Bienal Internacional de Arte de São Paulo
A Bienal de São Paulo é uma exposição de artes que ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo, desde 1951. É considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto à Bienal de Veneza e Documenta de Kassel. Maior exposição do hemisfério sul, a Bienal é pautada por questões inovadoras do cenário contemporâneo e reúne mais de 500 mil pessoas por edição. Desde sua criação, 37 Bienais foram produzidas com a participação de mais de 170 países, 16 mil artistas e 10 milhões de visitantes.
A primeira Bienal de São Paulo ocorreu em 1951 devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1892 - 1977) (conhecido como Ciccillo Matarazzo) e de sua esposa Yolanda Penteado. A segunda edição (1953) ficou famosa por trazer ao Brasil a até então inédita no país Guernica, de Pablo Picasso. Uma das edições mais simbólicas, contudo, foi a 10ª Bienal de São Paulo, no ano de 1969. Com o recém-lançado Ato Institucional nº5 (AI-5), dezenas de artistas se recusaram a participar da exposição, dentre eles Burle Marx e Hélio Oiticica, e alguns países e regiões recusaram-se a apoiar a exposição, como a União Soviética. Paralelamente, na França, cerca de 321 artistas assinaram o manifesto "Não à Bienal", ou, em francês, "Non à la Biennale", no Museu de Arte Moderna de Paris, uma maneira de repudiar a ditadura brasileira. O intenso movimento pode ser compreendido pela censura à arte imposta pelo governo durante o período militar.
Diretor artístico: Lourival Gomes Machado Diretor artístico: Lourival Gomes Machado Assessorias: Geraldo Ferraz, Sérgio Milliet, Walter Zanini (Artes plásticas); Aldo Calvo, Sábato Magaldi (Teatro); Jannar Murtinho Ribeiro (Artes gráficas) Assessorias: Geraldo Ferraz, Sérgio Milliet, Walter Zanini (Artes plásticas); Aldo Calvo, Sábato Magaldi (Teatro); Jannar Murtinho Ribeiro (Artes gráficas) Assessoria Artes plásticas: Alfredo Mesquita, Geraldo Ferraz, Henrique E. Mindlin, Jayme Maurício, José Geraldo Vieira, Salvador Candia Comissão Técnica de Arte: Aracy Amaral, Edyla Mangabeira Unger, Frederico Nasser, Mário Barata, Waldemar Cordeiro, Wolfgang Pfeiffer Comissão Técnica de Arte: Antonio Bento, Geraldo Ferraz, Sérgio Ferro Secretariado técnico: Antonio Bento, Bethy Giudice, Ciccillo Matarazzo, Conselho de Arte e Cultura: Aldemir Martins, Isabel Moraes Barros, José Simeão Leal, Norberto Nicola, Olívio Tavares de Araújo,
Um número excessivo de obras marcou a edição e criou um panorama eclético e de difícil compreensão. Esta foi a primeira edição desvinculada do Museu de Arte Moderna de São Paulo e realizada sob responsabilidade da Fundação Bienal, criada em 1962. Wanda Svevo havia falecido no ano anterior e foi homenageada no catálogo. A Bienal começou a sofrer pressão política do poder público com o início da ditadura militar no Brasil. Na cerimônia de premiação, Maria Bonomi (1935) e Sérgio Camargo (1930-1990) entregaram ao então presidente da república Castelo Branco moção em favor da revogação das prisões preventivas de Mário Schenberg (1914-1990), Fernando Henrique Cardoso (1931), Florestan Fernandes (1920-1995) e Cruz Costa (1904-1978). A despeito das complicações, consagrou-se a apresentação de uma sala dedicada ao surrealismo e à arte fantástica. Marcel Duchamp (1887-1968), com seu famoso ready-made Roue de bicyclette (1913), era visto ao lado de Max Ernst (1891-1976), Marc Chagall (1887-1985), Joan Miró (1893-1983), Jean Arp (1886-1966), Man Ray (1890-1976), Paul Klee (1879-1940), Paul Delvaux (1897-1994), René Magritte (1898-1967) e Francis Picabia (1879-1953).
1a Bienal de São Paulo (1951)
No ano de 1951 entre os dias 20 de outubro e 23 de dezembro foi sediada em São Paulo a primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, realizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) em um pavilhão provisório localizado na Esplanada do Trianon, na região da Avenida Paulista. Na edição, o primeiro Aparelho cinecromático (1949) de Abraham Palatnik (1928-2020) foi recusado por não se encaixar nas categorias previstas. Posteriormente, a obra seria aceita e receberia uma menção especial do júri internacional. Na época, o presidente do MAM era Ciccillo Matarazzo (1898-1977), importante industrial da capital paulista e figura muito relevante no cenário de arte do Brasil. Ao seu lado encontrava-se o diretor artístico da exposição, Lourival Gomes Machado (1917-1967), importante crítico de arte no período. Dentre os nomes de maior destaque entre os artistas participantes encontravam-se o escultor suíço Max Bill (1908-1994), os brasileiros Cândido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976), Pablo Picasso (1881-1973), artista espanhol, René Magritte (1898-1967), belga, e o italiano Danilo di Prete (1911-1985), que foi consagrado com o prêmio de melhor pintura da exposição com sua obra Limões. Participaram, também, Lasar Segall (1891-1957), Alberto Giacometti (1901-1966), George Gros (1893-1959), Victor Brecheret (1894-1955), Oswaldo Goeldi (1895-1961), Jorge Mori (1932), e diversas outras personalidades da cena internacional da arte. Os prêmios concedidos à escultura Unidade Tripartida de Max Bill (1908-1994) e à tela Formas de Ivan Serpa (1923-1973) são sintomas da atenção despertada pelas novas tendências construtivas na arte. Fundador da Hochschule für Gestaltung Ulm [Escola Superior da Forma], em Ulm (1951), Max Bill foi o principal responsável pela entrada do ideário concreto na América Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Masp e a presença da delegação suíça na 1ª Bienal, no mesmo ano, abriram as portas do país para as novas linguagens plásticas, que passaram a ser amplamente exploradas.
2a Bienal de São Paulo (1953)
A mais lembrada entre todas as Bienais, é conhecida como “Bienal da Guernica”, referenciando a mais famosa obra de Pablo Picasso (1881-1973), de 1937. Com quase o dobro de obras em relação à edição anterior, a 2ª Bienal foi realizada já no Parque Ibirapuera, aproveitando sua inauguração e ocupando dois pavilhões concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer com projetos estruturais do engenheiro Joaquim Cardozo: o Palácio dos Estados (atual Pavilhão das Culturas Brasileiras) e o Palácio das Nações (atual Museu Afro Brasil). Estendeu-se até o ano seguinte, para fazer parte das comemorações do 4º Centenário da cidade de São Paulo. A mostra contou com obras de Constantin Brancusi (1876-1957), Giorgio Morandi (1890-1964) e dos futuristas italianos, além de outros grandes nomes da arte moderna internacional. Eliseu Visconti (1866-1944), foi homenageado com uma sala especial em que foram apresentadas 37 dentre suas mais importantes obras de cavalete.
3a Bienal de São Paulo (1955)
Ao alcançar seu objetivo e consolidar-se como evento de arte de relevância no cenário mundial, a 3ª Bienal teve como destaque as obras dos muralistas mexicanos Diego Rivera (1886-1957), José Clemente Orozco (1883-1949) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974). Beneficiada por 46 trabalhos de Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) e por 44 gravuras dos muralistas mexicanos. O artista brasileiro Aldemir Martins (1922-2006) recebeu o Prêmio de Melhor Desenhista Brasileiro juntamente com o artista argentino radicado no Brasil Carybé (1911-1997).
4a Bienal de São Paulo (1957)
O processo de seleção de obras e a influência demasiada de Ciccillo Matarazzo foram contestados pelos artistas brasileiros. Esta foi a primeira vez em que a Bienal realizou-se no espaço que viria a ser sua permanente sede, no Pavilhão das Indústrias do Parque Ibirapuera. Polêmicas marcaram a edição, quando nomes consagrados no cenário artístico nacional, como Flávio de Carvalho (1899-1973), tiveram seus trabalhos recusados pelo júri. O pintor expressionista abstrato Jackson Pollock (1912-1956), falecido no ano anterior, foi apresentado em uma sala especial, organizada pela representação americana, em pleno auge de seu reconhecimento internacional.
5a Bienal de São Paulo (1959)
200 mil visitantes garantiram o sucesso da exposição, que teve como pontos altos a seleção de 30 obras do ícone impressionista Vincent van Gogh (1853-1890) e, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), pela "ofensiva tachista e informal". Também foi inaugurada uma área para teatro, que passou a dividir o espaço, com as mostras de filmes, com as artes plásticas e a arquitetura.
6a Bienal de São Paulo (1961)
Ciccillo Matarazzo deixou de ser o único mecenas da Bienal, e o evento passou por sua primeira crise econômica. A sexta edição ficou conhecida pelo caráter museológico e o predomínio do neoconcretismo, evidenciado pela presença revolucionária dos Bichos de Lygia Clark (1920-1988). Parte do júri de seleção foi eleito pelos artistas. Foi a primeira vez que a exposição recebeu a delegação da URSS. Com a direção geral de Mário Pedrosa (1900-1981), combinou obras contemporâneas (Kurt Schwitters, 1887-1948) com retrospectivas históricas (Alfredo Volpi 1896-1988). A ampliação da participação nacional e a maior representação de obras de caráter histórico valeram uma série de críticas ao evento.


