Bilbau
Bilbau é um município e cidade da comunidade autónoma do País Basco, Espanha, capital da província e território histórico da Biscaia. O município tem 41,3 km² de área e em 2021 tinha 346 405 habitantes. A conurbação onde se insere, a área metropolitana de Bilbau, que se estende ao longo da ria de Bilbau e do rio Nervión, tinha 910 298 habitantes em 2009, ou seja, pouco menos que 80% de toda a população da Biscaia e quase metade do País Basco espanhol.
O nome oficial da cidade é Bilbao, tanto em castelhano como em euskera (basco), não obstante a recomendação da Real Academia da Língua Basca para que o topónimo oficial em basco fosse Bilbo. Há várias versões para a origem do nome da cidade. Para alguns historiadores, ele resulta do costume basco denominar os lugares segundo a sua localização, pelo que Bilbao resultaria da união das palavras bascas "rio" e "enseada": Bil-Ibaia-Bao.. Para outros, a origem é o termo bello vado (vado é o lugar de um rio com fundo firme, plano e pouco profundo, que pode ser atravessado a pé ou com um veículo). Outra hipótese é o nome derivar das povoações que existiam em ambas as margens da ria, mais do que da ria em si — a primeira povoação, situada onde é atualmente o "Casco Velho", a parte mais antiga da cidade, chamar-se-ia Billa (pilha em basco), uma referência à sua forma de pilha ou montão; a segunda povoação localizava-se onde é hoje o bairro de Bilbao La Vieja (Bilbo Zaharra) e chamava-se Vaho (vapor ou inalação). O nome Bilbao seria então o resultado da união dos dois nomes, que antigamente também se escreveu Bilvao e Biluao.
Antecedentes
Nos montes Avril e Archanda foram descobertos restos de enterros funerários com cerca de 6 000 anos. No cimo do monte Malmasín foram encontrados restos de um antigo assentamento que datam do século III ou II a.C. Alguns autores identificam Bilbau como Amanun Portus, citado por Plínio ou como Flaviobriga, mencionada por Ptolomeu. Existem ainda ruínas de muralhas, descobertas por baixo da igreja de San Antón, que datam do século XI ou XII d.C.
Idade Média
Bilbau foi uma das primeiras vilas biscainhas que nasceram do grande impulso ocorrido no século XIV, durante o qual foram fundadas 70% das vilas da Biscaia, entre elas Portugalete (1323), Ondárroa (1327), Lequeitio (1335), Munguía e Larrabezúa (1376). D. Diego López V de Haro, Senhor da Biscaia, fundou a vila de Bilbau mediante uma carta fundacional (Carta Puebla) assinada em Valladolid a 14 de junho de 1300 e confirmada pelo rei Fernando IV de Castela em 4 de janeiro de 1301 em Burgos. O Senhor da Biscaia estabeleceu a nova vila na margem direita do rio Nervión, em terrenos da anteiglesia (em basco: elizate) de Begoña e outorgou-lhe o foral de Logroño, um conjunto de direitos e privilégios que posteriormente seriam fundamentais para o desenvolvimento da localidade.
Idade Moderna
A 21 de junho de 1511, a rainha Joana de Castela aprovou as ordenanças para a constituição do " Consulado de Bilbau, Casa de Contratação e Julgamento dos homens de negócios de mar e terra". Esta será a instituição mais influente da vila durante vários séculos e exercerá a jurisdição sobre a ria, bem como sobre as obras de manutenção e melhoramento, além de muitos outros aspetos relativos ao comércio. Graças ao Consulado, o porto de Bilbau tornou-se um dos principais de Espanha. Esse progresso trouxe consigo a primeira imprensa à vila, em 1577. Foi em Bilbau que, em 1596, foi impresso o primeiro livro em basco, intitulado "Doutrina Cristã em Romance e Basco pelo Doutor Betolaza".
Idade Contemporânea
No início da Guerra da Independência, (Guerra Peninsular; 1808 e 1813), os franceses, que entraram em Espanha pretensamente como aliados do governo espanhol, ocuparam astutamente diversas localidades bascas, mas não Bilbau, onde a população se tornou um foco de resistência. Apesar disso, só a 6 de agosto de 1808 estalou uma sublevação aberta contra Napoleão Bonaparte, menos de um mês depois da Batalha de Bailén. No dia 16 os franceses comandados pelo general Merlin tomaram Bilbau depois de duros combates e saquearam a vila, juntamente com os municípios vizinhos de Deusto e Begoña. A cidade mudou várias vezes de mãos durante 1808, mas a partir de novembro permaneceu ocupada por uma numerosa guarnição comandada pelo general Jean-Jacques Avril. Poucos meses depois este caiu em desgraça perante Napoleão devido a falsas acusações e foi substituído pelo coronel Bord, um oficial eficiente e pouco sanguinário. A partir de fevereiro de 1810, Bord ficou às ordens do general Pierre Thouvenot, barão do Império, que de governador de Guipúscoa ascendeu a governador-geral toda a "Vizcaya" (as três províncias bascas) com a intenção de preparar a anexação total pela França.
O município situa-se no extremo setentrional da Península Ibérica, a cerca de 14 km do Golfo da Biscaia, estendendo-se por uma área de 40,65 km². Cerca de 70% dessa área tem uma altitude média de 19 metros, variando a altitude entre os 6 e os 32 metros. O município é o núcleo central da comarca de Grande Bilbau.
Orografia
Bilbau encontra-se na chamada "ombreira basca" (umbral vasco; Montes Bascos), que marca a transição entre os Pirenéus e a Cordilheira Cantábrica. Na composição dos solos predominam os materiais do Mesozoico — calcários, arenitos e margas — sedimentados sobre uma base do Paleozoico. No relevo da província destacam-se as dobras com orientação noroeste-sudeste e oeste-noroeste-este-sudeste. A dobra principal, que constitui o eixo de toda a província, é o anticlinal de Bilbau, que se estende entre os municípios de Elorrio até Galdames. Já dentro do município de Bilbau, encontram-se as dobras secundárias, uma a sul, onde se destacam os montes Cobetas, Restalecu, Pagasarri e Arraiz, e outro a noroeste, formado pelos montes Archanda, Avril, Banderas, Pikota, San Bernabé e Cabras. O ponto de maior altitude do município é o monte Ganeta, com 689 m, seguido pelo Pagasarri, com 673 m, ambos no limite com o município de Alonsótegui.
Hidrografia
O principal sistema fluvial da urbe é também a artéria hidrológica da Biscaia — constituída pelos rios Nervión e Ibaizábal, que se unem na sua passagem pelo município de Basauri formando um estuário que é chamado de ria de Bilbau ou ria do Nervión, ou ainda ria do Ibaizábal. Este estuário tem 15 km de comprimento e um caudal fraco — 25 m³/s em média. O seu principal afluente é o rio Cadagua, que nasce em Valle de Mena, na província de Burgos, e tem uma bacia de 642 km², a maior parte dela situada na província vizinha. O Cadagua é também a fronteira entre os municípios de Burgos e Baracaldo. Outro curso de água com alguma importância é a ribeira (arroyo) Elguera, que até 2006, ano em que foi canalizado e soterrado nas áreas urbanas de Recalde e Abando, servia para despejo de resíduos.
Clima
A proximidade com o Mar Cantábrico faz com que o clima seja de tipo oceânico temperado, com chuvas repartidas ao longo de todo o ano, sem que se observe uma estação seca estival bem definida. As precipitações são abundantes e devido à latitude e à dinâmica atmosférica, os dias de chuva representam cerca de 45% do total anual, a que se somam 41% em que o céu está encoberto. O período mais chuvoso vai de outubro a abril, sendo novembro o mês com mais chuva. As precipitações assumem geralmente a forma de aguaceiros, sendo muito comuns os chuviscos muito finos, denominadas "sirimiri" pelos locais. Também devido à proximidade do mar, as diferenças entre as duas estações do ano mais definidas — o verão e o inverno — são suaves e as oscilações térmicas são baixas. A temperatura média máxima nos meses de verão varia entre os 25 e 26 °C, enquanto as médias mínimas no inverno se situam entre 6 e 7 °C. A queda de neve não é frequente, e só nos invernos mais rigorosos é que cobre a cidade durante mais do que um dia, restringindo-se a sua ocorrência de forma mais persistente aos montes que circundam a cidade. Em contrapartida, registam-se em média 10 dias de queda de granizo por ano.
Demografia
Em 2021 o município tinha 346 405 habitantes (densidade: 8 387,5 hab./km²). Os primeiros dados verosímeis sobre a população são posteriores a 1550. Sabe-se que em 1530 Biscaia tinha cerca de 65 000 habitantes, um número que pode ter sido minguado pelas pestes que assolaram Bilbau e outras vilas do Senhorio em 1517, 1530, 1564-68 e 1597-1601, esta última especialmente devastadora. Até ao século XIX manteve-se a tendência de situações adversas para o crescimento demográfico. A partir daí o crescimento foi exponencial até ao início da década de 1980, quando alcançou o máximo de 443 115 habitantes. Nessa altura foram desanexados os municípios de Erandio e Valle de Asúa, o que implicou uma diminuição de habitantes em termos administrativos.
A chamada villa[c] de Bilbau é a capital da província da Biscaia e por isso nela se encontram os organismos administrativos de âmbito provincial, tanto os dependentes do governo autonómico do País Basco como do estado central espanhol. Pela parte do primeiro, há uma delegação provincial de cada uma das consejerías (secretarias) do governo, coordenadas por um delegado. Por parte do governo espanhol, a subdelegação para a província da Biscaia (o antigo governo civil), dependente do delegado do governo na comunidade autónoma, está sediada em Bilbau. A Deputação Foral da Biscaia, o governo provincial, também tem sede em Bilbau.
Administração municipal
A administração política está a cargo do ayuntamiento, de gestão democrática, cujos componentes são eleitos a cada quatro anos por sufrágio universal. O eleitorado é composto por todos os residentes registados no município maiores de 18 anos e cidadãos espanhóis ou de um país membro da União Europeia. Segundo a Lei do Regime Eleitoral Geral, que determina o número de vereadores (concejales) elegíveis em função da população do município, a "Corporação Municipal" é formada por 29 vereadores. Esta é composta por um executivo e uma assembleia (pleno) com funções legislativas. O executivo é integrado pelo alcaide e pela chamada "Junta de Governo da Villa de Bilbau". Esta junta «colabora de forma colegial na função de direção política que corresponde ao alcaide e exerce as funções executivas e administrativas atribuídas por lei». O número de membros da junta não pode superar um terço dos membros da assembleia, pelo que é composta por um máximo de nove pessoas, as quais são nomeadas ou demitidas livremente pelo alcaide.
Relações internacionais
Há um número considerável de consulados em Bilbau dos países com os quais a região mantém mais relações comerciais ou que têm comunidades imigrantes importantes. A sede dos consulados estão espalhadas por diferentes municípios da Grande Bilbau. San Adrián de Besós, Espanha (com o bairro de San Adrián)
Bilbau é o principal núcleo económico do País Basco desde os tempos do Consulado, principalmente graças ao comércio de produtos castelhanos no seu porto, baseada na exploração de minas de ferro e na indústria siderúrgica, que promoveram o tráfico marítimo, a atividade portuária e a construção naval. Em 2010, o Porto de Bilbau era um dos cinco portos mais importantes de Espanha. A mineração de ferro e a siderurgia, que no passado foram os principais motores do desenvolvimento económico da cidade — a extração de ferro estava protegida legalmente desde 1526 e a indústria siderúrgica desenvolveu-se a partir da segunda metade do século XIX — perderam grande parte da importância do passado a partir da década de 1980. Desde então, a cidade transformou-se numa cidade de serviços, sede de numerosas empresas de relevância nacional e internacional, incluindo duas que em 2008 se encontravam entre as 150 maiores do mundo segundo a revista Forbes: o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) em 40º lugar (3º em Espanha) e a Iberdrola no 122º (5º em Espanha).
Turismo
O primeiro impulso do turismo deu-se com a construção da linha de caminho de ferro entre o centro da cidade e o bairro de Las Arenas, no município de Guecho. Os responsáveis desta iniciativa publicitaram-na oferecendo «um passeio até Las Arenas ou Portugalete, onde se respiram as brisas do mar, cuja vistamuito poucos portos de banhos oferecem » Assim se constitui um discreto destino balneário. No entanto, o maior desenvolvimento turístico iniciou-se com a inauguração do Museu Guggenheim, como atesta a crescente afluência de turistas desde então, que chegou a 623 229 visitantes em 2007. Outros dados afirmam que a localidade é o destino de 30% das visitas do País Basco, sendo o principal destino daquela comunidade autónoma, acima de São Sebastião. A procedência da maioria dos turistas é Madrid, seguindo-se a Catalunha. A maioria dos visitantes estrangeiros provém de França, Reino Unido, Alemanha e Itália.
Evolução
Inicialmente a vila medieval tinha apenas três ruas — Somera, Artecalle e Tendería — rodeadas por uma muralha cujo limite se situava no que é agora a Calle de la Ronda. Dentro desse recinto encontrava-se também uma pequena ermida dedicada ao apóstolo Santiago Maior, depois transformada na Catedral de Bilbau, por onde passavam os peregrinos no seu caminho rumo a Santiago de Compostela. No século seguinte à fundação oficial, completaram-se as restantes quatro ruas que formariam as primitivas Siete Calles ("Sete Ruas") ou Zazpikaleak. Em 1571, depois de várias inundações e de um grande incêndio ocorrido em 1569, derrubaram-se as muralhas do perímetro para permitir a expansão da cidade. No século XVII definiu-se a configuração urbana do Casco Viejo, com os respetivos ensanches até ao Arenal e Achuri.
Espaços verdes
O governo municipal encara o conjunto das suas zonas verdes como um recurso de grande importância que confere qualidade de vida e valor acrescentado à cidade. Administrativamente, a manutenção de espaços verdes está a cargo da "Área Municipal de Obras e Serviços". As zonas verdes estão classificadas em: "Parques e Jardins inseridos no meio urbano" (335 ha), "Montes e Parques Florestais inseridos no meio urbano periférico" (963 ha) e "Taludes e Zonas Marginais (46 ha). A superfície das zonas verdes origina um rácio de 37,96 m² por habitante e uma relação de área de jardins de 9,47 m²/habitante. Entre os principais parques da cidade encontra-se o Parque de Doña Casilda, construído em 1907. Com uma extensão de 8,52 ha, é uma obra de estilo romântico do arquiteto Ricardo Bastida e o engenheiro Juan de Eguiraun. Ao longo do tempo, as suas infraestruturas foram ampliadas e entre os seus elementos destacam-se dois campos de basquetebol, uma fonte cibernética e um palco para atuações. Alberga ainda uma escultura de Eduardo Chillida, que homenageia o palhaço Tonetti, uma fonte monumental de Aureliano Valle e um busto de Casilda de Iturrizar e Urquijo, a benfeitora bilbaína que deu o nome ao parque.
Arquitetura monumental
Também chamado "Casa da villa de Bilbau", é o principal edifício do ayuntamiento (administração municipal). Inaugurada a 17 de abril de 1892, é da autoria do arquiteto municipal Joaquín Rucoba, que a desenhou em estilo eclético. Para adornar o exterior, Rucoba inspirou-se na arquitetura pública da Terceira República Francesa. O edifício tem um eixo principal, no qual se situa a varanda principal e três arcos com oito colunas, coroado por um campanário. A arcada tem dois níveis; no superior encontram-se baixos-relevos de cinco figuras destacadas da história bilbaína: o fundador Diego López V de Haro, o Cardeal Antonio Javier Gardoqui, o almirante Juan Martínez de Recalde, Tristán de Leguizamón e o economista Nicolás de Arriquibar. O edifício é flanqueado por quatro esculturas: dois maceiros e dois arautos. Na escadaria principal destacam-se duas esculturas que representam a lei e a justiça. A tradição conta que o quinto lanço dessa escadaria faz referência à altitude oficial da urbe, 8,804 metros acima do nível do mar.
A empresa elétrica Iberdrola, o maior grupo energético espanhol, presente em mais de 40 países, tem a sua sede em Bilbau. No município vizinho de Santurce há uma central termoelétrica de 935 MW e outra de ciclo combinado de 400 MW. Em Amorebieta-Echano está instalada a Bahía de Bizkaia Electricidad, outra central de ciclo combinado de 800 MW. A eletricidade produzida por estas centrais é transportada para a subestação de Güeñes pela empresa Rede Eléctrica, que tem a seu cargo o transporte em toda a Espanha da energia elétrica entre as centrais e as áreas de consumo. Há ainda outra central de ciclo combinado com 750 MW, a Bizkaia Energia, cuja energia é distribuída a partir da subestação de Gatica, a qual foi construída para ligar a Central nuclear de Lemóniz, que nunca chegou a entrar em funcionamento. O abastecimento de todos os combustíveis derivados do petróleo que são consumidos na área metropolitana, tanto na forma líquida (gasolina e gasóleo), como gás butano, são produzidos na refinaria da Petronor instalada na costa biscainha, nos municípios de Musques e Abanto y Ciérvana. A Petronor (Petróleos del Norte S.A.) foi fundada em Bilbau em 1968. A refinaria, com capacidade de tratamento de 11 milhões de toneladas por ano, é a maior de Espanha. As suas instalações estão ligadas por oleodutos aos cais portuários de Punta Lucero, a 5 km de distância, e ao terminal da Compañía Logística de Hidrocarburos (CLH) em Santurce, através do qual se liga com a rede espanhola de oleodutos e a diversas instalações industriais da região. A partir deste terminal, camiões-cisterna abastecem todo o País Basco.
Educação
No País Basco espanhol, a educação obrigatória é bilingue em castelhano e em basco (euskera), podendo os estudantes optar por um de quatro modelos — A, B, D e X — de acordo com a preponderância de uma ou outra língua nas aulas. No modelo A, o ensino é integralmente castelhano à exceção da disciplina de basco. No modelo D passa-se exatamente o contrário, isto é, todas as aulas são lecionadas em basco à exceção da disciplina de língua castelhana. O modelo B é um misto do A e D, enquanto que o modelo X corresponde a esquemas de ensino baseados em línguas estrangeiras. Em Bilbau no ensino infantil e primário predomina o modelo B, o qual vai decaindo a favor do modelo A nos níveis mais avançados.
Saúde
Os centros hospitalares públicos estão na dependência do Serviço Basco de Saúde (Osakidetza). O mais importante é o Hospital de Basurto, situado no bairro homónimo. Foi inaugurado a 13 de setembro de 1908, substituindo o velho hospital de Achuri. O seu desenho foi inspirado no Hospital Eppendorf de Hamburgo, um dos mais modernos da época e pioneiro na separação de doentes por pavilhões. Em novembro de 2008 recebeu o prémio Best In Class como o melhor centro hospitalar de Espanha na atenção ao paciente. Há outros hospitais que assistem as necessidades de saúde não só dos habitantes de Bilbau, mas também da província, os quais se encontram fora do centro da cidade. Entre estes destacam-se o Hospital de Cruces (Gurutzetako Ospitalea), em Baracaldo, e o Hospital de Galdácano-Usansolo, em Galdácano e o de Santa Marina, de menor dimensão. Em maio de 2010 foi iniciada a construção de um terceiro grande hospital na Biscaia, o Hospital Uribe, na localidade de Urdúliz.
Segurança de pessoas e bens
Bilbau tem um corpo de polícia municipal próprio, com um quadro de cerca de 800 agentes. Este corpo tem as seguintes subdivisões: trânsito, proteção pública e serviços especiais. Esta última partilha competências de polícia judiciária com a Ertzaintza (a polícia autonómica basca), e outras forças policiais nacionais. É composta pelas seguintes unidades: antidroga, polícia científica, investigação de delitos, informação e documentação, segurança de autoridades ou de escoltas, diligências, e custódia e transporte de detidos. Segundo um relatório de 2004 do ayuntamiento de Bilbau, a cidade é considerada segura. Não obstante, um estudo publicado em 2006 afirmava que há muitos cidadãos que encaram os imigrantes estrangeiros como uma das causas da insegurança que se sente em alguns bairros, como San Francisco ou Santuchu. Os delitos mais comuns são os de trânsito, infrações várias e destruição de património.
Meio ambiente e ciclo da água
O município iniciou a transformação para se tornar uma "cidade sustentável" depois de subscrever em 1998 a Carta de Aalborg e aderir à Campanha de Cidades Europeias Sustentáveis. Este compromisso materializou-se no desenvolvimento e aplicação local da Agenda 21, um projeto que fomenta uma política municipal mais respeitadora do ambiente para melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos. A incorporação em 2003 na Udalsarea 21, a "Rede Basca de Municípios para a Sustentabilidade", permitiu estabelecer um plano concreto de atuação seguindo as diretrizes da Agenda Local 21. O abastecimento de água potável é assegurado pela empresa Consórcio de Águas Bilbao Bizkaia, uma entidade pública cuja razão social é a prestação de todos os serviços de abastecimento e saneamento de água a 65 municípios, que representam 90% da população da Biscaia, aproximadamente um milhão de pessoas. O consórcio é integrado pelos 65 municípios a que presta serviços, pela Deputação Foral de Biscaia e pelo governo basco, além de manter vários convénios de colaboração com diversas entidades locais.
Abastecimento de víveres
Em 2012 funcionavam em Bilbau sete mercados municipais, distribuídos pelos diferentes bairros. Há também diversos centros comerciais, alguns deles em áreas limítrofes, como Basauri e Baracaldo, supermercados e uma grande quantidade de pequenos comércios. Estes dispõem de um grande centro de abastecimento de alimentos perecíveis, o Mercabilbao, situado em Basauri e inaugurado em 1971, o maior do seu género no norte de Espanha. Antes de ser criado o Mercabilbao, o principal mercado era o Mercado da Ribeira, construído em 1929 junto à Igreja de Santo Antão, na margem da ria e na orla do Casco Velho.
Zonas Wi-Fi grátis
O projeto Bilbao 39.net, previsto na "Agenda Digital Bilbao 2012", dotou a cidade com 39 zonas (uma por cada bairro) com acesso grátis à Internet através de Wi-Fi (rede sem fios). O sistema não requer senhas e não permite downloads peer-to-peer e a alguns conteúdos, nomeadamente pornográficos e violentos.
Na cidade circulam os jornais nacionais, regionais e internacionais de maior difusão. Alguns deles têm secções de informação local ou regional. No entanto, os jornais mais vendidos são as edições locais de quatro jornais generalistas de âmbito regional do País Basco, os quais também têm edições locais nas restantes capitais bascas: o El Correo, Deia, Gara e Berria. Os dois primeiros são editados em castelhano, o Gara é bilingue em basco e castelhano e o Berria é escrito exclusivamente em basco. Há ainda duas publicações especializadas em informação económica: a Empresa XXI e a Estrategia Empresarial. Na cidade é possível sintonizar todas as cadeias de rádio principais que operam a nível nacional e regional, as quais têm espaços dedicados à atualidade local e que emitem tanto em castelhano como em basco: Rádio Nacional de Espanha, Radio Bilbao Cadena SER, Onda Cero, COPE e Punto Radio. Há ainda vários canais da Radio Euskadi, de âmbito regional, e outras emissoras com menor audiência de âmbito puramente local.
Identidade local
Apesar de em Bilbau se reproduzirem grande parte dos elementos fundamentais da cultura basca, como o uso da txapela (boina basca), existem algumas particularidades que definem traços propriamente bilbaínos. Estre estas encontram-se, por exemplo, palavras típicas como sinsorgo, coitao, ganorabako, sirris ou mocordo; e as bilbainadas, um género musical local. Na cultura popular espanhola definiu-se um perfil jocoso dos bilbaínos, empregado sobretudo em anedotas. Alguns destes estereótipos representam os bilbaínos como seres toscos, arrogantes, exagerados e em algumas ocasiões com força e outras capacidades sobre-humanas, capazes de ingerir enormes quantidades de costeletas ou bebidas alcoólicas e pagar grandes somas de dinheiros, inclusivamente de forma altruísta. Também se apresentam as figuras do chiquitero — bebedor de chiquitos (pequenos copos de vinho) — e do chirene, um personagem cómico e astucioso. No entanto, estas expressões culturais estão progressivamente a cair em desuso devido à modernização urbana e ao papel dos meios de comunciação.
Língua basca
A presença do basco (ou euskera) é menor do que noutros municípios da Biscaia, como Bermeo ou Lequeitio. Segundo dados de 1986, a população bascófona ou bilingue era então de 27,7% do total. Nos quinze anos seguintes essa percentagem aumentou 9,4 pontos percentuais, alcançando 37,1% em 2001. Mais de metade desses bascófonos eram menores de 30 anos e residiam no distrito de Deusto, Begoña e Abando. O aumento do número de falantes de basco deve-se sobretudo ao sistema educativo, tanto para jovens como para adultos. Um dos dados mais relevantes que resultam da comparação entre as situações em 1986 e 2001 é o aumento dos novos bascófonos e a diminuição dos falantes de castelhano. Por outro lado, o crescimento do uso do basco, da sua aprendizagem e do seu conhecimento não é acompanhada pelo aumento do seu uso regular, pois apenas 5% da população fala habitualmente basco em casa.
Gastronomia
A gastronomia bilbaína é baseada principalmente nos produtos do mar e da ria, como as angulas e o bacalhau. Este último foi um produto de importância vital durante a escassez vivida durante o primeiro cerco carlista, em 1835. Alguns dos pratos mais conhecidos são o bacalhau al pil pil (bacalao al pil pil), o bacalhau à biscainha (bacalao a la vizcaína), a pescada em molho verde (merluza en salsa verde), as lulas (chipirones ou calamares) en su tinta e, na doçaria, os canutilhos de Bilbau. Nas bebidas destaca-se o chacolí, um vinho branco com denominação de origem Bizkaiako Txakolina. A cidade é pródiga em txokos, sociedades gastronómicas cuja principal atividade passa por reunir os seus membros à mesa para desfrutar da gastronomia regional, em jeito de tertúlias gastronómicas onde sós são admitidos homens.
Museus
Há mais de dez instituições museológicas em Bilbau, que abarcam diversos ramos das artes, ciências e desporto. Destaca-se entre eles o Museu Guggenheim Bilbao, da Fundação Solomon R. Guggenheim, obra do arquiteto canadiano Frank Gehry inaugurada em 19 de outubro de 1997 A sua coleção permanente baseia-se nas artes visuais posteriores à segunda metade do século XX, mas as exposições temporárias são de temática mais variada, como por exemplo uma análise da arte russa ou gravuras de Albrecht Dürer. Outra importante pinacoteca é o Museu de Belas Artes, criado em 1908, que alberga obras realizadas desde o século XIII até à atualidade, centrando-se principalmente nos artistas espanhóis e flamengos. No que toca a ciências, cabe destacar o Museu Basco, que conserva objetos e realiza exposições sobre a história dos bascos, e o Museu Marítimo Ria de Bilbau, situado nas margens da ria e que conta na sua coleção com barcos e outros elementos relacionados com a atividade marítima e portuária da região, destacando-se a grua Carola, vestígio do Estaleiro Euskalduna, que na sua época foi a máquina elevadora mais potente de toda a Espanha.
Equipamentos cénicos e musicais
A principal sala de espetáculos da cidade é o Teatro Arriaga, reaberto em 1985 como teatro municipal com uma programação variada que inclui dança, ópera, música e teatro. Outras salas importantes, com programação muito ativa, são o Teatro Campos Elíseos, gerido pela Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE), e o Palácio Euskalduna, sede da Orquestra Sinfónica de Bilbau e onde se realizam as temporadas de ópera. Outros equipamentos são, por exemplo, a sala da Sociedade Filarmónica (música de câmara), a Sala Bilborock, de gestão municipal e dedicada especialmente à música pop e rock, a Fundición ("Fundição"), dedicada à dança e teatro contemporâneo, ou a Sala BBK, patrocinada pela Caixa de Poupança homónima). O novo centro cultural Alhóndiga dispõe igualmente de espaços cénicos. Dentre as salas musicais de gestão privada destaca-se pela sua intensa atividade o Kafe Antzokia.
Festivais de arte e populares
A cidade é palco de inúmeros festivais artísticos de carácter anual, frequentemente patrocinados pela municipalidade. No ramo musical, destaca-se pela sua envergadura o Bilbao BBK Live, organizado desde 2006, que atrai muitas figuras do panorama pop e rock internacional e espanhol. Noutros géneros musicais, cabe destacar o Bilbao Distrito Jazz e o Bilbao Ars Sacrum, este último dedicado à música sacra. Nas artes audiovisuais, destaca-se o Festival Internacional de Cinema Documental e Curtas-metragens de Bilbau, mais conhecido como Zinebi. A sua primeira edição decorreu em 1959 com o nome de Certame Internacional de Cinema Documental Iberoamericano e Filipino de Bilbau, e pretendia ser um festival complementar do de San Sebastián. Desde 1981 que a organização está a cargo do ayuntamiento, que transferiu a sua sede para o teatro mais importante da cidade, o Teatro Arriaga. No campo das artes cénicas, o ayuntamiento promove o festival Zirkuitoa, uma iniciativa criada em 2000 que procura proporcionar um espaço para as companhias de teatro amador.


