Benito Mussolini
Benito Amilcare Andrea Mussolini foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do fascismo. Tornou-se o primeiro-ministro da Itália em 1922 e começou a usar o título Il Duce desde 1925, onde abandonou qualquer estética democrática do seu governo e estabeleceu sua ditadura totalitária. Após 1936, seu título oficial era "Sua Excelência Benito Mussolini, Chefe de Governo, Duce do Fascismo e Fundador do Império". Mussolini também criou e sustentou a patente militar suprema de Primeiro Marechal do Império, junto com o rei Vítor Emanuel III da Itália, quem deu-lhe o título, tendo controle supremo sobre as forças armadas da Itália. Mussolini permaneceu no poder até ser substituído em 1943; por um curto período, até a sua morte, ele foi o líder da República Social Italiana.
Nascimento e família
Benito Mussolini nasceu em Dovia di Predappio, uma pequena cidade da província de Forlì na região da Emilia-Romagna que em tempos fascistas seria chamada de “município do Duce" e Forlì de "cidade do Duce", em 1883. Seus pais eram o ferreiro e ativista anarquista Alessandro Mussolini e sua mãe era Rosa Mussolini (nascida Maltoni), que era professora e católica devota. O nome "Benito Amilcare Andrea" foi decidido por seu pai, que estava ansioso para prestar homenagem à memória de Benito Juárez, líder revolucionário e ex-presidente do México, enquanto seus outros nomes, Amilcare e Andrea, eram dos socialistas italianos Amilcare Cipriani e Andrea Costa, o último fundador do Partido Socialista Revolucionário da Romagna. Benito era o mais velho de seus dois irmãos, seguido por Arnaldo e depois, Edvige.
Educação e adolescência
Quando criança, Mussolini teria passado um tempo ajudando seu pai na ferraria. Foi lá que ele foi exposto às crenças políticas de seu pai. Alessandro era um socialista e republicano, mas também sustentava algumas visões nacionalistas, especialmente no que diz respeito aos italianos que viviam sob o governo do Império Austro-Húngaro. O conflito entre seus pais sobre religião fez com que, diferente da maioria dos italianos, Mussolini não fosse batizado no nascimento, embora sua mãe fizesse isso mais tarde. No entanto, em compromisso com sua mãe, ele foi enviado para a escola salesiana de Faenza, onde estudou entre 1892 e 1894, antes estudou em Dovia e depois em Predappio entre 1889 e 1891. Porém, Mussolini era rebelde e foi rapidamente expulso após uma série de incidentes relacionados ao seu comportamento, incluindo atirar pedras na congregação após uma missa, e por participar de uma luta em que feriu seu colega de classe sênior com uma faca. Mussolini estava infeliz em Faenza pelos castigos corporais sofridos pelos frades salesianos pela má observância das regras, vivendo por isso com raiva e frustração. Além disso, a condição da família era modesta: seu pai, apesar de ter o próprio negócio, vivia na periferia de sua comunidade local devido às suas opiniões políticas; sua mãe, que ensinava crianças na escola primária no Palazzo Varano, ganhava salários insuficientes para compensar a perda de renda do marido. Mussolini viu seu tempo no internato religioso como um castigo, comparou a experiência ao inferno e "certa vez se recusou a ir à missa matinal e teve de ser arrastado até lá à força".
Emigração para a Suíça
Em 1902, Mussolini emigrou para a Suíça, com o objetivo de evitar o serviço militar. Ele trabalhou brevemente em Genebra como um pedreiro, no entanto, foi incapaz de encontrar um emprego profissional permanente no país. Na Suíça, adquiriu um conhecimento prático de francês e alemão. Durante este tempo, estudou as ideias do filósofo Friedrich Nietzsche, o sociólogo Vilfredo Pareto, e o sindicalista revolucionário Georges Sorel. Sobre Sorel, Mussolini declarou: "O que eu sou, eu devo à Sorel". Mussolini, mais tarde, viria a creditar o marxista Charles Péguy e o sindicalista Hubert Lagardelle como algumas de suas influências. A ênfase de Sorel sobre a necessidade de derrubar a democracia liberal e o capitalismo pelo uso da violência, ação direta, greve geral, e o uso do neo-maquiavelismo apelando à emoção impressionou Mussolini profundamente. Durante esse período, juntou-se a pedreiros e trabalhadores sindicais, dos quais mais tarde se tornou secretário da união dos trabalhadores italianos em Lausanne, e em 2 de agosto de 1902 publicou seu primeiro artigo no L'Avvenire del Lavoratore, o jornal dos socialistas suíços.
Jornalista político
Mussolini retornou a Dovia di Predappio em 4 de setembro de 1906. Pouco depois, foi lecionar em Tolmezzo, onde obteve uma posição substituta de 15 de novembro até o final do ano letivo. O período no município de Friulia foi difícil: com os alunos mostrou-se incapaz de manter a ordem e o anticlericalismo e a linguagem mal falada atraiu as aversões da população local. Mussolini se considerava um intelectual e era considerado um homem culto. Ele leu ansiosamente; Seus favoritos na filosofia europeia incluíam o futurista italiano Filippo Tomasso Marinetti, o socialista francês Gustave Hervé, o anarquista italiano Errico Malatesta e os filósofos alemães Friedrich Engels e Karl Marx, os fundadores do marxismo, também traduziu trechos de Nietzsche, Schopenhauer e Kant. Benito Mussolini demonstrou grande interesse por autores anarquistas e individualistas, sendo influenciado por Max Stirner. Como um admirador de Nietzsche, segundo Denis Mack Smith, "ele encontrou justificativa para sua cruzada contra as virtudes cristãs da humildade, resignação, caridade e bondade" ao valorizar o conceito de super-homem. Além disso, Mussolini tinha interesse na obra de Gustave Le Bon, Victor Hugo e no estudo do Renascimento italiano.
Em Forlì
A partir de janeiro de 1910, tornou-se secretário da Federação Socialista de Forlì e dirigiu seu jornal oficial L'idea socialista, um semanário de quatro páginas (rebatizado de Lotta di classe (A Luta de Classes, em tradução livre) pelo próprio Mussolini). O jornal Lotta di Classe teria uma postura editorial anticristã. Em 17 de janeiro, Mussolini começou a morar com Rachele Guidi, sua futura esposa, em um apartamento mobiliado na Via Merenda nº 1. Ele também começou a colaborar com a revista socialista Soffitta. Durante esses anos de Forlì, decidiu também ter aulas de violino com o maestro Archimede Montanelli. Entre as obras preferidas de Mussolini estão: La Follia di Corelli, sonatas de Beethoven, composições de Veracini, Vivaldi, Bach, Granados, Fauré e Ranzato.
Diretor do Avanti!
Graças aos acontecimentos de 1912 e às suas qualidades como orador brilhante, foi promovido à editoria do jornal do Partido Socialista, Avanti!. Sob sua liderança, a circulação do jornal passou rapidamente de 20 000 para 100 000. Em um banquete realizado em sua homenagem em Forlì em 1912, enquanto celebrava sua nova missão como editor-chefe do Avanti!, seus camaradas disseram: "Ele é nosso Duce há três anos". O número de adeptos no Partido Socialista Italiano cresceu. Os adeptos começaram a se chamar de "Mussoliniani", incluindo Antonio Gramsci e Amadeo Bordiga. Nessas circunstâncias, Mussolini conhece Margherita Sarfatti, uma intelectual judia que se tornaria sua amante. Numa carta a Margherita Sarfatti, Mussolini diria:
Semana Vermelha
Mussolini foi o protagonista da campanha política e da imprensa de apoio à onda revolucionária da Semana Vermelha, um levante popular espontâneo após o assassinato de três manifestantes contra as Companhias Disciplinares do Exército, ocorrido em Ancona em 7 de junho de 1914. Mussolini incitou as massas populares no jornal socialista Avanti!: Proletários da Itália! Aceite nosso grito: W a greve geral. Nas cidades e no campo, a resposta à provocação virá de forma espontânea. Não antecipamos acontecimentos, nem nos sentimos autorizados a traçar seu curso, mas certamente, sejam eles quais forem, teremos o dever de apoiá-los. Esperamos que com sua ação os trabalhadores italianos possam dizer que realmente é hora de acabar com isso.
Expulsão do Partido Socialista Italiano
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria-Hungria foi assassinado em Sarajevo e um mês depois, em 28 de julho, começou a Primeira Guerra Mundial. Anteriormente, os socialistas concordaram em uma conferência realizada em Basileia em 1912 em se opor a qualquer política agressiva de seus respectivos governos e votar contra os créditos de guerra, embora se a guerra estourasse inevitavelmente, foi acordado que a intervenção deveria ser favorecida para o término imediato do conflito enquanto a crise econômica e política seria usada para acelerar a queda do domínio capitalista. Apesar da posição neutra inicial, em agosto de 1914, vários partidos socialistas apoiaram a Primeira Guerra Mundial. Assim que a guerra começou, os socialistas austríacos, britânicos, franceses e alemães seguiram a crescente maré nacionalista apoiando a intervenção de seus respectivos países na guerra. Mussolini apoiou firmemente a linha não intervencionista da Internacional Socialista, acreditando que o conflito não poderia beneficiar os interesses dos proletários italianos, mas apenas dos capitalistas. No mesmo período, sem o conhecimento da opinião pública, o Ministério das Relações Exteriores estava iniciando uma operação de persuasão nos meios socialistas e católicos para obter uma atitude favorável a uma possível intervenção italiana na guerra.
Começo do fascismo
Em 5 de dezembro de 1914, Mussolini denunciou o marxismo ortodoxo, corpo de pensamento marxista que surgiu após a morte de Karl Marx e que se tornou a filosofia oficial da maioria do movimento socialista representado na Segunda Internacional até a Primeira Guerra Mundial, por não reconhecer que a guerra tornara a identidade nacional e a lealdade mais importantes do que a distinção de classe. Ele demonstrou plenamente sua transformação em um discurso em que reconheceu a nação como uma entidade, noção que havia rejeitado antes da guerra, dizendo: Falo de socialista para socialista: como socialista, porque ninguém neste período histórico dinâmico e agitado pode reivindicar a posse da verdade absoluta … Existem diferentes mentalidades e de fato existem reformistas pela guerra e reformistas contra a guerra, existem revolucionários pela guerra e revolucionários contra a guerra, sindicalistas pela guerra e sindicalistas contra a guerra. Nenhum partido conseguiu escapar a esta divisão que repete as suas origens na mentalidade diferente com que os homens enfrentam os problemas de uma determinada época histórica. E as mentalidades são estas, são duas: a mentalidade dogmática, fixa, eterna, imóvel. Uma verdade foi dita em 1848 e deve permanecer a verdade por todos os séculos. Esses homens que se agarram a esta rocha da verdade e a ela permanecem apegados até o dia do naufrágio, às vezes sabem se salvar pelos caminhos ambíguos da retirada … e há outros homens que não conseguem esconder a realidade porque a realidade existe. … Agora nós, depois de termos superado a crise que vinha de querer permanecer fiéis ao que nos parecia verdades absolutas, em certo momento vimos que a realidade subjugava essas verdades … A nação não desapareceu. Costumávamos acreditar que o conceito era totalmente desprovido de substância. Em vez disso, vemos a nação emergir como uma realidade palpitante diante de nós! … A classe não pode destruir a nação. A classe se revela como um conjunto de interesses, mas a nação é uma história de sentimentos, tradições, língua, cultura e linhagem. A classe pode se tornar parte integrante da nação, mas uma não pode ofuscar a outra.
Serviço na Primeira Guerra Mundial
Na declaração de guerra à Áustria-Hungria (23 de maio de 1915), Mussolini solicitou o alistamento voluntário, e este, como na maioria dos casos, foi rejeitado por conscrição. Ele foi convocado como recruta em 31 de agosto de 1915 e designado como soldado raso do 12º Regimento Bersaglieri; em 13 de setembro partiu para a frente com o 11º Regimento Bersaglieri. Ele manteve um diário de guerra, publicado no Il Popolo d'Italia (final de dezembro de 1915 - 13 de fevereiro de 1917), no qual recontava a vida nas trincheiras e se prefigurava como o herói carismático de uma comunidade nacional e socialmente hierárquica e obediente. Em 1º de março de 1916, foi promovido a cabo por mérito de guerra. O inspetor Gasti continua:
Biênio Vermelho
Em 16 de fevereiro de 1919, após o desfile de uma imponente procissão socialista pelo centro da cidade de Milão, as forças intervencionistas reagiram apelando à unidade de todos os grupos nacionalistas. Mussolini no Il Popolo d'Italia publicou um duro artigo intitulado: "Contra a besta que retorna …". As manifestações socialistas começaram a se multiplicar e as declarações de guerra contra o "estado burguês" misturadas com a exaltação da Revolução de Outubro alarmaram os órgãos do estado. Em 23 de março de 1919, Mussolini fundou o Fasci Italiani di Combattimento, como o sucessor do Fascio d'azione rivoluzionaria, na Piazza San Sepolcro. Segundo o próprio Mussolini, apenas cerca de cinquenta adeptos estavam presentes. A primeira intervenção seria a de Mussolini, que delinearia os três pontos fundamentais do movimento, que foram resumidos no dia seguinte pelo Il Popolo d'Italia, no que seria conhecido como Programa de San Sepolcro:
Terceiro Congresso Fascista de 1921
Em janeiro de 1921, a minoria comunista deixou o Partido Socialista Italiano para fundar o Partido Comunista da Itália; isso alarmou Mussolini porque os socialistas, passando para posições mais moderadas, poderiam ter sido solicitados por Giolitti para a colaboração do governo, excluindo assim os fascistas das principais arenas políticas. Em 2 de abril, após ter marchado com uma camisa negra para os funerais das vítimas do ataque terrorista anarquista no Teatro Diana, Mussolini aceitou o pedido de Gliolitti para ingressar no "Bloco Nacional" junto com o Partido Social-democrata Italiano, a Associação Nacionalista Italiana e o Partido Liberal Italiano.
Marcha sobre Roma
Em 1º de janeiro de 1922, Mussolini fundou a revista Gerarchia, da qual colabora Margherita Sarfatti, mas já no mês de agosto anterior se apressou em criar uma escola de cultura fascista que tinha a tarefa de expor a doutrina. O jornalista britânico George Slocombe, que entrevistou Mussolini na conferência de Cannes de 1922, relatou que “Lenin foi o único contemporâneo por quem ele expressou respeito”. Em 1937, Mussolini diria sobre Lenin: Fala-se constantemente do meu ódio por Lenin. Nada pior. Nenhum homem inteligente pode odiar as figuras mais representativas de seu tempo. Você pode admirar um inimigo, mesmo quando está lutando contra ele. Nesse caso, "admirar" significa: "certifique-se de não cometer seus próprios erros".
Fatos importantes
Ao chegar ao poder, a "revolução fascista" foi proclamada como um processo de "revolução contínua". Além disso, estabeleceu o início de uma "nova era" inaugurando um novo calendário, assim como a Revolução Francesa, onde o ano de 1922 foi estabelecido como o "Ano I" da revolução. Em 16 de novembro, Mussolini compareceu à Câmara e fez seu primeiro discurso como Primeiro-Ministro, no qual declarou: Cavalheiros! O que faço hoje, nesta sala, é um ato de deferência formal para com você e pelo qual não peço nenhum certificado de agradecimento especial. Por muitos anos, na verdade, por muitos anos, crises governamentais foram levantadas e resolvidas pela Câmara por meio de manobras e emboscadas mais ou menos tortuosas, tanto que uma crise era regularmente descrita como um assalto e o ministério era representado com uma diligência postal instável. Agora aconteceu pela segunda vez no curto espaço de uma década que o povo italiano, em seu auge, deixou de lado um ministério e se deu a um governo externo, acima e contra qualquer nomeação parlamentar. A década de que falo é entre maio de 1915 e outubro de 1922. Deixo isso para os fanáticos melancólicos do superconstitucionalismo discutir isso com mais ou menos tristeza. Afirmo que a revolução tem seus direitos. Acrescentaria, para que todos saibam, que estou aqui para defender e fortalecer ao máximo a revolução das “camisas negras”, inserindo-a intimamente como força de desenvolvimento, progresso e equilíbrio na história da nação. Recusei-me a vencer e fui capaz de vencer. Eu estabeleci limites. Disse a mim mesmo que a melhor sabedoria é aquela que não te abandona depois da vitória. Com trezentos mil jovens totalmente armados, determinados a fazer tudo e quase misticamente prontos para o meu comando, eu poderia punir todos aqueles que difamaram e tentaram manchar o fascismo.
Medidas econômicas iniciais
Em 1921, Mussolini argumentou que a política econômica fascista era liberal, promovendo essas políticas como “objetivos imediatos”. Mussolini, tendo testemunhado o fracasso econômico do bolchevismo com o comunismo de guerra e a implementação da Nova Política Econômica de Lenin, considerou que a economia de livre mercado ainda tinha alguma relevância e, portanto, uma política econômica que maximizasse e sofisticasse a produtividade material da nação deveria ser implementada porque o capitalismo ainda não havia esgotado sua "função histórica" e estava vivo. A introdução da Nova Política Econômica fez com que os sindicalistas italianos se afastassem do marxismo ortodoxo, determinados a revisá-lo. Eles argumentaram que os bolcheviques não haviam acatado o aviso de Friedrich Engels sobre os perigos de tentar estabelecer uma revolução em um ambiente economicamente atrasado. Mussolini havia concluído em 1917 que o marxismo ortodoxo era amplamente irrelevante para os revolucionários das nações industrialmente atrasadas. Ele defendeu que se a burguesia não pudesse cumprir suas obrigações históricas, então a tarefa seria relegada às massas populares e à vanguarda da elite que orientaria o processo, o que exigiria um compromisso colaboracionista de classe que ele descreveu como "um regime saudável e honesto de classes produtivas", em oposição à luta de classes. Os intelectuais sindicalistas concluíram que uma revolução social bem-sucedida exigia o apoio de revolucionários "sem classe" na ausência de uma indústria madura desenvolvida pela burguesia. Sindicalistas, nacionalistas e futuristas italianos argumentaram que esses revolucionários seriam fascistas, não marxistas. Para eles, o fascismo era "o socialismo das 'nações proletárias'".
Eleições de 1924
As consultas decorreram num clima geral de violência e intimidação, apesar de Mussolini ter enviado repetidos apelos de ordem aos fascistas e telegramas aos prefeitos para impedir que alguém fosse intimidado, provocado ou agredido. Paralelamente, Mussolini havia contactado telegraficamente os prefeitos para que fizessem todo o possível para garantir a vitória da "Lista Nacional", lista eleitoral de Mussolini, por convencimento dos indecisos, trabalho de propaganda e principalmente por manifestações e celebrações públicas patrióticas e religiosas, nas quais os fascistas podiam se apresentar como os únicos titulares de legitimidade para representar a nação.
Consolidação da ditadura fascista
Em 21 de junho, foi realizado o quarto e último congresso do Partido Nacional Fascista, onde Mussolini convida os camisas negras a abandonar definitivamente a violência. No entanto, os trágicos acontecimentos de Giovanni Amendola e Piero Gobetti no início de 1926 provaram que eles ainda estavam ativos. Uma lei aprovada em 24 de dezembro de 1925 mudou o título formal de Mussolini de “Presidente do Conselho de Ministros” para “Chefe do Governo”, esta lei transformou o governo de Mussolini em uma ditadura legal de fato, embora o processo tenha começado no dia 3 de janeiro do mesmo ano. Em 7 de abril de 1926, Mussolini sobreviveu a uma primeira tentativa de assassinato de Violet Gibson. Em 31 de janeiro de 1926, Anteo Zamboni, de 15 anos, tentou atirar em Mussolini em Bolonha. Zamboni foi linchado. Todos os outros partidos foram proibidos após a tentativa de assassinato de Zamboni, embora a Itália fosse um estado de partido único desde 1925. Nesse mesmo ano, uma lei eleitoral aboliu as eleições parlamentares.
Medidas aplicadas entre 1925 - 1929
Entre 1925 e 1927, Mussolini desmantelou progressivamente todas as restrições constitucionais e convencionais ao seu poder e construiu um estado policial onde a liberdade de expressão e associação foi desmantelada. Ao mesmo tempo, implementou um extenso programa de culto à personalidade, colocando Mussolini como a figura central da nação. As leis que seriam conferidas neste período seriam conhecidas como Leis Fascistíssimas. Como responsável pela economia da Itália, de 1925 a 1928, Giuseppe Volpi negociou com sucesso o pagamento da dívida da Itália na Primeira Guerra Mundial com os Estados Unidos e o Reino Unido, fixando também o valor da lira ao valor do ouro e implementou políticas de livre comércio. Porém, ao ganhar mais poder, Mussolini orientou sua política econômica em favor da intervenção governamental, substituindo o livre comércio pelo protecionismo. Enquanto o Programa do Partido Nacional Fascista de 1921 previa a redução do Estado a suas funções essenciais, em 1925, Mussolini expressou a necessidade de agrupar todas as forças da nação na unidade geral de um único Estado que representasse a "vontade totalitária" coletiva do fascismo.
Ações após 1929
Em 1929, necessitando de apoio dos católicos, pôs fim à Questão Romana (conflito entre os papas e o Estado italiano) assinando o Tratado de Latrão com o cardeal Pietro Gasparri. Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual a soberania do Estado do Vaticano foi reconhecida, o Sumo Pontífice recebia indemnização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas, o catolicismo virava a religião oficial da Itália e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina. O Papa Pio XI elogiou Mussolini, e o jornal católico oficial declarou que "a Itália tem devolvido Deus e Deus à Itália". Após essa conciliação, Mussolini afirmou que a Igreja estava subordinada ao Estado, e "se referiu ao catolicismo como, na origem, uma seita menor que se espalhou para além da Palestina apenas porque se inseriu na organização do Império Romano". Após a concordata, Mussolini "confiscou mais tópicos de jornais católicos nos próximos três meses do que nos sete anos anteriores". Mussolini teria chegado perto de ser excomungado da Igreja Católica na época. A 19 de abril daquele ano foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal. Internamente, Mussolini buscou retirar a Itália da recessão econômica e modernizar a nação. Era um período turbulento na Europa pós-primeira grande guerra, com o medo do comunismo por parte das elites políticas e os desejos das classes trabalhadoras, resultando em um caos social. Nesse mesmo ano, Mussolini ordenou ao seu Estado-Maior do Exército que começasse a planejar a agressão contra a França e a Iugoslávia.
O corporativismo fascista
Na área econômica iniciou um programa de construção de obras públicas, investimentos em educação de base, propaganda fascista nas escolas e introdução de novas técnicas de agricultura. Mussolini acompanhou suas medidas econômicas com propaganda por parte dos meios de comunicação (agora controlados pelo Estado) para dar a ideia de modernidade e progresso. Em 1932, Antonio Mosconi, que estava no comando da economia desde 1928 depois de suceder Giuseppe Volpi, deixou o cargo por desentendimento com Mussolini e foi substituído por Guido Jung. Ele reduziria a capacidade de gastos militares de 32% para 25% e, em vez disso, aumentaria os fundos destinados à construção de grandes obras públicas. Nesse mesmo ano aconteceria o II Congresso de Estudos Sindicais e Corporativos de Ferrara, onde Ugo Spirito apresentaria a ideia da "corporação proprietária" que seria apoiada por Mussolini. Devido à Crise de 29, o Istituto per la Ricostruzione Industriale (IRI) foi criado em 1933, com ajuda de Guido Jung e Alberto Beneduce, com o objetivo de salvar os principais bancos italianos da falência. Naquele ano, Mussolini argumentaria que a Itália não era "uma nação capitalista no sentido atual da palavra", acrescentando que:
Aliança com Hitler
Na década de 1930 a Itália Fascista tentaria estabelecer um lugar entre as nações europeias importantes, dirigindo sua atenção quase exclusivamente para as relações exteriores. No âmbito externo, tentou cultivar boas relações com os vizinhos europeus, mas as desavenças eram crescentes com o Reino Unido e com a França, especialmente quando o assunto era as possessões coloniais na África, porque Mussolini queria emular o Império Romano e criar um império aumentando suas posses coloniais. Assim, buscou se aproximar mais e mais da Alemanha de Adolf Hitler, apesar de seus esforços iniciais para conter o poder da Alemanha nazista. Em 1935, invadiu a Abissínia - atual Etiópia (Segunda Guerra Ítalo-Etíope), perdendo assim o apoio da França e da Inglaterra, até então seus aliados políticos. Esta campanha militar fez mais de meio milhão de mortos entre os africanos, face a cerca de 5 000 baixas do lado italiano. Foram usadas armas químicas contra a população local, um facto que não foi noticiado na imprensa italiana, controlada por Mussolini. A Itália foi duramente criticada na Liga das Nações, mas Hitler, que havia removido a Alemanha da Liga em 1933, apoiou a ação de Mussolini. Só então foi feito em aliança com Adolf Hitler, com quem firmaria vários tratados (Hitler chegou a enviar 10 mil rifles Mauser para a Abíssinia e 10 milhões de cartuchos). O imperador Haile Selassie foi forçado a fugir do país e a Itália entrou na capital, Adis Abeba, para proclamar um império em maio de 1936, tornando a Etiópia parte da África Oriental italiana. Após as sanções impostas à Itália, que entrou em vigor em 18 de novembro de 1935, por sua política imperialista, o processo de obtenção da autarquia foi acelerado. Mussolini diria em 1936:
Ações pré-guerra
No final dos anos 1930, a obsessão de Mussolini com a demografia o levou a concluir que a Grã-Bretanha e a França haviam acabado como potências, e que a Alemanha e a Itália estavam destinadas a governar a Europa, pelo menos por causa de sua força demográfica. Mussolini afirmou sua crença de que o declínio nas taxas de natalidade na França foi "absolutamente horrível" e que o Império Britânico estava condenado porque um quarto da população britânica tinha mais de 50 anos. Como tal, Mussolini acreditava que uma aliança com a Alemanha era preferível um alinhamento com a Grã-Bretanha e a França, já que era melhor aliar-se aos fortes do que aos fracos. Mussolini via as relações internacionais como uma luta social darwiniana entre nações "viris" com altas taxas de natalidade que estavam destinadas a destruir nações "decadentes" com baixas taxas de natalidade. Mussolini acreditava que a França era uma nação "fraca e velha" e ele não tinha interesse em uma aliança com a França.
Guerra declarada
Convencido de que a guerra logo terminaria, com uma vitória alemã provavelmente à vista, Mussolini decidiu entrar na guerra do lado do Eixo. Consequentemente, a Itália declarou guerra à Grã-Bretanha e à França em 10 de junho de 1940. Mussolini via a guerra contra a Grã-Bretanha e a França como uma luta de vida ou morte entre ideologias opostas - o fascismo e as "democracias plutocráticas e reacionárias do Ocidente“ - descrevendo a guerra como "a luta dos povos pobres mas ricos de trabalhadores contra os exploradores que se apegam ferozmente ao monopólio de todas as riquezas e ouro da terra; a luta dos férteis e dos jovens contra os estéreis que se movem para o pôr-do-sol; é a luta entre dois séculos e duas ideias”, e como um "desenvolvimento lógico da nossa Revolução”. Em 12 de fevereiro de 1941, Francisco Franco reuniu-se com Mussolini, por instrução de Hitler, para decidir a entrada da Espanha na guerra na reunião conhecida como a Entrevista de Bordighera. Em 23 de fevereiro, Mussolini declarou que eles estavam "em guerra desde 1922" sendo sua "revolução" defendida do "mundo maçônico, democrático e capitalista" e lutando contra "o liberalismo mundial, a democracia e a plutocracia", acrescentando que:
República Social Italiana
Três dias após seu resgate, Mussolini foi levado à Alemanha para um encontro com Hitler em Rastenburg, em seu quartel-general na Prússia Oriental. Apesar das profissões públicas de apoio, Hitler estava claramente chocado com a aparência desleixada e abatida de Mussolini, bem como sua relutância em ir atrás dos homens em Roma que o derrubaram. Mussolini concordou em estabelecer um novo regime, a República Social Italiana. Mussolini procurou Nicola Bombacci, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, para ajudá-lo a espalhar a ideia de que o fascismo era um movimento progressista. Mussolini considerou a ideia de chamar sua nova república de "República Socialista Italiana". Em 13 de setembro de 1943, o Partido Republicano Fascista seria estabelecido como o sucessor do Partido Nacional Fascista. Mussolini nomearia Alessandro Pavolini como "secretário provisório do Partido Nacional Fascista, que a partir de agora será chamado de Partido Republicano Fascista". Estimulado por Mussolini, o Partido Republicano Fascista assume posições populistas e lança ataques ao capitalismo. Mussolini argumentou que a "burguesia plutocrática", juntamente com a monarquia e alguns elementos militares, havia comprometido o curso da guerra, além de desviar o curso do fascismo revolucionário. Ao suprimir a monarquia junto com os principais líderes da indústria, ele pretendia que o fascismo pudesse fazer do trabalho a "base inabalável do Estado", perseguindo assim sua própria revolução social.
Morte
No dia 20 de abril, Mussolini daria sua última entrevista a Gian Gaetano Cabella, onde falaria sobre um projeto de "socialização mundial", e no dia 22 de abril corrigiria alguns aspectos dessa entrevista. Mussolini foi preso pelos guerrilheiros da Resistência italiana, que o mataram a 28 de abril de 1945, juntamente com a sua companheira e amante, Clara Petacci — que embora pudesse fugir, preferiu permanecer ao lado do Duce até o fim. As últimas palavras de Mussolini — em óbvia deferência à sua personalidade egocêntrica — foram: Atirem aqui, (disse ele apontando para o peito) Não destruam meu perfil. O seu corpo e o de Clara Petacci ficaram expostos à execração pública, pendurados pelos pés, na Piazza Loreto em Milão. Quando as autoridades norte-americanas chegaram, os corpos foram baixados e entregues no necrotério. Uma autópsia foi realizada no Instituto de Medicina Legal de Milão. O cérebro de Mussolini foi amostrado e enviado aos Estados Unidos para análise. A intenção era testar a hipótese de que a sífilis havia causado sua "loucura", mas nada veio da análise e nenhuma evidência de sífilis foi encontrada em seu corpo.
Sobreviveram a Mussolini: sua esposa, Rachele Mussolini, dois filhos, Vittorio e Romano Mussolini, e as filhas Edda, a viúva do Conde Ciano, e Anna Maria. Um terceiro filho, Bruno, faleceu em um acidente aéreo enquanto voava em um bombardeiro P108 em uma missão de teste, em 7 de agosto de 1941. Seu filho mais velho, Benito Albino Mussolini, de seu casamento com Ida Dalser, recebeu ordens para que parasse de declarar que Mussolini era seu pai e em 1935 foi internado à força em um asilo, em Milão, onde foi assassinado em 26 de agosto de 1942, após repetidos coma induzidos por injeções. A irmã da atriz Sophia Loren, Anna Maria Scicolone, foi casada com Romano Mussolini, filho de Mussolini. A neta de Mussolini, Alessandra Mussolini, era membro do Parlamento Europeu pelo partido Alternativa Sociale e membro da Câmara dos Deputados pelo partido O Povo da Liberdade. Alessandra Mussolini, em dezembro de 2020, deixou a política.
Em fevereiro de 2018, uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Demos & Pi descobriu que, de 1 014 pessoas entrevistadas, 19% dos eleitores italianos tinham uma opinião "positiva ou muito positiva" de Mussolini, 60% o viam de forma negativa e 21% não tinham opinião formada. Alessandra Mussolini, neta de Mussolini, é politicamente ativa em círculos de direita italianos. Ela foi membro do Parlamento Europeu pelo movimento de extrema-direita Alternativa Social, deputada na Câmara dos Deputados italiana e senadora como membro do partido Força Itália, de Silvio Berlusconi. Sua meia-irmã, Rachele Mussolini, também atua na política pelo partido Irmãos de Itália (Fratelli d’Italia), a principal legenda de direita italiana; ela é filha de Romano Mussolini e de sua segunda esposa, Carla Maria Puccini. Caio Giulio Cesare Mussolini, bisneto de Mussolini por parte de Vittorio, também é ativo na política pelo partido Irmãos da Itália.


