Bidu Sayão
Balduína de Oliveira Sayão, mais conhecida como Bidu Sayão, foi uma célebre intérprete lírica brasileira. Considerada uma das maiores estrelas da ópera de todos os tempos, foi uma das maiores intérpretes do Brasil. Venceu o Grammy Latino de 1984, na categoria Hall da Fama Internacional, em conjunto com Heitor Villa-Lobos.
Imagem: Fernando Maia from São Paulo, Brasil · BY-SA · Openverse
Filha de Pedro Luiz de Oliveira Sayão e de Maria José da Costa Oliveira Sayão, nasceu na Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro. Bidu Sayão começou estudando canto com Elena Theodorini, uma romena que então vivia no Brasil. Elena a levou para a Romênia, onde continuou seus estudos. Mais tarde, foi para Nice, na França, onde foi aluna de Jean de Reszke, um tenor polonês que a ajudou a consolidar sua técnica vocal. Bidu estreou em 1926 no Teatro Costanzi de Roma, no papel de Rosina em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Em 1934, realizou uma tournée com o pianista e compositor Radamés Gnattali por diversas cidades do sul e sudeste do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Curitiba. Sua estreia no Metropolitan Opera House de Nova Iorque se deu em 1937 no papel de Manon na ópera de Massenet. Foi parte do elenco do Metropolitan durante muitos anos. Arturo Toscanini era seu admirador, referindo-se a ela como la piccola brasiliana (traduzido do italiano, significa "a pequena brasileira"). Em fevereiro de 1938, cantou para o casal Roosevelt na Casa Branca. Roosevelt lhe ofereceu a cidadania estadunidense, mas ela recusou. De acordo com ela mesma, "no Brasil eu nasci e no Brasil morrerei". Entretanto, ela morreu de pneumonia nos Estados Unidos em 1999, antes de completar 97 anos, sem realizar um de seus desejos: rever a Baía de Guanabara.
Consta que Bidu Sayão apresentou-se pela última vez, antes da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro em 1937, bem antes do término de sua carreira, apesar de ali ter sido vaiada durante a apresentação ao cantar Pelléas et Mélisande no Municipal do Rio. Diz-se que a vaia teria sido organizada pela claque da meio-soprano Gabriella Besanzoni Lage, cujo sucesso na Carmen eles não desejavam que fosse empanado pela carioca que vinha dos Estados Unidos coberta de louros. Entretanto neste mesmo ano, 1937, arrebatou a plateia do Metropolitan de Nova Iorque com a sua interpretação da Manon de Jules Massenet. Em 1946, justamente quando estava ocorrendo seu processo de divórcio, regressou ao Brasil por um período. Apresentou-se no Theatro Municipal no dia 15 de agosto de 1946, na montagem da ópera Romeu e Julieta de Gounod, com o regente Jean Morel e a orquestra do Theatro Municipal. Em 17 de agosto de 1946, apenas dois dias após a apresentação de Romeu e Julieta de Gounod, Bidu novamente se apresenta no Theatro Municipal, interpretando o papel principal da ópera Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy.
Além da baixa estatura, Bidu Sayão tinha uma voz que a tornava mais adequada para os papéis femininos mais delicados e graciosos. Entre os papéis nos quais ela mais se destacou, podemos mencionar Mimì em La Bohème de Puccini, Susanna em As Bodas de Fígaro de Mozart, Zerlina em Don Giovanni, Violetta em La Traviata de Verdi, Gilda em Rigoletto, Zerbinetta em Ariadne auf Naxos de Richard Strauss, e os papéis femininos principais em Romeu e Julieta de Gounod e Pelléas et Mélisande, a única ópera de Debussy.


