusivamente heterossexuais, pessoas homossexuais enrustidas que desejam parecer heterossexuais, ou heterossexuais que estão experimentando sua sexualidade. Afirmações de que não se pode ser bissexual a menos que seja igualmente atraído sexualmente por ambos os sexos, no entanto, são contestadas por vários pesquisadores, que relataram que a bissexualidade cai em um continuum, como a sexualidade em geral.

Símbolos

Um símbolo comum da comunidade bissexual é a bandeira do orgulho bissexual, que tem uma faixa magenta na parte superior para a atração pelo mesmo sexo, uma azul na parte inferior para a atração pelo sexo diferente, e uma violeta, misturada a partir do magenta e do azul, no meio, para representar a bissexualidade. Outro símbolo com o mesmo esquema de cores é um par de sobreposição de triângulos rosa e azul (o triângulo rosa é um símbolo bem conhecido para a comunidade homossexual) sendo o centro roxo na parte onde os triângulos se encontram. Muitos indivíduos homossexuais e bissexuais têm um problema com o uso do símbolo do triângulo rosa, uma vez que era o símbolo que o regime de Hitler utilizava para marcar e perseguir os homossexuais (semelhante à Estrela de Davi amarela, constituída de dois triângulos sobrepostos). Portanto, o símbolo da lua dupla foi concebido especificamente para evitar o uso dos triângulos. O símbolo da lua dupla é comum na Alemanha e nos países vizinhos. Outro símbolo usado para a bissexualidade é um diamante roxo, conceitualmente, derivado do cruzamento de um dois triângulos, rosa e azul (respectivamente), colocados sobrepostos um ao outro.

No BDSM

No artigo original de Steve Lenius de 2001, ele explorou a aceitação da bissexualidade em uma comunidade de BDSM supostamente pansexual. O raciocínio por trás disso é que o "assumir-se" tornou-se principalmente território de gays e lésbicas, com os bissexuais sendo pressionados para ser um ou outro (e estar certos apenas na metade das vezes). O que ele descobriu em 2001, foi que as pessoas em BDSM estavam abertas à discussão sobre o tópico da bissexualidade e pansexualidade e todas as controvérsias que eles trazem à mesa, mas preconceitos pessoais e questões estavam no caminho de usar ativamente tais rótulos. Uma década depois, Lenius (2011) olhou para trás em seu estudo e considerou se algo mudou. Ele concluiu que a posição dos bissexuais no BDSM e na comunidade kink permanecia inalterada e acreditava que as mudanças positivas de atitude eram moderadas pelas visões da sociedade em relação às diferentes sexualidades e orientações.

No feminismo

As posições feministas sobre a bissexualidade variam muito, desde a aceitação da bissexualidade como uma questão feminista até a rejeição da bissexualidade como reação reacionária e antifeminista ao feminismo lésbico. Um exemplo amplamente estudado de conflito lésbico-bissexual no feminismo foi a Marcha do Orgulho de Northampton durante os anos entre 1989 e 1993, onde muitas feministas envolvidas debateram se bissexuais deveriam ser incluídos e se a bissexualidade era ou não compatível com o feminismo. As críticas lésbicas-feministas comuns dirigidas à bissexualidade eram que a bissexualidade era antifeminista, que a bissexualidade era uma forma de falsa consciência e que as mulheres bissexuais que buscam relacionamentos com homens eram "iludidas e desesperadas". As tensões entre feministas bissexuais e feministas lésbicas diminuíram desde a década de 1990, à medida que as mulheres bissexuais se tornaram mais aceitas na comunidade feminista, mas algumas feministas lésbicas, como Julie Bindel, ainda são críticas à bissexualidade. Bindel descreveu a bissexualidade feminina como uma "tendência da moda" promovida devido ao "hedonismo sexual" e levantou a questão de saber se a bissexualidade existe. Ela também fez comparações tongue-in-cheek de bissexuais com criadores de gatos e adoradores do diabo. Sheila Jeffreys escreve no The Lesbian Heresy que embora muitas feministas se sintam confortáveis trabalhando ao lado de homens gays, elas se sentem desconfortáveis em interagir com homens bissexuais. Jeffreys afirma que, embora seja improvável que os homens gays assediem sexualmente as mulheres, os homens bissexuais têm tanta probabilidade de incomodar as mulheres quanto os heterossexuais.

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História

Gregos e romanos antigos não associavam relações sexuais a rótulos bem definidos, como a sociedade ocidental moderna faz. Homens que tinham amantes do sexo masculino não eram identificados como homossexuais e podem ter tido esposas ou outras amantes do sexo feminino. Os textos religiosos gregos antigos, refletindo práticas culturais, incorporavam temas bissexuais. Os subtextos variaram, do místico ao didático. Os espartanos pensavam que o amor e as relações eróticas entre soldados experientes e novatos solidificariam a lealdade do combate e a coesão da unidade, além encorajarar táticas heroicas à medida que os homens disputavam para impressionar seus amantes. Quando os soldados mais jovens atingiram a maturidade, o relacionamento deveria se tornar não sexual, mas não está claro o quão rigorosamente isso era seguido. Havia algum estigma associado aos rapazes que continuavam seus relacionamentos com seus mentores até a idade adulta. Por exemplo, Aristófanes os chama de euryprôktoi, que significa "jumentos largos", e os descreve como mulheres.

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Mídia

A bissexualidade tende a ser associada a retratos negativos na mídia; às vezes são feitas referências a estereótipos ou transtornos mentais. Em um artigo sobre o filme Brokeback Mountain de 2005, a educadora sexual Amy Andre argumentou que, nos filmes, os bissexuais costumam ser retratados de forma negativa: Gosto de filmes em que bissexuais se assumem juntos e se apaixonam, porque tendem a ser tão poucos e distantes entre si; o exemplo mais recente seria a adorável comédia romântica de 2002, Beijando Jessica Stein. A maioria dos filmes com personagens bissexuais pintam um quadro estereotipado... O interesse amoroso bissexual costuma ser enganoso (Mulholland Drive), exagerado (Criei um Monstro), infiel (High Art) e inconstante (Three of Hearts) e pode até ser um serial killer, como Sharon Stone em Instinto Selvagem. Em outras palavras, o bissexual é sempre a causa do conflito no filme. Usando uma análise de conteúdo de mais de 170 artigos escritos entre 2001 e 2006, o sociólogo Richard N. Pitt, Jr. concluiu que a mídia patologizou o comportamento dos homens bissexuais negros enquanto ignorava ou simpatizava com as ações semelhantes dos homens bissexuais brancos. Ele argumentou que o homem negro bissexual é frequentemente descrito como um homem heterossexual dúbio que espalha o vírus HIV/AIDS. Alternativamente, o homem bissexual branco é frequentemente descrito em linguagem compassiva como um homem homossexual vitimado forçado a se esconder pela sociedade heterossexista ao seu redor.

Filmes

Em 1914, a primeira aparição documentada de personagens bissexuais (femininos e masculinos) em um filme americano ocorreu em "A Florida Enchantment", de Sidney Drew. No entanto, sob a censura exigida pelo Código Hays, a palavra bissexual não podia ser mencionada e quase nenhum personagem bissexual apareceu no cinema americano de 1934 a 1968. Representações notáveis e variadas da bissexualidade podem ser encontrados em filmes convencionais, como Cisne Negro (2010), Frida (2002), Showgirls (1995), The Pillow Book (1996), Alexandre (2004), The Rocky Horror Picture Show (1975), Henry e June - Delírios Eróticos (1990), Procura-Se Amy (1997), Velvet Goldmine (1998), Beijando Jessica Stein (2001), O Quarto Homem (1993), Instinto Selvagem (1992), Mulholland Drive (2001), Sunday Bloody Sunday (1971), Diabólicos Sedutores (1970), Regras da Atração (2002), O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Me Chame Pelo Seu Nome (2017).

Música

O cantor David Bowie se declarou bissexual em uma entrevista ao Melody Maker em janeiro de 1972, um movimento que coincidiu com as primeiras fotos em sua campanha pelo estrelato como Ziggy Stardust. Em uma entrevista de setembro de 1976 para a Playboy, Bowie disse: "É verdade - sou bissexual. Mas não posso negar que usei esse fato muito bem. Suponho que seja a melhor coisa que já me aconteceu". Em uma entrevista de 1983, ele disse que foi "o maior erro que já cometi", elaborando em 2002, ele explicou "Eu não acho que foi um erro na Europa, mas foi muito mais difícil na América. Eu não tinha problemas com as pessoas saberem que eu era bissexual. Mas eu não tinha inclinação para segurar nenhuma bandeira ou ser um representante de qualquer grupo de pessoas. Eu sabia o que queria ser, que era um compositor e um intérprete [...] A América é um lugar muito puritano, e acho que atrapalhou tanto que eu queria fazer."

Televisão

Na série original da Netflix, Orange is the New Black, a personagem principal, Piper Chapman, interpretada pela atriz Taylor Schilling, é uma detenta bissexual que é mostrada tendo relacionamentos com homens e mulheres. Na primeira temporada, antes de entrar na prisão, Piper está noiva de seu noivo Larry Bloom, interpretado pelo ator Jason Biggs. Então, ao entrar na prisão, ela se reconecta com a ex-amante (e colega de prisão), Alex Vause, interpretada por Laura Prepon. Outra personagem que é retratada como bissexual na série é uma detenta chamada Lorna Morello, interpretada pela atriz Yael Stone. Ela tem um relacionamento íntimo com a colega de prisão Nicky Nichols, interpretado por Natasha Lyonne, enquanto ainda anseia por seu “noivo” masculino, Christopher MacLaren, interpretado por Stephen O'Reilly. Na série animada The Owl House, a personagem principal Luz Noceda é canonicamente bissexual. Apesar da palavra nunca ser mencionada e sua sexualidade não ser exatamente discutida no decorrer do programa, Luz mostra sinais claros de sua sexualidade em alguns momentos, como quando parece sentir atração por um personagem masculino nos primeiros episódios da série e, um pouco mais tarde, ao corar ao ser elogiada por uma personagem feminina. Além de tudo, ela tem um relacionamento amoroso com uma garota da escola em que estuda. A criadora da série, Dana Terrace, confirmou oficialmente a bissexualidade da personagem em 2020. Sasha Waybright, da animação Amphibia, também foi revelada como bissexual, no encerramento da série. Nos minutos finais do último episódio, é possível notar um símbolo com as cores da bandeira do orgulho bissexual no vidro do carro da personagem. Momentos depois do episódio terminar, Matt Braly, criador da série, confirmou sua sexualidade em uma postagem no Twitter.

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Entre outros animais

Algumas espécies de animais não humanos exibem comportamento bissexual. Exemplos de mamíferos que exibem tal comportamento incluem o bonobo (anteriormente conhecido como chimpanzé pigmeu), orca e o golfinho nariz de garrafa. Exemplos de pássaros incluem algumas espécies de gaivotas e pinguins-de-Humboldt. Outros exemplos de comportamento bissexual ocorrem entre peixes e vermes.

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Direitos bissexuais por país

Brasil

Em setembro de 2021, a Frente Brasileira Bissexual, como parte do compromisso com a organização e luta do movimento bissexual no país, publica o Manifesto Bissexual Brasileiro, que tem como objetivo guiar as pautas de discussão quanto à bissexualidade, sendo dividido em 13 temas a partir de ações: Lutamos, Existimos, Enfrentamos, Rompemos, Transgredimos, Exigimos, Persistimos, Construímos, Desestabilizamos, Descolonizamos, Agregamos, Mobilizamos e Bissexualizamos. Como comemoração do marco de 20 anos do movimento bissexual brasileiro, em setembro de 2023 ocorreu o I Encontro Nacional do Movimento Bissexual Brasileiro, que debateu políticas públicas para pessoas bissexuais no Brasil e teve a deliberação de 15 encaminhamentos tratando de educação, saúde, informação, defesas de direitos, entre outros. Como forma de promover respeito as pessoas bissexuais e caminhar na luta contra a bifobia, o Conselho Federal de Psicologia, em 17 de Maio de 2022, publicou normas que estabelecem a atuação de profissionais de psicologia em relação às bissexualidades e demais orientações não-monossexuais. Essas normas buscam reconhecer a legitimidade das bissexualidades e demais orientações não-monossexuais e orienta os profissionais a considerarem a autodeterminação de cada sujeito em relação a sua orientação sexual e identidade de gênero, além de reconhecer demais intersecções como de raça.

Portugal

Em setembro de 2024, a Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo Portugal (ILGA Portugal) organizou uma série de eventos dedicados ao Dia da Visibilidade Bissexual (23 de setembro), incluindo a exposição "Dar Visibilidade à Invisi.BI.lidade", que homenageia figuras históricas bissexuais e celebra o Manifesto Bissexual de 1990. A exposição destaca que a bissexualidade abrange todos os gêneros, não apenas o binário. Apesar dos avanços legislativos gerais em Portugal, a comunidade LGBTQIA+ enfrenta um aumento de 185% no discurso de ódio nas redes sociais e crescentes ataques a eventos e locais LGBTQIA+ por grupos extremista. A ILGA Portugal alerta para um "sério risco" de retrocesso nos direitos conquistados, especialmente com o crescimento de forças políticas conservadoras.

Cabo Verde

Em 2015, Cabo Verde tornou-se o primeiro país africano a receber a iniciativa "16 dias de ativismo contra a violência de gênero" das Nações Unidas, que incluiu especificamente a população bissexual em sua pauta. A cantora Mayra Andrade, madrinha da campanha, destacou a importância da igualdade de direitos para pessoas bissexuais e demais membros da comunidade LGBTQIA+. A ministra-adjunta e da Saúde, Cristina Fontes Lima, enfatizou a necessidade de maior consciencialização sobre a violência e discriminação contra pessoas bissexuais, entre outros grupos. Apesar dos avanços legislativos desde 2005, as famílias não-heterossexuais ainda não possuem a mesma proteção e benefícios que as heterossexuais.

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Fontes consultadas

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