Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul)
Bento Gonçalves é um município do estado do Rio Grande do Sul, na Região Sul do Brasil. Ao longo de sua história, já foi conhecido como Cruzinha e Colônia Dona Isabel. A cidade foi erguida na sede da Colônia Dona Isabel, distrito da cidade de Montenegro até 1890. A área era percorrida por indígenas caingangues, os quais se fixavam em pequenos grupos, especialmente nas margens do Rio das Antas, mas estes foram desalojados progressivamente pelos chamados "bugreiros", abrindo espaço, no final do século XIX, para que o governo do Império do Brasil decidisse colonizar a região com uma população europeia. Desta forma, milhares de imigrantes, em sua maioria italianos da região do Vêneto, mas com alguns integrantes de outras origens como alemães, franceses, espanhóis e polacos, cruzaram o mar e subiram a Serra Gaúcha, desbravando uma área ainda quase inteiramente virgem.
A cidade recebeu o atual nome em 1890 por ocasião de sua emancipação, decidindo o governo provincial dar o nome de Bento Gonçalves, em homenagem a Bento Gonçalves da Silva, principal líder da Revolução Farroupilha e por cinco anos presidente da República Rio-Grandense. Anteriormente, foi chamada de Colônia Dona Isabel e também conhecida como Cruzinha. Ainda antes de se iniciar a imigração italiana, a região onde hoje está a cidade era chamada de Cruzinha por tropeiros que ali passavam, já que havia uma pequena cruz no local. Este nome, embora não oficial, designou a área por alguns anos, especialmente entre os anos de 1870 e 1875, enquanto era realizada a demarcação dos lotes que os imigrantes ocupariam, por ser um marco e ponto de referência. Em 1870 é criada oficialmente a Colônia Dona Isabel, por decreto do governador da província, cujo nome foi uma homenagem à Princesa Isabel. O local, mesmo com o nome oficial de Colônia Dona Isabel, ainda era conhecido como Cruzinha, até que, após o estabelecimento da sede da Colônia e a chegada dos primeiros imigrantes em dezembro de 1875, o nome Cruzinha foi caindo em desuso, sendo designado apenas por Dona Isabel.
Contexto histórico
No final do século XIX, enquanto havia excesso de população na Europa, o Brasil modificou sua política de mão-de-obra e de terras. A maior parte do território brasileiro estava desabitada e sofria com a carência de mão-de-obra livre. Com o processo imigratório, o Brasil teria seus problemas resolvidos pela substituição da mão-de-obra escrava na lavoura e pelo povoamento de áreas desocupadas, com ênfase ao desenvolvimento agrícola das regiões do sul do Brasil. O território do Rio Grande do Sul ficou definido após três séculos e meio da chegada dos portugueses e espanhóis, onde ocorreram diversos conflitos pela disputa da terra. Pela ausência de recursos naturais do antigo sistema colonial, o Rio Grande do Sul ficou cinquenta anos isolado dos interesses tanto de Portugal quanto da Espanha.
Imigração
Em 1870, na Itália, chegava ao fim o movimento de unificação do país, onde as formas feudais são substituídas pelo capitalismo moderno. Mas antes, em 1855, o governo italiano institui altos impostos, endividando os pobres que perderam as terras para o governo ou para os proprietários maiores, também chamados de senhores, lembrando o feudalismo. O excesso de população aliado à doenças endêmicas e ao horror à guerra e ao serviço militar, deixaram o povo italiano sem perspectivas de melhorar sua própria qualidade de vida. A solução encontrada na época para uma vida mais digna era emigrar. Desde a Idade Média, a Itália estava dividida em diversos estados, inclusive no século XIX, era constituída por algumas unidades políticas independentes. Com a difusão de ideias nacionalistas, além de um considerável crescimento do movimento liberal presente, a formação de um país unificado passou a ser defendida até mesmo pela burguesia. Surgiram ainda alguns conflitos entre as regiões do norte e sul, já que a porção norte tinha uma relação mais estreita com a Europa Central, que apresentava um alto e rápido nível de desenvolvimento industrial para a época, enquanto a porção sul tinha um povo com costumes mais arcaicos, com predomínio de estruturas latifundiárias.
Chegada à colônia
A primeira leva desta corrente migratória chegou ao Brasil em 1875, fixando-se principalmente na região que hoje corresponde a Serra Gaúcha, onde haviam sido delimitadas, a partir de 1870, as colônias Conde d'Eu, Dona Isabel e Caxias, perfazendo as três primeiras colônias de imigração. Após alguns anos, o aumento da densidade populacional tornou os lotes pequenos, o que causou a mudança de local de imigrantes da região, onde alguns que estavam situados na Colônia Dona Isabel se transferiram para a colônia de Encantado. Posteriormente, a colônia de Encantado estava tão cheia que, no início do Século XX, às margens do Rio Taquari, iniciou sua expansão em direção ao norte, onde foram ocupadas as áreas que hoje pertencem aos municípios de Nova Bréscia, Putinga, Anta Gorda, Ilópolis e Arvorezinha. Da mesma forma, após a delimitação da colônia de Guaporé, os lotes restantes foram ocupados pelos filhos e netos dos imigrantes que inicialmente foram assentados nas colônias de Caxias (Caxias do Sul), Dona Isabel (Bento Gonçalves) e Alfredo Chaves (Veranópolis).
Colônia Dona Isabel
Até 1870, o território onde atualmente é Bento Gonçalves chamava-se Cruzinha, onde existem duas teses que definem o nome: o local onde morreu e foi enterrado um traçador de estradas; ou o local onde era o túmulo de um tropeiro. O Ato de 24 de maio de 1870, assinado pelo Presidente da Província João Sertório, determinou a criação das Colônias Dona Isabel e Conde d'Eu, deslocando para a região engenheiros, agrimensores e demais funcionários nomeados pela administração provincial a fim de demarcarem as linhas e lotes. Este foi o local em que grande parte dos imigrantes de origem italiana se estabeleceu pós-1875. A colônia Dona Isabel, situada às margens do Rio das Antas, possuía cerca de 11,5 léguas quadradas, e ficava a cerca de 72 quilômetros distante da colônia sede, São José de Montenegro. Embora a altitude fosse de apenas 770 metros, as temperaturas costumavam-se ser muito baixas, não sendo rara a neve entre os meses de setembro e outubro, porém os colonos encontraram uma estabilidade de temperatura ideal para a plantação de culturas como milho, cevada, centeio, aveia, linho e algodão. O Rio das Antas, que atravessava a colônia, era totalmente navegável e era utilizado também para o transporte de madeira, através de barcos de vapor que seguiam até Porto Alegre. A população que habitava a colônia era bastante longeva, sendo que em um ano foram registradas apenas 37 mortes, em uma população que beirava as 14 mil pessoas, o que era atribuído a carga de trabalho aplicada, o que tornava as pessoas mais resistentes à doenças e complicações.
Emancipação
Em 11 de outubro de 1890, o governador Cândido Costa publicou o Ato nº 474, o qual desmembrava a Colônia Dona Isabel de São João de Montenegro, emancipando o município. O mesmo determinava ainda que o novo município se chamaria "Bento Gonçalves", em uma homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, principal líder da Revolução Farroupilha e presidente da República Rio-Grandense entre 1836 e 1841. No dia 24 de novembro de 1892, foi instalado o primeiro Conselho Municipal, encarregado de administrar o município, composto por sete cidadãos, que indicaram o coronel Antônio Joaquim Marques de Carvalho Júnior para ser o primeiro intendente do município, o mesmo que promulgou, mo mesmo dia, a Lei Orgânica do Município. O coronel Antônio foi reeleito para o cargo em três oportunidades (1895, 1900 e 1904), permanecendo no cargo por 32 anos.
Desenvolvimento
Entre os fatos marcantes dos primeiros anos do município, podem ser citados: em 1905, um levante geral da população bento-gonçalvense contra a criação de um imposto no valor de 48 mil réis sobre os filhos que viviam com seus pais; em 1910 é fundado o "Jornal Bento Gonçalves", uma escola de ensino superior, implantado o telefone municipal, além do primeiro estabelecimento vinícola; em 1916, foram abertas as propostas para a implantação do ramal férreo entre o município e Garibaldi; em 1917, ocorreu a instalação da primeira agência do Banco da Província no município e a instalação da escola agrícola; em 1919, a inauguração do Clube Esportivo Bento Gonçalves, primeira agência do Banco Nacional do Comércio no município; em 1923 ocorreu a inauguração da usina hidrelétrica, causando a instalação de luz elétrica no município; e em 1926, a inauguração do Banco Popular do Rio Grande do Sul.
Bento Gonçalves é um município do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Está localizado a uma longitude de 51º31'08'' oeste e a uma latitude de 29º10'15'' sul. Pertence à Região Geográfica Intermediária de Caxias do Sul e à Região Geográfica Imediata de Bento Gonçalves, além de fazer parte da Região Metropolitana da Serra Gaúcha. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, tem uma área de 274 km². Está a 109 quilômetros de distância da capital do estado, Porto Alegre, e 1,9 mil quilômetros de Brasília, capital federal. Faz divisa com os municípios de Veranópolis ao norte, Pinto Bandeira a leste, Farroupilha a sudeste, Garibaldi a sul, Santa Tereza a sudoeste, Monte Belo do Sul a oeste e Cotiporã a noroeste.
Relevo
Localizada na região fisiográfica do Rio Grande do Sul denominada Encosta Superior do Nordeste, parte da Serra Geral, o núcleo urbano original da cidade foi erguido sobre uma extensão em forma de península do Planalto de Vacaria, um antigo derrame basáltico sobre uma base granítica, cuja topografia é um declive contínuo, mas suave, desde a fronteira do estado de Santa Catarina, com uma inclinação média de cerca de dois metros por quilômetro. Bento Gonçalves situa-se a uma altitude de 691 metros, sendo um dos municípios mais elevados da Serra Gaúcha e do estado do Rio Grande do Sul. O relevo do município é formado predominantemente pelo planalto, contendo pequenas falhas geológicas, vales, poucas áreas planas e muitos morros. O mesmo originou-se na era mezosóica, com sucessivos derramamentos de lavas sobre o deserto de Botucatu, através de rachaduras na superfície, formando as rochas ígneas extrusivas. As rochas extrusivas são as que se originaram das lavas resfriadas na superfície de terra, formando o basalto, que é uma rocha escura com pequena quantidade de silício, constituindo solos argilosos muito férteis.
Hidrografia
A hidrografia de Bento Gonçalves é composta por um rio principal, seus afluentes e subafluentes. O rio principal é chamado de Rio das Antas, nascendo na cidade de São José dos Ausentes e percorrendo vários municípios, contornando as encostas gaúchas. O rio recebe vários nomes desde a sua nascente até a foz, trocando de nome na confluência com o rio Carreiro, na divisa dos municípios de São Valentim do Sul e Santa Tereza, onde passa a se chamar Rio Taquari, que desemboca no Rio Jacuí e este no Lago Guaíba, que, em seguida, desemboca na Laguna dos Patos e após no Oceano Atlântico. O rio das Antas faz divisa entre os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis, onde a ligação entre estes municípios é feita através da ponte Ernesto Dornelles, a qual é a única ponte do estado sem pilares, sustentada apenas por dois arcos paralelos.
Clima
O município de Bento Gonçalves localiza-se ao sul do Trópico de Capricórnio, portanto seu clima é classificado como subtropical úmido, com invernos frios e verões quentes, sendo outono e primavera consideradas estações de transição. A umidade do ar é relativamente elevada e as chuvas são regulares e abundantes durante o ano todo, com índice pluviométrico de aproximadamente 1 800 milímetros (mm) anuais. Esporadicamente também podem ocorrer quedas de neve, tal como a ocorrida em 1979, durante uma partida de futebol entre o Esportivo e o Grêmio, que ficou conhecida como "Jogo da Neve". No município, predominam as chuvas frontais ou ciclonais, devido ao contato de frentes quentes e frias, resultando em uma queda de temperatura e precipitações. Quando há temperatura elevada e grande evaporação, ocorrem chuvas convectivas, que acontecem, geralmente, no verão. As alterações de temperatura são bastante influenciadas pela altitude, já que por exemplo o centro da cidade, que possui maior altitude, tem uma temperatura mais baixa em relação ao vale do Rio das Antas, que está em uma altitude menor. Devido à localização latitudinal e por estar distante do mar, o município possui temperaturas mais baixas, principalmente, no inverno. Muitas vezes, as temperaturas ocasionam mudanças nos cultivos agrícolas por serem variadas durante o dia.
Vegetação
A vegetação do município é formada principalmente por araucárias, com alternância de ipês, cedros, pitangueiras, cerejeiras, erva-mate, louros, goiabeiras, quaresmeiras, primavera, canjeranas, angico, Pata-de-Vaca, entre outras, constituindo uma floresta subtropical. A araucária se expandiu no município com ajuda da gralha azul, que enterrava os pinhões e os esquecia, além de ser influenciada pelas condições do clima úmido e frio. O município é constituído por aproximadamente 32% de mata nativa, que são árvores de grande porte consideradas "porta-sementes", alimentam animais e se encontram em áreas de declividade, próximas aos rios. O restante das matas é constituído por capoeirões, que substituíram a mata nativa. Existem também áreas de reflorestamento com pinheiros, eucaliptos e uvaias, muitas vezes desequilibrando o ecossistema da região por serem originárias de outros locais. Ainda assim, ocorrem contínuos desmatamentos e queimadas nas áreas rurais para o cultivo de produtos agrícolas, o que é proibido segundo o Código de Meio Ambiente, devendo substituir o corte da árvore por outra semelhante, o que pouco acontece.
O município é um polo de atração migratória da região, e possui 16% da população da Região Metropolitana da Serra Gaúcha (RMSG), com taxas de crescimento entre 25 e 30% a cada década. A RMSG é composta pelos municípios de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Santa Tereza e São Marcos. Perfazia, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2019, uma população de 827 725 habitantes. Em 2017, a população total do município era de 115 069 habitantes, com uma densidade demográfica de 280,86 hab/km². A expectativa de vida ao nascer em 2010 era de 75,52 anos, o Índice de Mortalidade Infantil em 2013 era de 8,17 por mil nascidos vivos. Em 2010, a taxa de urbanização era de 91,4%, com 92,5% da população vivendo em zona urbana. A pirâmide etária mostrava 16% da população com menos de 15 anos, 70,6% entre 15 e 64 anos, e 13,4% acima de 65 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano era de 0,778, fazendo a cidade ocupar a 145ª posição entre os municípios brasileiros e a 16ª posição no estado. O Coeficiente de Gini, um indicador de desigualdade social, era de 0,45, revelando média concentração de renda.
O município de Bento Gonçalves figura entre as dez maiores economias do Rio Grande do Sul. Os principais setores que movem o município são o moveleiro e o vitivinícola, mas também há força nos setores alimentício e metalúrgico. O município é sede de cinco das quinhentas maiores empresas do Sul do Brasil (Todeschini, Vinícola Salton, Bertolini, Unicasa e Newsul), sendo três indústrias moveleiras, uma vinícola e uma indústria de embalagens. Em 2015, o Produto Interno Bruto municipal era de 5,2 bilhões de reais, enquanto o produto interno bruto per capita era de 46,3 mil reais. No ano de 2014, em relação às finanças públicas, as receitas orçamentárias contabilizavam 387,6 milhões de reais, e as despesas chegaram a 333 milhões de reais, com um superávit de 54 milhões de reais. O setor de serviços correspondem a 59,28 por cento do valor adicionado bruto, enquanto a indústria e agropecuária contribuem com 38,29 por cento e 2,42 por cento, respectivamente.
Setor moveleiro
O setor industrial, com todas suas atividades, é o mais importante setor do município, sendo responsável em 2016 por 64,8% do faturamento bruto do município. Dentro do setor industrial como um todo, o segmento moveleiro é o mais importante, já que é responsável por 36% do faturamento bruto municipal. Dentro da indústria da transformação do município, o setor moveleiro corresponde ainda a 36,6% dos empregos formais (6,1 mil) e 46,1% das exportações. A quantidade de empresas moveleiras em Bento Gonçalves, segundo dados do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves, é de 300 empresas. Estes dados são próximos dos divulgados pelo Ministério do Trabalho, que apresentou 263 empresas ativas e com funcionários registrados, correspondendo a, na maioria, microempresas (75% do total).
Setor metalúrgico e construção civil
O setor metalúrgico, que inclui também os setores mecânico e de material elétrico, ocupa o segundo lugar na hierarquia sócio econômica do município. Estima-se uma participação de 19,3% sobre o faturamento bruto total da indústria de transformação e 12,4% sobre o faturamento bruto total do município. Conforme informações do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (SIMMME), a base territorial é composta de aproximadamente por 330 indústrias, que fecharam o ano de 2016 com cerca de 3,9 mil empregos. O faturamento foi de mais de 500 milhões de reais, enquanto as exportações atingiram a casa dos 11 milhões de dólares no mesmo ano.
Setor vitivinícola
Conhecida como a "capital brasileira do vinho", o município se configura como o maior produtor de uva, vinhos e derivados do Brasil. Várias das empresas de grande destaque no cenário nacional têm sua sede dentro da cidade ou no interior, como a Vinícola Aurora, maior cooperativa de vinhos do Brasil, Miolo Wine Group, que recebe investimentos de grandes empresários do país, Casa Valduga, a maior vinícola situada no Vale dos Vinhedos, e Vinícola Salton, considerada o maior complexo vitivinicultor da América Latina. Além de grandes empresas, também há diversidade de pequenas vinícolas familiares, que contribuem para a qualidade dos produtos elaborados, totalizando 68 vinícolas instaladas no município. O município foi a primeira região do Brasil a obter uma indicação de procedência especial, que eleva a qualidade do vinho produzido no município a um nível mundial.
Turismo
O turismo em Bento Gonçalves é uma das principais atividades econômicas da cidade, englobando mais de cinquenta setores produtivos e exigindo o trabalho de diversas categorias técnicas e profissionais. Reconhecida como um dos principais destinos de enoturismo no Brasil, Bento Gonçalves é referência em turismo no Rio Grande do Sul, competindo com destinos populares como Gramado e Canela. Em 2016, conforme levantamento do Observatório de Turismo do Rio Grande do Sul, Bento Gonçalves foi o segundo destino mais ofertado por operadoras turísticas brasileiras, reforçando seu apelo turístico. Já no ano seguinte, o mesmo observatório apontou que a maioria dos turistas vem do Brasil, principalmente dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina, e possui perfil de renda de classe média a média-alta.
O Poder Executivo local é representado pelo prefeito municipal Amarildo Lucatelli, do Progressistas (PP), eleito vice-prefeito nas eleições de 2024, mas que assumiu a titularidade após a renúncia de Diogo Siqueira em 30 de março de 2026, além de seus secretários, coordenadores e diretores de status equivalente. A administração é partilhada pelo prefeito com seus quatro subprefeitos. A cidade é dividida em 46 bairros e cinco distritos: Sede, Faria Lemos, São Pedro, Tuiuti e Vale dos Vinhedos. O Poder Legislativo é representado pela Câmara Municipal de Vereadores. Na 19ª Legislatura, entre 2025 e 2028, a Câmara será composta por 17 vereadores: 5 do Progressistas (PP), 4 da Federação PSDB Cidadania, 3 do Partido Liberal (PL), 2 do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), 1 do Partido Democrático Trabalhista (PDT), 1 do Republicanos e 1 do União Brasil. A Mesa Diretora é presidida pelo vereador Rafael Pasqualotto (PL) até 31 de dezembro de 2024.
Cidades-irmãs
Em 2007, o então prefeito de Bento Gonçalves Alcindo Gabrielli firmou um acordo de irmandade com cinco cidades italianas, uma argentina e uma portuguesa. Esse acordo facilita o acesso a informações, troca de experiências, construção de projetos e cooperação econômica e cultural. As cidades que foram incluídas no acordo são:
O município conta com água tratada, energia elétrica, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Em 2010, 100% dos domicílios urbanos eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água e todas moradias possuíam lixo coletado. O município é sede da reitoria e do Campus Bento Gonçalves do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), oferecendo gratuitamente ensino médio, cursos técnicos, graduação e pós-graduação. Também funcionam unidades da Faculdade de Tecnologia da Serra Gaúcha, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação e extensão em análise de sistemas, administração, ciências contábeis, design gráfico, design de moda, design de produto, engenharia civil, engenharia de produção, engenharia mecânica, gestão financeira, gestão da qualidade total, recursos humanos, processos gerenciais e psicologia. Na cidade também funcionam polos de instituições pertencentes ao Sistema S, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e Serviço Social do Comércio (SESC), voltados a formação de trabalhadores do setor comercial, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e Serviço Social da Indústria (SESI), voltados a formação de trabalhadores do setor industrial, e o Serviço Social do Transporte (SEST) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), voltados a formação de trabalhadores do setor de transportes, além do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), que oferece assessoramento aos microempresários.
Água, saneamento, energia e habitação
A água que abastece o município é proveniente dos arroios Barracão e Burati, próximos ao município de Pinto Bandeira, os quais são alvo de grande debate pela população, principalmente pela ação de empresas que despejam seus poluentes nas proximidades. O serviço de abastecimento de água é feito pela Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN). Segundo dados da entidade, 100% da população urbana e 93,8% da população total do município recebem água, captada nos arroios Barracão e Burati. Outros 6,1% da população obtém água de poços ou nascentes, e 0,1% de outras formas. A preocupação com o esgoto é recente na cidade, que historicamente priorizou o abastecimento de água. O esgoto era recolhido em fossas privadas ou lançado na rede de esgoto pluvial. Somente em 1997 começou a funcionar efetivamente um sistema de coleta com tratamento. Desta forma, a quantidade de esgoto coletado contemplava até há poucos anos somente uma pequena porcentagem da população, mas todo o material coletado era já tratado. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), 47,3% das residências eram atingidas pela rede geral de esgoto; 40,4% utilizam fossa séptica; 10,7% utilizam fossa rudimentar; 0,8% despejam o esgoto em valas; 0,5% despejam em rios ou lagos; 0,2% utilizam outras formas de esgotamento; e 0,1% das residências não possuem banheiro ou sanitário.
Saúde
Em 2016, o município contava com 89 estabelecimentos de saúde registrados ao Ministério da Saúde, sendo 39 com atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Um estabelecimento oferecia internação total, 22 ofereciam atendimento ambulatorial total (todos pelo SUS), quatro com serviço de emergência e uma com UTI. O único hospital do município é o Hospital Tacchini, contando com especializações em várias áreas como pediatria, cirurgia, ginecologia-obstetrícia, psiquiatria, oncologia, medicina interna, neurologia, ortopedia e muitas outras. O hospital, de administração privada, conta com 301 leitos, distribuídos em três Unidades de Tratamento Intensivo (UTI's) (Adulta, com 19 leitos; Pediátrica, com nove leitos e Neonatal, com dez leitos) e dez unidades de internação. Conta ainda com um Centro Cirúrgico, que inclui 16 salas de cirurgias gerais ou ambulatoriais, Centro Obstétrico, que conta com 5 quartos PPP (pré-parto, parto e pós-parto), e um Pronto-Socorro, que tem cerca de 7 mil atendimentos por mês. Além disso, o hospital conta com uma estrutura para realização de diversos exames de imagem, como densitometria óssea, ecografia, eletrocardiografia, mamografia, radiologia, ressonância magnética e tomografia computadorizada, e laboratoriais, além de ser um polo regional na oncologia, contando com 32 leitos para quimioterapia e recebendo pacientes de 22 municípios da Serra Gaúcha. Está em fase de construção ainda o Hospital do Trabalhador, que terá atendimento completamente voltado ao Sistema Único de Saúde, condições de atender até 450 pacientes por dia.
Segurança pública
A provisão de segurança pública do município é dada por diversos organismos. No ano de 2018, a prefeitura municipal implantou o serviço de Guarda Civil Municipal, que protege bens, serviços e instalações do Município e colabora com o órgão de fiscalização municipal. A Comissão Municipal de Defesa Civil se responsabiliza por ações preventivas, assistenciais, recuperativas e de socorro em situações de risco público. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) elabora políticas públicas de proteção e combate à violência contra a mulher. A Brigada Militar, uma força estadual, mantém na cidade o 3º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (3º BPAT), com um efetivo de 502 pessoas. Entre suas várias atribuições estão o policiamento ostensivo, o patrulhamento bancário, ambiental, prisional, escolar e de eventos especiais, além de realizar ações de integração social, como o Programa Social Educativo de Profissionalização de Adolescentes, o Programa de Equoterapia para crianças e adolescentes com problemas psicomotores, o PROERD, de combate e conscientização sobre o uso de drogas entre escolares, e a Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente, em parceria com entidades governamentais, não governamentais, conselhos setoriais e Poder Judiciário, dinamizando ações em diversas áreas de atenção à criança, ao adolescente e suas famílias. O Corpo de Bombeiros, através do 5º Batalhão de Bombeiros Militares, também faz a prevenção e combate a incêndios e executa ações de busca e salvamento e de Defesa Civil. A Polícia Civil de Bento Gonçalves efetua ações de combate ao jogo clandestino, às drogas, aos roubos e furtos e aos crimes contra a vida, e desenvolve projetos de proteção à criança e ao adolescente e de conscientização ecológica, através do 1º e 2º Distritos Policiais.
Educação
Na educação, a rede municipal de ensino conta com uma escola de ensino médio, 23 escolas de ensino fundamental, 38 de educação infantil, com mais de 996 professores que atendem inclusive educação especial e educação de adultos, para um público total de 9 978 alunos em 2017. A rede estadual, em 2017, contava com dois estabelecimentos de educação infantil, 19 escolas de ensino fundamental e seis escolas de ensino médio, abrangendo cerca de 4 098 alunos. A rede particular contemplava nesse mesmo ano 2 401 matriculados em 33 estabelecimentos, desde a creche ao ensino médio e à educação especial. Conforme dados do Sebrae de 2016, o município conta com uma taxa de aprovação de 89% no ensino fundamental e 76% no ensino médio, além da taxa de evasão de 5% nas séries finais. Além disso, as taxas de analfabetismo nas idades adultas atingiram 2,1% em 2010. O município possui tradicionais escolas, como a Escola Estadual Mestre Santa Bárbara, maior da cidade com cerca de 1 050 alunos, a Escola Municipal Alfredo Aveline, com quase 800 alunos, e instituições particulares de ensino, como o Colégio Marista, Rede Sagrado de Educação e Colégio Escalabriniano.
Comunicações
A telefonia fixa local é explorada pelas empresas Oi, Vivo e NET. Em 2015, foram contabilizados 16 567 aparelhos, sendo 59% residenciais, com um fator de atendimento de um terminal para cada 7 habitantes. A telefonia móvel é explorada nas duas bandas, tendo como principais operadoras Claro, Oi, Vivo e TIM. A Embratel explora os serviços de telex, trânsito de dados, tratamento de mensagens, telefonia interestadual e rede de televisão executiva. O serviço postal é atendido por nove agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O município não conta com nenhum canal de televisão próprio, mas conta com sucursal da RBS TV Caxias do Sul, associada da Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS), que retransmite a programação da Rede Globo e também gera programas locais, com destaque para o jornalismo, entretenimento e esportes, com sede em Caxias do Sul. Conforme determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), o sinal analógico de televisão foi desligado no dia 14 de março de 2018, tendo a disponibilidade apenas do sinal digital no município.
Transportes
Os principais acessos rodoviários de Bento Gonçalves são as rodovias BR 470, RS 444 e RS 453. A cidade possui uma malha rodoviária urbana com cerca de 326 km, sendo que 127 deles são pavimentados. Um total de 82 561 veículos circulam na cidade em janeiro de 2018, sendo 50 547 automóveis, 8 723 motocicletas e 6 814 ônibus, representando uma média de 1.44 pessoas/veículo, e sendo a 13ª maior frota de veículos cadastrados no estado. Cerca de 32 mil passageiros são transportados diariamente pelo transporte coletivo. A exploração do transporte coletivo em ônibus é feita pelas empresas Bento Transportes e Transportes Santo Antônio. Existem também 91 táxis e 26 seletivos ou micro-ônibus. A Estação Rodoviária localiza-se próxima do centro da cidade e recebe linhas que interligam Bento Gonçalves a diversas localidades no estado, não atendendo a destinos interestaduais. Seu terminal tem cerca de mil metros quadrados.
Arte, arquitetura e patrimônio histórico
A arquitetura e o patrimônio histórico do município São Marcos da rica herança cultural deixada pelos imigrantes italianos que colonizaram a região no final do século XIX. A arquitetura local ainda preserva elementos tradicionais da colonização italiana, com construções em pedra e madeira, varandas amplas, telhados inclinados e detalhes decorativos típicos. Essa estética é particularmente visível nos bairros mais antigos e nas áreas rurais, onde as vinícolas e as casas coloniais mantêm o estilo rústico e acolhedor que representa a identidade italiana e regional. Entre os marcos históricos da cidade, destaca-se a Pipa Pórtico, um monumento em formato de barril de vinho que simboliza a forte tradição vitivinícola do município, um dos maiores produtores de vinho do país. O pórtico, localizado na entrada principal da cidade, não só homenageia a indústria do vinho, mas também dá as boas-vindas aos visitantes, conectando a história do produto com a cultura da cidade. Outro local icônico é a Via del Vino, localizada no centro do município, onde estão localizados a sede da Prefeitura Municipal e edifícios históricos. Essa área serve como um centro cultural e de eventos, abrigando festividades que celebram a cultura e a gastronomia italiana.
Feiras
O município destaca-se como um dos maiores polos de eventos do Brasil, sendo sede de importantes feiras que movimentam a economia e o turismo da região. O Parque de Eventos de Bento Gonçalves, com 322.566 metros quadrados de área e 58.000 metros quadrados cobertos e climatizados, é o maior da Região Sul e um dos maiores espaços de eventos da América Latina. Entre as feiras realizadas está a ExpoBento, criada em 1990, a maior feira multisetorial de compras e entretenimento do país. A ExpoBento reúne quase 500 expositores de diversos segmentos, como agroindústria, vinhos, vestuário e automóveis, atraindo cerca de 270 mil visitantes anualmente e movimentando mais de R$ 50 milhões. Outro evento de destaque é a Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), realizada desde 1967. A Fenavinho celebra a cultura da uva e do vinho e reforça a identidade do município com a vitivinicultura, tendo atraído ao longo das décadas grandes personalidades nacionais e ajudado a projetar a cidade no cenário nacional, inclusive contando com a presença do Presidente da República Humberto Castelo Branco na edição inaugural do evento.
Esporte
O município possui uma grande tradição nos esportes em âmbito nacional, com destaque para o futebol, rugby, voleibol e futsal, contribuindo para a cultura e o entretenimento no município, promovendo a integração comunitária e revelando talentos para o esporte nacional. O principal clube de futebol da cidade é o Clube Esportivo Bento Gonçalves, fundado em 28 de agosto de 1919. O Esportivo foi vice-campeão gaúcho em 1979 e venceu o título de Campeão do Interior por sete vezes. Atualmente, a equipe disputa a Série A2 do Campeonato Gaúcho e manda seus jogos no Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos. Além disso, a cidade possui diversos clubes amadores, sendo o Flamengo de São Valentim o mais relevante, com dois títulos estaduais.
Feriados
Além dos feriados nacionais e estaduais previstos em lei, a cidade tem feriados próprios: Corpus Christi, com data móvel, e dia de Santo Antônio, padroeiro do município, em 13 de junho.


