Osama bin Laden
Osama bin Muhammad bin 'Awad bin Laden foi o fundador e primeiro líder da al-Qaeda, atuando de 1988 até sua morte em 2011. Como jihadista salafista, ele buscava estabelecer um califado pan-islâmico, utilizando a al-Qaeda para organizar e financiar militantes e terroristas globalmente. Os ataques da al-Qaeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 resultaram diretamente na morte de 2.977 pessoas e desencadearam a Guerra ao Terror em escala mundial.
Pontos-chave
- Osama bin Laden fundou e liderou a al-Qaeda, buscando estabelecer um califado pan-islâmico.
- Os ataques de 11 de setembro de 2001, organizados pela al-Qaeda, causaram quase 3.000 mortes e iniciaram a Guerra ao Terror.
- Bin Laden nasceu na Arábia Saudita em 1957, vindo de uma família rica e influente.
- Ele possuía visões religiosas e políticas extremistas, opondo-se a práticas ocidentais e buscando impor a lei islâmica.
- Após uma longa caçada, Bin Laden foi morto em uma operação militar dos EUA no Paquistão em 2011.
O nome de Bin Laden é mais comumente grafado como Osama bin Laden, mas variações como Usama e bin Ladin existem. O nome 'Osama' significa 'leão', e 'bin' significa 'filho de'. Seu nome completo é Osama bin Muhammad bin 'Awad bin Laden. Na cultura árabe, ele seria chamado por seu primeiro nome ou nome completo, pois 'bin Laden' é um patronímico, não um sobrenome ocidental. No Ocidente, é comum referir-se a ele apenas como 'Bin Laden'.
Nascido em Riade, Arábia Saudita, em 10 de março de 1957, Osama bin Laden era o 17º de cerca de 52 filhos de seu pai, Muhammad bin Ladin. Sua mãe, Alia Ghanem (mais tarde Hamida al-Attas), era a décima esposa de Muhammad. A família bin Laden enriqueceu enormemente com o Saudi Binladin Group, uma construtora que mantinha laços estreitos com a família real saudita, chegando a ter o monopólio da construção de edifícios religiosos no país.
Criado no Islã sunita, Bin Laden seguia a escola teológica Athari, interpretando o Alcorão literalmente. Ele se opunha a jogos de azar, homossexualidade, drogas, masturbação, música, sexo pré-marital e usura. Curiosamente, em uma carta divulgada postumamente, ele instou o público americano a trabalhar com o governo de Barack Obama para combater as mudanças climáticas.
Visão do Mundo Islâmico e Governo
Fontes ocidentais o consideram um extremista islâmico. O extremismo islamista defende que o Islã deve reger a vida social e política, o que contrasta com princípios seculares como soberania popular e separação entre Estado e religião. Bin Laden, influenciado por pensadores islamistas como Abdullah Yusuf Azzam e Sayyid Qutb, rejeitava a secularização observada em grande parte do mundo islâmico no século XX.
Motivações para Ataques aos EUA
Bin Laden assumiu a responsabilidade pelos ataques de 11 de setembro em 2004, mas já havia expressado suas motivações anteriormente. Em fatwas de 1996 e 1998, declarou guerra aos EUA, citando o estacionamento de tropas americanas na Arábia Saudita e as políticas dos EUA no Oriente Médio que, segundo ele, causavam mortes e opressão a muçulmanos, especialmente o apoio a Israel. Ele acreditava que uma jihad violenta era necessária para reverter essas ações.
Antissemitismo
Bin Laden era profundamente antissemita, atribuindo eventos negativos globais às ações dos judeus e considerando a convivência entre judeus e muçulmanos impossível. Em sua carta de 2002, alegou que os judeus controlavam a mídia, a política e as instituições econômicas dos EUA, bem como os governos americano e britânico, citando a Operação Raposa do Deserto como prova.
Doutrina sobre Mortes de Civis Muçulmanos
Bin Laden criticou a interpretação da doutrina islâmica 'al-tatarrus' por alguns seguidores, que justificava massacres de civis muçulmanos. Em 2010, ele estabeleceu um código de conduta para evitar mortes de civis e focou em persuadir partidos políticos islâmicos a aderir ao jihadismo, em vez de combatê-los. Ele também instruiu aliados no Iêmen a negociarem e no grupo somali al-Shabaab a promoverem o desenvolvimento econômico.
Após deixar a universidade, Bin Laden foi ao Paquistão ajudar os mujahideen afegãos contra a ocupação soviética. Ele retornou à Arábia Saudita como herói, mas se envolveu em movimentos de oposição ao governo. Após o assassinato de seu mentor Abdullah Yusuf Azzam, ele assumiu o controle do MaK, incorporando-o à al-Qaeda. Bin Laden também se opôs à presença de tropas americanas na Arábia Saudita após a Guerra do Golfo, mudando-se para o Sudão e, posteriormente, estabelecendo a al-Qaeda como uma base de operações global.
Guerra Soviético-Afegã
Em 1979, Bin Laden foi ao Afeganistão para apoiar os mujahideen contra a invasão soviética. Ele descreveu sua indignação com a injustiça cometida contra o povo afegão. Sua ida ao Paquistão, após deixar a universidade, foi provavelmente com o conhecimento e apoio do governo saudita.
Suposto Envolvimento em Gilgit (1988)
Um oficial de inteligência indiano alegou que Bin Laden liderou uma tribo durante a marcha de militantes sunitas em Gilgit, Paquistão, em maio de 1988, após uma disputa local que resultou no massacre de civis xiitas.
Retorno à Arábia Saudita e Radicalização
Após a retirada soviética, Bin Laden foi celebrado como herói na Arábia Saudita. Ele trabalhou para o Saudi Binladin Group e se envolveu em movimentos de oposição. Com a morte de Abdullah Yusuf Azzam, Bin Laden assumiu o controle do MaK, incorporando-o à al-Qaeda e sendo radicalizado por Ayman al-Zawahiri.
Guerra do Golfo e Oposição aos EUA
Bin Laden se opôs à aceitação de ajuda militar americana pela Arábia Saudita durante a Guerra do Golfo (1990-1991), oferecendo seus próprios mujahideen para defender o país. Sua oferta foi recusada, e os sauditas aceitaram centenas de milhares de soldados americanos.
Mudança para o Sudão
Após ser expulso da Arábia Saudita, Bin Laden e seus seguidores mudaram-se para o Sudão, onde ele estabeleceu uma nova base de operações em Cartum, investindo em negócios e infraestrutura. Ayman al-Zawahiri também se juntou a ele no Sudão, e a JIE e a al-Qaeda colaboraram.
Primeiros Ataques da al-Qaeda
Em 1990, o FBI descobriu planos terroristas da al-Qaeda em Nova Jersey. Os primeiros atentados bem-sucedidos ocorreram em 29 de dezembro de 1992, com bombas explodindo em hotéis em Áden, Iêmen, matando dois civis. Soldados americanos estavam hospedados nesses hotéis a caminho da Somália.
Em 11 de setembro de 2001, 19 membros da al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, um contra o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia após resistência dos passageiros. As Torres Gêmeas desabaram, destruindo o World Trade Center. Os 19 sequestradores e pelo menos 2.977 vítimas morreram diretamente nos ataques, com cerca de 25.000 feridos.
Consequências Imediatas e de Longo Prazo
O local do World Trade Center destruído ficou conhecido como 'Marco Zero'. Muitas pessoas desenvolveram problemas de saúde devido à exposição à poeira, e mais de seis mil morreram de doenças relacionadas até 2026. O FBI considerou a investigação do 11 de Setembro a maior de sua história. O Congresso aprovou o USA PATRIOT Act, ampliando poderes de vigilância. Foram criados o Departamento de Segurança Interna, o Serviço de Imigração e Alfândega e a TSA, que assumiu a segurança aeroportuária. A colaboração internacional em contraterrorismo aumentou.
Planejamento Detalhado
Em 1996, Khalid Sheikh Mohammed apresentou a Bin Laden uma versão modificada do Plano Bojinka: sequestrar dez aviões comerciais e lançar nove contra monumentos. Bin Laden rejeitou o plano por sua complexidade, mas autorizou uma versão reduzida. Ayman al-Zawahiri convenceu Bin Laden a prosseguir e construiu a 'organização sistemática' para a execução.
Confirmação da Responsabilidade
No dia dos ataques, serviços de inteligência interceptaram comunicações que indicavam a responsabilidade de Bin Laden. Em novembro de 2001, uma fita de vídeo encontrada no Afeganistão mostrou Bin Laden discutindo os ataques, calculando o número de baixas inimigas com base na posição das torres e afirmando que o colapso completo das Torres Gêmeas superou suas expectativas.
Em resposta ao 11 de Setembro, os EUA lançaram a 'Guerra ao Terror' e uma caçada global a Bin Laden. A Al-Qaeda, sob a liderança estratégica de Ayman al-Zawahiri, continuou operando e expandindo suas afiliadas. Após anos de busca, Bin Laden foi localizado e morto em 2 de maio de 2011, em Abbottabad, Paquistão, durante a Operação Lança de Netuno, uma incursão de forças especiais dos EUA.
Guerra do Afeganistão e Busca por Bin Laden
Os EUA iniciaram a 'Guerra ao Terror' após o 11 de Setembro. A Al-Qaeda, liderada por Ayman al-Zawahiri, expandiu suas operações globais. O FBI colocou Bin Laden no topo de sua lista de terroristas mais procurados, oferecendo uma recompensa de US$ 25 milhões por informações que levassem à sua captura.
Operações da al-Qaeda Pós-11 de Setembro
Após o 11 de Setembro, Ayman al-Zawahiri tornou-se o porta-voz da al-Qaeda e criou afiliadas em vários países. A inteligência americana o considerava o comandante estratégico, enquanto Bin Laden era visto como figura ideológica. Os EUA também operaram prisões secretas onde métodos de tortura foram empregados contra prisioneiros suspeitos de terrorismo.
Continuação da Perseguição
Em 2006, a Unidade de Investigação sobre Bin Laden da CIA foi encerrada. Uma carta encontrada no Iraque indicou que Bin Laden e outros líderes da al-Qaeda estavam no Waziristão, Paquistão. Em 2007, forças americanas e afegãs invadiram Tora Bora em busca de Bin Laden e al-Zawahiri, mas não os encontraram.
Osama bin Laden era descrito como alto, magro e frugal. Ele praticava tiro recreativo, gostava de piqueniques no deserto e era obcecado por cavalos negros e pelo clube de futebol inglês Arsenal. Bin Laden escreveu poesia jihadista. Ele se casou cinco vezes e teve onze filhos com sua primeira esposa, Najwa Ghanem, com quem se separou pouco antes do 11 de Setembro.
Consequências
Depois da notícia da morte de bin Laden, ocorreram grandes comemorações em frente à Casa Branca e em Nova Iorque. O Washington Post descreveu como "contida" a reação do mundo árabe. Na América Latina, as opiniões dos dirigentes políticos sobre sua morte variaram. Entre os apoiadores estava o então presidente esquerdista do Peru, Alan García, que chamou o acontecimento de "primeiro milagre realizado pelo [falecido papa] João Paulo II" depois de sua beatificação na semana anterior; outros condenaram os Estados Unidos por violar a soberania paquistanesa para realizar a incursão. Na Índia, a revelação de possíveis vínculos entre bin Laden e o governo paquistanês provocou "júbilo", pois muitos habitantes consideraram que ela demonstrava a superioridade moral da Índia sobre o Paquistão, seu adversário histórico.
No Ocidente, Bin Laden é visto como um terrorista e assassino em massa, comparado a figuras como Adolf Hitler ou Josef Stalin. Sua popularidade entre os muçulmanos atingiu o pico durante a Guerra do Iraque, com pesquisas indicando visões favoráveis em alguns países. No entanto, antes de sua morte, ele havia se tornado 'desacreditado' entre seus apoiadores árabes. Imran Khan, em 2020, condenou sua morte e o elogiou como 'mártir'.
No Ocidente, bin Laden é considerado predominantemente um terrorista e assassino em massa. Seu obituário no New York Times afirmou que, em geral, os norte-americanos o viam como o principal símbolo do terrorismo mundial e como figura equivalente a Adolf Hitler ou Josef Stalin. Sua popularidade entre os muçulmanos atingiu o auge durante a Guerra do Iraque; pesquisas de opinião indicavam que cerca de cinquenta a sessenta por cento das pessoas em determinados países muçulmanos tinham uma visão favorável dele. O New York Times resumiu assim uma pesquisa de 2004 sobre as opiniões dos sauditas a respeito de bin Laden: "sim à retórica de bin Laden, não à violência da al-Qaeda". Quando bin Laden morreu, o Pew Research Center constatou, com base em pesquisas, que ele havia se tornado "desacreditado" entre seus apoiadores árabes nos anos anteriores. Em 2020, Imran Khan condenou a morte de bin Laden, classificando-a como "um momento constrangedor" da história do Paquistão, e elogiou-o como "mártir".


