George Orwell
Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo George Orwell, foi um escritor, ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-amargurada, reflexo de uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. Sua hostilidade ao Stalinismo e pela experiência do socialismo soviético, um regime que Orwell denunciou em seu romance satírico A Revolução dos Bichos, se revelou uma característica constante em sua obra.
Primeiros anos de vida e educação
Eric Arthur Blair nasceu em 25 de junho de 1903 em Motihari, parte da colônia (presidency) de Bengala, então domínio da Índia britânica, atualmente distrito de Champaran Oriental, estado de Bihar, República da Índia, próximo da fronteira do país com o Nepal. Seu bisavô paterno, Charles Blair (1776–1854), era um escocês radicado na Inglaterra que havia feito fortuna em Dorset, e se casado no final da década de 1790 com Lady Mary Fane (bisavó paterna do autor e filha de Thomas Fane, 8.º Conde de Westmorland), tendo passado os últimos dias de sua vida como senhorio de uma fazenda escravocrata na Jamaica. Seu avô, Thomas Richard Arthur Blair (1803–1867), terceiro filho de Charles e Mary, havia sido um clérigo da Igreja Anglicana. Embora Thomas tenha herdado o título de nobreza, o mesmo não ocorreu com a fortuna da família; Eric Blair descrevia sua família como sendo de "classe média-alta inferior". Seu pai Richard Walmesley Blair (1857–1939), filho caçula de seu avô e natural da Cornualha, trabalhava no Departamento de Ópio do Serviço Civil Indiano, agência do governo britânico que regulava o serviço público na colônia. Sua mãe, Ida Mabel Limouzin-Blair (1875–1943), nasceu em Penge, Surrey e cresceu na Birmânia (atual Miamar), onde o pai dela, um francês, estava envolvido em empreendimentos especulativos. Eric tinha duas irmãs: Marjorie, nascida em 1898, e Avril, nascida em 1908. Quando Eric tinha um ano de idade, sua mãe o levou para morar na Inglaterra.[a]
Birmânia
A avó de Blair morava em Moulmein e, devido ao fato de possuir parentes na região, decidiu trabalhar na Birmânia (atual Myanmar). Em outubro de 1922, navegou a bordo do SS Herefordshire via Canal do Suez e Ceilão para assumir o seu cargo na Polícia Imperial Indiana em Birmânia. Um mês depois, chegou a Rangum e partiu rumo a Mandalay, onde se localizava a escola de formação policial. Depois de uma curta passagem por Maymyo, principal posto policial das montanhas de Birmânia, foi enviado, no início de 1924, para o posto fronteiriço de Myaungmya no Delta do Irrawaddy. A vida enquanto polícia imperial trouxe responsabilidades consideráveis para o jovem Blair, enquanto a maioria dos seus conhecidos estavam na universidade em Inglaterra. Quando ele foi enviado para Twante como oficial subdivisional, era responsável pela segurança de cerca de 200 000 pessoas. No final de 1924, foi promovido a Assistente de Superintendente Distrital e enviado para Sirião, mais perto de Rangum. Em setembro de 1925, foi para Insein, onde se localiza a segunda maior prisão de Burma. Em Insein mantinha "longas conversas sobre todos os assuntos possíveis" com uma amiga jornalista, Maria Elisa Langford-Rae (que mais tarde se tornaria esposa de Kazi Lhendup Dorjee), que observou o seu "senso de justiça absoluta nos mínimos detalhes".
Londres e Paris
De volta à Inglaterra, foi morar na casa da família em Southwold, Suffolk, onde restabeleceu laços com amigos e participou de um jantar com ex-alunos do Eton College. Visitou seu antigo tutor, A. S. F. Gow, na Universidade de Cambridge, a fim de obter conselhos sobre como se tornar um escritor. Como resultado, decidiu mudar-se para Londres. Ruth Pitter, uma conhecida da família, ajudou-o a encontrar um alojamento e, até o final de 1927, ele morou em um quarto em Portobello Road (uma placa azul, em sua homenagem, foi colocada nessa residência). Pitter se interessou por seus escritos, já que ele coletava material literário sobre uma classe social diferente da dele: os nativos em Burma.
Revolução Espanhola
Juntou-se à luta no POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), uma milícia de marxistas revolucionários não-estalinistas contra Francisco Franco e seus aliados Mussolini e Hitler, na Guerra Civil Espanhola. Foi ferido no pescoço. Uma bala danificou-lhe as cordas vocais, saindo pelas costas, e desde então sua voz ficou ligeiramente inaudível. Mais tarde escreveria o livro Homage to Catalonia, em que relata sua experiência no conflito.
Morte
Orwell morreu em Londres de tuberculose, aos 46 anos de idade. Tendo solicitado um funeral de acordo com os ritos anglicanos, foi enterrado na All Saints' Churchyard, Sutton Courtenay, Oxfordshire, com o simples epitáfio: "Here lies Eric Arthur Blair, born June 25, 1903, died January 21, 1950" ("Aqui jaz Eric Arthur Blair, nascido em 25 de junho de 1903, falecido em 21 de janeiro de 1950"); nenhuma menção é feita a seu célebre pseudónimo.
Orwell reconheceu que o nazismo era uma forma de capitalismo que empresta do socialismo apenas as características que o tornarão eficiente para fins bélicos. Em 1944, escreveu que "a palavra 'fascismo' é quase inteiramente sem sentido… quase qualquer inglês aceitaria 'valentão' como sinônimo de 'fascista'", nesse sentido, também descreveu a palavra como algo que já não tem qualquer significado, exceto para significar algo não desejável. Em 1946, o autor previu o colapso da União Soviética que "o regime russo ou se democratiza ou morrerá". Foi considerado pelo historiador Robert Conquest, dos EUA, como uma das primeiras pessoas que fizeram tal previsão. De acordo com um artigo de Conquest, publicado em 1969, "Com o tempo, o mundo comunista será confrontado com uma crise fundamental. Não podemos dizer com certeza que ele vai se democratizar. Mas tudo indica que ele terá, como disse Orwell, que se democratizar ou perecer … Temos também, no entanto, que estar preparados para lidar com as mudanças cataclísmicas, pois a agonia do aparelho estatal atrasado do pais, pode ser destrutiva e perigosa".
Em seu ensaio "Política e Língua Inglesa" (1946), Orwell escreveu sobre a importância de uma linguagem precisa e clara, argumentando que a escrita vaga pode ser usada como uma ferramenta poderosa de manipulação política porque molda a maneira como pensamos. Nesse ensaio, Orwell fornece seis regras para escritores: Andrew N. Rubin argumenta que "Orwell afirmou que devemos estar atentos a como o uso da linguagem tem limitado nossa capacidade de pensamento crítico, assim como devemos estar igualmente preocupados com as maneiras pelas quais os modos dominantes de pensamento remodelaram a própria linguagem que nós usamos." O adjetivo "orwelliano" conota uma atitude e uma política de controle pela propaganda, vigilância, desinformação, negação da verdade e manipulação do passado. Em 1984, Orwell descreveu um governo totalitário que controlava o pensamento controlando a linguagem, tornando certas ideias literalmente impensáveis. Várias palavras e frases de 1984 entraram na linguagem popular de língua inglesa. "Novilíngua" é uma linguagem simplificada e ofuscante projetada para tornar o pensamento independente impossível. "Duplipensar" significa sustentar duas crenças contraditórias simultaneamente. A "Polícia do Pensamento" é aquela que suprime todas as opiniões divergentes. "Prolefeed" é homogeneizada, fabricada literatura superficial, filme e música usados para controlar e doutrinar a população através da docilidade. "Big Brother" é um ditador supremo que observa a todos.
Baseadas em experiências pessoais
Enquanto a substância de muitos dos romances de Orwell, particularmente Burmese Days, é tirado de suas experiências pessoais, as obras a seguir são apresentadas como documentários narrativos, ao invés de fictícios.


