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Beth Carvalho

Elizabeth "Beth" Santos Leal de Carvalho OMC, foi uma cantora, compositora e instrumentista brasileira. Desde que começou a fazer sucesso, na década de 1970, Beth se tornou uma das maiores intérpretes do samba, ajudando a revelar nomes como Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, grupo Fundo de Quintal, Arlindo Cruz e Quinteto em Branco e Preto.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Biografia

Vida pessoal

Beth era filha de João Francisco Leal de Carvalho, piauiense, e Maria Nair Santos. Tinha uma única irmã, chamada Vânia Santos Leal de Carvalho. Decidiu seguir a carreira artística após ganhar um violão da mãe. Aos oito anos, ouvia emocionada as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, grandes amigos de seu pai, que era advogado. Sua avó paterna, dona Ressu, tocava bandolim e violão. Sua mãe tocava piano clássico. Sua irmã Vânia cantava e gravou discos de samba. Beth fez balé por toda infância e na adolescência estudou violão, numa escola de música. Seguindo essa área, se tornou professora de música e passou a dar aulas em escolas locais. Morou em vários bairros do Rio e seu pai a levava com regularidade aos ensaios das escolas e rodas de samba, onde ela dançava em apresentações nas festas e reuniões musicais com seus amigos. Assim, na década de 1960, surgia a cantora Beth Carvalho, influenciada por tudo isso e pela bossa nova, gênero musical que passou a gostar depois de ouvir João Gilberto, passando a compor e a cantar.

Problemas de saúde

Em 2010, Beth Carvalho sofreu uma fissura no sacro, osso localizado na base da coluna vertebral. Devido a esse problema, Beth passou a se apresentar deitada em uma cama, sem poder nem se sentar ou andar. O problema foi agravado por uma neuropatia, causada por ela ter ficado muito tempo na mesma posição durante a cirurgia na coluna. O problema na coluna vertebral foi provocado por uma artrose no fêmur que fazia com que a cantora andasse mancando, causando a fissura. No entanto, ela sempre se demonstrou otimista pela recuperação e feliz por receber o total apoio da família e dos amigos. No final de 2010 Beth voltou aos palcos em um show no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Após a recuperação, teve novas complicações na coluna, ficando durante um ano e um mês no hospital, em uma das últimas semanas no hospital, teve uma infecção pulmonar em decorrência de uma infecção num cateter, precisando ser internada no CTI. Depois da alta hospitalar no final de agosto de 2013, realizou um show de retorno no dia 7 de setembro na casa de shows Vivo Rio.

Morte

Beth Carvalho faleceu em 30 de abril de 2019, aos 72 anos. Estava internada desde o dia 8 de janeiro, no Hospital Pró-Cardíaco Rio. A causa foi uma infecção generalizada. O velório aconteceu no Salão Nobre da sede do Botafogo de Futebol e Regatas. A morte de Beth repercutiu no meio cultural, artístico e político. A Estação Primeira de Mangueira, em suas redes sociais lembrou de Beth como "um dos mais importantes nomes do samba e voz que cantava com alma as cores de nosso pavilhão". O Cacique de Ramos, lembrou da trajetória artística "firmando-se como madrinha de uma geração de sambistas, e também da nossa agremiação". Maria Bethânia, Nelson Sargento, Leandro Vieira, Diogo Nogueira, Moacyr Luz, Zeca Pagodinho, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elza Soares, Gal Costa, Péricles, Regina Casé, Daniela Mercury, Maria Rita, Luiz Antonio Simas, dentre outros, usaram as redes sociais para homenagear a cantora. No âmbito político, a trajetória e lutas de Beth foi lembrada pela ex-presidente Dilma Rousseff, "Beth Carvalho também deixa importante legado na identificação com as causas e lutas do povo. Me honrou com seu apoio nas campanhas" e pelo ex-presidente Lula. O Governo do Estado do Rio, lamentou a morte destacando-a como uma das melhores e mais importantes cantoras do país. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, afirmou que "Beth eternizou alguns dos momentos mais belos da música brasileira".

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Carreira

A carreira de Beth Carvalho se originou na bossa nova. No início de 1968 participou no movimento Musicanossa, criado pelos músicos Armando Schiavo, e Hugo Bellard. Os espetáculos eram realizados no Teatro Santa Rosa, em Ipanema, onde teve a oportunidade de gravar uma das suas canções "O Som e o Tempo", no longplay do Musicanossa. Nesta época ela gravou com o cantor Taiguara, pela gravadora Emi-Odeon. Em 1965, gravou o seu primeiro compacto simples com a música Por Quem Morreu de Amor, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Em 1966, já envolvida com o samba, participou do show A Hora e a Vez do Samba, ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela. Vieram os festivais e Beth participou de quase todos: Festival Internacional da Canção (FIC), Festival Universitário, Brasil Canta no Rio, entre outros. No FIC de 68, conquistou o 3º lugar com Andança, de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi, e ficou conhecida em todo o país. Além de seu primeiro grande sucesso, Andança é o título de seu primeiro LP lançado no ano seguinte. A partir de 1973, passou a lançar um disco por ano e se tornou sucesso de vendas, emplacando vários sucessos como 1 800 Colinas, Saco de Feijão, Olho por Olho, Coisinha do Pai, Firme e Forte, Vou Festejar, Volta por Cima, Acreditar, Mas Quem Disse que Eu te Esqueço. Beth Carvalho é reconhecida por resgatar e revelar músicos e compositores do samba. Em 1972, buscou Nelson Cavaquinho para a gravação de Folhas Secas e em 1975 fez o mesmo com Cartola, ao lançar As Rosas Não Falam. Pagodeira, conheceu a fertilidade dos compositores do povo e, mais do que isso, conheceu os lugares onde estavam, onde viviam, onde cantavam e tocavam. Frequentadora assídua dos pagodes, entre eles os do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, Beth Carvalho revelou artistas como o grupo Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão , Bezerra da Silva e muitos outros. Por essa característica, Beth ganhou a alcunha de "Madrinha do Samba". Mais do que isso, a cantora trouxe um novo som ao samba, porque introduziu em seus shows e discos instrumentos como o banjo com afinação de cavaquinho, o tantã e o repique de mão, que até então eram utilizados exclusivamente nos pagodes do Cacique.

Festivais

Aos dezenove anos fica em terceiro lugar no III Festival Internacional da Canção de 1968, com a canção Andança, sendo seus compositores Paulinho Tapajós, Danilo Caymmi e Edmundo Souto, vocal: Golden Boys, da TV Globo - Canal 4, do Rio de Janeiro, atual Rede Globo. Participou dos festivais de música das TV Excelsior, TV Record e TV Tupi. É estudiosa dos sambas brasileiros. Chegando a trabalhar com o legendário escritor e compositor Nelson Sargento. Em 1971, Beth era a supercantora da escola de samba Unidos de São Carlos, atual GRES Estácio de Sá, indo para a Estação Primeira de Mangueira, e se dedicando totalmente a verde e rosa, que são as cores da escola. Conheceu Jorge Aragão no bloco carnavalesco Cacique de Ramos . Onde cantava e desfilava animada, junto com o bloco. Jorge Aragão deu para ela gravar em 1977, a música Vou Festejar, dele de Dida e Neoci. Ela é um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira, com dezenas de sucessos e participações importantes em diversos movimentos de apoio para música brasileira.

Turnês e descobertas

Fez turnês em Lisboa, Montreux, Paris, Madri, Atenas, Berlim, Miami e São Francisco. Nesses anos todos de carreira descobriu talentos, tais como Jorge Aragão, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Gracia do Salgueiro, Sombrinha, Arlindo Cruz, Quinteto em Branco e Preto, Zeca Pagodinho, Yamandú Costa e Alessandro Penezzi.

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Ativismo

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

Era admiradora de Leonel Brizola, Fidel Castro e Hugo Chávez. Era torcedora do Botafogo e filiada ao PDT. Apoiou Brizola nas eleições de 1989 e 1994 e Luiz Inácio Lula da Silva em todas suas campanhas presidenciais. Entoou o jingle ''La la la la Brizola'' e integrou o coro que entoou o jingle "Lula Lá" em 1989. Em 2010, apoiou a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. Em 2014, apoiou sua reeleição. Também apoiava o MST. Apoiou o Movimento Lula Livre, que pedia a liberdade do ex-presidente Lula. No mês seguinte ao seu falecimento na Comissão de Cultura deputadas relembraram seu engajamento na luta pela democracia no contexto da ditadura civil militar e sua contribuição a cultura desse país continental.

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Polêmicas

No carnaval de 2007, foi injustiçada pela diretoria da Mangueira, sua escola de samba. Com problemas na coluna, pediu um carro alegórico para desfilar e foi atendida. Entretanto, no dia do desfile foi impedida de subir no carro, por Raimundo de Castro, um membro baluarte da Escola, que invocou o fato de ela não ser baluarte. (Entende-se por baluarte uma pessoa, ainda viva, de destacada importância para uma escola de samba, que teve notória atuação dentro da comunidade para que uma escola ser o que ela é).) Isso deixou Beth muito desapontada com os diretores da escola, pois no ano anterior, ela havia saído no mesmo carro, autorizada por Alvinho, presidente da escola na época. Desde o episódio, Beth se afastou dos eventos da escola. No carnaval de 2008, Beth participou da homenagem a Cartola, mas fora da Mangueira. A cantora saiu na Viradouro, que também homenageou o centenário do compositor fundador da escola verde e rosa. Beth afirmou, em nota publicada em seu site oficial que "jamais deixaria de ser mangueirense, e que estará sempre com o seu coração na verde e rosa".

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Homenagens Póstumas

Imagem: alexdecarvalho · BY · Openverse

Beth Carvalho recebeu como homenagem póstuma pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro a denominação de um logradouro público na cidade; desde 12 de agosto de 2020 a pequena praça em frente a sede social do clube Botafogo de Futebol e Regatas passou a se denominar como Largo Beth Carvalho, No mesmo local há a estátua famosa e tradicional do Manequinho, mascote do clube. Ela fica situada no bairro do Botafogo, na Zona Sul da cidade. Tal ato, também, fez parte das homenagens ao dia do aniversário de 116 anos do futebol do clube Botafogo. Em 2024 a área pública foi revitalizada e a tradicional estátua voltou a jorrar água no chafariz, conforme anteriormente acontecia tempos atrás. No ano de 2022 foi lançado o filme Andança: Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho, com direção de Pedro Bronz; um documentário ressalta sua paixão pelo samba, pelo time do Botafogo e também pelo ativismo político.

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