Concreto armado
O concreto armado, conhecido em Portugal como betão armado, é um sistema estrutural crucial na construção civil, destacando-se como um dos elementos mais importantes do século XX. Sua principal característica é a combinação do concreto, que resiste à compressão, com uma armadura metálica que absorve os esforços de tração. Essa sinergia o torna ideal para as estruturas de edifícios.
Pontos-chave
- O concreto armado combina concreto (resistente à compressão) com armadura metálica (resistente à tração).
- É um sistema estrutural fundamental na construção civil, especialmente em edifícios.
- A armadura é montada com vergalhões de aço para resistir a tração, flexão, torção e esforço cortante.
- As formas (cofragens) são essenciais para moldar o concreto e a armadura, exigindo bom escoramento.
- A ABNT NBR 6118:2014 orienta o cálculo e projeto, definindo domínios de deformação para concreto e aço.
Para garantir a qualidade e adequação do concreto à sua finalidade, é fundamental executar com perfeição as operações básicas de sua produção. Essas etapas influenciam diretamente as propriedades do concreto após o endurecimento, assegurando seu desempenho estrutural.
A armadura é um componente vital do concreto armado, preferencialmente especificada por um engenheiro projetista. Ela é composta por varões nervurados (vergalhões) longitudinais e estribos transversais, geralmente em diâmetros que variam de 6 a 32mm, podendo chegar a 40 ou 50mm em casos extraordinários. O aço da armadura confere resistência à tração e auxilia na compressão, contribuindo significativamente para a resistência a esforços de flexão. Os estribos são cruciais para a resistência à torção e ao esforço transverso (cortante), enquanto a armadura longitudinal também influencia a resistência à torção. No concreto armado, o aço recebe os esforços, sendo também denominado armadura frouxa ou passiva, presente inclusive em peças protendidas para garantir uma distribuição adequada de tensões.
As formas, conhecidas em Portugal como cofragens, são estruturas temporárias que moldam o concreto. Tradicionalmente feitas de tábuas de madeira ou chapas de madeira compensada reforçadas com sarrafos, hoje também são utilizadas chapas metálicas. As formas recebem primeiramente a armadura e, em seguida, o concreto. É imprescindível um escoramento adequado para evitar qualquer movimentação da estrutura antes que o concreto atinja a resistência necessária, garantindo a integridade e geometria da peça.
O cálculo de estruturas de concreto armado é regido pela norma brasileira ABNT NBR 6118:2014. Esta norma estabelece nomenclaturas e requisitos essenciais para o projeto de elementos em concreto simples, armado e protendido. Para elementos submetidos a solicitações normais e concretos com resistência de até 50MPa, a norma define que a deformação máxima para o concreto (εc) deve ser de 0,35% e para o aço (εs) de 1%. Com base nessas premissas, são definidos 5 domínios de deformações, que orientam o dimensionamento e a verificação estrutural.
Imagem: biabnasci · BY-NC-SA · Openverse
Apesar de sua robustez, o concreto armado pode sofrer corrosão em poucas décadas sob certas condições, especialmente quando exposto às intempéries. Este problema, identificado desde 1899, ganhou maior visibilidade nas décadas de 1970 e 1980. Em resposta, diversas técnicas de manutenção, intervenção e proteção foram desenvolvidas para mitigar e combater a degradação, prolongando a vida útil das estruturas.


