Sexta-Feira 13 (2009)
Friday the 13th é um filme de terror americano de 2009, do subgênero slasher, dirigido por Marcus Nispel e escrito por Mark Swift e Damian Shannon. É um reinício da série Sexta-Feira 13, iniciada em 1980, e é a décima segunda sequência da franquia. Nispel também fora responsável pela direção da refilmagem de 2003 de The Texas Chain Saw Massacre (1974), de Tobe Hooper, enquanto que Shannon e Swift escreveram o roteiro do crossover Freddy vs. Jason (2003). O enredo de Sexta-Feira 13 gira em torno de Clay Miller que procura por sua irmã desaparecida, Whitney, capturada por Jason Voorhees enquanto acampava na floresta de Crystal Lake.
Em 13 de julho de 1980, o jovem Jason Voorhees (Caleb Guss) vê sua mãe, Pamela (Nana Visitor), ser decapitada por uma monitora do acampamento (Stephanie Rhodes), que estava tentando escapar da onda de assassinatos cometidos pela Sra. Voorhees nos arredores do acampamento Crystal Lake. Quase trinta anos depois, um grupo de amigos — Wade (Jonathan Sadowski), Richie (Ben Feldman), Mike (Nick Mennell), Whitney (Amanda Righetti) e Amanda (America Olivo) — chegam a Crystal Lake e montam acampamento. Eles fazem uma caminhada pela floresta em busca de maconha que crescia em algum lugar. Naquela noite, o agora adulto Jason (Derek Mears) mata todos, exceto Whitney, a quem ele captura por ela se assemelhar à mãe dele quando jovem. Seis semanas depois, Trent (Travis Van Winkle), sua namorada Jenna (Danielle Panabaker) e os amigos Chelsea (Willa Ford), Bree (Julianna Guill), Chewie (Aaron Yoo), Nolan (Ryan Hansen) e Lawrence (Arlen Escarpeta) chegam à cabana de verão de Trent, na margem de Crystal Lake. Enquanto isso, o irmão de Whitney, Clay Miller (Jared Padalecki), chega ao lago para procurá-la. Ele visita a cabana de Trent e Jenna concorda em ajudá-lo a procurar por Whitney. Enquanto eles fazem a busca, Jason mata Chelsea e Nolan enquanto eles praticam wakeboard no lago. Clay e Jenna vasculham as antigas áreas de acampamento de Crystal Lake, onde acabam vendo Jason arrastando um corpo para dentro da casa de campo abandonada.
Desenvolvimento
Toby Emmerich, presidente e diretor de operações da New Line Cinema, entrou em contato com os produtores da Platinum Dunes, Michael Bay, Brad Fuller e Andrew Form para realizarem a refilmagem de Sexta-Feira 13 da mesma forma que tinham feito com The Texas Chainsaw Massacre. Eles concordaram, mas passou mais de ano para que adquirissem os direitos da Paramount Pictures, da New Line e da Crystal Lake Entertainment — esta última comandada por Sean S. Cunningham, o criador da série Friday the 13th. Os executivos da Paramount deram aos produtores da Platinum Dunes a licença para usarem quaisquer elementos dos filmes originais, inclusive o título. Então, a produtora adquiriu o direito de distribuir o filme internacionalmente, porém foi a New Line que permaneceu com os direitos de comercialização nos Estados Unidos. Fuller e Form disseram que não queriam fazer Sexta-Feira 13 Parte 11 ou 12, e sim retrabalhar a mitologia. Eles gostaram de alguns elementos dos primeiros quatro filmes — como certos pontos do enredo e a maneira como determinados personagens são mortos — e planejaram usá-los em sua refilmagem, o que eles fizeram com a aprovação da Paramount. Fuller disse: "Eu acho que há momentos que queremos abordar, como o aparecimento da máscara de hóquei. No nosso filme vai acontecer de forma diferente [do que foi visto] no terceiro. De onde vem Jason, por que essas mortes acontecem e o que é Crystal Lake?" A princípio, os produtores manifestaram interesse em usar Tommy Jarvis, personagem recorrente que apareceu pela primeira vez em Friday the 13th: The Final Chapter, mas a ideia foi descartada.
Seleção do elenco
O dublê Derek Mears foi contratado para interpretar Jason Voorhees por recomendação do supervisor de efeitos especiais de maquiagem Scott Stoddard. Antes que os produtores lhe contatassem, ele já tinha ouvido falar sobre a produção de um novo Sexta-Feira 13 e decidiu começar um treinamento físico para que ele pudesse desempenhar o papel, apesar de que não sabia que Stoddard e outros profissionais da indústria estavam sugerindo-no aos produtores. O estúdio temia que seu comportamento amigável pudesse afetar sua capacidade de interpretar um personagem ameaçador, mas Mears procurou assegurar que ele era adequado para o papel. Em suas palavras, "Eles diziam coisas como 'Tu és muito legal... serás capaz de mudar, certo?' Eu respondia coisas como 'Eu sei lutar... E tenho um monte de problemas com meu pai… Então sim.'". Mears declarou que ele se identificou com "o Jason vítima" em sua adolescência, e que ele o retrataria como uma vítima no filme. Para o dublê, Jason representa pessoas que sofreram bullying no ensino médio — especificamente aquelas com deformidades físicas — por serem rejeitadas. Ele é incomum porque se vinga dos que tentam invadir seu território em Crystal Lake.
Roteiro
Quando Shannon e Swift começaram a elaborar o roteiro para Sexta-Feira 13, eles impuseram algumas regras baseadas em suas próprias experiências durante a escrita de Freddy vs. Jason. Eles queriam que seus personagens adolescentes "parecessem normais" e afirmaram que não queriam que os personagens soubessem o nome de Jason ou se tornassem o que eles consideravam "o clichê de Scooby-Doo, em que se tem um bando de jovens tentando descobrir alguma coisa". Os escritores também queriam se distanciar de filmes slasher autorreferenciais, como Scream, e dar ao filme uma atmosfera mais sombria, típica dos anos 80, que havia sido perdida em filmes recentes. Eles queriam criar um Jason rápido e ágil, para isso, decidiram criar uma versão de Jason "que estava realmente na floresta sobrevivendo da terra", e cujos assassinatos são apresentados como uma forma de defender seu território ao invés de assassinar aleatoriamente qualquer um que se aproxime.
Efeitos visuais
Os produtores contrataram a Asylum Visual Effects para criar os efeitos digitais do filme. Embora Nispel seja um defensor dos efeitos práticos, a empresa teve que criar digitalmente algumas cenas para que o diretor obtivesse um visual específico. O supervisor de efeitos visuais Mitchell Drain designou dez membros da equipe para trabalhar nos efeitos visuais; primeiro analisaram o roteiro em pré-produção para decidirem quais tomadas precisariam de efeitos digitais. A Asylum trabalhou em 25 cenas. Uma das primeiras cenas que contou com os efeitos da companhia foi a cena que mostrava a morte de Amanda, na qual Jason a amarra em seu saco de dormir e a pendura sobre uma fogueira. O risco para o ator e a floresta circundante eram considerados grandes demais para realizar fisicamente a cena. A Asylum criou um conjunto de duas cenas para mostrar Amanda queimando até a morte em seu saco de dormir. Em vez de criar um modelo gerado por computador (CGI) da fogueira, uma verdadeira fogueira foi filmada. O compositor da empresa, John Stewart, combinou em um único registro essa filmagem com as gravações do saco de dormir pendurado. Ele alterou digitalmente as chamas para manter a continuidade entre os quadros. Outra sequência obtida por meio de composição digital é usada na cena em que Chelsea é atingida por uma lancha. Como a passagem seria muito perigosa até para um dublê, a Asylum combinou digitalmente a filmagem de Willa Ford reagindo a um barco imaginário que a atropela com imagens do barco para criar o efeito.
Criação de Jason
O artista de efeitos Scott Stoddard descreveu seu visual para o rosto de Jason como uma combinação do design de Carl Fullerton para Friday the 13th Part 2 e do desenho de Tom Savini para Friday the 13th: The Final Chapter. A visão de Stoddard para Jason incluía perda de cabelo, erupções cutâneas e as tradicionais deformidades no rosto. O artista tentou criar o visual de Jason de modo a permitir que mais lado humano do personagem fosse visto. Mears foi obrigado a usar maquiagem de corpo inteiro do peito para cima, enquanto se apresentava como Jason. O ator usava uma placa no peito com a pele falsa que se ajustaria a seus movimentos musculares. Ele usava uma corcunda nas costas para dar a impressão de que Jason tinha escoliose. Um olho protético foi colado no rosto de Mears para mostrar movimentos oculares realistas. Stoddard inicialmente passou três horas e meia aplicando a maquiagem na cabeça e no tronco do ator. Posteriormente, ele reduziu o tempo necessário para pouco mais de uma hora para cenas em que Mears usava a máscara de hóquei. Para cenas em que o rosto de Jason é revelado, levava-se aproximadamente quatro horas para aplicar a maquiagem.
Música
Form e Fuller reconheceram o status icônico da música usada nos primeiros quatro filmes da série. Para o filme de 2009, eles imediatamente fizeram o estúdio adquirir os direitos de licenciamento da música, que foi composta e originalmente apresentada por Harry Manfredini. Eles não planejavam usar a partitura na íntegra, mas pediram a Steve Jablonsky que compusesse uma partitura que lembrasse a de Manfredini e criasse a atmosfera para o filme de 2009. Nispel contatou Jablonsky para compor a partitura de Sexta-Feira 13 depois de ter trabalhado com ele na refilmagem de The Texas Chain Saw Massacre. Aquele disse a este que queria que ele criasse algo que Nispel pudesse "assobiar quando [deixasse o cinema]", mas que fosse sutil o suficiente para não ser registrado imediatamente enquanto assistia ao filme. Nispel disse: "Eu não acredito que, quando você assiste a um filme de Sexta-Feira 13, você quer se sentir como se John Williams estivesse sentado ao seu lado com a London Symphony Orchestra".
Em 18 de outubro de 2008, o teaser trailer foi apresentado no Scream Awards e foi lançado três dias depois. Em dezembro, foram lançados o trailer e o pôster oficial para o cinema. Na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009, o filme estreou em 3 105 cinemas na América do Norte, o que fez com que ele recebesse o maior lançamento de qualquer filme da série, incluindo a interseção com A Nightmare on Elm Street. Foi lançado em quase três vezes mais salas do que o filme original de 1980 e ultrapassou Freddy vs. Jason em 91 cinemas. Sexta-Feira 13 também foi lançado em 2 100 salas em 28 cinemas fora da América do Norte. A produção foi comercializada em DVD, Blu-ray e Apple TV em 16 de junho de 2009. Os lançamentos em DVD e Blu-ray contêm a versão exibida nos cinemas e uma versão estendida do filme. O filme foi relançado em 13 de setembro de 2013 na coleção Friday the 13th: The Complete Collection, box set com todos os doze filmes da franquia.
Bilheteria
Com um orçamento avaliado em 19 milhões de dólares, o filme bateu o recorde de estreia de um filme de terror. Em seu dia de abertura, Sexta-Feira 13 arrecadou 19 293 446 dólares, superando as bilheterias individuais de Jason Takes Manhattan (1989), Jason Goes to Hell (1993) e Jason X (2002), que renderam 14 343 976, 15 935 068 e 13 121 555 dólares, respectivamente. De 14 a 16 de fevereiro, Sexta-Feira 13 teve uma arrecadação de 24 292 003 dólares, somados a um total de 43 585 449 dólares obtidos em seu fim de semana de quatro dias em virtude do feriado federal do Dia do Presidente (em homenagem a George Washington). Terminou os três dias de seu fim de semana de abertura como o segundo filme de maior bilheteria da série, ao arrecadar 40 570 365 dólares, ultrapassando ligeiramente The Grudge (2004) como a melhor abertura de fim de semana de qualquer filme de terror. Ao se comparar o fim de semana de abertura do filme de 2009 com o de seu homólogo de 1980, em dólares americanos ajustados a 2009, o Sexta-Feira 13 original arrecadou 17 251 975. Embora o filme de 2009 tenha sido mais lucrativo, ao se contabilizar o número de cinemas em que cada película foi lançada, a de 1980 rendeu uma média de 15 683 dólares por cinema, em comparação com a média da de 2009, de 13 066 dólares por sala.
Reação da crítica
Com base em 166 críticas coletadas pelo website Rotten Tomatoes, agregador de críticas cinematográficas, Sexta-Feira 13 tem um percentual de 25 por cento de aprovação dos críticos especializados, com uma pontuação média de 4,2 em 10. O consenso diz: "Embora tecnicamente bem construído, Sexta-Feira 13 é uma releitura dentro da série que pouco apresenta para distingui-lo de seus antecessores." O Metacritic, que atribui uma classificação normalizada com base em 100 críticas de críticos convencionais, calculou uma pontuação média de 34 com base em 29 críticas. O público que colabora com o serviço de pesquisa de mercado CinemaScore deu ao longa-metragem uma nota "B-" em uma escala que vai de A + a F. Pesquisas de sondagem mostraram que 51 por cento do público do filme era do sexo masculino e 59 por cento tinham pelo menos 25 anos de idade.


