Parque Nacional De Biesbosch
De Biesbosch, é um dos maiores parques nacionais dos Países Baixos e uma das últimas áreas de maré de água doce da Europa. O Biesbosch consiste de uma grande rede de rios e riachos com ilhas. A vegetação é principalmente formada por florestas de salgueiros, embora prados úmidos e campos de caniços sejam também comuns. O Biesbosch é uma importante zona húmida para aves aquáticas e possui uma rica flora e fauna. É especialmente importante na migração de gansos.
Parque Nacional
O Parque Nacional De Biesbosch é constituído pelas seguintes partes: A maior parte do norte do Biesbosch. Esta é a parte do Biesbosch com a mais significativa influência das marés (uma das distintas características do Biesbosch). O Sliedrechtse Biesbosch recebe essa denominação na área localizada após a cidade de Sliedrecht, que foi alagada durante a criação do Biesbosch e que foi posteriormente reconstruída do outro lado do rio Beneden Merwede (um dos limites do Biesbosch). A parte oriental do Sliedrechtse Biesbosch é uma das poucas áreas nos Países Baixos que tem um sistema intacto de dunas de rio. A parte ocidental do Biesbosch e a maior área remanescente (já foi bem maior) da parte da Holanda do Sul do Biesbosch. A Hollandse Biesbosch é a porção do Parque Nacional mais conhecida por suas aves.
Outros
O Parque Nacional ocupa apenas metade da área original do Biesbosch. A outra metade foi recuperada e é constituída principalmente por terrenos agrícolas. Ela pode ser dividida em diversas partes: A parte do Biesbosch que faz divisa com a cidade de Dordrecht. Está localizada entre o Sliedrechtse Biesbosch e o Hollandse Biesbosch. Embora o Dordtse Biesbosch seja mais importante para os agricultores, ele tem também várias áreas de recreação que servem de "playground" para os habitantes de Dordrecht. A parte mais central do Biesbosch e objeto recente de grandes discussões. O Noordwaard começou a ser valorizado durante o século XX e possui algumas das áreas agrícolas mais férteis de todo os Países Baixos. Entretanto, devido ao alto nível das águas dos rios neerlandeses durante a década de 1990, o governo decidiu impedir a ocupação dessas áreas e restabelecer a ligação do Noordwaard com os rios Merwede (principalmente com o rio Reno). Desta forma, ele poderá servir como uma barreira natural e ser de grande importância na prevenção de quebras de diques e consequente inundação nas áreas densamente povoadas no delta Reno-Mosa-Scheldt. A primeira fase do "de-pôlder" foi concluída em 2008 e as zonas húmidas resultantes foram adicionadas ao Parque Nacional. A segunda fase será concluída entre 2015 e 2020.
O Biesbosch foi criado quando 300 quilômetros quadrados de pôlderes ficaram submersos na chamada inundação de Santa Isabel no ano 1421. Antes disso, a área conhecida por Grote Hollandse Waard, era constituída por terras cultivadas e algumas aldeias. Os diques com mais de um século de existência ruíram devido à falta de manutenção, em decorrência da precária situação econômica da área, e as dificuldades entre as entidades políticas regionais (especialmente nas guerras de Hook e Cod). Um dos fatores fundamentais para o alagamento do Grote Waard foi a criação de um novo dique, no sudoeste do pôlder. O solo sob este dique era instável, um fato já conhecido naquele tempo. Entretanto, rivalidades políticas e questões financeiras (combinadas com a opinião generalizada de que "nada irá acontecer", uma espécie de excesso de confiança) resultaram na construção de um dique instável, situado em um dos pontos críticos do Grote Waard. Era o único lugar aonde a maré alta vinda diretamente do mar poderia penetrar na região e atingir a estrutura do dique de Grote Waard.
Inicialmente, o Bergse Veld era um raso, mas extenso corpo d'água, que recebia influência da maré alta do Mar do Norte, mas também com predominância de água doce. Os sedimentos trazidos pelas águas dos rios tornaram-no submerso apenas durante as marés altas. A partir de então, a área foi chamada de Biesbosch. Uma rede de riachos interligados, lodaçais e o surgimento de áreas de florestas, que serviram como uma espécie de delta interior de grandes rios o alimentava. Um resultado significativo desta situação foi que os antigos braços do estuário dos rios Reno e Mosa, mais ao noroeste, ficaram desprovidos de grande parte do fluxo de água doce. Isto fez com que os rios nessa área ficassem assoreados, de modo que a importante rota marítima entre Roterdã e as zonas interiores já não podia mais ser utilizada. Durante os últimos séculos, as condições mudaram significativamente. A maior parte do Biesbosch foi recuperada e transformada em pôlderes. A ligação Reno-Mosa com Roterdã, foi restaurada com a preventiva retirada de sedimentos por meios artificiais. A maioria dos riachos do Biesbosch foi represada no seu trecho final para diminuir o risco de inundações. A confluência dos rios Reno e Mosa também foi fechada e o rio Mosa recebeu uma nova, foz artificial: o Bergse Maas. Ao separarem os rios Reno e Mosa antes de chegarem ao Biesbosch, o seu fluxo pode ser melhor controlado. Um segundo canal para a circulação de navios foi construído para também distribuir melhor o fluxo do rio Reno: o Nieuwe Merwede, que divide o Biesbosch em duas partes: o Biesbosch "menor", agora a parte sudeste da ilha de Dordrecht, o Biesbosch "maior". Como resultado destas mudanças hidrológicas, o Biesbosch perdeu a sua função como um delta de rio e, agora só recebe água diretamente dos rios em períodos de cheias.
O governo neerlandês decidiu recuperar e devolver à natureza a maior parte das áreas ocupadas e reconectar os rios principais com os riachos do Biesbosch. Esta decisão foi tomada em consequências dos elevados níveis dos rios observados em 1993 e 1995. Isto significa que uma grande parte da Biesbosch voltará ao seu estado original: uma rede interligada de rios e riachos, servindo como um delta fluvial. A área pode então ser usada como uma barreira natural para evitar grandes cheias e diminuir o risco de uma grande elevação nos níveis dos rios. Isto irá também restaurar algumas das situações naturais e resultará em uma expansão do habitat de muitos animais. Especialmente a população de castores poderia lucrar com essas mudanças hidrológicas. É também esperado que sejam criadas condições adequadas para o retorno da águia-pescadora e da águia-rabalva como aves reprodutoras. Devido ao recente surgimento natural de novas zonas húmidas, a garça-branca-grande e a garcinha-branca já se tornaram atualmente elementos familiares no Biesbosch. Existe também um aumento na população de socós e guarda-rios.
A área ainda enfrenta muitas ameaças. Um delas é a poluição da água e do solo. Muitas nascentes recebem sedimentos altamente poluidores, ainda consequência dos anos sessenta e setenta, quando os rios Reno e Mosa eram muito mais poluídos do que são hoje. Devido ao baixo fluxo das águas no Biesbosch (porque as conexões com os rios e o mar foram bloqueadas, embora isto mude no futuro), o acúmulo de sedimentos poluídos no Biesbosch é muito grave. A recuperação total do ecossistema no Biesbosch não acontecerá sem antes uma completa limpeza de todos os riachos, o que será uma tarefa enorme e dispendiosa. Outra ameaça para o ecossistema do Biesbosch é a grande quantidade de recreação aquática na área. O Biesbosch tem, no entanto, forte potencial tanto natural quanto de recreio. Proibir todas as atividades recreativas na área não é uma boa opção. Encontrar o equilíbrio certo nesta questão será um desafio a ser alcançado.


