Florestan Fernandes
Florestan Fernandes foi um sociólogo, etnólogo, intelectual e político brasileiro, patrono da sociologia brasileira sob a lei nº 11 325. Foi um dos intelectuais brasileiros mais influentes do século XX, com contribuições notórias para o estudo do racismo, dos direitos humanos e da desigualdade social no país. De orientação marxista, sua obra é considerada o marco inicial da sociologia crítica brasileira. Em seu nome foram batizados auditórios, escolas, centros de estudantes e bibliotecas, como a da Universidade de São Paulo, e diversos edifícios públicos.
Origem e primeiros anos
Segundo seus próprios relatos, Florestan Fernandes teve, ainda criança, o interesse pelos estudos despertado principalmente pela diversidade dos lugares onde passou sua infância. Afilhado de Hermínia Bresser, filha da professora abolicionista Anna Bresser, Florestan reconhecia a importância da madrinha na ajuda para estudar: "O fato é que embora eu não estudasse organizadamente, pelo fato de ter nascido na casa de dona Hermínia Bresser de Lima aprendi o que era livro, a importância de estudar e com pouco mais de seis anos adquiri uma disciplina". "Na casa de minha madrinha, uma senhora da família Bresser que falava francês, tocava piano [...] Lá aprendi a ler.
Formação
No ano de 1941, Florestan ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCLH), instituto vinculado a Universidade de São Paulo (USP), formando-se no curso de Ciências sociais. Iniciou sua carreira docente em 1945, como assistente do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II. Na Escola Livre de Sociologia e Política, obteve o seu título de mestre com a dissertação "A organização social dos Tupinambá". No ano de 1951 defendeu, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a tese de doutoramento "A função social da guerra na sociedade tupinambá", posteriormente consagrado como clássico da etnologia brasileira, que explora o método funcionalista.
Carreira
Durante o período de 1954 e 1964, foi regente da cátedra, livre docente e professor titular na cadeira de Sociologia, substituindo o sociólogo e professor francês Roger Bastide em caráter interino até 1964, ano em que se efetivou na cátedra, com a tese "A integração do negro na sociedade de classes". Como o título da obra permite entrever, o período caracteriza-se pelo estudo da inserção da sociedade nacional na civilização moderna, em um programa de pesquisa voltado para o desenvolvimento de uma sociologia brasileira.[carece de fontes?] Nesse âmbito, orientou dezenas de dissertações e teses acerca dos processos de industrialização e mudança social no país e teorizou os dilemas do subdesenvolvimento capitalista. Inicialmente no bojo dos debates em torno das reformas de base e, posteriormente, após o golpe de Estado, nos termos da reforma universitária coordenada pelos militares, produziu diagnósticos substanciais sobre a situação educacional e a questão da universidade pública, identificando os obstáculos históricos e sociais ao desenvolvimento da ciência e da cultura na sociedade brasileira inserida na periferia do capitalismo monopolista.[carece de fontes?]
Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, juntamente com outros intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda, Mário Pedrosa e de Apolônio de Carvalho. No ano de 1986, foi eleito deputado constituinte pelo PT, tendo atuação destacada em discussões nos debates sobre a educação pública e gratuita. Em 1990, foi reeleito para a Câmara Federal.
Foi casado com Myriam Rodrigues Fernandes, de 1944 até a morte de Florestan no ano de 1995. O casal teve seis filhos: Heloisa, Noêmia, Beatriz, Silvia, Miriam Lúcia e Florestan Júnior.
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Em agosto de 1995, Florestan se submeteu a um transplante de fígado no Hospital das Clínicas de São Paulo. O transplante foi mal sucedido e ele morreu seis dias depois devido a uma embolia pulmonar. O médico Silvano Raia, responsável por chefiar a equipe que realizou o transplante, descreveu a morte do sociólogo como uma "fatalidade" e recebeu, posteriormente, uma "advertência confidencial" do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, que entendeu que Raia infringiu dois artigos do Código de Ética Médica.
Imagem: Biblioteca Digital Curt Nimuendajú · BY · Openverse
O nome de Florestan Fernandes está obrigatoriamente associado à pesquisa sociológica no Brasil e na América Latina. Sociólogo e professor universitário, com mais de cinquenta obras publicadas, ele transformou o pensamento social no país e estabeleceu um novo estilo de investigação sociológica, marcado pelo rigor analítico e crítico, e um novo padrão de atuação intelectual. O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que foi orientado em seus trabalhos acadêmicos por Florestan, estabeleceu com ele forte relação afetiva, mantida até a morte do sociólogo. A biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo recebeu o nome de Biblioteca Florestan Fernandes. O teatro do campus-sede da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) leva o nome de Florestan Fernandes, e a biblioteca situada em frente a ele possui, em seu último andar, o acervo de livros que Florestan deixou em sua residência. Este acervo conta com clássicos da literatura mundial, obras fundamentais da sociologia, filosofia, política e antropologia, bem como diversos livros da produção literária e científica latino-americana. Parte do acervo está disponível para empréstimo.


