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Gênero não binário

Não-binariedade ou identidade não binária é um termo guarda-chuva para identidades de gênero que não são estritamente masculinas ou femininas, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade. Academicamente, a não-binariedade costuma ser associada à inconformidade de gênero.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Algumas identidades

Pessoas não binárias podem classificar a sua identidade de gênero de várias maneiras, entre as quais:

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Diferenças entre conceitos

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

A identidade de gênero não binária não tem qualquer correlação com alguém ser, ou não, intersexo. O sexo biológico refere-se às características sexuais, primárias ou secundárias, sendo tipicamente identificado à nascença por médicos com base nos genitais independentemente da identidade de gênero que o bebê possa vir a ter. O sexo é classificado como endossexo (completamente masculino ou feminino), intersexo (entre o feminino e o masculino) ou altersexo (fora dessa dicotomia). Embora existam classificações mais alternativas, que tentam se desvencilhar das terminologias tradicionais, para não generizar o sexo entre "masculino" ou "feminino", levando em conta ductos de Müller e de Wolff, classificando pessoas em ovarianas, espermatogênicas, ovogênicas/ovulogênicas, predominantemente estrogênicas ou testosteronizadas/androgênicas, vulvarianas, testiculares, ovotesticulares (ou ambigonadais), microgaméticas e megagaméticas (ou macrogaméticas), que podem, ou não, ser intersexo.

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Terminologias

Algumas pessoas não-binárias preferem utilizar pronomes neutros ou epicenos, em inglês são conhecidos o "they/them/their" singular, os neopronomes de Spivak, ‘‘E/Em/Eir’’, ou de Elverson, "ey/em/heir", ou outros criados na comunidade trans, como "ze/hir" ou ‘‘xe/xem/xyr" equivalentes, por exemplo, a elu/e, éli/i (inspirado no neopronome élle do espanhol) e ile/e propostos neolinguisticamente, em nosso idioma, enquanto há quem prefira os pronomes pessoais convencionais "ela" ou "ele", vistos que podem ser usados com uma concordância léxica mais simples. Muitos simpatizantes costumam usar terminações em "@" ou "x" (como el@s ou elxs), mas elas podem atrapalhar leitores de tela e outros tipos de software de acessibilidade. Há ainda pessoas não-binárias que preferem que sejam referidas por pronomes alternados, variando por exemplo entre "ele" e "ela" (chamados de rolling pronouns, ou ‘‘pronomes rotativos’’), outras preferem não usar nenhum pronome.

Identidades

O mito do andrógino, como uma classificação, vem de Platão através de o Simpósio, como uma categorização e, numa literal tradução, visando uma neolinguagem não sexista de gênero neutro ou epiceno: "macho", "fêmea" e "andrógine". O que ele referenciou nessas três categorias poderiam ser tanto sexualidades, orientações sexuais, identidades de gênero, sexo biológico (ou aspectos de sexo) e expressão de gênero na Era Contemporânea, pois não havia diferenciação dessas identidades, naqueles tempos. "Ginandromorfe" foi usado como um termo de gênero na década de 70. Deve-se notar que o ginandromorfismo não é observado na biologia como algo humano, mas sim animal. Porém a ginandromorfia pode ser obtida através da altersexualidade, numa espécie de transumanismo. Semelhante a androgynos, termo usado no judaísmo para se referir a variações corporais intersexo.

Orientação sexual e afetiva

Indivíduos não binários, assim como qualquer outra pessoa, podem ter qualquer orientação sexual, romântica ou platônica. A determinação das orientações varia de pessoa para pessoa. Muitos não querem usar neo ou microrrótulos, como onissexual e ceterossexual, outros preferem algo mais amplo e padrão, como multissexual e ambifilia. Além das alossexualidades, pessoas não binárias podem vivenciar a assexualidade e até mesmo a arromanticidade. Um indivíduo não binário, assim como um binário, pode ser monossexual (atraído por apenas um gênero), sendo sua classificação divida entre ginessexual e androssexual, em vez de homossexual ou heterossexual. Contudo, sabendo que não-binariedade não é um gênero monólito, mas sim um termo guarda-chuva, há gays e lésbicas que se descrevem como não-binários, pois a desconexão para com os gêneros binários não deve ser necessariamente integral. Embora haja ativistas que argumentem que isso é uma rebinarização identitária, há também contra-argumentos afirmando uma própria desbinarização das homossexualidades e flexibilização de sua naturalidade. Também há quem use o termo sáfico como mais inclusivo que lésbica, ou víncico/vinciano, mais inclusivo que homem gay.

Terceiro gênero

Terceiro gênero ou sexo, um termo usado por sociólogos e antropólogos, refere-se à variância de gênero ou de sexualidade dentro de uma cultura ou, pelo menos, conota as denominações categóricas ou classificações para com as inconformidades afetivas ou identitárias dentro de uma sociedade. Muitas vezes, há um quarto, quinto e até mais gêneros, além dos terceiros. Embora nem todas as culturas ou sociedades reconheçam tais espécimes de gêneros, algumas pessoas com as identidades abarcadas pelo termo sociológico e antropológico não consentem com o uso da terminologia para descrever suas vivências, pois acaba reduzindo, alheando (othering) ou estranhando as identificações intrapessoais de algumas pessoas numa tricotomia.

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História

A palavra genderqueer tem origem nos anos 1990, embora já havia referências pelo movimento queercore e as queer zines desde os anos 1980 e 1970, e começou por ser chamada pelo sintagma "Gender Queer", antes que se tornasse uma única palavra. O significado original era literalmente "queer gender", traduzido para português como "género estranho". Explicações apontam que genderqueer é usado como termo guarda-chuva para pessoas não cisgêneras, e inconforme de gênero sendo ainda mais abrangente que não binário. O uso mais antigo da palavra é atribuído a Riki Anne Wilchins, ativista dos direitos LGBT+, que utilizou o conceito na primavera de 1995 na newsletter In Your Face. O termo se popularizou ainda mais após o documentário Gender Rebel, exibido pela Multishow em 2007. Genderqueer foi uma das 56 opções de identidade de gênero adicionadas ao Facebook em fevereiro de 2014. Em agosto de 1999, Monica Helms cria a bandeira do orgulho transgênero, nela ela inclui pessoas de gênero neutro ou indefinido, através da listra branca, representando também intersexuais e aqueles que estão transicionando.

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Bandeiras

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

Criada por Marilyn Roxie em 2011, a bandeira de orgulho gênero-queer consiste em três listras horizontais e foi criada para complementar as atuais bandeiras de identidade de gênero e orientação sexual. A listra roxa, mistura de azul e rosa (cores tradicionalmente associadas com homens e mulheres, respectivamente), representa a androginia e "queerness". O branco simboliza agênero, refletindo o uso de branco na bandeira trans para a identidade de gênero neutra, e o verde representa todos cuja identidade está fora do gênero binário. Em 2013, Roxie clarificou que a semelhança entre as cores desta bandeira e a da Women's Social and Political Union, uma organização de sufrágio baseada no Reino Unido, não era intencional. Em 2014, Kye Rowan criou a bandeira do orgulho não binário, com quatro listras nas cores amarelo, branco, roxo e preto-cinza. O amarelo representando gêneros totalmente fora da binariedade, branco, como cor fotológica, pessoas com vários ou todos os gêneros, roxo a multiplicidade e flexibilidade de gêneros, preto indivíduos com nenhum de gênero.

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Discriminação e estado legal

Imagem: Editorial J · BY-ND · Openverse

Brasil

No passaporte brasileiro, há a identificação de sexo em três categorias: "M", "F" e "X". Para conseguir emitir um passaporte com o sexo "X", é preciso selecionar a opção "não especificado" ao solicitar novo passaporte no site da Divisão do Passaporte da Polícia Federal. A lei reconhece a identidade de gênero, sendo possível retificar os registros, como a certidão de nascimento, alterando nome e sexo, sem a precisar de laudos médicos ou procedimentos cirúrgicos, porém as categorias, a nível nacional, continuam sendo "masculino" e "feminino", havendo propostas legislativas para o reconhecimento do gênero neutro. Em 2020, algumas pessoas, isoladamente, conseguiram ter uma opção degenerizada de sexo na certidão de nascimento. Em 2021, outras pessoas conseguem o reconhecimento registral de uma terceira opção de gênero, em certidões de nascimento por decisão da justiça. Um estudo publicado em 2021 pela Nature inferiu que 1,19% da população brasileira adulta é não binária.

Outros países

Nas certidões de nascimento e noutros registros legais, alemães têm a opção "diverso" (em alemão: divers) como categoria de gênero, após a corte decidir que as designações binárias são discriminatórias e violam as garantias de liberdade individual. Desde 2003 os cidadãos australianos podem escolher "X" como opção para marcar o seu gênero no passaporte. Em 2014, uma terceira categoria "não especificada" foi denominada pela Suprema Corte. Na Áustria, desde 2018, as pessoas intersexo têm o direito de se registrarem civilmente como pessoas não-binárias. Decisão baseada na Convenção Europeia de Direitos Humanos pelo Tribunal Constitucional da Áustria.

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Fontes consultadas

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