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Tanakh

O Tanakh (em hebraico: תַּנַ"ךְ;, também conhecido como Bíblia Hebraica, é uma antologia de textos considerados sagrados para os judeus. É composto por 24 livros, divididos em três seções - Torá, Nevi'im e Ketuvim - e constitui a base do Antigo Testamento. A Torá é composta pelos livros de Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, que segundo a tradição foram escritos por Moisés, narram as origens da humanidade e do povo hebreu e apresentam a lei mosaica. O Nevi'im é composto pelos livros de Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os profetas menores, que contam a história dos reinos de Israel e Judá. Já o Ketuvim é composto pelos livros de Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras-Neemias e Crônicas, que reúnem diversos textos literários e narrativos escritos ao longo da história do povo hebreu.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Terminologia

Imagem: Pete unseth · CC0 · Openverse

Tn"k é o acrônimo formado a partir das três primeiras letras das divisões tradicionais do texto massorético: Torá, Nevi'im e Ketuvim (Instrução, Profetas e Escritos) — que resulta em TaNaK. O Tanakh é passado de geração em geração na forma escrita, conforme a tradição rabínica de transmitir a totalidade apenas de boca a boca e face a face, essa tradição ficou conhecida como a Torá oral, que foi compilada nos Targumim, no Talmude, em diversos midrashim e em outros escritos rabínicos. O acrônimo "TaNaK" é documentado na literatura rabínica pós-talmúdica. Durante esse período do Talmude o termo "Tanakh" não foi usado. Em vez disso, foi preferido o termo Mikrá ou Miqrá,[Notas 1] isso porque os textos do Tanakh eram "lidos" em público. Foi devido a esse costume que até hoje se usa o termo Mikrá, pois logo subentende-se como se referindo a praticar a leitura, estudo e comentários acerca dele. No hebraico moderno, o uso dos termos é intercambiável.[Notas 2]

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Desenvolvimento e codificação

Imagem: Reuvenk · BY-SA · Openverse

Não há um consenso acadêmico sobre quando o cânone dos judeus foi fixado: alguns acadêmicos argumentam ter sido fixado durante a dinastia dos Asmoneus, enquanto outros argumentam que só foi consertado no primeiro século ou até mesmo mais tarde.[Notas 3] O Talmude diverge sobre quem compilou o Tanakh. Em alguns trechos diz que a maior parte do Tanakh foi compilado pelos homens da Grande assembleia — suposta linhagem de sábios entre Esdras e o período rabínico — e que a tarefa foi concluída em 450 a.C. e desde então permanece inalterada.[Notas 4] Outras partes do Talmude dizem que Esdras reescreveu o Tanakh por completo, trocando a escrita fenícia ou paleo-hebraica para a assíria. O cânon de 24 livros é mencionado no Midrash Qoheleth 12:12: Quem reúne em sua casa mais de 24 livros traz confusão.

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Escrita e pronúncia

Imagem: Accretion Disc · BY · Openverse

O sistema original de escrita dos textos está em abjad: em escrita consonantal, exceto por algumas letras que também podem representar som vocálico ("matres lectionis"). Foi na Idade Média que eruditos conhecidos como massoretas criaram um sistema que padronizou a vocalização, que se deu principalmente por Aaron ben Moses ben Asher, da escola de Tiberíades, baseado na tradição oral da leitura do Tanakh, daí o nome de vocalização tiberiana, com inclusões inovadoras de Ben Naftali e dos exilados babilônicos. Apesar desse processo tardio, o uso sinagogal mantêm a pronúncia e cantilação para manter um laço com a revelação do Sinai, pois, uma vez sem esses recursos de pausas e cantilação tornar-se-ia tarefa impossível a leitura do texto na sua forma original. A combinação de um texto (מִקְרָא - miqrā) à sua pronunciação (נִיקּוּד - nîqqûḏ) com a cantilação (טְעַמִים - ṭəʿamîm) abre ao leitor um entendimento significativo, percebendo as nuances no fluxo das sentenças textuais.

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Organização

Sua subdivisão consiste de 24 livros, sendo que I e II Samuel, I e II Reis e I e II Crônicas e Esdras e Neemias contam como sendo um só livro cada dupla e também os Doze profetas menores, considerados um só livro. Em hebraico, como se fosse um padrão, o livro leva o nome da primeira palavra proeminente. Tradicionalmente, a Bíblia Hebraica é dividia em três agrupamentos:

Torá

Torá (Literalmente תּוֹרָה "ensino"), comumente conhecido por Pentateuco ou "Cinco livros de Moisés". Na versão impressa (não em rolos) é frequentemente chamada de Amishá Humshi Torá (חמישה חומשי תורה) e informalmente Humash.

Nevi'im

Nevi'im (נְבִיאִים, "Profetas") é a segunda parte do Tanakh, fica entre Torá e Ketuvim, contendo dois subgrupos, Profetas pioneiros (נביאים ראשונים Nevi'im Rishonim, as narrativas de Josué, Juízes, Samuel e de Reis) e dos Últimos Profetas (נביאים אחרונים Nevi'im Aharonim, os livros de Isaías, Jeremias e Ezequiel e dos Doze profetas menores).[Notas 5] Esta coleção inclue livros que vão desde a saída do Egito e consecutivamente a entrada em Israel até o Cativeiro babilônico da última tribo de Israel (fechando assim o "período de profecia"). Sua distribuição não é cronológica, mas substantiva: Os Doze profetas menores (תרי עשר, Trei Asar, "Os doze") são considerados apenas um único livro ou rolo:

Ketuvim

Ketuvim (כְּתוּבִים, "Escritos") consiste de 11 livros: Nos manuscritos massoréticos (e em algumas edições impressas), Salmos, Provérbios e Jó são apresentadas na forma de duas colunas especiais que enfatizam as paralelas stich nos versos, que são uma função da sua poesia. Coletivamente, esses três livros são conhecidos como Sifrei Emet (um acrônimo dos títulos em hebraico: איוב, משלי, תהלים produzindo assim Emet (אמ"ת), que em hebraico significa "verdade"). Esses três livros são também os únicos no Tanakh com um sistema especial de notas de cantilação que são projetadas para enfatizar pontos paralelos dentro dos versos. No entanto, o começo e o fim do livro de Jó estão no sistema normal de prosa.

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Principais edições críticas

Várias edições impressas da Tanakh foram compostas ao longo dos anos, porém algumas se destacam pela sua importância nos estudos das Escrituras judaicas, geralmente referidas como Biblia Hebraica (em latim):

Bíblia Hebraica de Kittel (BHK)

O hebraísta Rudolf Kittel publicou na Alemanha duas edições da Biblia Hebraica (BH), sendo a primeira (BH1) em 1906 e a segunda (BH2)[Notas 7] com pequenas revisões em 1913.[Notas 8] Ambas as edições reproduziram o texto hebraico, editado por Mikraot Gedolot e publicado por Daniel Bomberg em Veneza, no ano de 1524. Estas edições não incluíram as notas massoréticas, embora a edição do Bomberg as tivessem. Sua característica principal são suas notas de rodapé que gravam correções possíveis ao texto hebraico. São também baseadas no Pentateuco Samaritano e em traduções conceituadas da Bíblia, como a Septuaginta, Vulgata e Peshitta. Assim, usou-se o texto geralmente aceito e preparado por Jacob ben Chayyim[Notas 9] como base.Em 1936, quando tornaram-se disponíveis os textos massoréticos de Ben Asher, como o do Códice de Leningrado (L), textos que são bem mais antigos e superiores, sendo padronizados por volta do século XX, Kittel iniciou uma terceira edição da Biblia Hebraica (BH3), cujo texto hebraico é ligeiramente diferente, e com algumas notas de rodapé completamente revisadas. Esta obra foi concluída por seus associados, após a sua morte. Foi a primeira vez que uma Bíblia em hebraico reproduziu integralmente o texto do Códice de Leningrado (L). Os créditos pela ideia de usar o códice, cabem a Paul Kahle. Esta 3ª edição apareceu nas publicações de 1929 a 1937, sendo que a primeira edição em um só volume foi em 1937. Depois disso foi reimpresso muitas vezes, incluindo as mais antigas edições que gravam variantes no livro de Isaías e do livro de Habacuque nos Pergaminhos do Mar Morto. Reproduz exatamente as notas massoréticas do códice, sem as editar.

Bíblia Hebraica Stuttgartensia

A Bíblia Hebraica Stuttgartensia, ou BHS, é uma edição da Bíblia do Texto Massorético, totalmente baseada no Códice de Leningrado (L) publicada pela Sociedade Bíblica Alemã (Deutsche Bibelgesellschaft), em Stuttgart, dai o nome adotado pela 5ª edição. Trata-se de uma revisão da 3ª edição da Biblia Hebraica editada por Rudolf Kittel (BH3), também baseada no Códice L. As notas de rodapé das páginas foram totalmente revisadas, por um nome distinto conforme o prefácio da BHS. Originalmente estas notas foram acrescentadas aos poucos desde 1968 a 1976, chegando a ser um só volume em 1977. Desde então foi reimpressa muitas vezes e passou por algumas edições de correção menores (atualmente 5ª edição corrigida).

Bíblia Hebraica Quinta (BHQ)

A Bíblia Hebraica Quinta (BHQ),como sugeri o nome, trata-se da 5ª edição[Notas 10] acadêmica da Bíblia Hebraica ainda em andamento. O projeto está sendo publicado em fascículos, livro a livro, desde 2004. A obra completa e está prevista para conclusão em 2020.

Outras edições importantes

Segundo o especialista em Bíblia Hebraica, Dr. Edson de Faria Francisco, algumas antigas edições críticas, além da BHK, merecem menção:

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Estudos judaicos da Tanakh

Imagem: Robert Burdock · BY-NC-ND · Openverse

Existem duas abordagens principais para estudar e comentar o Tanakh na comunidade judaica. Há uma abordagem clássica com foco no estudo religioso da Torá, onde se supõe que a Torá é divinamente inspirada. Outra abordagem é estudar a Torá sob seus aspectos de criação humana. Nessa abordagem, os estudos podem ser considerados como um sub-campo de estudos religiosos. Alguns comentadores rabínicos clássicos, como Abraham Ibn Ezra, Ralbag e Maimônides, usaram muitos elementos da crítica bíblica contemporânea, incluindo seu conhecimento de história, ciência e filologia. Seu uso da análise histórica e científica da Bíblia foi considerado aceitável pelo judaísmo histórico devido ao compromisso de fé do autor com a ideia de que Deus revelou a Torá a Moisés no Monte Sinai. A comunidade judaica ortodoxa moderna permite que uma ampla gama de críticas bíblicas sejam usadas para livros bíblicos fora da Torá, e alguns comentários ortodoxos agora incorporam muitas das técnicas encontradas anteriormente no mundo acadêmico, por exemplo, a série Da'at Miqra. Judeus não ortodoxos, incluindo os afiliados ao judaísmo conservador e ao judaísmo reformista, aceitam abordagens tradicionais e seculares aos estudos bíblicos. "Comentários judaicos sobre a Bíblia", discute os comentários judaicos do Tanakh e do Targum à literatura rabínica clássica, a literatura do Midrash, os comentaristas medievais clássicos e os comentários modernos.<ref group="Notas">Literatura rabínica clássica compreende todas as antigas compilações literárias dos judeus que transmitem as tradições dos Tannaim (70-200 dC ) e Amoraím (do século III a V e.C) rabinos na Palestina e Babilônia: a Mishná, a Tosefta, o Talmud Palestino e Babilônico, e vários Midrashim. Consequentemente, a literatura rabínica deve ser vista como uma literatura coletiva e não autoral, transmitindo ampla variedade de visões e ensinamentos parcialmente divergentes e contraditórios, em vez de fornecer um esboço sistemático linear do ponto de vista de um indivíduo em particular. O estudo crítico da literatura rabínica começou no século XIX com o chamado "Wissenschaft des Judentums" (Ciência do Judaísmo), cujos representantes começaram a aplicar aos textos rabínicos com métodos históricos e filológicos que também eram usados em outros campos das humanidades. A aplicação de métodos e teorias de áreas afins, como a teoria literária, permite ver os textos de uma nova perspectiva.

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